O estado da coisa…
16 Abril, 2011
“Os nossos desiquilíbrios externos são substancialmente piores do que os da Argentina em 2001, ano em que esta entrou em incumprimento”…
Ver o resto, via Jornal de Negócios, aqui.
10 comentários
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Os desiquilíbrios estão algo desequilibrados.
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Bem nesse caso então a situação é ainda muito pior do que se pensava.
Na Argentina a situação assumiu contornos dramáticos. Isto é muito sério.
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Os nossos desiquilíbrios externos são substancialmente melhores do que os dos Estados Unidos em 2011, ano em que estes não entraram em incumprimento”…
Agora também lhe soa ridículo?
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“Porquê que uma reestruturação/reescalonamento da dívida é desejável do ponto de vista de crescimento económico a prazo?
Por três motivos. Em primeiro lugar, os juros que pagamos ao exterior sobre essa dívida (4,6% do PIB em 2010, aproximadamente equivalente às importações de energia, tendência crescente) são subtraídos ao rendimento disponível nacional provocando uma redução de actividade económica doméstica. Em segundo lugar, após essa reestruturação de dívida, o país terá muito mais dificuldade em financiar importações e, em resultado, o défice comercial cairá abruptamente (quem vende a Portugal não estará disposto a vender se o país não for capaz de pagar).
Finalmente, o aumento do desemprego que resulta do sobre-endividamento – que se verifica já em Portugal desde o inicio da última década – tem como consequência um aumento substancial da emigração e um desperdício de capital humano. Desses efeitos resultam reduções da procura e do PIB e, no futuro, uma redução da taxa de crescimento potencial da economia.
Claro que o processo de ajuste externo tem de ser bem planeado, com ponderação das alternativas e participação dos principais intervenientes internos, de forma a criar os instrumentos necessários para gerir o processo e, sobretudo, para negociar um acordo com a UE, BCE, FMI e outros credores.”
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No mesmo artigo.
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Então analisemos com calma o que diz o autor. A questão dos juros pagos actualmente abarcam quase tanto como às importações de energia. E depois de uma possível reestruturação, qual será o nível das taxas de juro? Não será 2 ou 3%. Será sempre na casa dos 10%. Mesmo com um perdão de dívida de 30 ou 40%, sem superávites orçamentais, os custos do pagamento de juros abarcará smepre as importações de energia. Penso que o autor (e muitos como o autor) estão mesmo convencidos que podemos fazer um default e pagar menos juros. Pensam que voltaremos a um regime monetário pré-creditcrunch. Mas estes autores sabem mesmo o que dizem? Então no passado histórico os defaults não foram sempre acompanhadas por taxas de juro bastante mais altas?
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Depois diz o autor assim. Após a reestruturação que as importações cairão abruptamente. Mas cairão porquê? Com ou sem default, as importações terão que cair em termos de composição do PIB. Não é o default que vai baixar as importações. pelo contrário, se é mesmo uma queda das importações o desejado, pagar taxas de juro mais altas é o ideal.
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“Finalmente, o aumento do desemprego que resulta do sobre-endividamento – que se verifica já em Portugal desde o inicio da última década – tem como consequência um aumento substancial da emigração e um desperdício de capital humano. Desses efeitos resultam reduções da procura e do PIB e, no futuro, uma redução da taxa de crescimento potencial da economia.”
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E vai ser o default que vai impedir a emigração? E logo ele que invoca o caso argentino?
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Tenham paciência. Mas é este o nível do pensamento das nossas academias? Vou ali e já venho.
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O que é que Portugal tem que fazer? Em primeiro lugar. Superavites orçamentais. É curioso a mentalidade de caloteiro da nossa academia. (Os mesmos que forma incapazes de prever o colapso do antigo sistema monetário, do credit crunch e do do colapso financeiro do Estado português). Já falam em dar o default e nem sequer apontam uma medida básica para evitar o default: superavites orçamentais. Eu não vejo um único economista que aponte este caminho, senão pregar calotes aos nossos investidores. Mas esquecem-se que podemos espetar um calor hoje mas depois pagamo-lo nos próximos 20 ou 30 anos sob a forma de taxas de juro. Tirando o Cadilhe, a mentalidade é espetar um calote.
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Mas há mais. O que assusta, e bem, muitos economistas tugas, é a dívida escondida das PPPs, por exemplo. Que devem somar-se aos compromissos do Estado já existentes sob a forma de dívida emitida. Mas algum destes economistas diz o óbvio? É preciso renegociar estas PPPs e até rasgar contratos, mesmo que na prática esteja-se a fazer um haircut a este tipo de investidores? Claro que não. Preferem espetar perdas aos detentores de dívida internacionais, que na sua boa fé, acreditaram no Estado tuga, sem corrupção e negócios esquisitos, investiram em Portugal. Mas este tipo de negócios, com elevada obscuridade, indicios de corrupção e contratos leoninos contra o Estado, não são para serem tocados.
