Agência de rating europeia e outras ilusões
Pergunto-me o que vai na cabeça dos políticos portugueses e europeus quando dizem que vão criar uma agência de rating europeia porque não gostam do que dizem as actuais. Acham que uma agência de rating criada com tais motivações poderia alguma vez ser credível?
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As decisões que se vão tomando na União Europeia fazem temer o pior. A decisão de ignorar os ratings porque eles agora já não dão jeito, de criar ratings de conveniência, de relaxar a regulação quando ela já não convém e de criar regulação ad hoc para mascarar problemas vai trazer muitas complicações no futuro. Por exemplo, se o BCE pode ignorar os ratings porque é que os fundos de pensões não o podem fazer? Se a União Europeia vai criar e impor administrativamente uma agência de rating porque isso lhe dá jeito, porque é que os estados membros não o podem também fazer? Se o BCE aceita lixo como se fosse ouro, que implicações é que isso tem para o BCE?

Caro João,
duas perguntas directas:
1. Qual o prazo de validade de uma agência de rating? Uma vez estabelecida uma agência de rating esta tem para sempre credibilidade?
2. Qual a credibilidade que o João dá à Moody’s?
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Outra pergunta:
Se diferentes agências dão avaliações tão diferentes, como avaliar a credibilidade dessas agências?
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JM, deixe o mercado encarregar-se disso. Concorrência e’ útil e e’ bom q haja. A situação actual não esta a gerar confiança. temos bons motivos para supor conflitos de interesses. Tres agencias, uma considera uma coisa e as outras duas, outra coisa relativamenfe a’ mesma realidade. A Europa ira motivar o ressurgimento de concorrência. Não vejo qual o problema.
Rb
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Aliás, se analisarmos o passado de certas avaliações da Moody’s veremos que a sua credibilidade está abaixo de lixo. Eles não avaliam com conhecimento efectivo da situação das entidades avaliadas. Eles especulam sobre a situação.
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Se as agências americanas fazem política e guerra económica em vez de rating, o que os europeus têm a fazer é defender-se, como aliás o fazem os chineses.
Para as agências europeias serem tão credíveis como as americanas basta que sejam imparciais quando não há interesses dos estados em jogo e sejam políticas quando há interesses políticos em jogo.
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Este EURO não pode sobreviver sem emissão de divida pública unica.
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A decisão do BCE de ignorar os ratings é mais uma prova nesse sentido.
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Pobres tugas não aprendem coisa alguma. Como se vê pelos comentários ninguém gosta de informação. Gostam apenas do falar tonto, inculto, opiniativo baseado na emoção.
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O Estado Português aumentou a Dívida Directa – em 8% e só nos primeiros 5 meses do ano de 2011.
151 mil milhões para 164 mil milhões.
Em 2010 aumentou a Dívida Directa 14% 132 para 151 mil milhões
Em 2009 aumentou a Dívida Directa 12% 118 para 132 mil milhões
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Dívida Directa não incluí as Dívidas das Empresas Publicas…
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A dinamica da divida publica portuguesa e imparavel.
Nao chegaremos a um superavit primario em menos de 5 anos, e, mesmo que o atingissimos amanha, a taxa de crescimento do PIB, sendo inferior ao nosso custo de divida, significaria que a divida quando expressa em funcao do pib continuaria a crescer.
Os cenarios mais optimistas apontam um racio de divida de cerca de 120/130 % ate 2015.
Alguem dos opiniadores de servico consegue explicar-me como e que vamos de 130% (insustentavel) para um racio estabilizavel e sustentavel de 60%???
Nao, ninguem consegue, e nao conseguem porque so ha uma maneira de o fazer.
Com um write-off de 40 a 50% dentro de 1 a 2 anos.
Se acham que a Moodys foi agressiva e porque nunca compraram uma obrigacao na vida…
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Seria bom que o JM lesse os comentários, ou melhor, a lição de Economia do Anticomuna ali atrás. Ou então mostre-nos que é ele que está errado. O que está a fazer parece-me apenas teimosia.
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A CONSPIRAÇÃO DOS ESCROQUES
1.
