Pelo fim da ditadura das Finanças*
O programa deste Governo não é bom ou mau em si mesmo. Ele é o programa possível e é desse pragmatismo de um país que sabe que não há outra saída que nasce o estado de graça deste Governo. O pragmatismo aconselha a que se diga que o Governo terá um saldo positivo se conseguir reequilibrar financeiramente o país. Assim será, mas o pragmatismo não é argumento q.b. nas democracias, tanto mais que o pragmatismo nos pode tirar da crise mas não nos impede de voltar a cair nela. Portugal é hoje um país que vive sob uma ditadura das Finanças. O número de contribuinte tornou-se mais importante do que o cartão de cidadão ou do que o BI. Tudo é aceitável desde que não se questione o funcionamento do fisco.
Tal como nos relatos de quem viveu nos países comunistas se encontram referências obsessivas à comida ou à falta dela, em Portugal só se fala de dinheiro e da falta dele. Ou seja, aquilo que à partida foi dado como garantido por estes regimes acaba a tornar-se o principal factor de intranquilidade na vida dos cidadãos. Após anos e anos a ouvir dizer que o SNS gratuito e a escola pública não custavam dinheiro, percebemos que a sua sustentabilidade está em risco. Para trás ficaram os tempos em que se acreditava que os bilhetes de avião dos membros do Governo eram à borla simplesmente porque não eram facturados e em que os gestores das empresas e fundações públicas sustentadas directa e indirectamente pelos contribuintes diziam, ufanos, que tinham obtido lucros porque excepcionalmente não tinham recorrido a apoios estatais extraordinários.
Nesses dias do dinheiro virtual e da economia do faz-de-conta, parecia-nos que a política dera lugar ao folclore das causas fracturantes e que no mais as diferenças ideológicas se restringiam à discussão sobre aquilo que o Estado dava e deveria passar a dar. Acabámos oficialmente livres para tudo mas presos ao Estado e aos seus serviços: podemos mudar de sexo no balcão de uma conservatória mas estamos impedidos de mudar os filhos de uma escola pública para outra!
Ora agora que os dias felizes acabaram pela prosaica razão de que não conseguimos esconder por mais tempo a factura do gratuito e em que a demonização das agências de rating e da Alemanha não é suficiente para trazer para Portugal um único euro dos muitos milhões que precisamos que nos emprestem, torna-se certamente imperioso que se ponham as contas em dia. Mas sobretudo é fundamental que da via crucis que nos espera resulte um país cujos cidadãos não vejam a sua vida revolta de cima a baixo por causa dos delírios governamentais. Ou seja, um país em que o Estado seja Estado e não pai, empresário, artista, guia espiritual…
Isso implica claramente terminar com a obrigatoriedade de frequentar os serviços públicos e desmontar as ilusões do gratuito – e nesse sentido são positivas as decisões previstas no programa de Governo de passar a indicar os custos dos tratamentos no SNS, decisão que se espera seja também alargada a outros sectores, nomeadamente à educação, de se poder escolher o centro de saúde ou optar por fazer também descontos para sistemas complementares de segurança social.
É fundamental que o PS, PSD e, embora seja menos importante, o CDS tenham propostas ideologicamente distintas sobre o país que somos e não sobre um país-fantasia. O PSD recebeu da troika o presente de um programa liberalizante como jamais os seus líderes arriscariam propor, mas é neste momento um partido com uma liderança interina. O PS está sem líder e sem saber como ser oposição, pois foi um líder socialista quem nos trouxe à falência e acabou a pedir ajuda externa. É portanto urgente que PS e PSD constituam discursos ideologicamente distintos e estruturados sobre a realidade. Porque, caso tal não aconteça, o PS e o PSD vão limitar-se a encarar esta crise como um cabo das Tormentas que há que ultrapassar (façanha em que para o melhor e pior somos exímios) e, mal os inúmeros cortes na despesa e aumentos de impostos produzam umas estatísticas mais animadoras, PS e PSD voltarão à fantasia do Estado que dá, do sem-custos, do público igual a gratuito e nós cairemos noutra e mais profunda crise.
