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O medo que por aí vai de um pouco mais de liberdade económica…

26 Junho, 2011
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Manuel Alegre, num artigo que escreveu sábado passado no Expresso, constatava que “a esquerda perde e a direita ganha”, e que ganha “com a ideologia e as receitas que estiveram na origem da crise”. Esta preposição surgia como um axioma, insusceptível de discussão. Mário Soares tinha dito o mesmo, Miguel Sousa Tavares usara palavras muito parecidas na semana anterior. Curiosamente isto que é apresentado quase como uma fatalidade e, deduz-se, como sinal da irresistível atracção para o abismo dos eleitorados – quando não de tendências suicidas… –, não suscita a necessária reflexão: se é assim tão paradoxal, porque está a suceder?

Na realidade esta “verdade evidente” não passa de mais uma expressão da mesma “doença infantil” do pensamento e do comentário político que, em Portugal, tende a uniformizar tudo e a catalogar toda e qualquer heterodoxia como “neoliberal” ou mesmo “ultraliberal”, dois pecados sem explicação. Assim evita-se pensar – basta catalogar – e segue-se em frente sem sequer notar no ridículo dos axiomas. Como se pode dizer, por exemplo, que em Portugal venceram “as receitas que estiveram na origem da crise” quando a nossa crise tem origem na falta de competitividade da economia e no endividamento, dois males causados por excesso de rigidez dos mercados e excesso de peso do Estado? Até parece que tudo se reduz à crise dos mercados financeiros e que esta se explica pelo maniqueísmo do filme Inside Job, essa espécie de nova bíblia de antigos cultores de O Capital…

Daí também algumas reacções mais ou menos pavlovianas às escolhas para o novo Governo. O jornal “i”, por exemplo, apresentava o novo ministro das Finanças, Vitor Gaspar, como “um liberal da linha dura, que defende que o mercado deve funcionar por si próprio, deixando ao Estado o papel de regulador”, assim formulando uma curiosa definição do que é um liberal. Já Manuel Maria Carrilho referiu-se a Álvaro Santos Pereira como “um liberal puro e duro na versão anglo-saxónica”, secundando o mesmo jornal “i” que o descreveu como “um economista típico da direita liberal”. Como consequência destas escolhas – ou das de Nuno Crato, ou de Paulo Macedo – estaríamos, escreveu-se neste jornal, perante algo que representa a “apologia do mérito, da responsabilidade, da ortodoxia orçamental, da liberdade económica”, o que nos deixaria sem “dúvidas de que Portugal vai virar radicalmente à direita”. A “direita”, certamente agradecida por esta sua associação ao mérito e à responsabilidade, viu ainda ser-lhe colada a “percepção ideológica” (confuciana? leninista?) de que “a crise é um momento único para rupturas”. Enfim…

 

Há, em todas estas passagens, e em muitas mais que seria fastidioso referir, um traço comum: o preconceito contra tudo que não seja a ortodoxia estatista que tem dominado a vida pública portuguesa não apenas nas últimas três décadas, mas nos últimos dois séculos. Sarsfield Cabral, que é tudo menos um falcão liberal, notava recentemente à revista The Economist que, “em termos económicos, Portugal é o menos liberal que é possível imaginar”. Isto porque “a economia dependeu de um Estado paternalista durante a maior parte da nossa história, o que inclui os anteriores governos do PSD” – e, acrescento eu, inclui também a longa noite salazarista.

Nas últimas eleições o agitar do “papão liberal” (um filão que também tentou o CDS) não evitou a mudança política, mas iludem-se os que acreditam que isso representou uma definitiva viragem cultural no sentido da abertura dos espíritos e do debate público. 25 anos depois de Lucas Pires e o seu grupo de Ofir terem proposto, pela primeira vez de uma forma consistente, uma plataforma de abertura aos mercados da economia portuguesa – e, já agora, 25 anos depois do Clube da Esquerda Liberal e da revista Risco –, o choque da globalização e as exigências do euro tornaram impossível a Portugal manter-se no casulo que Salazar teceu e o PREC blindou. Por absoluta falta de dinheiro para sustentar uma filigrana de pequenas dependências que, ao mesmo tempo, paralisam a economia e afastam o investimento. O dinheiro que nos falta terá de vir dos credores e das instituições que, através do famoso Memorando de Entendimento, não nos pedem para adoptarmos o capitalismo selvagem, apenas para tolerar algum capitalismo.