A presente crise da dívida soberana de vários países europeus, particularmente da Grécia Irlanda e Portugal, não passa de uma conspiração montada pelos senhores do dinheiro para reforçarem o seu poder à custa da miséria de uma parte cada vez maior das nações. Os escroqes da Golman Sachs e agências de notação de crédito como a Moody`s são os homens de mão dos senhores do dinheiro para proporcionarem esta transferência brutal de rendimentos das classes médias e baixas para a minoria de poderosos. Provas desta afirmação temerária: o papel de gente como Mario Draghi e as políticas que conseguiram impor em todos os países, mesmo através de partidos que se dizem de esquerda, como sucedeu em Portugal, que abrem depois o caminho à direita para que este tenha legitimada pelos partidos ditos socialistas a política de terra queimada como a que o Passos Coelho está a levar a cabo.O próximo presidente do BCE será Mario Draghi, que irá tomar posse em breve do decisivo cargo de presidente do Banco Central Europeu. Este indivíduo, que foi presidente do Banco Central da Itália, está implicado na falsificação das contas da Grécia, como vice-presidente do Goldman Sachs Europa tendo a seu cargo operações nesse país de 2002 a 2006.
Não é difícil perceber quem o promoveu a esse cargo decisivo e com que finalidade.
A sua função irá ser conduzir ao extremo a política de terra queimada que a direita conservadora, capitaneada pela senhora Merkl, está a levar a cabo na Europa.
2.
Mas porque consegue ditar a Alemanha as suas leis ao resto da Europa?
Desde logo porque tem um enorme excedente comercial, que corresponde ao défice comercial dos países do sul da Europa.
Será porque os alemães trabalham muito mais e muito melhor que os restantes europeus?
É claro que não. O caso dos submarinos vendidos à Grécia ( 4) e a Portugal (2), e outros similares, demonstram à saciedade como a corrupção está por detrás desses grandes negócios.
As trocas comerciais com os países do Magrebe são altamente prejudiciais às pequenas economias europeias. Por exemplo, há bens que se forem vendidos pelas empresas das zonas francas de Marrocos à União Europa não pagam impostos. Mas se forem vendiodas em Marrocos pagam taxas muito elevadas.
Estes acordos, gravemente prejudiciais a países como Portugal, foram impostos pelos senhores do dinheiro alemães.
3.
Não posso deixar de me rir quando gente como Coelho e Portas gritam agora contra a Moody´s.
Não eram eles que ainda há quinze dias garantiam que as agências de rating faziam apenas o seu trabalho, e que tudo estava mal apenas por causa de Sócrates?
Agora que substituiram Sócrates e as agênicas de rating e os juros da dívida pública vão de mal a pior, clamam contra essas agências e esquecem-se de que disseram que lhes bastava estar no poder para elas já não classificarem tão mal Portugal.
Agora clamam contra essas agências. Mas há muito que precisávamos de outras agências sérias. Talvez clamem em breve contra a Alemanha. Mas também há muito que precisávamos que todos os grandes contratos firmados por Portugal fossem escrutinados, e os intervenientes na corrupção punidos.
Se assim for, o nosso défice comercial diminuirá muito e as agências de rating e a Alemanha terão muito menos poder nas ações que dirigem contra nós
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Se você não consegue detectar as contradições do anti-comuna é porque não sabe ler.
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Quais são as contradições ?
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Oh Mirandez: e qual é o problema de haver mais uma agência de rating (desta vez Europeia..) que faça concorrência ao oligopólio das 3 “irmãzinhas” americanas? Há algum problema com isso? Alguma razão oculta que não queira partilhar connosco? Sendo um (ultra) liberal não é defensor da concorrência? Ou só é quando dá jeito? Com o é? Explique-se!
P.S.
Claro que não é a criação de uma AR Europeia que vai resolver a crise do Euro. Mas é um aposta estratégica que a UE deve fazer entre outras. Que mais não seja para aumentar a concorrência e enfrentar o oligopólio americano do rating.
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Uma vez que não sei ler seria bom que o lucklucky me ensinasse. E desconfio que seríamos muitos a aprender.
