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O horário dos padeiros

22 Novembro, 2011

Ainda se lembram do horário diurno dos padeiros?   Nos dias que antecederam o 25 de Novembro de 1975 Portugal discutiu com paixão o horário de trabalho dos padeiros. Estes últimos iluminados pelo espírito revolucionário tinham entendido que também tinham o direito a ter um horário diurno de trabalho  como os outros trabalhadores. E assim o país onde as armas nas mãos de civis proliferavam, onde a violência política já gerava mortos e feridos: no norte a direita atacava as sedes do PCP e afins e estes defendiam-se com armas automáticas; em Lisboa os SUV faziam manifestações para impor o poder popular e iam buscar os seus militares às cadeias e se algum carro conduzido por um distraído tivesse o azar de lhes atrasar a marcha lá vinha rajada, no sul o PCP  devidamente escoltado pelos seus militares ocupava herdades e fábricas, a soldadesca entregues a si mesma comportava-se como uma milícia e o Otelo recém-chegado da Suécia explicava que não sabia das mil G3 desaparecidas mas que elas estavam em boas mãos porque estavam nas mãos da esquerda… – mas o horário dos padeiros colocou o país à beira de um ataque de nervos. Enfim de nada servia explicar (acho que tb ninguém tentou) que havia coisas mais importantes, que muito rapidamente o pão passaria a ser feito e vendido em muitos outros espaços além das padarias propriamente ditas… Os protestos dos padeiros serviram até ao almirante Pinheiro de Azevedo como justificação para o facto inédito em termos mundiais de um  governo, o português, ter entrado em greve. A esta distância temporal a comoção com o horário dos padeiros em 1975 é um desconchavo, não é? Pois é exactamente isso que experimento  quando percebo que no ano da graça de 2011 andamos a discutir os direitos adquiridos da função pública ou o serviço público prestado pela RTP Açores e Madeira. Não adianta: o tempo e o mundo encarregar-se-ão de nos obrigar a fazer tarde e mal que nós não tivermos coragem de fazer no seu devido tempo.   O que tem de ser tem muita força e muito daquilo que nos arrebata já não é deste tempo.

22 comentários leave one →
  1. CA's avatar
    22 Novembro, 2011 12:51

    Quem diz direitos adquiridos da função pública, diz direitos adquiridos das empresas que contrataram as PPPs ou os direitos adquiridos dos credores da república, não é?

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  2. esmeralda's avatar
    esmeralda permalink
    22 Novembro, 2011 12:58

    As pessoas, em Portugal, andaram comodamente e para seu próprio interesse, “adormecidas”! O que tem de ser tem muita força… e acordar vai dar um trabalho enorme!

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  3. António Lemos Soares's avatar
    António Lemos Soares permalink
    22 Novembro, 2011 13:14

    Não conhecia essa dos protestos dos padeiros por um horário diurno. Tem graça, de facto.

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  4. trill's avatar
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    22 Novembro, 2011 13:17

    pois é… há coisas com força…

    face à incapacidade conehcida e histórica dos políticos portugueses – ajudados frequentemente pelos comentadores de serviço – o lugar há-de passar a ser governado por Bruxelas versus Alemanha. Tem de ser porque tem muita força.

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  5. trill's avatar
    trill permalink
    22 Novembro, 2011 13:19

    quanto à dos padeiros tb uma batalga qq foi ganha devido a uma mulher transfigurada em padeira… de resto nalguns países quando se fala em portugueses pensa-se logo nos padeiros. Estranhamente portugal é o país ou um dos países mais monótonos nas variedades de pão que tem para oferta… agora está um pouco melhor devido aos “estrangeirados”…

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  6. Fredo's avatar
    Fredo permalink
    22 Novembro, 2011 13:23

    Eu acho que não pode haver restrições nos horários para ver os padeiros, toda a gente se queixa que não vê o padeiro há muito tempo.
    Mas desse “tempo de liberdade” lembro-me da dificuldade de se comprar pão, e de como isso foi aproveitado por alguns padeiros… recordo-me de uma carrinha que corria algumas zonas a vender clandestinamente o pão que não havia em mais parte nenhuma. De como esses vendedores eram acarinhados pelas pessoas compradoras, e do medo dos vendedores de serem apanhados pelo Copcon… Bons tempos!(?)

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  7. Piscoiso's avatar
    22 Novembro, 2011 13:35

    A discussão dos horários é de sempre.
    Hoje discute-se o horário das discotecas, dos hipermercados, dos autocarros e até os horários dos programas de televisão.
    Porque não as padarias?

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  8. jo's avatar
    22 Novembro, 2011 13:54

    Presumo que sendo a nossa miserável vida tão insignificante, deveremos somente discutir as coisas importantes que são as que a sapiência da autora manda e a Troika aconselha.
    Como a sapiência da autora não abunda e a Troika só aconselha que se tenha respeito, protestar é um acto inútil, se não subversivo.
    É uma maneira como qualquer outra de criar carneiros para engorda.