Numa intervenção recente numa conferência do Instituto de Estudos Políticos, Alexandre Soares dos Santos lembrou que, em Portugal, os empresários continuam a ser muito mal vistos pela maioria da população. Só que, sublinhou, “temos de decidir se queremos uma sociedade em que a iniciativa privada é aceite como alguma coisa de útil para o país, pois é ela que gera riqueza”. Essa decisão começou a ser tomada pelos eleitores quando fizeram as suas escolhas a 5 de Junho, mas os velhos hábitos custam a abandonar, e este velho país tem mesmo muitos velhos hábitos. Que, como a leitura da imprensa ou alguma atenção aos comentários televisivos comprovam, se entrincheiram facilmente por detrás de ideias feitas, conceitos imutáveis e, sobretudo, de incapacidade de imaginar que quando se fala de mudar de vida é mesmo para mudar de vida.

É por isso que não é demais recordar uma das mais lúcidas vozes socialistas, Luís Amado, que logo a seguir às eleições reconheceu que a economia portuguesa devia ser submetida a um “choque liberal” para conseguir uma real aproximação à Europa. Isso, acrescentou, até “deve ser feito por um conjunto de forças políticas que têm na sua matriz identitária um conjunto de referências programáticas e ideológicas muito próximas do que é hoje a realidade da economia europeia”. Passos Coelho disse algo de semelhante na sua última entrevista ao Financial Times, quando referiu que o PSD “acredita nas mudanças que têm de ser realizadas”, ao contrário do PS, que promovia as reformas a contra-gosto.

No fundo, o choque da realidade – e a nossa incapacidade para continuarmos a ir ao Casino, sentarmo-nos à mesa dos ricos e pagar tudo com dinheiro emprestado – obriga-nos a ser mais normais. Isto não é nenhum sinal de “ultraliberalismo” ou de submissão à temida Escola de Chicago: é apenas deixarmos de ser tão proteccionistas, tão socialistas, tão dirigistas e tão corporativistas como nos habituámos a ser. E tornarmo-nos mais Europeus, logo mais responsáveis, mais meritocráticos, mais livres, mais abertos.

Nada disto é radical ou especialmente ideológico. Temos é de nos habituar à nova vida.

Jornalista

53 comentários leave one →
  1. Gonçalo's avatar
    26 Junho, 2011 10:46

    Sobre o cheque-ensino, uma reflexão, já antiga, no blog Ocontradito.
    Vale a pena, partindo dela, estabelecer uma solução actual. O momento é propício.
    http://notaslivres.blogspot.com/2011/06/cheque-ensino.html

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  2. espumante's avatar
    26 Junho, 2011 10:58

    Chapeau.

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  3. Realista's avatar
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    26 Junho, 2011 11:03

    É sempre bom fazer a vida sem esforço e com os outros a pagarem-nos as contas. Sobra-nos assim mais tempo para nos indignarmos com o papão liberal.
    Não se iluda porque a demagogia de esquerda está intrincada nos portugueses até aos ossos.
    Não morreu. Está à espreita.
    À espera que outros arranjem mais dinheiro.

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  4. tina's avatar
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    26 Junho, 2011 11:25

    Basta ver que as grandes medidas tomadas pelos países em apuros vão no sentido de liberalizar a economia e diminuir o peso do estado, ou seja de uma política liberal. E que os países em maiores apuros, como Grécia, Portugal e Espanha eram governados, ou tinham sido governados até muito pouco tempo antes, por socialistas.
    .
    Mário Soares e MST são uns invejosos, que têm ódio pelas pessoas mais ricas e com mais sucesso do que eles. Por isso não se importam de prosseguir a sua agenda suicida, mesmo que esta só conduza à ruína. Pode-se mesmo dizer que o seu comportamento é criminoso. Enquanto Manuel Alegre é apenas um pateta, que não sabe o que diz.

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  5. 100anos's avatar
    100anos permalink
    26 Junho, 2011 11:30

    Mas não foi o governo dos camaradas de Manuel Alegre que adoptou soluções claramente de direita perante a complacência de todo o PS, incluindo Alegre e Soares ?
    De que é que se queixam, e porquê ?

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  6. bulimunda's avatar
    bulimunda permalink
    26 Junho, 2011 11:43

    POIS É..

    A Nossa Falsa Verdade ….