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Se uma boa parte da riqueza se basea no crédito quando se acaba a festa do crédito fica-se naturalmente menos rico ou mais pobre.
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Não há volta a dar, só se pode ir buscar ao futuro até um determindao limite. E o futuro chegou.
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Ou melhor o futuro chegará, porque hoje os políticos continuam endividar-nos. A aumentar o peso que gerações vão carregar.
A 86 milhões de Euros/dia se medirmos pela nova dívida dos primeiros 5 meses.
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ó fé, nos mercados e nas agências de rating!… já parece o CAA com o seu FCP!…
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já ontem fui dizendo, num comentário aqui: https://blasfemias.net/2011/07/08/criterios-tecnicos/#comments , que o JM era burro ou fazia-se:
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bom, desculpe-me, JM, mas ou é ou faz-se burro… uma coisa é termos governantes incompetentes ou e desonestos e outra as classificações da Moody’s que são também o resultado do poder discricionário que têm nas suas atribuições.
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ontem deixei-lhe esta citação e um link para um artigo cujo original foi escrito em bife, mas só tenho acesso à tradução francesa. como pode constatar, o tal artigo é já de 1997, portanto, dez anos antes do início da crise financeira em que essas próprias agências de rating têm uma grande parte de responsabilidade e que estão ainda sob suspeita e investigações sobre uma série de operações duvidosas e diria mesmo criminosas que têm atirado muita gente para a extrema precariedade, pobreza, suicídio e mesmo, simplesmente, morte por fome ou falta de cuidados.
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não leu, não quer ler, não leia, mas aqui volto a pôr, se tem apenas competências para o beef e menos para o camembert, diga, que eu faço-lhe a tradução, só para, ainda hoje, poder aprender alguma coisa sobre o assunto:
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“« O mundo do pós-guerra fria tem duas grandes potências, os Estados-Unidos e a agência Moody’s. » Thomas Friedman, editorialista de política estrangeira do New York Times, explicita assim a formula : se os Etatados-Unidos podem derrotar um inimigo usando o seu arsenal militar, a agência de notação financeira Moody’s tem os meios de estrangular financeiramente um país atribuindo-lhe uma má notação.”
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Considerações com mais de uma década, contidas num artigo de 97 sobre as agências de rating:
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http://www.monde-diplomatique.fr/1997/02/WARDE/7764 “
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TIRE AS PALAS!…
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Mas qual conspiracao qual que.
Os numeros sao os numeros:
Como e que um pais que daqui a 4 anos vai ter um stock de divida de 130/140% do seu PIB consegue pagar o dinheiro de volta?
Se crescemos a estonteante media de 1% nos ultimos 10 anos, e a nossa divida custa entre 4 e 5% ao ano, como e que alguma vez vamos conseguir voltar aos 60/80%?
Nunca!
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eu sou a ikonoklasta. só para não criar confusões.
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Já é voz corrente nos corredores de Bruxelas que José Sócrates é que vai chefiar a Agência de Rating europeia.
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http://sicnoticias.sapo.pt/economia/article697344.ece
Vítor Bento critica discurso hipócrita sobre as agências de rating em entrevista à SIC Notícias
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Esse Sr. Vitor Bento também foi um daqueles que entrou na campanha negra contra Portugal e a favor dos fdp’s dos «mercados»!
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Espero que Cavaco tenha um bom Neurologista. Neurocirurgião não serve.
http://supraciliar.blogspot.com/2011/07/cavaco-silva-fala-e-diz.html
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Os posts de JM partem sempre do princípio de que as agências de rating fazem um trabalho irrepreensível e que não têm interesses para além das avaliações que fazem. Na verdade, praticamente todos já vimos que não é assim. Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar. Por isso, a Europa deve reagir. Isso não tem nada a ver com a necessidade de medidas que levem ao controlo de défices e à redução das dívidas, sejam as que estão a ser aplicadas e/ou outras. Os palpites de uma agência em momentos “escolhidos”, prejudicando antecipadamente as medidas que vão ser aplicadas, são uma forma de não as deixar dar resultado. De resto, porquê ter crença em instituições que falharam estrondosamente, de forma primária, monstrando uma total incapacidade para entender fenómenos, alguns que nem sequer eram novos, como a venda de casas a quem não as podia comprar, e não procurar criar outras, europeias, que determinem os ratings como deve ser? Será assim tão má a concorrência europeia neste sector quando nos outros é tão boa?
