Saltar para o conteúdo

Empreendedorismo sindical vs. sindicalismo empresarial

4 Outubro, 2011

Na Madeira, foi em tempos constituída uma uma associação de que foram fundadores dois sindicatos de pessoal portuário, a própria Região Autónoma e uma sociedade comercial de gestão portuária. O objecto social desta extraordinária associação é “o exercício da actividade de cedência temporária de trabalhadores portuários nos portos e terminais da R.A.M.”, sem fins lucrativos (requisito obrigatório das associações). Aquela associação é, assim, uma empresa de trabalho temporário duplamente sui generis (sem fins lucrativos e com sindicatos ente os sócios).

Os sindicatos – associados da associação – celebraram, em representação dos trabalhadores sindicalizados, um contrato colectivo de trabalho com os patrões. Uma das partes do CTT era precisamente aquela estranha associação entre sindicatos e patrões. Alguns trabalhadores, considerando que a associação, sendo empregador, assinou o CCT do lado dos patrões, não gostaram, por entenderem que os sindicatos em causa agiram, ao mesmo tempo, como patrões e como representantes dos trabalhadores, sendo sabido que não se pode servir a dois senhores.

Mas o Supremo Tribunal de Justiça entendeu que não, dizendo que a associação subscreveu o CCT, mas do lado dos trabalhadores e não do dos patrões. E que, assim, não havia nenhuma ilegalidade nem violação do “princípio da independência dos sindicatos“.

Conclui-se, portanto, que uma associação de sindicatos e patrões pode representar os trabalhadores em negociações com os próprios patrões num CCT. Faltou apreciar o reverso da medalha: pode uma associação de sindicatos e patrões representar os patrões em contratos colectivos?

6 comentários leave one →
  1. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    4 Outubro, 2011 17:33

    Ora aqui está uma boa alternativa para os sindicatos do Sr. Carvalho da Silva e do Sr. João Proença.
    Empreensalizar os sindicatos e pôr na bolsa a UGT e a CGTP ~, não seria má ideia.
    Assim faziam concorrência saudável às empresas de trabalho temporário, verdadeiras organizações de esclavagismo organizado e «fiscalizadas» pelo Estado!

    Gostar

  2. trill's avatar
    trill permalink
    4 Outubro, 2011 18:36

    devem pertencer a uma das sete famílias, ou então passam a ser oito… http://psicanalises.blogspot.com/

    Gostar

  3. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    4 Outubro, 2011 19:56

    Hehe, mais uma demonstração do social-fascismo estrutural da sociedade portuguesa.

    Gostar

  4. António Barreto's avatar
    António Barreto permalink
    4 Outubro, 2011 20:28

    Ora; o Estado Corporativo tinha as suas virtudes, não é verdade?

    Gostar

  5. antonio amaral's avatar
    antonio amaral permalink
    5 Outubro, 2011 09:44

    Então e a CGTP não terá comprado a transportadora em insolvencia TNC ? a empresa esta parada os motoristas não recebem os camions não devem ter seguro mas eles agora estao sempre em tudo o que é manif da CGTP, um destes dias ainda vamos ver o Carvalho da Silva sindicalista empresário de transportes internacionais

    Gostar

  6. leme's avatar
    leme permalink
    5 Outubro, 2011 16:38

    E a família Soares não conta?
    Mas há mais, não há?

    Gostar

Indigne-se aqui.