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Ave Bruxelas, os que vão para o abismo te saúdam!

15 Junho, 2012
by

Defendi no Público que o choque entre os alemães que fazem contas e todos os outros, os que estão aflitos, não tem solução possível:

A Europa está à beira do abismo. O euro pode desintegrar-se. A União Europeia pode desaparecer. A economia mundial está a afundar-se.

Não faltam previsões catastrofistas na imprensa europeia – e portuguesa. O detonador do apocalipse já está identificado: as eleições gregas do próximo domingo. Tal como o momento onde, de novo, o futuro dos povos se jogará: a próxima cimeira europeia. Até se conhece a má da fita: a senhora Merkel, claro.

Da cacofonia dos alarmismos sai sempre o mesmo tipo de recomendação: para salvar o euro, a Europa, o Mundo, o que é necessário é mais federalismo, seja sob a forma de eurobonds, seja de uma união bancária, seja de “mais solidariedade”, um eufemismo para defender a transferência de recursos dos países bem comportados para os mal comportados.

Compreende-se a aflição: todas as medidas para tentar estabilizar a zona euro e acudir às aflições de alguns países da periferia não fizeram regressar a normalidade. Até a recente ajuda à Espanha, que no domingo era saudada como salvífica, é tão insuficiente que Mariano Rajoy passou a semana a pedir a Bruxelas mais acção.

O que se pede tem sempre a mesma consequência: mais transferências de soberania para entidades supranacionais sobre as quais há muito pouco controlo democrático; e menos capacidade para cada povo escolher o seu próprio destino. Já sabemos qual é a situação nos países “intervencionados”: uma quase suspensão da democracia. Se se prosseguir no caminho defendido por muitos, o resultado será alargar também aos países não intervencionados condicionalismos não democráticos e imposições externas.

Um dos grandes riscos da actual crise é sermos empurrados para soluções que tornarão ainda maiores e mais incontroláveis a crises futuras. É fácil perceber porquê: na origem das nossas dores está a criação de uma moeda única sem condições para que pudesse funcionar bem. Ao contrário do que por aí se diz, o nosso problema não é faltarem-nos hoje os líderes visionários que tivemos no passado. O nosso problema é esses líderes visionários – Mitterrand, Kohl – não terem dado ouvidos à única mulher que tinha os pés na terra e se opunha ao projecto do euro – Thatcher. Hoje, quando relemos os avisos que foram feitos no Reino Unido relativamente aos males intrínsecos da moeda única, espantamo-nos com a sua capacidade de previsão: está lá muito do que nos está a acontecer.

Na construção europeia, porém, nunca ninguém previu que fosse preciso fazer marcha-atrás. A arrogância triunfalista dos pais do euro era tal que, nos tratados, nem sequer está prevista a possibilidade de um país querer sair. Contudo, não há forma de continuar a olhar para os nossos problemas como se olhava no passado, isto é, acreditando que mais um “grande salto em frente” – uma expressão de conotações maoístas e muito má memória – resolverá os nossos problemas.

Há anos que venho alertando não só contra o défice democrático na EU, como contra o agravar do fosso entre as suas elites “iluminadas” e os eleitorados. Foi a arrogância dos líderes europeus e a sua insistência em desrespeitar a vontade dos povos sempre que esta os contrariava que foram fazendo com que deixasse de ser federalista e me tornasse sobretudo um céptico. É por isso que estou especialmente atento aos possíveis impactos negativos do voluntarismo de aflitos desta mal construída “União dos quatro presidentes” (Barroso, presidente da Comissão, Rompuy, do Conselho, Draghi, do BCE, e Juncker, do Eurogrupo).

Uma das coisas que me inquietam é a pressão que está a ser colocada sobre a Alemanha. Desde o início da crise que, de forma assumida ou encoberta, se exige à senhora Merkel que puxe do livro de cheques. E que, de passagem, ignore as regras dos tratados e a Constituição do seu país.

A verdade é que Merkel já assinou muitos cheques. Num artigo no New York Times, Hans-Werner Sinn, presidente do Ifo Institute, lembrava que, além dos fundos de emergência criados, o Bundesbank já tinha transferido para os países da periferia, através do BCE, o equivalente a 874 mil milhões de euros. Somava depois as compras pelo BCE de dívida soberana nos mercados secundários e as outras contribuições da Alemanha, para concluir que um default da Grécia, da Irlanda, de Portugal, de Espanha e de Itália faria perder ao seu país 899 mil milhões, o equivalente a 26 por cento do PIB germânico. Dirigindo-se a Obama, um dos líderes que mais têm pressionado Merkel, aquele professor da Universidade de Munique concluía: “Será que os Estados Unidos alguma vez incorreram num risco semelhante para ajudarem outros países?”

O choque entre os alemães que fazem contas (a chanceler lembrou ontem, no Bundestag, que a saúde financeira do seu país não é infinita) e todos os outros que estão sobretudo aflitos não parece ter fácil resolução. Por duas razões, uma política e a outra económica.

A razão política devia entrar pelos olhos dentro de quem quer que tenha seguido os últimos resultados eleitorais: a Alemanha é um dos poucos estados do Centro e Norte da Europa onde ainda não emergiu uma força eleitoral anti-UE, de extrema-direita ou não. Como lembrava Gideon Rachman no Financial Times, isso já sucedeu em França (votações recorde da Frente Nacional), na Bélgica, na Holanda (direita anti-europeia à frente nas sondagens), na Dinamarca, na Suécia (extrema-direita elegeu 20 deputados), na Finlândia, na Hungria e na Áustria. Se na Alemanha tivesse aparecido um movimento político equivalente aos que singraram nestes países, já todos estaríamos aos gritos. Não estamos porque a CDU/CSU de Merkel tem conseguido conter essas tentações. Reforçar a ideia de que são os contribuintes alemães que pagam a conta numa “união de transferências” é criar o caldo de cultura para a emergência de extremismos que, esses sim, destruiriam a Europa num ápice.

E aqui chegamos à razão económica: todas as soluções propostas para “salvar o euro” implicam aumentar o risco e os custos da Alemanha no curto prazo (é o que sucederá sempre com qualquer fórmula de mutualização da dívida), e isso é impensável para Berlim sem controlo dos orçamentos dos Estados que vão gastar o dinheiro alemão. Como dizia um político holandês citado por Rachman, “não nos podem querer impor uma união bancária quando a França acaba de reduzir a idade da reforma para 60 anos e nós a subimos para 67”. Mais: no médio/longo prazo, como depressa se concluirá e como já escrevia num documento de 1977 da antiga CEE destinado a preparar a união monetária, a moeda única exigirá uma UE com um orçamento equivalente a sete a dez por cento do PIB dos países-membros. Só assim se corrigiriam as assimetrias de desenvolvimento.