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  7. bulimunda's avatar
  8. bulimunda's avatar
  9. bulimunda's avatar
    bulimunda permalink
    26 Junho, 2011 11:46

    RESTA-NOS ESPERAR QUE ALGUM ANJO…

    http://zebedeudor.blogspot.com/2011/06/classicos-da-carracaas-asas-do-desejoo.html

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  10. bulimunda's avatar
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    26 Junho, 2011 11:47

    Um destes dias e já não está longe tanto esquerda como direita vão
    diluir-se..desvanecer-se..restará a sobrevivência e pouco mais…e aí será completamente indiferente tudo o resto…

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  11. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 11:48

    “… quando a nossa crise tem origem na falta de competitividade da economia e no endividamento, dois males causados por excesso de rigidez dos mercados e excesso de peso do Estado…”
    Pois é. Por um lado, a mania de os portugueses quererem ganhar mais do que os alemães, retira competitividade, por outro, os bancos oferecerem dinheiro relativamente barato em empréstimos para férias e para trocar de sofás! Isto tudo por culpa do excesso de peso do Estado. Repare-se que os chineses têm tido imensas facilidades em entrar nos mercados por terem um Estadinho que quase nem é bem um Estado.

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  12. tina's avatar
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    26 Junho, 2011 11:53

    Nem sei como uma mulher inteligente e equilibrada como Teresa Caeiro vai casar com o rancoroso do MST. Não há dúvida de que o amor é cego.

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  13. Fincapé's avatar
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    26 Junho, 2011 12:06

    Ei, Tina! CONCORDO! 🙂

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  14. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    26 Junho, 2011 12:16

    Não há papões liberais. O que existe é a mesma gente com outra roupa. E uma enorme falta de respeito mútuo, que tudo envenena. Isto por cá é pequenino. E, tal como nos bailes de carnaval da minha terriola, em menos de dois segundos sabemos bem quem vai dentro de cada máscara. O drama nacional é o da falta de memória. A mesma gente, os filhos da mesma gente, que puta de diferença é que faz se agora se agora se dizem liberais???

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  15. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    26 Junho, 2011 12:45

    João Santos,
    .
    O Esfregão Oblívio refaz todo o passado. Por isso, em Portugal é mais fácil prever o futuro do que o passado.

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  16. A. C. da Silveira's avatar
    A. C. da Silveira permalink
    26 Junho, 2011 12:52

    Manuel Alegre é o marxista mais burgues de Portugal. Mario Soares é mais burgues do que ele, mas não é marxista. Poeta mediano, às vezes a roçar o mediocre, as suas intervenções nos media são normalmente de uma pobreza franciscana. Gostei do livro do cãozinho, mas tive um colega na 4ª classe que fez uma redação sobre o cão dele, muito mais engraçada e bem escrita que o livrinho do Alegre.
    Sendo uma fraca cabeça, ele ainda não percebeu onde é que o partido dele nos meteu. As politicas do Partido Socialista puseram em causa por muitos e bons anos qualquer arremedo de estado social; seja na saude, na educação, nas reformas, abonos de familia e nos subsidios varios, a começar pelo subsidio de desemprego. Em vez de falar em coisas cujo significado ele desconhece, e agitar fantasmas como o “liberalismo”, “neo-liberalismo” e outras patetices, seria melhor apontar o dedo a quem destruiu o país: o camarada dele Socrates e o partido dele, o Partido Socialista.

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  17. bulimunda's avatar
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    26 Junho, 2011 12:57

    Título: A Guerra dos Impérios – A China contra os Estados Unidos da América
    Autor: François Lenglet
    Chancela: Bertrand Editora
    Género: Ensaios e Documentos
    Tradução: Susana Pires
    Nº de páginas: 200
    PVP: 14,90€
    Nas livrarias a 17 de Junho

    Rivalidade entre a China e os Estados Unidos terá originado uma nova “guerra fria”? O que virá a seguir?
    De modo directo e inquietante, François Lenglet descreve as etapas de um confronto iniciado há quarenta anos no segredo das chancelarias e localiza os diversos terrenos onde os dois gigantes de hoje se desafiam – do espaço às profundezas do mar, de Wall Street a Hong Kong.“A guerra dos impérios vai, portanto, decorrer numa conjuntura perigosa, que exacerbará as rivalidades. Antes de visitar os campos de batalha deste conflito, é preciso explorar a origem das relações entre os Estados Unidos e a China: quarenta anos batidos ao ritmo de milésimos em «9», ao longo dos quais se construiu uma relação complexa e ambígua, feita de admiração e de desprezo recíprocos, de necessidade mútua e de dependências insuportáveis. Uma relação que se tornou o enredo estratégico e económico do planeta, e cujo futuro determina o nosso destino.”

