Portugal e os portugueses são capazes de fazer melhor*
Um fraco rei faz fraca a forte gente, escreveu Luis de Camões. Mal sabia ele como o destino próximo (D. Sebastião) e o destino longínquo (a quase bancarrota de 2011) lhe dariam razão. Mais: como a história da Humanidade nestes cinco séculos confirmaria uma intuição que, mais do que assente na fulanização dos destinos colectivos, permite compreender a importância das instituições e das políticas no sucesso e no insucesso das nações. Convém recordá-lo para recuperarmos a esperança, pois se não podemos mudar de povo, podemos de hábitos e de líderes.
Max Weber associou, no princípio do século XX, o sucesso do Ocidente (e o triunfo do capitalismo) ao tipo de cultura que se desenvolvera na Europa do Norte a partir de Idade Média e ao que designou de “ética protestante”. Mais recentemente David Landes, em A Riqueza e a Pobreza das Nações, desenvolveu esse argumento mas reconheceu também a importância das instituições. Por fim, o historiador Niall Fergusson, numa obra acabada de publicar – Civilization, The West and the Rest –, chama a atenção para o facto de, mesmo considerando que as instituições e as lideranças são fruto da cultura de uma nação, a imposição de instituições erradas poder “tornar fraca a forte gente”. E dá três exemplos do século XX: os destinos diferentes dos alemães na RFA e na RDA, dos coreanos do Norte e do Sul e dos chineses na República Popular ou em Hong Kong e na Formosa.
Servem estas brevíssimas referências a uma antiga discussão – o porquê do triunfo do Ocidente – para sublinhar um ponto que, nestes dias de sombras e de ruínas, tem sido muitas vezes esquecido: Portugal e os portugueses são capazes de fazer melhor. Os portugueses fazem todos os dias melhor quando enquadrados por instituições mais saudáveis e em ambientes onde os estímulos são os correctos, como mostram os nossos emigrantes ou como se comprova na Autoeuropa (onde o Código do Trabalho não é cumprido mas é cumprido o acordo com os trabalhadores). E Portugal foi, entre 1960 e 1998, um país apontado como exemplo de crescimento e rápida modernização, um país que viveu dois boom impressionantes (entre 1965 e 1973 e na segunda metade da década de 1980).
Ou seja, foi e é possível. Desde que os tempos sejam de mudança.
Na sua comunicação ao país, o Presidente da República sublinhou a importância de “aproveitar este tempo difícil” para “mudar de vida e construir uma economia saudável”. Disse mesmo que não temos outra opção senão “acabarmos com vícios que afectam o funcionamento do Estado, das empresas e dos mercados”. O que passa por “trabalhar melhor e poupar mais”. Resta saber como fazê-lo.
Niall Ferguson procurou, na obra citada, sistematizar o “conjunto de instituições e de ideias e comportamentos” que permitiram o rápido desenvolvimento do Ocidente até uma hegemonia mundial para a qual, há 500 anos, o milenar Império Chinês parecia mais fadado. E o primeiro factor que identificou foi a existência, na Europa, de uma forte concorrência não só entre Estados, como no interior de cada Estado, concorrência essa que potenciou a inovação e levou a que se procurasse sempre mais e melhor. “Porque é que Vasco da Gama procurava de forma tão desesperada a riqueza – e matava em nome dela?”, interroga-se Ferguson depois de descrever algumas das brutalidades do grande navegador. “Podemos ver a resposta olhando para o mapa da Europa medieval, onde encontraremos centenas de Estados que competiam entre si”.
Se pensarmos que um Mercedes ou um BMW são fruto da concorrência pela excelência e que um Trabant representava o maior triunfo do “planeamento estatal”, não é difícil transpor para a actualidade a importância deste primeiro factor identificado por Ferguson, até porque ele simboliza bem o que separava a cultura política da triunfante RDA das opressivas regras da RDA. Numa escala diferente, sem sairmos da referência central do Estado de direito democrático, a experiência sueca também nos mostra como a introdução de concorrência na prestação dos serviços públicos permitiu resgatar o Estado social da falência. Há vinte anos o Estado sueco ainda assegurava o monopólio absoluto da prestação de serviços sociais e oferecia regimes de protecção tão vantajosos que corroera a ética do trabalho, pois quase não era necessário trabalhar para vier confortavelmente. Até que o país cuja economia mais crescera em todo o mundo nos 150 anos anteriores entrou em crise, percebeu os limites do seu “Estado ama-seca” e escolheu políticos que propunham a liberdade de escolha entre prestadores de serviços públicos. Em duas décadas a Suécia trocou o seu “Estado tutor” por um “Estado facilitador”, reduziu em quase vinte pontos a despesa pública, retomou o crescimento económico e até tem conseguido reduzir a sua dívida pública.
Introduzir mais concorrência em todos os sectores da nossa vida económica e social, inclusive na Administração Pública, não requer reformas muito complicadas mas fará com que todos, mesmo os instalados, se sintam menos confortáveis nas suas inércias e sejam obrigados a trabalhar melhor. A 5 de Junho também temos de fazer essa opção, mesmo que isso comporte sempre algum risco. Só que o nosso maior risco é não mudar. Do que devemos ter medo é da paralisia defensiva.