Como não é possível imaginar que os eleitorados de países como a Alemanha possam alguma vez aceitar multiplicar por cinco ou por seis a sua contribuição para os pobres da União, a conjugação entre as razões económicas e as razões políticas mostra-nos como insistir numa via de mais integração pode ajudar a apagar o fogo hoje, mas com o risco de criar um desastre muito maior num futuro que é já amanhã.

Há ainda um pano de fundo em toda a actual crise que ninguém refere: ela é apenas o primeiro estertor de um continente que perdeu o seu lugar no palco do Mundo e que vai ter de se habituar a isso. Mais: a hegemonia económica da Europa nas últimas décadas permitiu-lhe beneficiar da riqueza que sustentou um generosíssimo Estado Social. Também isso acabou. Só espero que a Europa consiga adaptar-se às novas condições de relativa escassez sem voltar a mergulhar nos seus dramas eternos. Mas isso é outra discussão.

59 comentários leave one →
  1. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    15 Junho, 2012 20:33

    Deve ser lixado viver com isso na cabeça.
    É um stress do camandro.

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  2. Delfim's avatar
    Delfim permalink
    15 Junho, 2012 20:36

    Leiam a cronica da Fernanda Câncio hoje no D.N Por favor pratiquem um exercicio de Memoria decerto que continuarão saudaveis e talvez encontrem respostas para as vossas angustias Politico-Pessoais

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  3. PMP's avatar
    PMP permalink
    15 Junho, 2012 20:37

    Se a Alemanha não quer divida unica é porque não quer uma moeda única.

    Moeda única sem divida única é uma fantasia de economistas e políticos incompetentes e ignorantes .

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  4. balde-de-cal's avatar
    balde-de-cal permalink
    15 Junho, 2012 21:04

    os comentários revelam conhecimentos profundos.
    admira-me que, apesar de gente tão ilustre, o país continue na fossa

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    • Delfim's avatar
      Delfim permalink
      15 Junho, 2012 21:14

      Admira-me que você se admire Esta gente tem imensa verborreia e poucas soluções

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  5. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    15 Junho, 2012 21:31

    .
    O que entende você por «condicionalismos não democráticos»?
    Você escreve «o nosso problema não é faltarem-nos hoje os líderes visionários que tivemos no passado». Onde estão os que tivemos em Portugal?
    E também: «faltarem-nos hoje os líderes visionários que tivemos no passado». Clsro que se está a referir a gente muito discutivel – Mitterrand ou Kohl – mas, e em Portugal, que é o que nos interessa?
    .

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  6. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    15 Junho, 2012 21:41

    JMF, parabens, post muito bom.
    .
    No entanto, vejamos, se a Alemanha tem receios, ainda que fundados, em assumir risco para salvar os paises em dificuldades, e tendo em conta que, à medida que o tempo passa, eles vão caindo como baralhos de cartas, a solução seria a Alemanha abdicar e sair do Euro.
    .
    Mas não o faz. E se não o faz é porque o prejuizo de sair é calculado como sendo superior ao de ficar. Quando um tipo tem medo compra um cão. Não pode é estagnar e ficar à espera que as coisas se componham per si.
    .
    Na prática a Alemanha pretende os beneficios de estar num espaço de 300 milhoes de pessoas, e todo o poder negocial que isso lhe confere, pretende ainda manter uma moeda que lhe cabe pela medida grande e exportar defices para paises terceiros europeus.
    .
    A solução, afiança a sô dona Merkel, é que cada povo seja disciplinado. Um tese, vista assim, sem reparos teoricos a assacar. Mas a realidade não é um modelo teorico. A realidade é o que é. Um alemão tem caracteristicas distintas de um grego e este de um espanhol e este de um belga. Os motivos são diversos, a educação, o clima, a religião, a tradição, a cultura… enfim, seja o que for, os Portugueses só conseguem ser disciplinados coercivamente e de forma absolutamente formal e por curtos periodos de tempo. Na espuma da realidade formal vemos o cumprimento das metas orçamentais, na profundidade vemos um país de rastos, aonde o desemprego grassa e as falencias se sucedem.
    .
    Então, pois, se A alemanha não quer sair, se precisa da europa para manter os seus niveis de actividade economica e o seu poder negocial, se precisa do Euro para obter maior competividade externa, deve assumir o risco de transferir parte da riqueza que a europa tambem lhe proporciona para a periferia.
    .
    É um sistema de vasos comunicantes. O que entra de um lado sai pelo outro. O que se acumula de um lado, falta no outro. Se exporta mais para nós do que nós para eles só pode aceitar financiar o excedente. Caso não aceite não vende, nem nós podemos comprar. Antigamente estes diferenciais eram geridos pelo sistema cambial. Hoje, as diferenças de competitividade só podem ser equilibradas com transfrencias de capital, seja ele de que forma for. Não é de cheques que falo. Mas de investimento nos perifericos, de consumo etc.
    .
    Rb

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  7. José Manuel Moreira's avatar
    José Manuel Moreira permalink
    15 Junho, 2012 21:47

    Parabéns ao JMF por mais um excelente texto, jmm

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  8. Portela Menos 1's avatar
  9. Tolstoi's avatar
    Tolstoi permalink
    15 Junho, 2012 21:58

    O esforço pedido aos cidadãos em nome do euro só seria legítimo se os cidadãos tivessem sido chamados a pronunciar-se sobre a adesão à moeda única.
    Lamento não ser federalista e prefiro que Portugal seja central no Mundo do que periférico na Europa. O país deveria ter uma estratégia económica algo que não existe desde o 25 de Abril.
    Esta visão de caminho único para a Europa federal é uma absurdo, esse caminho só pode ser feito com consentimento dos povos ,o que está longe de ser uma realidade neste momento. È constrangedor a restrita visão federal do presidente da república e de grande parte dos socialistas e sociais-democratas portugueses.

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  10. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    15 Junho, 2012 22:17

    Tolstoi,
    .
    Lamento não ser federalista e prefiro que Portugal seja central no Mundo do que periférico na Europa.
    .
    Amigo, diga antes irrelevante no Mundo ou periférico na Europa. São essas as duas escolhas que conseguirá fazer no momento.