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O “60 minutos” que está a dar neste momento na SICN é sobre o maravilhoso país, muito rico, das agências de rating que governam o mundo.
Hoje, estão a tratar o assunto das crianças com fome e sem electricidade em casa, porque as famílias perderam as casas e o emprego. Muitas das casas perdidas são das tais que enriqueceram mais americanos daqueles que têm muita inciativa e são montes de bons.
Curiosamente, cada criança daquelas fala melhor e demonstra mais classe do que muitos adultos dos que contribuiram para os arruinar.
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é isso mesmo, Fincapé. já há uns meses, quando toda esta gente troçou da ideia de criar uma agência de rating europeia, deixei aqui alguns vídeos e artigos sobre estas questões. o título o post do JM podia ser parodiado assim: AGÊNCIAS DE RATING AMERICANAS, MAOZINHAS INVISÍVEIS DOS MERCADOS E OUTRAS ILUSÕES!…
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JM, TIRE AS PALAS!…
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Quem avalia o rating das agências de rating?Se tudo é questionável…Temo que o rating que os portugueses dão ao seu país olhando para a classe política e sistama de justiça seja ainda pior que o da Moody`s e panorama é pesado de mudar.
DI.
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http://braganzas.blogspot.com/search/label/Charles%20Ferguson
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Arlindo da Costa
Posted 9 Julho, 2011 at 19:27 | Permalink
Já é voz corrente nos corredores de Bruxelas que José Sócrates é que vai chefiar a Agência de Rating europeia.
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OU SEJA __________A RAPOSA NO GALINHEIRO !!!
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Fincapé : “Os posts de JM partem sempre do princípio de que as agências de rating fazem um trabalho irrepreensível e que não têm interesses para além das avaliações que fazem. Na verdade, praticamente todos já vimos que não é assim. Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar.”
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O interesse bem percebido (ou de mais longo prazo) de uma agencia de rating é ser credivel. Mesmo que para tal tenha de anunciar avaliações que desagradem no imediato alguns dos seus principais clientes. Se não fosse assim, embora pudesse ter algum beneficio de curto prazo (não perder clientes), a constatação posterior de que as avaliações não eram pertinentes levaria à perda de credibilidade com consequencias ainda mais graves para a agencia. Até porque a credibilidade das agencias não depende tanto do sentimento dos respectivos clientes mas sim do que consideram os investidores nos mercados financeiros. Se porventura os mercados perderem a confiança nas agencias estas acabarão por perder os proprios clientes.
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Toda a gente sabe que, apesar da ajuda da Europa e do FMI, e apesar das medidas mais recentes do governo portugues, existe um risco real de incomprimento do pagamento dos juros e do reembolso dos titulos da divida portugueses. É por isso compreensivel que haja agencias de rating que façam avaliações desfavoraveis. Porque tanta surpresa e indignação ? Fazem o seu trabalho. E é importante que o façam de modo independente relativamente aos interesses e sentimentos de uns e de outros.
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Tem-se dito por ai que as agencias americanas agem no sentido de favorecer interesses americanos. Que interesses são esses ? Como são favorecidos pelas avaliações mais recentes ? Se se trata do governo americano, qual é o interesse do governo americano nestas avaliações ?
O argumento do enfraquecimento do Euro relativamente ao Dolar não serve : ha anos que se acusa o governo americano do contrario, de procurar manter o Dolar desvalorizado no sentido favorecer as exportações americanas.
Mas mesmo que se admita que os americanos ganham com com as avaliações das agencias de rating, tal não constitui uma prova de que existe uma manipulação deliberada das mesmas por parte das agencias. Onde estão as provas objectivas desta hipotética manipulação ?
