Tgv: final feliz
23 Março, 2012
O TGV morreu! Respiremos de alívio. O TGV seria talvez o investimento público mais estúpido de toda a história do nosso país. Um TGV não cumpria qualquer regra mínima a que se deve submeter um investimento. O investimento não seria amortizável e iria comprometer os impostos de três gerações. O TGV não traria qualquer efeito positivo à economia nacional. Não servia para transporte de mercadorias, só de forma muito diminuta serviria o turismo. Por último, o TGV não garantia qualquer benefício de ordem social. A maioria dos cidadãos nunca utilizaria este transporte de ricos, que seria pago pelos impostos dos pobres.
33 comentários
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Parabéns ao governo. Trata-se da melhor decisão desde que tomou posse. A que serve os intesses do Estado, nao dos espanhois, construtores e bancos. Quem andou a brincar com a alta velocidade, quando estava na cara que o que interessava a um Estado com Portugal, ainda por cima numa situação financeira que nunca foi famosa mesmo antes da bancarrota, era a velocidade alta e o transporte de mercadorias para a Europa Central. As construtoras que pedem indemnizações são facilmente postas na ordem. Basta ameaça-las com investigações de trafico de influencias no processo TGV que metem logo a viola no saco.
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Nem me parece que seja preciso. Declarados os contratos como ilegais, não há qualquer tribunal neste país que condene o Estado a pagar os trabalhos realizados a coberto destes “contratos” inexistentes (porque nulos).
Se estavam a contar com o ovo no cu da galinha e se foram adiantando apostaram mal. E tal como no casino, quando sai o zero, ganha a casa.
Imagino que que estará neste momento a passar pela cabeça dos responsáveis de todas estas empresas que terão pago umas coisinhas em troca destes contratos completamente ilegais. Imagino…
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O TGV morreu??? Não me parece. Para já ficamos com uma linha de via dupla, bitola ibérica e de alto desempenho para que este comboios sejam os mais rápidos da europa, segundo o comissário europeu de transportes poderão chegar aos 150 a 200 Km/h depois de falar com o nosso governo e de ter reunido hoje com o ministro da economia. Já agora, não sei se sabem mas a média de velocidade dos comboios de mercadorias na europa a 15 é de ~10 Km/h.
Como já devem ter advinhado daqui a uns tempos vamos descobrir que afinal facilmente podemos ter alta velocidade é só os comboios espanhois que vêm até Badajoz fazerem mais uns 150 km…
E assim se tira mais um coelho da cartola, ou dito de outra forma é o PPCoelho que dá ao Coelho (neste caso o Jorge) mais uma cartola de milhões!!!
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O que pensará desta decisão o putativo filósofo andarilho pela suborne ?
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Carlos,
O TGV neste e nos próximos anos é desnecessário, inapropriado, insuportável.
Por exemplo : não bastaria concretizá-lo. Que verbas o manteria enquanto não começasse a proporcionar (em 2018-20 segundo economistas) alguns –repito, alguns– lucros ?
Acresce que o Tribunal de Contas concluíu que…
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Caro MJRB, o meu ponto é que isto é “só fumaça para o povo” e o governo ja acordou fazer uma linha de alto desempenho com a Comissão e com os Espanhois (que só deixam passar as mercadorias se tiverem como contrapartida os passageiros até Lisboa) que de início será dito que apenas é para mercadorias. Depois com o tempo vai passando a passageiros…, a diferença no custo de investimento é de aproximadamente 20%. E como referi os comboios espanhois mais tarde até poderão vir até Lisboa sem grandes investimentos acrescidos porque o grosso foi entretanto realizado (demorarão mais 10 a 15 minutos que se fosse em alta velocidade, o que para não é significativo).
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Caro Carlos,
É a sua opinião, interessante, e que respeito.
Porém, não antevejo que tal venha a acontecer.
Para concretizar o que Vc. antevê, não bastaria montar linhas e construir e adaptar estações. Os custos iniciais seriam obrigatoriamente para um TGV, logo… E quem iria montar as linhas e construir estações depois de empresas retiradas do (anterior) projecto e, anunciado o seu cancelamento ? Surgiria um conflito jurídico enorme certamente com recursos e repercussões em Bruxelas…
Se a decisão hoje anunciada por PPCoelho “é só fumaça para o povo”, estamos duplamente lixados economica e financeiramente e rotundamente enganados se quisermos acreditar (qb) na honestidade e verdade apregoada por PPCoelho…
(Note, sff : a Troika não se retira do Ministério das Finanças nos próximos 2 anos…).
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Quem deve estar feliz com esta decisão é o pessoal laranja que “inventou” o TGV; ou já estamos esquecidos de quem deu o primeiro passo? ai, ai , essa memória!