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  11. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    15 Junho, 2012 22:26

    Ricciardi,
    .
    A solução, afiança a sô dona Merkel, é que cada povo seja disciplinado. Um tese, vista assim, sem reparos teoricos a assacar. Mas a realidade não é um modelo teorico. A realidade é o que é. Um alemão tem caracteristicas distintas de um grego e este de um espanhol e este de um belga. Os motivos são diversos, a educação, o clima, a religião, a tradição, a cultura… enfim, seja o que for, os Portugueses só conseguem ser disciplinados coercivamente e de forma absolutamente formal e por curtos periodos de tempo. Na espuma da realidade formal vemos o cumprimento das metas orçamentais, na profundidade vemos um país de rastos, aonde o desemprego grassa e as falencias se sucedem.
    .
    Primeiro, os povos são constituídos por pessoas. Quando as pessoas têm de arcar com as consequências dos seus actos, afinam e atinam e pensam duas vezes antes de voltar a fazer porcaria. Seja na vida pessoal ou colectiva.
    .
    Em outros tempos também os alemães foram esbanjadores. Uma boa liderança (do CDU) deu aos alemães a possibilidade de viver dentro dos seus meios no que concerne ao Estado, e os resultados estão a ver-se.
    .
    Quando os portugueses perceberem de uma vez por todas que sofrem porque trocaram o seu futuro, tal como Esaú, por um prato de lentilhas, Ricciardi, serão tão alemães como os melhores alemães. Basta que se tenham de deitar na cama que fizeram, isto é, honrar os compromissos e ver 8% do seu produto (grosso modo 16% dos impostos) ir para fora, ano após ano, para pagar as socráticas autoestradas lá vem um e as rotundas à la pires e com estátua e os aparelhos de ar condicionados nas escolas que não são ligados por falta de dinheiro para a energia.
    .
    Foram (fomos!) atrás dos que lhe prometiam o céu, a resolução fácil dos seus problemas, o desenviolvimento por decreto, o diploma sem esforço. Agora sofremos o inferno, porque viver além das posses lixa o futuro, e hoje é o futuro do socratismo irrealista.

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  12. pocaracas's avatar
    pocaracas permalink
    15 Junho, 2012 22:27

    Há uma coisa que me escapa à compreensão…
    Com a chegada do euro (ou ECU, como era chamado, na altura), os estados membros tiveram acesso a crédito relativamente barato.
    Houve uns líderes que souberam manter as contas em ordem e nunca contraíram mais crédito do que o que sabiam que poderiam pagar…. e houve os PIGS, onde foi o regabofe que está a vir ao de cima, agora.
    O que não percebo é como é que foi possível contrair crédito desta forma?
    Se bem me lembro o tratado de Maastricht impunha um défice máximo dos estados membros de ~3% do PIB…. mas, quando se vai a fazer as contas, os PIGS aparecem com défices superiores a 100% do PIB!
    Como é que isto aconteceu?!

    Como é que os credores não viram que estavam a emprestar sem garantias?
    Como é que o mercado foi incapaz de se auto-regular?
    Acho que, aconteça o que acontecer com a Europa, o mercado internacional deveria procurar responder a estas questões e implementar métodos para evitar este tipo de situações. Será que o vai conseguir fazer, enquanto a mira principal está apontada ao lucro rápido?

    Por outro lado, não percebo como é que o desagregar da união monetária vá resolver algum problema. As várias dívidas mantêm-se, em Euros…. os países que saírem do Euro passam a ter a sua moeda que vai rapidamente perder valor relativamente ao Euro, deixando qualquer país que saia ainda pior do que já estava. E, se sai um, saem todos os “tóxicos”, ficando só… França, Alemanha, Suécia e pouco mais…. para onde irão estes exportar? Para os mesmos, mas as taxas de câmbio tornarão os produtos exageradamente caros nos importadores que irão à procura de algo ainda mais barato… produtos chineses?
    Será que é a única forma de criar o “tecido produtivo” que cada estado deve possuir para ser auto-suficiente? Mas a Alemanha e a França (e a China e os EUA E o Reino Unido) não querem que haja países auto-suficientes. Todos os outros devem estar dependentes destas potências, de alguma forma.
    Por isso, a Alemanha aguenta o Euro. A Alemanha e mais sei lá quem ela tem por detrás.
    Mas sei que não é só rosas no país da Merkl. O partido dela está a cair na maioria das sondagens e a perder o equivalente às nossas câmaras municipais… as eleições para o próximo chanceler podem trazer uma mudança de líder, mas isso nunca foi razão para que se mude muita coisa nas lides internacionais/lobyistas.

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  13. JDGF's avatar
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    15 Junho, 2012 22:29

    ‘Os dados estão lançados’… é uma frase corriqueira que, contudo, tem plena aplicação no actual momento.
    A brutal onda de austeridade em nome de salutares equilíbrios orçamentais e de amanhãs ‘desenvolvimentistas’ , que ninguém explica como, não está a resultar.
    Pensar que Portugal pode ‘cumprir’, com êxito e tremendos sacrifícios, os seus compromissos, enquanto a Europa literalmente se ‘esfrangalha’, é acreditar no Pai Natal. A UE e, por maioria de razão, a Zona Euro, tal como estão, não proderão resistir a tantas vicissitudes, a tantos enredos e a tantos enganos. Olhando para trás – para o início da crise – existe já distanciamento suficiente para avaliar o caminho seguido. E este ‘julgamento’ não é favorável. Todas as medidas tomadas no seio do Conselho Europeu, a maioria das quais propostas pelo ‘eixo Paris-Berlim’, foram ‘engolidas’ pelos ‘mercados’. E continuarão a ser caso não se ‘arrepie’ caminho. Falta o ‘passo de gigante’ para uma gigantesca crise.
    Os cidadãos europeus esperam – e desesperam – que a ‘elite europeia’, burocrática e fechada, tenha uma vez por todas a clarividência e a ousadia de discutir, propor e, obviamente, referendar, o futuro. Sabemos de onde viemos – de 2 sangrentas Guerras – devemos conhecer, enquanto é tempo, para aonde vamos.

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  14. Tolstoi's avatar
    Tolstoi permalink
    15 Junho, 2012 22:46

    Francisco Colaço
    Irrelevante ou periférico é indiferente, pode ser um país onde se viva bem, a questão
    é se esse objetivo é melhor atingido nesta europa(a que foi construída) ou fora dela.