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O argumento da incompetencia das agencias de rating, que teria ficada demonstrada pelo facto de não terem previsto a crise dos sub-prime americanos, também não serve. Para além de ser contraditorio com a tese da manipulação. As agencias de rating são feitas por homens em carne e osso e como tal não são infaliveis. Podem perfeitamente errar. Mas a crise dos sub-prime não foi antecipada por praticamente ninguém. Ou melhor, foi anunciada por muitos. Mas ninguém foi capaz de dizer exactamente quando chegaria, com que amplitude, e quais seriam os mecanismos e as consequencias da respectiva propagação. Mesmo o economista Nouriel Roubini, a quem se atribui frequentemente o ter anunciado esta crise, não foi além de considerações gerais e, sobretudo, também se enganou no respectivo timing.
Ou seja, o facto de as agencias de rating não terem sido capazes de prever a crise dos sub-prime não significa que não tenham as competencias necessarias para fazerem o trabalho que fazem. A verdade é que os mercados continuaram e continuam a reconhecer a competencia das agencias e a dar-lhes crédito.
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Claro que também agora, no que se refere às avaliações sobre a divida portuguesa, as agencias podem estar a enganar-se, a exagerar o grau de risco que as mesmas representam. Mas isso não se pode ver agora, apenas mais tarde quando se fizer a “prova dos noves”. Neste momento ninguém tem razão à partida. Esperemos que as avaliações actuais das agencias estejam exageradas e que o governo portugues vai efectivamente conseguir corrigir rapidamente a situação actual. Se agir com clarividencia, determinação, e rapidez, os efeitos sobre as expectativas de todos os agentes e observadores, incluindo as agencias, vão ser certamente positivos e as agencias deverão então rever e corrigir as suas avaliações negativas actuais.
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O que importanta agora fazer no sentido de contribuir para que as previsões negativas das agencias de rating não se realizem não é passar o tempo a procurar deslegitima-las com todo o tipo de argumentos, muitos deles, como os que refiro acima, perfeitamente infundados e fantasmagoricos, mas sim exigir ao governo portugues que tome as medidas de rigor e austeridade que se impõem.
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Caro Fernando S.,
“Tem-se dito por ai que as agencias americanas agem no sentido de favorecer interesses americanos. Que interesses são esses ? ”
Os Estados Unidos da América estão em risco de entrar em default já a 2 de Agosto. Tem ouvido falar nisso?
Estas estratégias não passam de manobras de diversão para, por um lado, não focar neste problema, e por outro lado, estremecer o euro, fortalecendo o dolar.
Voltanto ao caso de Portugal, a actual revisão em baixa do rating de Portugal é de todo incompreensível: quer dizer que estavamos melhor há uns meses atrás do que agora com todas estas medidas de contenção que já foram anunciadas.
Citanto o João Miranda há uns posts atrás… “Ide dar banho ao cão”.
No limite, mantinha o nível do rating (como aliás fizeram outras agências de rating).
“As agencias de rating são feitas por homens em carne e osso e como tal não são infaliveis. Podem perfeitamente errar. ”
Claro que sim. Mas com isso também podem perder a credibilidade e a confiança.
Depois do caso da Enron, Lehman Brothers, da Banca Islandesa e da actual manutenção do nível máximo para os Estados Unidos da América quando estes estão a um mês de entrar em default… acho que basta.
Colocando as coisas pelo prisma inverso:
Quando é que uma agencia de rating perde a credibilidade? Uma vez estabelecida uma agência de rating esta tem para sempre credibilidade?
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Caro Carlos,
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Os Estados Unidos teem os seus problemas. Mas, com a excepção de alguns opinionistas, ninguém acredita verdadeiramente que os EUA estão em vias de entrar em default. Os mercados, que tendem a antecipar, não acreditam certamente. Ou seja não acreditam os investidores em titulos de divida americana e, de um modo geral, em activos americanos. Se fosse o caso, seria naturalmente muito grave, e estariamos ja hoje numa crise mundial ainda mais grave do que a actual.
Por diversas razões, a situação dos EUA não é comparavel com a de Portugal.