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De erro em erro, os portugueses estão a caminhar para o abismo. Vão meter-se num sarilho que os vai marcar para 20 ou 30 anos. Pior. No dia em que Portugal der dafault, arriscamo-nos a ser corridos do euro. Os portugueses que se armem em carapaus de corrida e vão ver o que é bom para tosse. Não abram os olhos, não.
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É mesmo confrangedor o nível de pensamento crítico da nossa academia. É mesmo confrangedor. Os académicos costumam ser uns nabos nas questões práticas, mas os nossos até a pensar são mancos. Ou vesgos. Dá-se!
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Não brinquem com os mercados. Não lhes tentem fintar que eles na hora da verdade são cruéus, frios e até mesmo vingativos. Quem avisa, amigo é.
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“Os nossos desiquilíbrios externos são substancialmente melhores do que os dos Estados Unidos em 2011, ano em que estes não entraram em incumprimento”…”
AH !!! Mas os estados Unidos podem imprimir dinheiro !!!
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Eu só peço que qualquer um que advogue um default medite nesta coisa simples. Imagine-se duas emissões de dívida do Estado português,a cupão zero, mas com taxas d ejuro 6% ou 10%. Façam lá as continhas e depois digam-me se o default resolve algum problema. Não resolve. Agrava-o, porque na prática está a atirar os custos da dívida para prazos mais longos. No fundo é querer ganhar tempo para evitar a asfixia financeira e o colapso da tesouraria mas com custos muito mais altos, mas pagos ao longo do tempo. É como um particular ir ao banco e pedir uma renegociação do empréstimo e passar um crédito á habitação, de 20 para 50 anos. Em termos práticos alivia o esforço no futuro imediato mas mas alarga esse mesmo esforço no tempo.
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O Salazar por acaso deu algum calote aos seus investidores? Não. E não beneficiou desse honrar dos compromissos, sob a forma de taxas de juro baixas e uma moeda forte ao longo de quase todo o tempo que esteve no poder?
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Nós podemos partir para as negociações com a ameaça de default. Mas essa ameaça tem custos, como se vê pela subida exponencial dos juros da Irlanda e da Grécia, precisamente pelo descontar do eventual default. Mas depois, após a renegociação da dívida, os juros continuarão mais caros que se não houvesse um default.
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Ora, Portugal para não perder credibilidade internacional (é preciso que se meta na cabeça isto, de uma vez por todas: é a terceira vez em menos de 30 anos que estamos na falência e num regime monetário pós creditcrunch isso vai implicar, sempre, custos que perdurarão mais ou menos no tempo). Para não perder credibilidade internacional, é preciso que a sociedade portuguesa passe a ter como objectivo superávites orçamentais. Pois serão estes uma garantia maior, a qualquer credor que seja, que iremos pagar as dívidas. Ora, é isto que tem que acontecer mesmo em Portugal. Baixar a dívida por duas vias. A nominal (PIB a preços do mercado, incluindo a inflação) e pela via de poupanças no Estado, que vão baixando a dívida pelo fim da emissão de novas dívidas e irmos pagando as que vão vencendo.
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É evidente que existe uma pressão elevada entre o vencimento das dívidas e a capacidade de gerar superávites orçamentais, mas para isso devemos aproveitar a entrada do FMI para precisamente ganhar tempo e acesso a financiamentos que nos permitem fazer face aos pagamentos nos próximos 2 ou 3 anos.
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Porquê que a Grécia está sob o espectro de uma reestruturação da dívida e a Bélgica, por exemplo, não? Porquê que a Bélgica (e até a própria Itália) durante anos teve uma dívida pública tida também como insustentável (já algum iluminado deu-se ao trabalho de analisar o peso da dívida pública belga ao longo dos últimos 50 anos?), conseguiu financiar-se nos mercados internacionais? Porquê? Porque os credores sabiam que, independentemente do partido político que estivesse no poder, a Bélgica sempre pagaria as suas dívidas.
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Eu acho que é melhor alguns meditarem neste simples gráfico:
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http://debtagency.be/en_data_public_finances.htm
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Este tipos que advogam o default conseguem explicar-me o porquê que uma dívida pública de 134% do PIB não estoirou com a Bélgica. Expliquem-me, usem as teorias económicas para me convencer porquê que eles, os belgas, mesmo com uma dívida pública de 134% do PIB, não foram à falência.
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Mas eu explico. Os credores dos belgas sabem, que bem ou mal, é ponto assente que a Bélgica pagará sempre as suas dívida até ao tostão.
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Porquê que os credores duvidam de Portugal? É só pelo crescimento económico? Não, não é. É precisamente pela falta de credibilidade dos portugueses em honrarem os seus compromissos. Mas se os portugueses se mostrarem resolutos no honrar dos seus compromissos e fizerem reformas estruturais que baixem o peso do Estado e sejam pró-crescimento económico, os credores internacionais acabarão por voltar a exigir menos prémio de risco por deterem dívida portuguesa.