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  15. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    15 Junho, 2012 22:47

    Ganhe quem ganhe na Grécia, esta vai mesmo ter de mudar de vida. Por uma coisa: não tem dinheiro, e não o irá ter, para financiar a opulência do estado e o descarte de impostos dos cidadãos.
    .
    O problema é se aterra de para-quedas ou se julgam que têm asas e dispensam o pára-quedas. Há muito grego e português que pensa que saindo do Euro o amanhã cantará e a dívida se resolverá por si. Porém…
    .
    Só acontecerá se a moeda se valorizar após a saída do Euro. Mas para a moeda se valorizar é preciso ter um saldo positivo nas balanças comercial e de pagamentos, e ainda no orçamento do Estado. Superavite, daqueles escritos a negro e não a vermelho. Sem ladainhas de crescimento ou de défice abaixo do dito crescimento, que pouco mais são que conversa para boi dormir.
    .
    Se a Grécia sair do Euro, e pensando num Dracma desvalorizado 40%, a dívida antiga que restar para pagar (ainda em Euro) será valorizada (1/0,6 – 1) = 67%. Se não podem pagar esta, já cortada, imaginem uma dívida quase 70% acima! E quem lhes emprestará dinheiro para rolar a dívida? A dita solidariedade para com o povo grego é igual a emprestar dinheiro a um consumidor de droga e esperar reavê-lo. Não esperem que eu a deseje fazer, porque a Grécia, percebe-se, não tem nem o desejo de honrar os seus compromissos. Como sabemos, mentiu no passado e voltará a fazê-lo no futuro acerca do seu desempenho económico.
    .
    Se Portugal vier a fazer o que deve fazer e um dia sair do Euro com uma valorização de 10% da moeda, a dívida antiga descerá 9% pelas mesmas contas.
    .
    Vale a pena pensar nisto.

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  16. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    15 Junho, 2012 22:52

    Tolstoi,
    .
    Sair da Europa é o descalabro. Somos demasiado pequenos para singrar por nós próprios num mundo de blocos. Estamos melhor integrados num bloco grande, onde podemos ter peso, mesmo se relativo.
    .
    Pense nisto, se estamos nesta situação não é de certeza por culpa da Alemanha. Foram os portugueses que votaram em portugueses que se mancomunaram com portugueses para sacar dinheiro aos porrtugueses. Os alemães não entraram nesta história, senão como idiotas: andaram a pagara través de fundos de coesão auto-estradas de nenhures para lugar nenhum e a décima quinta rotunda com estátua comprada ao primo da mulher do presidente da Junta.
    .
    Ser pequeno também é uma vantagem. As nossas exportações podem duplicar que não farão mossa no orçamento europeu; e dar-nos-ão um jeito enorme para equilibrar as contas cá por casa.

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  17. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    15 Junho, 2012 22:57

    Colaço,
    .
    Foi os Socrates certamente. Mas foram os Portugueses que lá o colocaram por duas vezes. Foi o Guterres, foi o Durão, enfim, foram todos. Amanha virão outros iguais, certamente. O que é comum a isto tudo é o povo.
    .
    Mas a análise vai para além dos maestros da desgraça. Na decada de 80 tambem estivemos na bancarrota. Tambem cumprimos os planos. Por duas vezes. No fim o FMI saiu mais cedo do que o planeado. Uns alunos de excelencia…. e voltamos ao mesmo. Pior, conseguimos fazer ainda pior nos anos seguintes.
    .
    Deste modo, o que é que lhe dá esperança de que amanha não ganhe outro Socrates?
    .
    Eu não vejo qualquer sinal de que o futuro esteja a ser devidamente estruturado e alicerçado em bases sólidas. Pelo contrário vejo medidinhas para troika ver e sair o mais rápido possivel para que de novo a partidocracia instalada volte aos seus velhos habitos.
    .
    Rb

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  18. the lost horizon's avatar
    the lost horizon permalink
    15 Junho, 2012 23:00

    Mas para quê tanto chinfrim? As causas da razão de ser, do cenário que descreve, são duas; a causa próxima foi o estourar da bolha imobiliária americana, a causa remota foi o fim da Guerra Fria. Uma e outra nunca deveriam ter existido. Acabaram e ainda bem. Os chineses e indianos têm todos uma refeição quente por dia? Ainda bem.
    .
    Agora muito atenção a este ditado popular, dos velhos marinheiros portugueses; “Não traces rotas novas, em cima de mapas velhos”. Dá para entender sr José?
    .

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  19. Tolstoi's avatar
    Tolstoi permalink
    15 Junho, 2012 23:10

    Francisco Colaço

    Pensa mesmo que a Suíça ou a Noruega são nações em que os seus cidadãos estão preocupados em não estarem integrados na União Europeia, afinal caro Francisco também aderiu ao “Mainstream” do pensamento de via única, o que penso é que o nosso país tem dimensão e condições para criar riqueza suficiente para que se viva bem. A nossa visão do mundo sempre foi global e nunca eurocêntrica não sei por que motivo muitos ignoram esta nossa natureza.

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  20. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    15 Junho, 2012 23:19

    Ricciardi,
    .
    Procure «desmitos dívida externa portuguesa». Veja o gráfico do crescimento trimestral da dívida/PIB. O trimestre em que a dívida não cresceu foi no consulado Barroso. (2004-I) Vamos tirar opor isso o Durão Barroso da equação. Meta o Santana Lopes lá na coisa da dívida, mas poupe o Durão Barroso, porque ele andou a recuperar a era Guterres.
    .
    Num outro gráfico vê que nos anos Cavaco a dívida externa líquida desceu a 7,4% do PIB (em 1995). O Guterres pegou no país a dever menos que no 25 de Abril e, em pouco mais de quinze anos, estávamos à beira da falência, a pedir ajuda à comunidade internacional.
    .
    Os seu a seu dono. O Cavaco foi pagando a dívida e o Barroso saiu cedo de mais para mudar a situação (o carteiro ali não bateria duas vezes para o chinês ir para a Europa,e ao menos que fique lá um português). O descalabro reiniciou-se no Santana e subiu ao céu no Sócrates, que quase duplicou a dívida em seis anos e se passeia por Paris para não ter de responder em tribunal em Portugal.
    .
    Veja os gráficos. Não me dê palavras que não sejam sustentadas em números. (Eu sou inginhêro, e não gosto de papaguena sem numeracia, coisas que muitos por aqui fazem. 😉
    .
    Já agora, em que se gastou 150.000 milhões de euros desde 1995? Há alguma coisa que seja verdadeiramente estruturante construída ou realizada desde essa data?