    Sobre o autor:
    François Lenglet é director de redacção do diário económico La Tribune. É igualmente cronista nas rádios RMC e BFM, bem como na BFMTV. Viveu dois anos na China.

    SEGUNDO ALGUNS AS ELITES MUNDIAIS COMEÇAM A PENSAR EM PREFERIR O MODELO DE VIDA E ECONÓMICO CHINÊS…

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  18. João Santos's avatar
    João Santos permalink
    26 Junho, 2011 13:39

    Não há esfregão que apague a mesma gente, os filhos da mesma gente, e afinal que puta de diferença é que faz se agora se agora se dizem liberais???

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  19. R's avatar
    26 Junho, 2011 14:02

    As pessoas não estão conta uma suposta liberdade económica, mas sim contra a imposição de uma ideologia que só funciona na teoria – como os recentes anos tem demonstrado por todo em mundo, inclusivamente com o origem na Meca EUA. É uma imposição que faz lembrar as utopias comunistas, quando havia uns senhores que diziam que tinham a solução para isto tudo, bastava segui-los sem nada questionar… Estão contra um liberalismo que só o é no campo económico, e que em termos individuais pretende que as pessoas se submetam a um modo de vida apenas porque, dizem-lhes, é inevitável. Ora a inevitabilidade não tem nada de libertário, nem de democrático.

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  20. bulimunda's avatar
    bulimunda permalink
    26 Junho, 2011 14:06

    OLHA UM ULTRALIBERAL DOIDO….SERÁ?
    http://www.ionline.pt/conteudo/131557-joao-ferreira-do-amaral-defende-regresso-ao-escudo

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  21. bulimunda's avatar
  22. tina's avatar
    tina permalink
    26 Junho, 2011 14:12

    “Manuel Alegre é o marxista mais burgues de Portugal. Mario Soares é mais burgues do que ele,”..
    .
    É exactamente o que passa com os socialistas portugueses. Uns burgueses a fingirem-se preocupados com os pobres. Mas no fundo o jogo do poder é muito mais importante e por isso ostentam a sua riqueza, tal como fazem as pessoas com complexos de inferioridade. Sócrates, com aquele apartamento da R Castilho, tipifica exactamente o socialista de hoje em dia. Faz lembrar o terceiro mundo, em que o povo passa fome mas os dirigentes vivem vidas de luxo.

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  23. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    26 Junho, 2011 15:13

    “Manuel Alegre disse(…)Mário Soares tinha dito o mesmo, Miguel Sousa Tavares usara palavras muito parecidas na semana anterior. ”
    .
    E já antes deles todos, o meu barbeiro tinha-o dito, por ter ouvido a um chofer de taxi.
    Quase sempre o mesmo acontece com os brilhantes comentários dessas aves raras.

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  24. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 15:24

    Com a qualidade de racicínios como alguns daqueles que aparecem acima, se aproveitados para resolver a crise, temos anunciado o toque a finados para aquela malvada que está a dar cabo na nossa vida.
    E que raciocínios são? A burguesia de esquerda. Se fosse possível, deveria aplicar-se um impostos apenas àqueles que, sendo de esquerda, têm umas coisitas de seu. Não relvia o problema, mas repunha a moralidade dos seres humanos que anda tão transviada. Já aplicar a mesma medida aos multimilionários que controlam o poder, isso não, porque não está na ideologia deles. Ou seja, quem tem riqueza pessoal, mas defende uma melhor redistribuição, deve ser social e materialmente punido. Quem defende a roda livre da redistribuição, pode acumular riqueza de forma de forma pornográfica que não há mal nenhum nisso.

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  25. eirinhas's avatar
    eirinhas permalink
    26 Junho, 2011 15:34

    Não há pachorra.Não se espera um pouco que seja para ver então qual é a direcção que o gov erno vai tomar!A acreditar,coisa que não faço,n aquilo que esses senhores da esquerda caviar já se apressam a apresentar como certo,não valeu então a pena mudarmos de gente!Pelos vistos devíamos ter continuado até à banca rota!Naturalmente,já teriam o seu futuro garantido noutras paragens,coisa que eu não tenho,portanto vou esperar, calmamente,acreditando que fazer pior não é possível.