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Olhe que não, sr. doutor, olhe que não…
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Caro MRJB,
Os custos da linha Poceirão-Caia em alta velocidade distribuiem-se aproximadamente da seguinte forma: infraestrura (obra civil e ferroviária) – 80%; energia – 5%; controlo e sinalização – 5%; material circulante (comboios) – 4%; outros – 6%. Se passarmos para uma linha de alto desempenho o peso da obra civil e ferroviária passa para os 85% com um descida como lhe referi no investimento global de ~20%, ou seja a indústria nacional de obras pública fica a ganhar porque há maior incorporação nacional de valor no global do projecto. Portanto, seja em alta velocidade ou não embora com um investimento necessário menor a componente nacional seria ~igual. Acresce que os fundos comunitários afectos a este projecto pelo que se sabe (não sei ainda o que foi acordado hoje entre a Comissão e o Governo) serão da ordem dos 90% a 95% (com uma certa engenharia financeira é certo…) do total do investimento, estou até convencido que esta componente tenderá a ser ainda maior no futuro (o François Hollande já diz que se ganhar para as redes transeuropeias de energia e transporte vai propor que o investimento comunitário seja de 100%).
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Continuando,
Como em qualquer contracto passado 6 meses o governo (neste caso a Refer) pode lançar outra empreitada/concurso sem penalidades face a um contracto anterior anulado e não se esqueça que o actual contracto foi ganho por uma empresa espanhola que levou a Soares da costa ao colo…
Quanto à troica só lhe interessa que nós paguemos aos nossos credores e não se esqueça que a Comissão faz parte dela…
Por último quanto à exploração, existe já hoje uma acordo com a Renfe (espanhola) para que parte substancial da exploralção seja suportado ploes espanhois…
Ou seja, aquilo que parece nem sempre é até porque a margem de manobra que nos deixou o nosso estudante parisiense é muito reduzida para não dizer nula e a esse sim é que tem de se pedir contas por ter comprometido o estado portuges num negócio internacional sem ter o apoio interno que era necessário para um projecto desta envergadura.
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Caro Carlos,
Não duvido desse “números” (“com uma certa engenharia financeira é certo”). Um dos perigos são precisamente as “engenharias financeiras vulgo derrapagens.
François Hollande é um candidato surgido recentemente e não eleito. Com o actual e magno problema económico e financeiro na Europa, essa (sua) promessa é meramente eleitoralista. O projecto do TGV em Portugal sugiu há anos, foi questionado e debatido sobretudo desde 2009, sem Troika, sem Hollande. Então, “estavamos no bom caminho”…
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Não, não estavamos no bom caminho…, pelo menos desde 2009. O meu ponto, repito, é que referir que este projecto acabou é uma declaração apenas política porque o grau de manobra do estado português não permite estas afirmações tão contudentes. Mas, iremos ver no futuro.
Agradeço a sua disponibilidade para esta amável troca de palavras e termino por aqui. Boa noite.
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Caro Carlos,
Garanto-lhe: se as suas previsões se concretizarem, e se ressurgir no Blasfémias chamando a atenção para o que escreveu hoje, terá em mim um ainda mais atento leitor.
Também foi um prazer. Boa noite.
(Aliás, estou só por hoje de passagem pelo Blasfémias).
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Acabou o TGV
mas ainda não acabou a corrupção ligada ao TGV
Deve ser investigada a maneira como foram gastos os 350 milhões de euros
como se fizeram os contratos
se há indícios de conluio
se foram propositados para haver indemnizações
só DEPOIS se pode dizer
O TGV ACABOU
e mais
o Estado exercer o direito de regresso contra o sókas e o mendonça e outros culpados se houver…pelos gastos de 350 milhões
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Será que morreu? Não creio a tática do caranguejo, dois passos atras, para preparar o avanço.
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Morto? Tudo se transforma! Transforma-se a matéria; até as letras se transformam. Por isso é que o sr Gabriel Silva encontrou uma “sucessão de Rectificações”. Rectifacações à medida, adequados ás circunstâncias, como quem diz, aos interesses instalados.
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O tempo ao agir sobre a matéria é a única razão causal que justifica a Natureza. Mas porque a Natureza é a nossa matriz estão, por essa via, justificadas estas Rectificações e todas as outras, que o novo tempo trará.
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Há interesses instalados segundo os quais, Lisboa não devia ir além da Muralha Fernandina. Só falta dar nome aos bois.
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O dinheiro gasto em champanhe por Durão Barroso e por Manuela Ferreira Leite na cerimónia de lançamento de 4 linhas de TGV, realizada na Figueira da Foz, com os seus companheiros espanhóis, vai ser deitado ao lixo. Teria melhor aproveitamento a ajudar os velhinhos de mais de 70 anos, que fazem hemodiálise, que MFL defende que devem ser abandonados pelo SNS.
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Um bom passo atrás.
Vamos agora tratar de limpar a RTP/RDP e poupar 300 milhões de euros por ano para distribuir de melhor maneira.
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Apesar da contestação aos grandes projectos de obras públicas, o PSD quando esteve no Governo coligado com PP, aprovou o mais ambicioso investimento público em valor e calendário: uma rede de alta velocidade ferroviária (TGV) com quatro linhas para Espanha. Em relação à Ota, o Executivo PSD/PP congelou o novo aeroporto por não o considerar prioritário.