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  21. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    15 Junho, 2012 23:21

    Tolstoi,
    .
    Maus exemplos: um tem petróleo, o outro o dinheiro dos ditadores através do segredo bancário. E a Suiça apenas não é membro da UE porque a constituição do país não o permite. Mas olhe que só faltam as bandeirinhas azuis e o direito de voto. Indo lá até parece que continua na União.
    .
    Quanto à Noruega, é outro caso semelhante.

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  22. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    15 Junho, 2012 23:25

    NYT:
    Euro zone central banks are ready to step in to address any turmoil after elections this weekend, the president of the European Central Bank said.

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  23. Nuno's avatar
    Nuno permalink
    16 Junho, 2012 00:22

    .
    Francisco Colaço
    .
    +…irrelevante no Mundo ou periférico na Europa. São essas as duas escolhas que conseguirá fazer no momento.» .
    *****
    Exactamente aonde a abrilada levou Portugal, com a agravanta de ter massificado a estupidez colectiva que foi grassando até à desgraça actual.
    O cancro disseminou-se pelo corpo todo com múltiplas metástases.
    Agora, a barafunda é tai que não deixa emergir algém capaz de ser bom timoneiro. E se algyém se atreve, como o presente governo e, em particular, Vítor Gaspar, que apenas refiro por louvar a muita coragem e boa vontade – eu não me atreveria… – vem logo a burricada toda com a sua pesada influêbcia nos media infelizmente existentes.
    O Povo, ignorante e nas raias do mais completo analfabetismo, desbronca-se no disparate soez – que também se verifica aqui, no Blasfémias… – a prejudicar e a dificultar trabalho que se pretende bem sucedido.
    Portugal afundou-se, bateu no fundo e está coberto de lodo.
    Quem o salva?
    .

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  24. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    16 Junho, 2012 00:54

    o nuno!

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  25. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 07:48

    Nuno,
    .
    A dita Abrilada apenas foi extemporânea. O regime estava a abrir-se (o Expresso existia desde 72, creio) e não há dúvida que o poder caiu nas mãos erradas. Militares estão habituados a pedir o dinheiro e a gerir por orçamento. Não se importam de onde o dinheiro vem, desde que venha. E ele veio. Três anos depois os nossos credores estavam descrentes de que receberiam o dinheiro devido. E outra vez em 1982. E outra vez em 2011.
    .
    Mas tem de perceber que no governo Cavaco Silva, no tocante à dívida ficámos a dever menos em relação ao PIB que no fim dos 50 anos do Estado Novo. E em democracia. A democracia não é pois inerentemente gastadora. Em 95 devíamos 7,4% do PIB, considerando as posições líquidas. Isto é, Nuno, se a democracia nos leva a quase abater a dívida, a culpa não está claramente na democracia. Se o governo Cavaco Silva tivesse continuado mais 5 anos, atravessaríamos o ano 2000 sem dívida e com recebimento líquido de juros de outros países. Já em 95 a balança de pagamentos foi positiva.
    .
    Depois veio o Guterres, um bonzarrão que não sabia dizer não. E começou o descalabro.
    .
    Vou-lhe perguntar apenas isto, há algo construído ou realizado com rapport positivo desde 95 em diante que valha os 150.000.000.000 de euros de dívida realizada?

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  26. Trinta e três's avatar
    16 Junho, 2012 07:55

    Falar dos governos de Cavaco a olhar para uma folha de cálculo é a melhor maneira de atirar areia para os olhos e ficar sem nada ver. Foi precisamente nesses governos que se fizeram as “opções estruturais”: betão em força e indústria, pesca e agricultura para o lixo! Está tudo dito.
    .
    Agora, para “salvar o euro” (como por aí se diz), só assumindo um plano financeiro comum, que acabe com o caricato de haver fuga de impostos e capitais dentro da própria UE. O resto são histórias pera embalar meninos, como essa dos “países que fazem contas” terem sido surpreendidos pelos “preguiçosos do sul”. Tretas!

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  27. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 08:10

    Trinta e três,
    .
    Faça um exercício: mostre-me o produto industrial absoluto em 85 e em 95. Retórica é coisa vazia se não é suportada em números. Peça ajuda ao Anti-Comuna ou ao LR, se não souber ir buscar os números.
    .
    Quanto à agricultura e às pescas: estas não foram dizimadas nos anos Cavaco Silva porque já estavam a ser dizimadas pelo menos desde o fim dos anos 60. Os pais pescadores e agricultores ensinavam aos menino sque o melhor seria tirar um curso (sucundário ou superior) e ir trabalhar para o Estado como funcionário ou professor. E pode culpá-los? Só quem nunca trabalhou na terra num tempo em que os agricultores são pagos a tostões é que pode dizer que continuar na terra é a melhor opção para uma pessoa, ou pelo menos melhor do que ir trabalhar para o Estado.
    .
    Belos comunistas e bloquistas, cujos mandam o trouxa trabalhar. Uns de flauta de champanhe e tosta de caviar na mão, e outros dizendo-se metalúrgicos ou electricistas quando há mais de vinte anos não pegam numa torcha ou montam um quadro. Mandam trabalhar quando eles próprios não querem nada com essa vida. Não vejo muitos bloquistas vergar a mola, e os que não são aversos ao sabonete são-no ao trabalho duro de certeza.

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  28. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 08:14

    Tolstoi,
    .
    A nossa visão do mundo sempre foi global e nunca eurocêntrica não sei por que motivo muitos ignoram esta nossa natureza.
    .
    Está a gozar connosco, não está?

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  29. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 08:20

    Trinta e Três,
    .
    Imagine que um senegalês diria que os problemas do Senegal começaram quando os portugueses descobriram aquele país e, por conseguinte, queria EUR 18,000 de cada português para colmatar a sua dívida externa e reparações gerais. O Trinta e Três daria de boa vontade, já vejo.
    .
    Pois eu não. Os problemas dos senegaleses é culpa dos senegaleses, já que são independentes e têm de ter juízo para tratar de si próprios. Têm de viver com as consequências da sua escolha.
    .
    Já agora, pode enviar o cheque visado para Embaixada do Senegal, Rua António Pedro, 46 – 2º,
    1000-039 Lisboa, e pode crer que cairá na conta de um qualquer senegalês.