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  9. berto's avatar
    berto permalink
    22 Novembro, 2011 14:30

    Este post diz tudo sobre a autora. Parece que em 75 andava tudo aos tiros, os mortos amontoavam-se nas ruas, ah, mas as sedes do PCP eram atacadas e estes defendiam-se com armas automáticas, delirante! Não refere como as sedes eram incendiadas, os seus ocupantes perseguidos e agredidos, a bomba no carro do padre Max não convém lembrar, a rede bombista onde Valentim Loureiro e Ferreira Torres militavam é para esquecer, o grande problema eram afinal os esquerdistas, o horário dos padeiros e as bocarras do Otelo.
    Até parece que nunca usou o livro de Mao como Bíblia.

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  10. licas's avatar
    licas permalink
    22 Novembro, 2011 14:47

    As BOCARRAS DO OTELO? DEVIAS TER ESTADO NOS CALABOUÇOS DA COPCON para te lembrares
    do PREC . . . com saudade!

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  11. digo eu's avatar
    22 Novembro, 2011 14:56

    Dizer que o Governo de Pinheiro de Azevedo entrou em greve por causa dos padeiros (!) é mesmo de cabo de esquadra.

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  12. Trinta e três's avatar
    22 Novembro, 2011 15:11

    Sempre me ensinaram que a inveja é muito feia. Mas, ao ler o post e grande parte dos comentários, interrogo-me se os meus pais não deviam ter investido noutros valores. De facto, pelo que se lê nos comentários, em vez de trabalhar e lutar que nem um doido para conseguir melhorar a minha situação e a dos meus, devia passar o tempo a dizer mal dos que conseguiram, legalmente, uma situação melhor do que a minha. Porque estes raciocínios básicos sobre a situação dos funcionários públicos (não, não sou), está definida em contrato LIVREMENTE assinada pelas partes. Eu sei que assinamos com a “troika” um contrato que sabemos não conseguir cumprir. Mas, que diabo: não devemos transformar isso na imagem de marca de um país.

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  13. A. Silva's avatar
    A. Silva permalink
    22 Novembro, 2011 16:34

    TANTA ALDRABICE PEGADA, ou então é o resultado de ter passado o PREC no MRPP!
    Mas não há quem receite uns comprimidos a esta senhora?

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  14. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    22 Novembro, 2011 16:35

    Não se pode é tocar nos direitos adquiridos da aristocracia financeira, empresarial e social do Eixo Estoril-Cascais ou Quinta da Marinha, ou do Lago ou da Coelha.
    Para esses, as «conquistas do 25 de Abril» continuam bem firmes.
    Quanto à RTP-Açores e RTP-Madeira, a Drª Helena não compreende – e não é obrigada a isso – a importância geo-estratétiga dos arquipélagos da Madeira e dos Açores e muito menos compreende a insularidade e a especificidade cultural dos seus trerritórios.
    Também não percebe – nem é obrigada a isso – que estes territórios insulares, são mais importantes para Portugakl do que o contrário.
    Embora alguns ainda abram a boca, a verdade é que estes territórios fossem independentes pertenciam ao 1º Mundo, e não estãvam a reboque dum país (Portugal) falido, corrupto, velho, decadente e esgotado.
    Tal e qual aqueles que ainda mantêm essa quimera dum «Portugal independente»….

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  15. António Joaquim's avatar
    António Joaquim permalink
    22 Novembro, 2011 19:03

    Oh Helena. Agora deste em padeira!???? (anda aí muito “pão” desperdiçado).

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  16. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    22 Novembro, 2011 19:15

    Era bom que os padeiros fizessem greve, para que algumas «cabecinhas pensadoras» tivessem mais respeito por quem trabalha e por quem se levanta de madrugada para pôr esta pôrra de país a funcionar!!!!!!

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  17. Zebedeu Flautista's avatar
    Zebedeu Flautista permalink
    22 Novembro, 2011 23:36

    Os padeiros já não tem o poder que tinham. Agora qualquer nano-micro-pequeno-burguês tem uma daquelas maquinetas de fazer pão compradas no LIDL. A melhoria das condições de vida é lixada…acomoda qualquer um.

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  18. O SÁTIRO's avatar
    23 Novembro, 2011 04:42

    Entretanto, são os ex governantes socialistas quem apresenta os números da bancarrota:
    http://www.mentesdespertas.blogspot.com/2011/11/confissao-da-bancarrota-ii.html

    depois de teixeira dos santos revelar a dívida ao exterior de 400 mil milhões….repare-se nos números….agora é Costa Pina a alertar que o empréstimo de 75 mil milhões é insuficiente……

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  19. Arlindo da Costa's avatar
    Arlindo da Costa permalink
    23 Novembro, 2011 09:35

    Este Sátiro é uma praga.
    Deve trabalhar noutro fuso horário.
    Talvez na Rússia!

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  20. A. R's avatar
    A. R permalink
    23 Novembro, 2011 10:17

    Curioso. Na Revolução Francesa, por causa da fome, vieram outras fomes maiores pois não havia produção de trigo. Os padeiros subiam o preço do pão pois a matéria prima escasseava. Como resolviam o problema? Guilhotinavam os padeiros. Estas revoluções são de chacha.

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  21. ani's avatar
    ani permalink
    23 Novembro, 2011 11:59

    “…em contrato LIVREMENTE assinada pelas partes…”
    Muita parte envolvida não assinou nada. Mas paga.

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