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  26. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    26 Junho, 2011 16:15

    A Esquerda quer sugar os outros e comprar votos com esse dinheiro.
    Por isso sonham com “empresas exportadoras”
    Ou seja querem competitividade só para poder sugar impostos, não para que os Portugueses sejam mais livres e independentes.
    Em mais uma contradição julgam que se consegue tal coisa tendo 0(zero) competitividade cá dentro. Ajudam a construir um caldo de cultura anti-competição e esperam que nasçam empresas competitivas nessa cultura que incentivam…
    É como uma Mãe que quer um filho responsável mas todos os dias lhe quer escolher a roupa com que sai á rua.

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  27. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 16:57

    É bom saber que há pessoal que não se importa muito de ser sugado, desde que seja para acumulação de riqueza nas mãos de jogadores, da bolsa, por exemplo. Se for para melhorar a sociedade, para ajudar a transformar os hominídeos em HOMENS, isso não, que é muito grave! Quer dizer, um tipo da Wall Street (que eles também cá chegam), pode montar-nos à vontade porque colocam-nos selas douradas, mais um bonito freio e melhores esporas. Se for o Estado a querer redistribuir, evitando a falsidade de grandes rendimentos impossivelmente merecidos, credo, cai o Carmo e a Trindade. O mérito tem as costas largas! Só que, felizmente, agora TODOS conhecemos o mérito desses ALGUNS. Uma chatice!

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  28. bulimunda's avatar
    bulimunda permalink
    26 Junho, 2011 17:11

    Estado paga por ano 3 milhões às agências de rating
    Hoje

    Banca paga maior parte da factura. Fitch, S&P e Moody’s diminam. A canadiana DBRS é a excepção: analisa o BES e agora o BCP. Agências certificam dados, intermedeiam informação e dão notas às contas.

    Segundo o Público, o Estado português e as empresas públicas, incluindo a caixa Geral de Depósitos, pagam anualmente cerca da de três milhões de uros às agências de rating Standard&Poor’s, Moody’s e Fitch.

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  29. tina's avatar
    tina permalink
    26 Junho, 2011 17:39

    “Ou seja, quem tem riqueza pessoal, mas defende uma melhor redistribuição, deve ser social e materialmente punido. ”
    .
    Ninguém disse isso. O que está em causa é que esses socialistas são ricos à custa de ordenados e reformas chorudas que recebem do Estado. Como se pode defender uma política de igualdade por um lado e, por outro, viver muito melhor que o povo, utilizando dinheiro que poderia ser melhor redistribuído? Além disso, esses socialistas burgueses utilizam o ensino e o serviço de saúde privados, demonstrando que não confiam no Estado para as suas necessidades fundamentais, mas por outro lado não querem dar a oportunidade aos outros de utilizar serviços privados, tipo cheques-ensino. São uns grandes oportunistas os socialistas, utilizam a laidinha dos pobres para eles próprios viverem bem.

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  30. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 18:19

    Eu sei que a qualidade das pessoas não têm a ver com as questões ideológicas e com o tipo de sociedade que defende. Também nunca fiz nem farei apologia de que os homens que se dizem de esquerda são irrepreensíveis no seu comportamento e exemplares nas suas acções. Nem sequer estou a defender as pessoas que aperecem referidas nalguns comentários anteriores. O que me custa a entender são as razões que levam a consoderações do tipo: um homem de esquerda não pode ter “mérito” para auferir rendimento superior à média, mesmo que resulte da venda livre, aos preços do mercado, dos seus produtos, como, por exemplo, livros; um homem direita tem sempre mérito na obtenção dos seus “rendimentos”, mesmo que resultem de reformas ultramilionárias do sistema bancário, acompanhadas de indemnizações choradíssimas pelo “abandono” dos cargos. Eu teria dificuldades em enumerar exemplos de “usufrutos exagerados” sem citar elementos de esquerda e de direita. Aliás, parece-me mais fácil dar exemplos retirados da direita do que esquerda… porque haverá muito mais.