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“[] Estavamos melhor há uns meses atrás do que agora com todas estas medidas de contenção que já foram anunciadas. [?]”
Pelos vistos a Moody’s acha que o risco perceptivel é maior hoje do que há uns meses atrás. Como ja disse, espero que a Moody’s não tenha razão. De resto, como o Paulo refere, para já as outras agencias não seguiram a nota desta agencia. Mas não nos esqueçamos que entretanto passou tempo, a crise grega agravou-se, os receios sobre a incapacidade de os principais paises da UE se entenderem quanto ao modo de fazer face à situação aumentaram, há duvidas quanto à capacidade do governo portugues em dar a volta à situação, etc. Tudo isto é compreensivel e até natural.
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“Quando é que uma agencia de rating perde a credibilidade? Uma vez estabelecida uma agência de rating esta tem para sempre credibilidade?”
Claro que a credibilidade de uma determinada agencia de rating não é imutavel. Mas por enquanto os investidores continuam a dar algum crédito às avaliações das agencias de rating. Ainda é cedo para saber se as avaliações feitas são boas ou más. Se se constatar mais tarde que afinal são más então é natural que quem mais errou perca alguma credibilidade.
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É natural que o governo portugues e as instituições que o apoiam digam que a avaliação da Moody’s é irrealista. Mas a meu ver é ineficaz, e até contra producente, estarmos nos, o pais sujeito à avaliação, a insistir nessa tecla e, ainda menos, a invocar supostos complots e interesses ocultos.
O que importa agora, o que interessa verdadeiramente a quem nos empresta dinheiro, e o que nos deve também interessar, é ver o que vamos fazer nos proximos tempos. Acho que é nisso que devemos estar concentrados. Esta vai ser a grande prova sobre a credibilidade de uns e de outros.
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Fernando S,
O interesse de qualquer empresa é manter a credibilidade nos mercados. No entanto, constantemente se descobrem manigâncias que chegam a crimes como, por exemplo, a do jornal News of the Worl (pode parecer descabida a comparação, mas não é). O caso dos bancos portugueses BPP e BPN são elucidativos para os portugueses. No caso das agências de rating, a crise que elas ajudaram a criar e alimentaram, já me chega. Mas se não foi suficiente para alguns, tudo bem. Nesse caso pergunto apenas porque razão os grandes defensores do mercado não estão muito virados para a aceitação de uma poderosa agência europeia. Isso é que eu acho estranho. Ainda tentam justificar dizendo que ela seria criada para satisfazer interesses europeus. Nesse caso, porque não dizem que as outras satisfazem interesses americanos (eu sei que existe capital europeu nalgumas delas, e nesse caso pergunto com mais convicção, porque não pode haver uma grande agência europeia)? Acho isso muito estranho.
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As agências não têm muita credibilidade como se vê pelo facto de os juros e os CDS piorarem primeiro que as notações das agências. As agências limitam-se a ir atrás do mercado tarde e a más horas.
Como eu disse várias vezes Portugal já há muito deveria ser junk e os EUA já há muito não deveriam ter AAA.
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Mas como sistema está feito para as agências protegerem até certo ponto os clientes, chegam sempre atrasadas.
Se actuassem mais cedo, Portugal nunca teria chegado a valor monstruoso de dívida. Mas tal se acontecesse os políticos que nunca aceitam de más notícias que estraguem a sua capacidade de comprar votos com o dinheiro da dívida, e jornalistas que reagem por rebanho tribal analfabeto já há muito as teriam liquidado.
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“grandes defensores do mercado não estão muito virados para a aceitação de uma poderosa agência europeia”
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Se ela não nascer com dinheiro meu – ou seja dinheiro que os político taxam ao povo para os proteger- que apareça.
Você ainda não percebeu que quem se lixa mais é quem as agências deixam passar. O que é que aconteceu ao Lehman? O que é que aconteceu à Grécia? O que é que acontecerá a Portugal?
Bancarrota.
Porquê? Em parte porque as agências não avisaram a tempo.
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O LL tem razão, quando mais depressa as agencias de rating denunciarem o caminho para a bancarrota, mais hipóteses tem o país de mudar de ruma.