No tempo de António Guterres estavam em discussão duas linhas: Lisboa/Porto/Vigo e Lisboa/Porto/Madrid. Mas na cimeira luso-espanhola da Figueira da Foz em 2003, Durão Barroso e José Maria Aznar aprovaram as ligações Lisboa/Madrid e Porto/Vigo até 2010, Lisboa/Porto até 2013, e Aveiro/Salamanca até 2015. Condicionada a mais estudos ficava a quinta ligação, entre Faro e Huelva. O investimento totalizava nove mil milhões de euros, apenas em infra-estrutura, foi aprovado por proposta do então ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues. Na altura Manuela Ferreira Leite era a ministra das Finanças e de Estado, considerada o número dois do Governo liderado por Durão Barroso, e não se lhe conhecem críticas públicas à decisão
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Morreu…
Ou terá o governo calculado… quem ficar com “isto” que o faça.
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Morreu o tanas.
Não passa de bluff!
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Não morreu nada. O TGV vai começar a ser construído daqui a 152 anos, quando a dívida estiver finalmente paga e o osçamento estiver equilibrado.
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O TGV deveria ser construído.
E pago em escudos.
Ao câmbio da altura claro está.
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De acordo. FINALMENTE! Podemos ocupar-nos com coisas mais urgentes? Espero que sim! Estranho tantos comentários parecerem PRÓ TGV!!!!!! Que se passa? Confiem senhores: acabou essa ideia macabra!
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O primeiro Primeiro Ministro a falar disso foi Pinto Balsemão, em 1981, depois da inauguração do troço Paris-Lyon.
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O Carlos tem razão. Vai-se construir uma nova linha de velocidade elevada e depois será a Renfe a explorar o negócios dos passageiros, usando-se a ponte 25 de Abril para chegar a Lisboa. O governo salva parcialmente a face dado que apenas criou uma linha suspostamente para ajudar as exportações, investimento mais reduzido por ser velocidade elevada em vez de TGV e não sustenta via prejuízos da CP uma ligação de passageiros economicamente insustentável. Quem se lixa, como é habitual são os contribuintes. Quem é responsável e se safa é Socrates. Como habitual.
A verdade é que as mercadorias de baixo valor acrescentado por kg, comodities, que podem entrar por Sines ou Setubal para a Europa não necessitam de grande velocidade para lá chegar. É um luxo pago pelos contribuintes. Alem do mais, a economia mundial está em mutação, e com custos de transporte marítimos crescentes, a opção será produzir localmente em vez de remotamente. O uso de portos para entrada de mercadorias para abastecimento de mercados consumidores irá decrescer.
Enfim. No século XIX em Portugal houve uma febre ferroviária idêntica à política de betão dos nossos dias. POrtugal faliu em 1892. Nos anos seguintes seguiram-se instabilidade, mudanças de regime, soldados carne para canhão em guerras alheias, perda de democracia durante 50 anos. Hoje estamos em 1912.
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“O TGV seria talvez o investimento público mais estúpido de toda a história do nosso país.”
Está a esquecer-se de outro ainda mais estúpido: a substituição do aeroporto de Lisboa por outro longe de Lisboa, seja ele na Ota, seja em Alguidares de Baixo. A isto seguir-se-ia, naturalmente, a substituição do aeroporto Sá Carneiro por outro, na Póvoa, em Braga, ou em Guimarães. Ou talvez o aeroporto de Beja seja a alternativa ao de Pedras Rubras.
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Claro. Com este governo andar de burro vai ser um privilégio.
Uns provincianos e uns coitados, esta gente que está no governo.
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Santo Deus! Regressa Sócrates estás perdoado! estamos entegues a bandos de Vitinhos e Passinhos que só sabem é SACAR! ainda por cima miseráveis merceeiros…
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estratégia, estratégia económica interna e externa… é o que falta neste país!…
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os Espanhóis, mesmo com os seus problemas de défice e dívida, não puseram de lado os seus projectos de rede de comboios de alta velocidade, porque a circulação de mercadorias e passoas com passagem à grande Europa é essencial para o futuro crescimento de que necessitam para saír da bolha imobiliária e das altas taxas de desemprego… não precisam especialmente do TGV, mas de algumas linhas de bitola europeia e alguns comboios que circulem pelo menos à velocidade média de automóveis e camiões por autoestradas, mas se atingirem os 150 km/h já é excelente, evitando o consumo de hidrocarbonetos cujos preços não param de subir… não por causa do pico petróleo, que parece ser mais uma treta como a do aquecimento global, mas porque a especulação sobre matérias primas em particular tende a aumentar, mas, alimentares, também, desde há uma meia dúzia de anos…
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essa especulação e a necessidade de crescimento para inverter as tendências de crise dos países “ocidentais” pouco ricos em matérias primas, levarão ao aumento constante dos preços dos hidrocarbonetos, que alimentam os veículos com cada vez mais dificuldade em circular nas nossas estradas com portagem e quase sem alternativas… e quando há alternativas, as estradas não têm condições de segurança e velocidades aceitáveis para longas distâncias. essa dependência de petróleo é também produtora de dívida externa e tenderá a crescer…
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em investimento global, a UE participa em 95%, talvez seja uma solução que tenha um efeito positivo já a médio prazo, permitindo uma redução importante da dívida em hidrocarbonetos.
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