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Mas não. A mentalidade caloteiro é mais fácil, não é. Pregar um calote mesmo que depois, durante pelo menos 20 ou 30 anos, paguemos prémios de risco muito acima dos nossos concorrentes mais directos, como Espanha, Itália ou até mesmo Marrocos.
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Enfim, os portugueses não têm mesmo estaleca para competir ao mais alto nível. Pffff!
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“AH !!! Mas os estados Unidos podem imprimir dinheiro !!!”

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Na prática estão a fazer um default da sua dívida pela via da inflação. Mas isso não explica tudo.
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Vejamos este gráfico, da dívida americana:
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Porquê que a dívida pública americana na casa dos 100% do PIB não estoirou com eles? Porque os credores americanos acreditarão que os USA iriam sempre pagar até ao último tostão as suas dívidas. Mesmo que pelo caminho tenham levado com um haircut monetário. Ou pela emissão de novos dólares. E mesmo assim com o fim do padrão-ouro, quando a emissão de moeda se mostrou incapaz de resolver os problemas de fundo da economia americana.
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É a mesma coisa em relação a sair do aéreo, hoje cada vez mais falado em Portugal. Que o Pedro Arroja inaugurou em termos de dizer em voz alta o que pensam.
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Portugal está hoje dentro do aéreo e este está cotada perto dos seus máximos históricos contra o dólar, ainda a moeda de referència e de reserva do mundo. E dizem que dentro do aérero não podemos competir. Mas algum caramelo já se deu ao trabalho de verificar os últimos dados das exportações portuguesas? Então Portugal não tem as suas exportações a crescer acima dos 20% ao ano, em termos homólogos? As exportações portuguesas para fora da Zona €uro não estão a crescer? No caso das exportações para o Brasil não estão a crescer acima espectacularmente? Então é o aéreo que nos impede de exportar? De crescer? mas está tudo doido? Está tudo tolo? É oda esta gente maluquinha da cabeça? Porra, é preciso ser-se burro para se dizer que o €ruo nos impede de crescer.
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Nós temos uma balança corrente fortemente deficitária. Temos uma taxa de inflação na casa dos 4% e não apenas se deve a bens energéticos, já que excluindo bens energéticos e produtos agrícolas, ela está quase nos 3% ao ano. Logo, as taxas de juro cobradas a Portugal, mesmo na casa dos 7 a 8% não são más. São saudáveis, pois é o próprio mercado a tentar corrigir os nossos desiquilibrios.
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Ora, na presente recessão (e dando de barato que estamos em recessão), quais as componentes do PIB que nos estão a trazer a actividade económica para o vermelho? O consumo. Tanto público e privado. Mas isso é mesmo o que Portugal precisa. O consumo tem que perder peso relativo na composição do PIB para as exportações e para o investimento. Mas neste momento, o consumo já está a perder peso para as exportações. Só o investimento continua negativo e precisa de levar tempo até que o investimento produtivo seja maior que aquele canalizado para o consumo. Mas as exportações portuguesas estão a crescer acima dos 20% ao ano e, até, a produção industrial está a crescer, precisamente pela substituição da produção rumo ao exterior estar a contrabalançar a produção rumo ao mercado interno.
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Portanto, o euro não impede Portugal de crescer. O que impede Portugal de crescer é a desalavancagem necessária, tanto das familias como do Estado. Mas isso é saudável e não deveria preocupar tanto os decisores económicos como os políticos. O que deveria preocupar os portugueses era baixar drásticamente o peso do Estado na economia, mesmo que com custos no curto prazo. E deixar o tecido produtivo respirar e ganhar peso na composição do PIB. E deixar os agentes económicos mudarem as mentalidades e passarem a ver o mercado externo como natural saída para o nosso crescimento económico.
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Portanto, Portugal não precisa de sair do €uro nem dar um calote aos seus investidores. Portugal precisa de pensar as coisas, não para os próximos 5 anos, mas para os próximos 30 anos. E fazer um default é pensra no curto prazo para sacrificar o longo prazo. É uma estupidez. É um erro de todo o tamanho. É ser caloteiro com a ideia que fugindo hoje aos seus compromissos vai ganhar com esse acto, mas que depois, passados 10 ou 20 anos, ainda pagará a sua irresponsabilidade passada. Caramba. Alguém já se perguntou que, passados 10 anos da saída do FMI em Portugal, ainda pagavamos taxas de juro reais na casa dos 6, 8 e até 10%?
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Nunca vi tamanha tacanhez, incapacidade de pensar o futuro e falta de discernimento como nas academias tugas e nos opinion makers. São mesmo tótós. Gulp! Bolas, eu pensei que tinham aberto os olhos, pelo quase falhanço completo em prever este colapso do Estado e agora são incapazes de pensar numa boa daída para o sarilho em que nos metemos. Bolas! É mesmo triste o que sai das academias tugas. Safa! Azelhas!
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Vai uma corridinha aos balcões? 😉
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Eu já levantei o «meu» e pú-lo a salvo!
Imaginem se Passos Coelho ganha as eleições!
Para eu sair de Portugal preciso de $$$$!
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