Público, 13 Maio 2011

> Um fraco rei
Então se for presidente à espera de não chatear muito os bandidos que saqueiam o país …
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O ‘fraco rei’ não seria, para Camões, claro, el-rei D. Sebastião, mas D. Fernando… o formoso… Ao contrário do que se julga o poeta foi um dos que contribuiu para o desastre de Alcácer Quibir; ele estava fascinado pela maravilha fatal da nossa idade e pelo bom senso dos velhos do Restelo que queriam fazer com D. Sebastião fazer a cruzada no Algarve de além-mar. Os poetasem geral, mesmo quando são enormes como Luís Vaz, politicamente são uns palermas. O que o Zé Manel aprendeu na escola e o que as criancinhas continuam a aprender é de fugir. Isso e ser custodiado pelo ranhoso, o doutor da mula ruça José Pinto de Sousa.
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É verdade.
Os portugueses são capazes de fazer melhor.
Muito melhor, se não tivéssemos estas oposições bota-abaixistas, vira-casacas, anárquicas e anacrónicas.
Quem vem de fora, e se apreciar o nível de crispação e guerrilha que existe na sociedade portuguesa, diariamente fomentado por uma oposição que é uma verdadeira anedota, poderá chegar à conclusão que está na Tailândia, onde os «vermelhos» lutam contra os «amarelos».
Só falta fazer barricadas, já que «barraca» é todo o santo dia…
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Qual poetas, qual que !…
Governantes ? Mais uma vez ficou hoje provado que nada mandam — o primeiro sinal forte post troika, para a esperanca tuga, aconteceu algures aih em Fatima: o Sol cercado por um perfeito anel arco-iris. !
Haja redobrada esperanca, pois !
Quantas criaturas presentes no santuario duvidaram dum ‘sinal’/milagre ? Quantas nao acreditaram ‘nele’ ao ‘ve-lo’ nos noticiarios das tv’s ? Isso explica porque o povinho-NADA em quase tudo acredita, teme o poder divino ou outro, e curva a coluna, vota nos seus carrascos… ‘Santa’ ignorancia ! Repito pela enesima vez: Eh tao facil governar o poveco tuga….
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Portugal fará sempre melhor, e para o provar temos o melhor PM desde Viriato.
O Homem que consegue fazer um almoço com 100 (ou mais mulheres) sem levar a sua.
O Homem que a Merkel admira até às lágrimas.
Aquele que luta com todas as suas forças contra o FMI e é pela UE que paga os maiores juros.
O Homem que sabe explicar aos contribuintes como conseguiu levar a melhor – mesmo que ele (nós) tenha levado pela medida grande.
O Homem que sem apresentar qualquer governo credível apresenta-nos os seus amigos como se uma família fossem.
O Homem que nos vai levar a todos para Madrid de TGV.
Espero que se ele for o último a sair que pelo menos apague a luz.
Segundo parece a EDP vai aumentar as taxas.
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Carlos Dias,
O ‘sinal’ surgido ah volta do Sol tambem tem a ver com a electricidade: foi um aviso ‘divino’ aos idiotas tugas sem dinheiro necessario para viverem condignamente e que acreditam nos carrascos. Preparem-se para viverem durante os proximos tres aninhos com cortes na electricidade por falta de pagamento. Resta-lhes a luz diurna…
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Não sei se repararam, mas hoje no debate da SIC, Paulo Portas foi simplesmente DEMOLIDOR para com o seu adversário.
Passos Coelho até parecia um jotinha a juntar as palavras, tal era a desorientação que ia naquela cabecinha.
A «Direita», se quisesse vencer, só tinha uma coisa a fazer: tinha apresentado Portas como «candidato» a Primeiro-Ministro, o único que poderia « bater» Sócrates aos pontos…
Mas como não quiseram ouvir o meu tio Asdrúbal que vive no Funchal, agora vão ter que chupar mais uma!
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Portas perdeu hoje claramente o debate… apresentar-se ao debate sem ideias e sem programa? Portas nem com um vestido preto se compromete… é o deixa andar com o disco a dar sempre no mesmo para agradar a gregos e a troianos!
Ficamos foi com uma certeza, caso não haja maioria absoluta do psd, e mesmo que o ps ganhe, quer irá governar irá ser PSD+PP. E neste ponto o presidente da républica já deu o mote.
Siceramente esperava-se mais de um tipo como o portas que diz que quer ser primeiro ministro: simplesmente foi ridiculo!
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Ó Arlindo, tem juízo. Ainda não percebeste que o tempo do PS acabou–que é necessário acabar com a sua legião de deturpadores oportunistas. O PS vai sair do Governo e vai ficar afastado dele durante muito tempo.
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Bonaparte:
Tem paciência.
Quem me tira o champanhe e a lagosta, tira-me tudo.
Havemos de resistir…
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entreguem a republica ao FMI
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Isto ainda acaba à US: Partido Democrata / Partido Republicano, ou seja,
O CENTRÃO ABSOLUTO: PS+PP+BE AGAINST PSD+CDS/PP.
MAS TEMOS QUE ESPERAR QUE FINALMENTE SE CHEGUE À CONCLUSÃO
____É ABSURDO UM PARTIDO CRISTÃO DEMOCRATA/LIBERAL,
____É ANACRÓNICO UM STALINISTA (como o PCP),
____É RISÍVEL UM BE SEM SUPORTE IDEOLÓGICO ou MARXISTA . . .
(seria o fim da Era Revolucinária . . . e AINDA BEM).
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Camaradas. A frase está nitidamente ao contrário. O certo é:
“Fraca gente faz fraco o forte rei”.
É este o facto que observamos diariamente, com o Povo correndo atrás das quimeras da vida fácil. E em democracia, o rei é tão fraco como a maioria do eleitorado. Estudem o Saldanha, camaradas!
*
No tribunal. A juiz:
— Então a senhora é uma mulher de vida fácil?
A arguida:
— Vida fácil? Vê-se que V. Exa. não anda nela…
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Muito bom!
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