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  30. JR's avatar
    16 Junho, 2012 08:21

    JMF incorre num erro: Dolares não são Euros…

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  31. pedro's avatar
    pedro permalink
    16 Junho, 2012 08:44

    Bom post do jmf. No entanto o comentador “lost Horizon” aproxima-se da realidade que o artigo não alcança na totalidade. Nós estamos numa crise semelhante à de 1929 e vamos demorar pelo menos 50 anos a sair dela ,isto sem guerrras. A causa está em que os estados unidos,inglaterra e europa começaram a dar crédito sem poupança ,ou seja, faziam dinheiro do nada ,tal qual como o zinbabwe. Os mercados são agentes racionais:milhões de pessoas que tem as suas poupanças nos bancos de todo o mundo ,investidores ,reformados alemães,portugueses,franceses, japoneses,etc,começaram a ver que iam arder com o papel e começaram a mudar as aplicações para países com situação credível. O capital vai para a alemanha ,noruega,suiça, e outros. Neste momento e sei do que falo, quem empresta à alemanha tem taxas reais negativas ,mas dorme descansado com syrizas e rajoys e quejandos. Por isso o obama passa avida a ligar à europa e o sr hollande já está mais calmo ,pois a poupança dos reformados franceses pode desaparecer. Existem países sem problemas como:india,russia,brasil ,africa do sul,china,etc mas também sentirão um ligeiro abalo.Estamos no meu entender num momento crucial equivalente ao da mudança do padrão ouro como moeda e vai surgir outro padrão de referência e a mudança far-se-á com muita dor principalmente nos países desiquilibrados como Portugal ,podem agradecer à desgovernação dos governadores do banco de portugal e dos governantes socialistas e social-democratas ,mas os mais irresponsáveis foram guterres e sócrates ,este, porque além de fazer obra sem qualquer retorno,tipo aeroporto de beja, e estádios de futebol ,permitiu a maior roubalheira jamais vista.Mas os dirigentes continuam na mesma ,face ao provável descalabro grego ,o banco europeu e o banco de inglaterra vão injectar mais uns milhões nas caixas multibanco prevendo uma corrida aos bancos,ou seja ,vão curar a ressaca com mais alcool. Pessoalmente já fiz as minhas contas e com optimismo nesta crise vou perder 50% ,mas também vos digo, já estive em países em que se vive com um dólar por dia.Termino com um Deus é grande! Também votei nestes governantes desde o 25 de Abril .

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  32. Pi-Erre's avatar
    16 Junho, 2012 08:48

    Hoje vivemos numa sociedade industrializada e superpovoada, cuja estrutura económica é dirigida por cérebros, herdados e pouco modificados, de primatas nossos ancestrais que todavia viveram em ambientes muito diferentes dos nossos.

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  33. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 08:51

    Pedro,
    .
    Termino com um Deus é grande!
    .
    Concordo que Deus é grande. Contudo, a governação de Portugal está deixada aos homens, e Ele é cavalheiro o suficiente para não se imiscuir, pelo menos ao nível colectivo.
    .
    Isto é, como Nação não deveremos contar com Ele. Como indivíduos, isso é de todo outra história.

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  34. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 09:09

    Pedro,
    .
    Nesta década o controlo da economia passará para leste: primeiro para a China (antes de esta cair, com o início lá para o próximo ano) e depois desta para a Índia, a próxima grande potência. Entretanto o Ocidente vai sobrevivendo.
    .
    A Europa pode sair muito mais forte desta crise ou em frangalhos. Depende se não cometer os mesmos erros que nos levaram aqui. O problema é que esses erros mitigam a verdadeira extensão da crise, muito embora a agravem.
    .
    A única coisa a fazer é deixar de subsidiar a economia, acreditar nas pessoas e redimensionar o Estado para um nível comportável pela sociedade. Manter as funções essenciais e ver depois o quanto se pode subsidiar pelos impostos a educação básica e profissional e a saúde pública e individual. Sem promessas vãs nem compromissos incomportáveis.
    .
    Penso que podemos, com todas as vantagens, transformar as escolas em cooperativas de professores ou mesmo privatizar a gestão, pagando por aluno. O ensido até ao secundário deve ser verdadeiramente gratuito (sem o esbulho dos livros escolares), se puder ser custeado pelo erário público. Idem, para o ensino profissional. O superior é de todo outra coisa. Ou pagam-nos as famílias ou os indivíduos. Posso aceitar apenas bolsas de mérito, como forma de remunerar o esforço, e desde que pagas por patrocínios individuais ou empresariais.
    .
    Quanto à saúde, pouco digo porque pouco sei. Sei apenas que uma pessoa doente não produz, ou pelo menos não produz quanto deveria. E poucas pessoas adoecem por querer. Não me deixaria de aprazer que cuidados de saúde fossem provistos aos cidadãos gratuitamente, se pudessem ser custeados razoavelmente.

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  35. Pedrum's avatar
    Pedrum permalink
    16 Junho, 2012 09:32

    Trinta e três
    Posted 16 Junho, 2012 at 07:55 | Permalink
    Falar dos governos de Cavaco a olhar para uma folha de cálculo é a melhor maneira de atirar areia para os olhos e ficar sem nada ver. Foi precisamente nesses governos que se fizeram as “opções estruturais”: betão em força e indústria, pesca e agricultura para o lixo! Está tudo dito.

    .
    E você não está na agricultura e pesca porquê ? Se quiser até lhe arranjo emprego. Um gajo a ganhar 500€ no interior e a pagar renda de casa a 200€ tem melhor nível de vida que um qualquer a ganhar a ganhar 1000 em Lisboa. E seguramente muit melhor que um operador de telemarketing em Lisboa a ganhar 500.
    Ainda há poucos dias ouvi queixas pessoais e de viva voz de quem não consegue arranjar trabalhadores apesar da crise….
    Geralmente a malta que perpetua estes mitos da pesca e agricultura versão Cavaco nunca andou de barco nem pegou numa inchada na vida.

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  36. Pedrum's avatar
    Pedrum permalink
    16 Junho, 2012 09:33

    * enchada

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  37. Pedrum's avatar
    Pedrum permalink
    16 Junho, 2012 09:44

    Francisco Colaço
    Quanto à agricultura e às pescas: estas não foram dizimadas nos anos Cavaco Silva porque já estavam a ser dizimadas pelo menos desde o fim dos anos 60.