O pragmatismo e os cortes na despesa podem tirar-nos da crise – e preciso de acreditar que tal vai suceder – mas só a política nos pode libertar da ditadura das Finanças.
*PÚBLICO

É essencial começar a definir a sociedade do futuro. A aplicar, se ou quando, o processo actual (recuperação financeira do País) tiver sucesso. O que terá de suceder, pois a alternativa é o … caos. O que, a acontecer, colocará a situação actual ao nível do paraíso…
http://existenciasustentada.blogspot.com/
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Um comentário offpost mas em justa homenagem à Festa dos Tabuleiros em Tomar http://lmmgarcia.wordpress.com/2011/07/11/os-tabuleiros/
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“… um país que sabe que não há outra saída que nasce o estado de graça deste Governo”
Excelsa demagogia.
Como é que sabe que o país sabe isso?
E não haverá mesmo outra saída?
Onde é que está a graça deste governo?
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Calma Portugal, que os políticos vão resolver os nossos problemas. ehheehheeh
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“A comissária europeia para a Justiça, Viviane Reding, propôs hoje o desmantelamento das três agências de “rating” norte-americanas Standard & Poor”s, Moody”s e Fitch, em declarações ao jornal alemão Die Welt. ”
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In http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=495259
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A sério. Os políticos actuais, além de não saberem ter sangue frio, são uns completos pataratas.
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Olhem, nos USA temos disto:
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(Último link, cortesia do Ecotretas: http://ecotretas.blogspot.com/2011/07/androide-avariado.html )
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Ponham o trichas a mandar na Europa e coisa compôe-se. eheheheheheh
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Essa dos serviços publicos serem gratuitos é de chorar a rir; para conhecimento geral (isto é se não souberem ou não quererem saber) todos os serviços publicos, tais como SNSaude, Educação, Segurança Publica e fundamentalmente a Defesa da Nação têm custos, custos esses que são suportados pelos impostos de todos nós, ou antes assim deveria ser , enfim o discurso de pagarmos os serviços que são obrigação fulcral de um estado, só demonstra cinismos e ignorancia, se após as contas chegarmos à conclusão que o dinheiro não chega, teremos de fazer o que desde sempre deveria ter sido feito, isto é, por todos mas mesmo todos os cidadãos e empresas (bancoas inclusivé) a pagar os impostos devidos, por neste caricato sistema politico, só alguns pagam impostos e cada vez sobrecarregam financeiramente essa pequena parcela de cidadãos que pagam os seus impostos. Por tudo isto deixemo-nos de “tretas” da situação e que começem a trabalho de casa para que tudo o que é exigivel a um Estado de Direito seja realmente cumprido. mais poderia dizer(escrever) mas não é o momento nem o local correcto!
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Mais um post de pura demagogia. De facto, um desempregado pode escolher entre uma escola publica e uma privada para os seus filhos e um reformado com 300 euros pode escolher entre um centro de saude e uma clinica da Cuf.
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quando ia a uma repartição pública pensava
o gajo que me atende é seguidor de
estaline, mao, hitler, allende, mussolini ?
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Não esquecer os muitos milhões que algumas Fundações recebem dos nossos impostos…..para sustentar vidas de luxos capitalistas:
http://mentesdespertas.blogspot.com/2011/07/fundacoes-uros-para-o-lixo.html
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Não lance poeira para os olhos portela menos1 , o que você não quer é que as pessoas escolhem entre duas escolas publicas. Pois isso estraga os arranjinhos e coutadas dos sindicatos, mais a ideologia soci@lista do Ministério.
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Muito bem. Mais um excelente artigo. Como sempre, aliás.