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Temos de agradecer à Moddy’s este murro no estômago.
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Quanto mais as agências de rating recorrerem ao poder que lhes deram para o utilizarem antes das dolorosas medidas a ser aplicadas, mais sobem os juros, reduzindo as possibilidades de se obterem resultados. Neste sentido credibilizam-se, porque ateando o fogo sabem que vai haver incêncio. Questiono-me se não é isso que pretendem.
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http://www.reuters.com/article/2011/07/10/us-eurozone-idUSTRE7691HM20110710
European Council President Herman Van Rompuy has called an emergency meeting of top officials dealing with the euro zone debt crisis for Monday morning, reflecting concern that the crisis could spread to Italy, the region’s third largest economy.
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Estas agencias de rating são tão mazinhas !
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Acho bem. Agência de Rating Europeia com Sokas à frente, Armando Vara e Pedro Soares a tesoureiros e Penedos a fazer as ementas de Robalos.
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“Nesse caso pergunto apenas porque razão os grandes defensores do mercado não estão muito virados para a aceitação de uma poderosa agência europeia.”
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Caro Fincapé,
Não tenho nada contra uma “poderosa” agencia europeia. Desde que, como diz o lucklucky, não seja com o dinheiro dos contribuintes. Não vejo sequer qual poderia ser a utilidade de uma agencia publica ou subsidiada pelas autoridades europeias – se não for independente destas não terá qualquer credibilidade e não servirá para nada.
Os “defensores do mercado” até “estão muito virados para a aceitação” de novos players que agitem o sector e acentuem a concorrencia.
Na verdade até já existem varias agencias europeias, incluindo uma … portuguesa ! O problema é que ninguém lhes liga. Certamente porque, apesar de tudo, mesmo os decidores e investidores europeus acabam por preferir e por dar mais crédito às que são actualmente dominantes.
Vejamos se a actual crise da divida soberana e a maneira como alguns dos intervenientes institucionais europeus teem reagido vai alterar alguma coisa neste estado de coisas.
Dito isto, volto a insistir, que o mais importante não é saber se vai ou não aparecer mais uma agencia europeia mas sim estar atento ao que o governo portugues (e os portugueses em geral) vai fazer para tentar corrigir a situação que nos torna tão vulneraveis às avaliações das agencias de rating, sejam elas quais forem.
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Vamos pedir às agencias de rating para arranjarem um perdãozinho à nossa divida que deve acabar em 200 mil milhões de euros no final do ano, incluindo as empresas publicas deficitárias.
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Fernando S,
“Na verdade até já existem varias agencias europeias, incluindo uma … portuguesa! O problema é que ninguém lhes liga.” Pois, é verdade. Preferem aquelas que njá deram provas de profunda incompetência, continuando a investigação sobre elas nos EUA. Ainda ontem, entrevistado na SICN, Vítor Bento também se mostrou muito (quase) defensor, dizendo que não valia a pena levantar ondas, que os Estados as chamam e quando elas dizem coisas que não agradam é o fim do mundo, etc. (palavras minhas, tentando repeitar a ideia). Mas para lá do meio, António José Teixeira colocou a questão da credibilidade, tendo em conta que ainda há poucos meses elas se fartavam de falhar (e como se sabe, perigosamente). Vítor Bento apresentou um argumento que me arrepiou: que os Estados prometeram regulamentação e nunca o fizeram, portanto a culpa era dos Estados. Conclusão: dizendo isto, admitiu, sem o fazer, que elas andam em roda livre. Então, mesmo que os Estados não tenham imposto regulamentação eficaz, não as podem colocar em causa? Ouvi com gosto Marcelo Rebelo de Sousa (que muitos não gostam e eu também não aceito tudo, obviamente) pegar em factos (conhecidos), tentando mostrar que a agenda das agências não é a nossa. Eu sei, eu sei: vai perguntar-me quem é MRS. Se o fizer, depois tentarei explicar com duas ou três frases.