    .
    Desde os anos os 60/70/80 que muitos países onde nós pescávamos livremente, costas africanas por exemplo, esses países obviamente trataram da vida deles e começaram a impor muitas cotas. A isso juntou-se a sobrepesca, um problema global. Mas os ignorantes gostam de malhar no Cavaco no que se refere às pescas …
    A nossa industria conserveira até começou a sucumbir antes da entrada na UE se não me engano (mas curiosamente está a ter uma interessante recuperação nos últimos anos em segmentos gourmet para exportação)

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  38. Pedrum's avatar
    Pedrum permalink
    16 Junho, 2012 09:46

    E no que à agricultura diz respeito, é estranho dizerem que X ou Y destruiu a agricultura, quando em muitos sectores com azeite, vinhos, etc, foram holandeses, espanhóis, etc, que na última década vieram para cá abrir os olhos aos portugueses que andavam distraídos. Mas pronto, a malta gosta de culpar o “Cavaco”….

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  39. Pedrum's avatar
    Pedrum permalink
    16 Junho, 2012 09:51

    Refira-se que eu não estou a defender o cavaco, o qual considero uma autentica múmia com menos utilidade que uma qualquer estátua qualquer foleira numa esquina mal cheirosa do país.
    Só estou é um bocado farto desses discursos de que o cavaco ou outro qualquer destruíram a pesca, e coisas afins….

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  40. JCA's avatar
    JCA permalink
    16 Junho, 2012 11:10

    Sobre:
    “É que cada povo seja disciplinado”,
    “Na espuma da realidade formal vemos o cumprimento das metas orçamentais, na profundidade vemos um país de rastos, aonde o desemprego grassa e as falencias se sucedem.”.
    .
    Chama-me a atenção para um aspeto: também pode ser visto do ângulo oposto com o mesmo resultado final, as governanças e certas elites Portuguesas não são disciplinadas com o povo português, em consonância como ele é. Não sabem extrair o enorme potencial que por exemplo revelam quando estão fora ou revelaram noutros momentos históricos com governanças e elites diferentes. Hoje surgem dois países dentro dum mesmo. Assim não funciona.
    .
    O busilis surge nesta profunda fratura de Portugal. A orquestra não toca, seja culpa dos maestros ou dos musicos.
    .
    Assim não se vai a lado nenhum nem vale a pena andarem a prometer ‘amanhãs que cantam.
    .

    .

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  41. the lost horizon's avatar
    the lost horizon permalink
    16 Junho, 2012 11:18

    Plachimada vs Coca-Cola ou uma questão de Externalidades vs Condicionalidades?
    .
    Em 2003, a Coca-Cola foi obrigada a cessar o bombeamento de água, que até então efectuava na reserva aquífera do lençol freático de Plachimada, em Kerala, Índia. Foi o juíz Balakrishnan Nair quem julgou o caso e decidiu em conformidade.
    .

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  42. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 11:25

    JCA,
    .
    O JCA acha que a orquestra não toca, mas eu contraponho que está a começar a tocar. As exportações estão a pesar cerca de 40% no PIB e podem começar a superar as importações ainda este ano. As exportações são de cada vez mais valor acrescentado e de incorporação tecnológica e intelectual, e de maior incorporação nacional. Cada vez mais, as exportações portuguesas são para mercados gourmet.
    .
    O problema é que sempre se pensou que a orquestra necessitava de maestro quando na verdade esta se assemelha a uma cacofonia que por si só se afina, se deixada ao livre curso. Como um canto entoado por trabalhadores do campo. Cada um pode ter a a voz que assusta o diabo e amedronta os anjos, mas juntos o coro é sublime e celestial.
    .
    As elites, essa entidade tão esfúmea como o mercado, são pessoas de dois grupos. Umas gostariam de orquestrar o coro das crianças da Carmen ao povo, mesmo se o povo não gostar, embora nunca peguem na batuta (que isso de trabalhar é para os outros, que não gostam de champagne e caviar); o outro grupo está a tratar da vida deles, e quer lá saber que canção o povo canta, desde que paguem lhes os devidos impostos de expressão cantante.
    .
    O povo entoa a Cantiga da Rua, e fá-lo melhor do que a canção da princesinha que a loira boazona havia entoado antes.

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  43. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 11:41

    Pedrum,
    .
    A agricultura e pescas em valor absoluto não teve uma quebra entre 1985 e 1995. Na verdade expandiu, apenas contraindo se tomarmos os valores reais (que são afinal o que interessa). Repare que até 1990 o nosso grau de autosuficiência aumentou consistentemente, descrescendo apenas após 91. Na verdade, a agricultura apenas pesou menos no PIB porque o PIB expandiu nos sectores industriais e principalmente de serviços, e, aí a grande diferença, o sector primário passou a empregar menos 20% de população, cuja se moldou para outras profissões. Entre 1960 e 1995, o peso do sector primário no emprego cai de 43% para 18% dos activos.
    .
    Confira os números. Há um bom relatório sobre a agricultura, mesmo se tendencioso, aqui.
    .
    Repare que os preços ao produtor cairam nesse período, o que explica acontracção do produto agrícola na maior parte. O que dizimou a agricultura entre 85 e 95 não foi o Cavaco, mas o hipermercado, com as suas políticas agressivas de compras e os pagamentos seis meses depois. Perante isto, quem tem menos de 10 hectares de regadio não pode pensar em viver da agricultura e tem de enveredar por outras profissões.

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  44. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 11:44

    Pedrum,
    .
    Já agora, em que região vive o Pedrum? Sinta-se livre de não responder se a pergunta se lhe assemelhar ofensiva. As ditas queixas que o Pedrum ouve também eu as ouço, seja na Covilhã, onde vivo, seja no litoral centro, onde normalmente trabalho.

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  45. the lost horizon's avatar
    the lost horizon permalink
    16 Junho, 2012 12:00

    Acaso, Determinismo ou as duas coisas juntas, farão com que amanhã e depois o Sol nasça mais uma vez na Grécia. E Se assim não for, até os condicionadores irão ficar ás escuras.
    .

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  46. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 12:05

    The Lost Horizon,
    .
    Acaso, Determinismo ou as duas coisas juntas, farão com que amanhã e depois o Sol nasça mais uma vez na Grécia.
    .
    Creio ser mais o movimento de rotação da Terra.

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  47. PMP's avatar
    PMP permalink
    16 Junho, 2012 12:52

    Francisco Colaço,
    .
    Afinal você é um social-democrata liberal, do tipo Adam Smith , porque defende o ensino não superior gratuito e saude gratuita.
    .
    Imagino também que defende uma segurança social minima obrigatoria e universal pelas mesmas razões.
    .
    na verdade só uma população educada, com saude, e com uma esperança de final vida com um minimo de dignidade poderá ser altamente produtiva.