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  31. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 18:26

    Escapou-me esta: na história da democracia portuguesa, apenas um director-geral, para o ser, recebeu várias vezes acima dos outros colegas e de todos os membros do seu governo. Ele está agora noutro governo. Pois. Claro que foi mérito! E por acaso foi o único que teve mérito em toda a história para ganhar assim. Mas agora certamente já não vai ter tanto mérito, supondo eu que irá receber igual aos outros ministros. Se fosse de esquerda, meu Deus…

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  32. A. C. da Silveira's avatar
    A. C. da Silveira permalink
    26 Junho, 2011 18:47

    Miguel Sousa Tavares e Daniel Oliveira são como os carris de uma linha do comboio: são paralelos, mas nunca se encontram. Ambos são pagos por Pinto Balsemão para escrever patetices no Expresso, e dizer patetices ainda maiores na SIC. Ainda há grandes vidas em Portugal, mas por mim dispenso por uma questão de higiene mental os ditos e as prosas desses personagens.

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  33. José's avatar
    José permalink
    26 Junho, 2011 19:01

    Excelente poste.

    De resto, as coisas chegam cá sempre com mais de uma geração de araso.
    Veja-se, por exemplo, a Suécia. Décadas de governação socializante desembocaram num país próspero, com uma economia que, no início da década de 70, se dividia a meio entre capitalismo privado e capitalismo de estado. A pressão socializante e anti-liberal conduziu então ao abrandamento económico, inflação galopante, baixa de produtividade, quase bancarrota e ao descontentamento que acabou por determinar a derrota dos social-democratas e o regresso a um caminho mais próximo do capitalismo liberal.
    Na Inglaterra, então designada pelo “doente da Europa”, aconteceu mais ou menos o mesmo, tendo finalmente emergido Margaret Tatcher que pôs fim à deriva socialista e salvou o país.
    Portugal tem agora o seu momento, mais de 3o anos depois. E necessita de se vacinar contra o regresso de fantasmas que ainda não perceberam que morreram..
    O ingrediente estritamente económico da vacina está mais do que identificado, e passa por um Estado-Previdência que evite a lei da selva e associe compulsividade e livre escolha, de resto perfeitamente compatível com o capitalismo liberal.
    O ingrediente ético é um osso mais duro de roer. O declínio das crenças religiosas e dos valores tradicionais, é uma das mais sérias contradições, no sentido dialético, do capitalismo, uma vez que resulta da própria ideia liberal de que estas coisas são da esfera privada.
    Mas é um osso que tem de ser roído pelo próprio sistema capitalista liberal, sob pena de a morte do socialismo redundar no aparecimento de fantasmas pseudo-socialistas que assentam os seus gritos lancinantes de além-túmulo no repúdio da liberdade individual em nome da “igualdade”.

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  34. da-se's avatar
    26 Junho, 2011 19:18

    Tina,
    Quantos meses é que acha que vai durar esse casamento?
    Eu aposto até ao “réveillon”… Depois, o “escritor” (ahahah!!!) muda de ares, como é costume. Até porque a pedalada já começa a falhar, não?

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  35. José's avatar
    José permalink
    26 Junho, 2011 19:19

    “O que me custa a entender são as razões que levam a consoderações do tipo: um homem de esquerda não pode ter “mérito” para auferir rendimento superior à média, mesmo que resulte da venda livre, aos preços do mercado, dos seus produtos, ”

    É contraditório em si mesmo, meu caro.
    Um homem genuinamente de esquerda não acredita que o mercado seja o aferidor do valor daquilo que produz. Logo, se obtem bons lucros, é porque, na sua lógica, está a “explorar” alguém.
    Você, por exemplo, pode achar-se um homem de esquerda, mas não é, uma vez que aceita como bom o juizo do mercado.
    Ou seja, estas pessoas são como o garçon de Sartre: são aquilo que não pensam ser ( são liberais) e não são aquilo que acreditam ser ( acreditam ser “homens de esquerda”)

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  36. Piscoiso's avatar
    26 Junho, 2011 19:55

    “…temos de decidir se queremos uma sociedade em que a iniciativa privada é aceite como alguma coisa de útil para o país, pois é ela que gera riqueza”. Essa decisão começou a ser tomada pelos eleitores quando fizeram as suas escolhas a 5 de Junho
    eheheh
    Este sujeito convence-se de cada uma!
    Ou é para nos fazer convencer, tomando-nos por lorpas?