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Os jornalistas deveriam começar a pensar porque é que as agências de rating irritam mais os políticos que a profissão que supostamente o deveria fazer…
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Para o Luck, que anda a ler mal:
Mais um post de pura demagogia. De facto, um desempregado pode escolher entre uma escola publica e uma privada para os seus filhos e um reformado com 300 euros pode escolher entre um centro de saude e uma clinica da Cuf.
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Tenho andado a reler «As Farpas», antes de dormir.
No entanto, ontem tive de pôr de lado o Volume IV porque, apesar dos 130 anos que os textos sobre “Parlamentarismo” já têm em cima, parecia que estava a ler acerca da nossa realidade actual:
A dívida sempre crescente, o défice incontrolável, os empréstimos contraídos (só para pagar os juros de empréstimos anteriores!), os aumentos de impostos “inesperados”, os partidos que, no governo, fazem o oposto do que prometeram… CHIÇA!, que está lá tudo!
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Cara Helena,
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“Após anos e anos a ouvir dizer que o SNS gratuito e a escola pública não custavam dinheiro, percebemos que a sua sustentabilidade está em risco”
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E porquê ?
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Na nossa casa é assim:
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temos de comer, mas a inflação acima dos 10% anuais (em 2000 e qualquer coisa o IVA era de 16, hoje, 23, 7% de inflação direta) aumentou os preços. Então com o mesmo que ganhamos temos de comprar alimentos mais baratos (que caibam no que ganhamos) porque temos de continuat a comer.
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É como no Governo e no Estado. O SNS e a Educação encareceram loucamente. Capitalismo Selvagem pura e simples. Mas só há X para os pagar então quem por lá anda tem de ganhar menos. Porque de facto neste momento ganha muito mais do que o País pode pagar. E se forem privatizados essa redução é canja. Sabe-o bem o lobi do Capitalismo Selvagem Estatal. É o mercado.
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O objetivo, no caso DIREITOS CIVILIZACIONAIS diretos. É que têm de se cumprir esses Direitos Civilizacionais. Afinal quem anda para aí com o Estado Social não sabe fazer isto ?? Desata a rabiar em vez de resolver ? E há vários caminhos de bom senso para responder. Assistimos ‘ao 8 ou 80’ dos desorientados … que se ‘estão a estender’ de grande. Interna e especialmente internacionalmente. Exatamente como Socrates que tentou a aliança do impossivel (sonho) entre um paraente NOVO com o VELHO. E deu bronca, ou melhor destruiu mais a viabilidade de Portugal. Não foi maldade ou má fé. Abstenho de lhe dar o nome certo que qualquer um sabe qual é.
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Meus amigos ou resolvemos por nós ou dentro de muioto pouco tempo vamos ser obrigados à força internacional a fazê-lo. Se formos obrigados é uma VERGONHA para as autodesiganadas elites, academicos e catedráticos. Se a MOODY´s, a seguir a muito curto prazo as outras, já classificaram como LIXO as governanças Portuguesas.
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Quem admnistra ou governa qualquer empreendimentos politico, economico ou financeiro enfiando-o na falência (default) não só esse empreendimento é classificado como LIXO como quem o levou a isso, admnistrou ou governou, é LIXO também. Obvio. Nem sequer se trata de varrer o lixo para debaixo do tapete. É assim tão friamente e exato.
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Um sarilho. Ardeu.
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Pergunto: Quando é que o Sr. Ministro das Finanças corta definitivamente com as reformas obscenas dos politicos e que ainda estão na vida activa?
Ou vão continuar a gozar com o pagode?
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Caro Medina Ribeiro:
E eu a reler as memórias do marquez de fronteira que é onde começa o pagode.
Como diria o Herculano “isto dá vontade de morrer”…
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E o Marques Mendes vai continuar a receber a reforma de politico?
E vão tirar o RSI ao cambado da minha rua?
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É preciso cortar nas reformas acima dos 3500 euros em todas as acumulações.
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Com o país na bancarrota essas reformas são uma xulice total, um desrespeito pelos mais pobres.
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A Helena está a precisar de praia… Férias!
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