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“Quanto mais as agências de rating recorrerem ao poder que lhes deram para o utilizarem antes das dolorosas medidas a ser aplicadas, mais sobem os juros, reduzindo as possibilidades de se obterem resultados. Neste sentido credibilizam-se, porque ateando o fogo sabem que vai haver incêncio. Questiono-me se não é isso que pretendem.”
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Ah Você ainda julga que se sai do desastre vendendo mais dívida!
Extraordinário.
Ajude-me a fazer essas contas, pois para mim 2+2=4.
Meta na cabeça que não há alternativa a ter défice zero e com a economia a ter de reduzir a sua dimensão para valores reais. Menos que reais porque há juros a pagar.
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Claro, lucklucky.
Percebeu mal o que eu escrevi. Se cada vez que se tomam medidas para controlo da dívida subirem os juros, obviamente são reduzidos os efeitos das medidas. O que eu disse foi isso.
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Fincapé,
“… a agenda das agências não é a nossa.”
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E por que carga de agua é que deveria ser ?
Não sei exactamente qual é “a agenda” das agencias de rating. Suponho que cada uma tem a sua. E suponho que todas elas terão alguma coisa a ver com a venda de um serviço de avaliação que possa ser considerado técnicamente rigoroso e independente pela clientela (quem requesita e paga) e pela clientela da clientela (os investidores em produtos da clientela).
O que sei é que a nossa agenda, pelo menos a do governo portugues, não deve ser a de contestar as agencias de rating mas sim a de tomar medidas que comecem a inverter a situação de pesado endividamento do Estado e do pais. Apenas deste modo é possivel procurar desmentir as previsões pessimistas das agencias de rating.
É perfeitamente inutil tentar controlar administrivamente ou desmantelar (como alguém ja sugeriu !!..) as agencias de rating. Se as agencias ainda influenciam os mercados é porque são consideradas por estes como suficientemente crediveis e competentes. Pelos vistos os mercados não ficam impressionados com os supostos erros do passado que tantos agora atribuem às agencias. E os mercados, que não são outros que os investidores que aplicam o seu dinheirinho, são os principais interessados na qualidade das avaliações das agencias. Se porventura as agencias se estão agora a enganar grosseiramente (mas, afinal, é ou não é verdade que os PIIGS estão sobreendividados e que o risco para os detentores de titulos da divida publica não é pequeno ?…) então o mercado do sector, tendo em conta a avaliação que os mercados financeiros farão então do trabalho das agencias, fará a devida selecção, afastará os operadores mais incompetentes e acolherá os antigos e novos operadores que parecerão então dar mais garantias de eficiencia.
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PS : Julgo que sei (no sentido que o Fincapé atribui a este “saber”) “quem é MRS” !… Eu nem desgosto … mas, como o Fincapé, “também não aceito tudo, obviamente”.
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Fincapé,
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Quem é que agora diz mal das agencias de rating ?… Os devedores e todos aqueles que os apoiam, isto é, que gostariam que os mercados financeiros continuassem a emprestar dinheiro a taxas de juro baixas.
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Quem é que agora não diz mal das agencias de rating e continua a dar-lhes credibilidade ?… Em ultima instancia, os credores, isto é, os investididores nos mercados financeiros, tanto em titulos de divida publica como em activos bolsistas cuja cotação depende igualmente da situação das finanças publicas nos diferentes paises.
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Eu, como cidadão portugues, de algum modo directa e indirectamente afectado pela situação de crise do nosso pais, também gostaria que a avaliação das agencias de rating fosse menos desfavoravel. Nesta qualidade, os meus interesses são os dos devedores (ou, pelo menos, de algum deles). O meu ponto de vista não é necessariamente independente e lucido. Tenho de aceitar como natural que os que se colocam no ponto de vista dos credores considerem que os riscos que estes correm são elevados. Mesmo que o pensasse, não me adiantaria nada estar a dizer que os credores são estupidos e não sabem gerir convenientemente o seu dinheiro pelo facto de acreditaram naquilo que as agencias de rating lhes dizem. A minha preocupação é a de que o governo portugues, com a “colaboração” dos portugueses, tome as medidas que poderão fazer mudar a avaliação dos investidores, dos mercados, das agencias.
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