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  37. tina's avatar
    tina permalink
    26 Junho, 2011 20:06

    “O que me custa a entender são as razões que levam a consoderações do tipo: um homem de esquerda não pode ter “mérito” para auferir rendimento superior à média,”

    Claro que pode, desde que não seja do seu trabalho como político. Se as pessoas ricas de esquerda são condenadas é por não fazerem aquilo que aconselham aos outros, ou seja, utilização dos serviços públicos. Para além da posição hipócrita, mostra também que não estão interessados em envolverem-se activamente na luta para melhorar as condições das classes desfavorecidas. Pelo contrário, cultivam a diferença recolhendo-se no seu mundo à parte, das elites.

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  38. tina's avatar
    tina permalink
    26 Junho, 2011 20:07

    Boa resposta do José.

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  39. tina's avatar
    tina permalink
    26 Junho, 2011 20:11

    Da-se, também acho que não vai durar nada. Ela não passa de mais um capricho daquela cabeça oca dele. É muito triste.

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  40. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    26 Junho, 2011 20:43

    Para o ilustre autor e um tal de «José» o sistema económico a seguir é o sistema comuno-capitalista chinês.
    Nada de direitos laborais. Nada de sindicatos. Só lucro liquido sobre as cabeças dos pobres trabalhadores explorados.
    Expliquem isso aos vossos colegas de trabalho e já agora ao «sindicato dos jornalistas» e «sindicatos de magistrados, ou juízes» ou lá como se chamam!
    Portugal com estes «liberais» vai longe!

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  41. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 20:52

    Caro José. O argumento do mercado que usei foi para provar que os argumentos do mercado livre sempre usado pela direita em relação aos homens de direita tembém deverá ser usado pelos homens de direita relativamente aos homens de esquerda. Quero dizer que não usei a terminologia como minha, mas segundo a lógica liberal. E eu nem me manifestei contra os mercados, nem me parece lógico fazê-lo. E alguém que vende um produto, como um livro, em grande quantidade, mesmo que ganhe pouco em cada um pode lucrar bastante sem explorar ninguém. Mas também deverá contribuir para o equilibrio de uma sociedade que lhe permitiu ser quem é. A pessoa é muito mais do que a soma das características genéticas. O liberalismo assenta um pouco na ideia de que cada homem se faz por si, estilo “subiu a vida a pulso”. Nunca ninguém quer saber quem colocou a corda. Ou, muitas vezes, quem é que se baixou para servir de escada.

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  42. José's avatar
    José permalink
    26 Junho, 2011 21:02

    Fincapé, o liberalismo não assenta em nada disso que diz. Comece por ler Adam Smith, siga por Bastiat, Hayek, e Friedman, para começar.
    E tenho a certeza que começará então a perceber que o liberalismo não é a caricatura que os anti-liberais ( fascistas, comunistas, socialistas, etc) gostam de pintar, para lhe espetarem alfinetes, em rituais vudoo.
    Desde logo, liberalismo não é anarquia nem lei da selva. Mas tb não é a servidão ao plano de uma numenclatura.
    Estado, sim, mas na justa medida. Estado que é como o esqueleto: destina-se a sustentar as carnes, não a comê-las.

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  43. José's avatar
    José permalink
    26 Junho, 2011 21:04

    nomenclatura, porra.

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  44. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 21:34

    Acho que leu mal o que eu escrevi. Quanto ao liberalismo, como sabe resulta no poder do capital sobre a política. Desde miúdo que me custava a compreender como é que alguém poderia crer naquilo que dizia o senhor Friedman. Mas a prática é mais curiosa. No seu livro “A Pobreza e a Riqueza das Nações”, de David S. Landes, após ter escrito as centenas de páginas que escreveu, inclusive sobre o crescimento espantoso dos “tigres asiáticos” da época e a importância dos mercado, instalou-se a crise. O senhor Landes não sabia como terminar o livro, mas lá deu a volta à coisa: a insustentabilidade dos crescimentos demasiados rápidos ou coisa assim. Os mercados necessitam de muito mais regras, que devem ser respeitadas, do que aquelas que o neoliberalismo pretende. Basta ver na crise actual a regulação que “iria ser feita” e que nunca o será porque quem manda são os que não querem ser regulados. O Estado americano não deixa de intervir seja, como foi, na General Motores, seja na Coca-Cola, se um dia for preciso, para defender os seus interesses. Quer dizer, o liberalismo na prática são coisas escritas.

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  45. José's avatar
    José permalink
    26 Junho, 2011 21:43

    “Os mercados necessitam de muito mais regras, ”

    Os mercados precisam de regras, é exactamente o que dizem todos os liberais.
    Sem regras, é anarquia.

    O “muitas mais”, é conversa fiada. Não tem qualquer valor objectivo. Há mercados que precisam de mais regras, há outros que precisam de menos.

    E há situações em que os mercados não funcionam e é necessário o Estado.

    É isso o liberalismo
    E para lá com os clichés do “neoliberalismo” que ninguém sabe o que é, e é apenas um adjectivo usado pelos orfãos do socialismo, para satanizar o liberalismo.
    Não sei se sabe, mas até o velho Adolfo Hitler considerava o liberalismo o seu pior inimigo. E tinha razão…

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  46. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    26 Junho, 2011 21:58

    Publico/26junho2011
    “Serviços de rating custam nove milhões de euros ao Estado e a empresas”.
    .
    Inside Job, essa espécie de espinha de pescada atravessada na garganta dos liberais tugas, já tinha posto o dedo na ferida naquilo que é o terrorismo financeiro das “rates”. O Público de hoje dá à estampa um trabalho sobre as Agências de Rating que duvido fosse publicado se fosse JMF o director.

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  47. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 22:01

    Eu acho que está a ver o mercado como um produto palpável que está à espera de cumprir os objectivos para que fui criado e para os quais vai ser comprado. Por exemplo, uma papaia que foi criada para ser vendida, existem muitas ou poucas, custam muito ou pouco a colher e a transportar e têm muita ou pouca procura, Provavelmente, é por isso que as em+resas de rating fizeram o que fizeram, disseram o que disseram, e andam a fazer e a dizer o que andam a fazer e a dizer. Quando foram entaladas nos EUA recorreram à segunta emenda, apoiados pelos “melhores” (piores?) advogados do “mercado”. Respondiam: o que dizíamos sobre os “produtos” (tóxicos – papel inútil, carimbos e assinaturas – sabemos nós agora) eram opiniões, ninguém era obrigado a segui-las. Este é o mercado livre! Com um problema gravíssimo: é que papéis inúteis, com assinaturas de inúteis, pareceres de irresponsáveis, podem fazer cair (fazem cair) toda a economia, inclusive os verdadeiros produtos, aqueles sem os quais não poderemos viver. Este é o “mercado” que está na agenda neoliberal. Espanta-me que com ele aí à solta a fazer maldades ainda haja quem não o viu. A diminuição do poder dos Estados defendida pelo neoliberalismo não irá fazer mais do que concluir o caminho.

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  48. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 22:09

    Portela menos 1,
    É engraçado os Estados pagarem às empresas de rating para elas lhes darem cabo da economia. Uma das três da vida airada pagou o ano passado seis milhões (se não me falha a memória) ao seu director por ele ter contribuído para a sua credibilização. Quer dizer, elas consideram que são credíveis, logo são credíveis. É uma lei do “seu” mercado. Quando forem apanhadas com as calças na mão, voltam a dizer que só davam opiniões. Estranho é os liberais não quererem saber que critérios rigorosos são usados na tais opiniões, nem tão pouco as caras deles. Para ver se eles diziam e mostravam. Tudo às claras neste “mercado”, como se vê.

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  49. José's avatar
    José permalink
    26 Junho, 2011 22:13

    Bem, Fincapé, papaguear chavões não torna a discussão interessante. Apenas revela que falta aí a basesinha.

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  50. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 22:24

    Pois falta. Eu sou assim: quando falo da realidade é para desviar as atenções.

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  51. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    26 Junho, 2011 22:27

    A de cima era para o José que já tinha dito tudo o que sabia e foi-se embora.

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  52. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    26 Junho, 2011 22:39

    parece que as “rates” podem invocar a primeira emenda da constituição americana – liberdade de expressão – para se defenderem das acusações de terrorismo financeiro; ié, dar triple A hoje, a um banco que cai na bancarrota amanhã, é normal. No entanto, denunciar este terrorismo é ter …falta de bases e ser doutrinador.

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  53. Tiradentes's avatar
    Tiradentes permalink
    27 Junho, 2011 10:12

    Quando uma potência mundial cai na bancarrota não é terrorrismo?

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