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  48. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 14:16

    PMP,
    .
    Tenho tanto escrito em relação ao que escrevi sobre educação e saúde, e espanta-me que não soubesse dos meus pontos de discordância com o LR. No entanto, das razões que me levam a pensar assim separam-nos.
    .
    Eu acredito apenas que a sociedade existe para que os desmandos da fortuna não pesem tanto no mérito. Nascem génios em famílias pobres, e tantos quantos em famílias de posses, mas não é certamente a regra que os primeiros possam ser plenamente aproveitadas. A escola gratuita deve simplesmente estar lá para que os alunos excelsos possam singrar e brilhar e os alunos medianos medrar e encontrar o seu lugar no mundo. Os maus alunos, os calões e os indolentes não têm lugar na escola gratuita. Têm de aprender que a vida é feita de agruras, de esforço e de superação de si próprio.
    .
    Uma escola como temos, que ignora o mérito, aprecia a mediania e desculpa o mau aluno só pode formatar os génios para esconder o seu talento, os medianos para serem contentados e os maus alunos para sentirem que tudo podem fazer na vida, pois não provarão quaisquer consequências amargas dos seus actos. Que podem viver do resto das pessoas, pendurados na sociedade, pois dela terão apenas panos quentes e compreensão.
    .
    O que resulta da social-democracia está à vista. Já agora, sou democrata-cristão, do tipo que já não existe em Portugal, e que de certeza não está representado no socialíssimo CDS.

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  49. Francisco Colaço's avatar
    Francisco Colaço permalink
    16 Junho, 2012 14:21

    E já agora, segurança social é coisa que me passa ao lado. Preferiria que a dita segurança social se limitasse a gerir as pensões de reforma dos regimes contributivos.
    .
    Acredite-me, se acabássemos com o rendimento mínimo mal garantido as pessoas acabariam por se safar, depois de um tempo de sofrimento e de adaptação.

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  50. javitudo's avatar
    javitudo permalink
    16 Junho, 2012 14:54

    Vai tudo correr melhor do que o previsto.
    Não se atormentem.

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  51. simil's avatar
    simil permalink
    16 Junho, 2012 15:09

    e não há entre os homens sábios e catermas de economistas, do teixeira ao gaspar, com todos os adjacentes, além de politólogos, em que portugal é farto, uma cabeça que nos diga o que vai acontecer domingo e sigunda-feira, se ganha o sinisga ou o outro, se ganha Portugal ou a Holanda, e o que vai ser?, cum caramba!
    Entretanto o Carreour cansou e deu o fora em véspera das eleições da Grécia, farto da brincadeira.
    E portugueses mal dormidos e borrachos tentam à força fazer humor, à sombra de Lenin, numa cidade da Ucrânia .

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  52. simil's avatar
  53. javitudo's avatar
    javitudo permalink
    16 Junho, 2012 16:44

    Estou com Ricardo Lima, Insurgente. “Eu não sei quem atinge o maior grau de imbecilidade. Se as televisões e os jornais, que continuam a dar palco aos papagaios do costume, senhores recheados de canudos e currículos em economia e que percebem tanto desta como eu percebo da plantação do ananás. Ou se a populaça que, não só vai ouvindo como vai tomando as opiniões sem fundamento destes iluminados como certezas bíblicas. E isto vai da esquerda à “direita”. Tudo gente que está para a análise económica como os curandeiros místicos da idade média estão para a medicina”.

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  54. JCA's avatar
    JCA permalink
    16 Junho, 2012 21:59

    .
    Colaço 11.25H
    “O povo entoa a Cantiga da Rua, e fá-lo melhor do que a canção da princesinha que a loira boazona havia entoado antes”
    .
    Está a ver como chegou à fratura que contesta. Uns tocam para um lado os outros para outro porque se estivessem a tocar harmonicamente as grandes reformas estruturais (Fiscal, Bancária etc) eram as primeiras a ser assumidas e mas nunca o serão.
    .
    Alguém aí acima fez umas contas e já chegou à conclusão que os Austeristas lhe vão fazer perder 50%. O resultado era o mesmo se com moeda nacional se desvalorizasse 50%. Mas no colete de forças do Euro os resultados são completamente diferentes. Para pior. é só comparar com os tempos em que fomos ao FMI com moeda nacional. E eu também passei por lá. Sei do que falo porque o vivi.
    .
    Sair disto só com um Euro de geometria variàvel que o proprio Banco Alemão equacionou. Mas ninguém quere como também não quere desvalorizar o Euro como não quere sair do Euro como os mais ricos não estão dispostos a perder riqueza nem as conquistas civilizacionais para cooperar com os sócios mais fracos num sistema de vasos comunicantes que estaria implicito a qualquer União, Conferederação ou Federação de Estados. Etc
    .
    Então como se sai disto ??? Por enquanto está tudo bloqueado. Sem resposta. Não há saída. Entupiu. E decerto não é com exercicios de auto flagelação, sofrimento e apocalipses. O medo ou o pânico sõ o gatilho da violência.
    .
    Pelo que até ao momento tem surgido não admiraria que os sócios mais fracos começassem a equacionar o abandono do barco na defesa dos seus interesses nacionais tal qual os mais fortes o fazem egoisticamente sem preocupações com o bem de estar dos outros. Ainda os insultam.

    Mas esta guerra é para os outros, nós pusemos-nos a jeito para influenciarmos zero. Se foi uma grande visão do Futuro, de elites esclarecidas, o futuro proximo vai confirmar. Esperemos que não seja da pior maneira.
    .
    Obviamente que esta postura não é extermista. É de bom senso. Análise fria sem clube para aplaudir.
    .

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  55. zé da Tasca's avatar
    zé da Tasca permalink
    17 Junho, 2012 21:06

    Há dias um amigo meu que tem um automóvel mercedes dizia-me que só não vendia o mercedes porque perdia dinheiro, no entender dele a culpa de ele andar de mercedes era dos alemães…vá-se lá saber porquê.

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  56. Tolstoi's avatar
    Tolstoi permalink
    17 Junho, 2012 22:58

    Francisco Colaço
    Quem goza é o Mário Soares não eu.

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  57. neotonto's avatar
    neotonto permalink
    18 Junho, 2012 08:31

    Nenhum comentario a fazer. So dizer que este JMF1957 para haver nascido em Minnessota (IUESEI) está ao tanto da actualidade portuguesa e Europa…nao é o tipo do americano comúm !

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  58. aremandus's avatar
    aremandus permalink
    18 Junho, 2012 08:55

    -Alô, é da polícia,estou a ser assaltado!
    -Espere um pouco, tenho agora autocarro dentro de dez minutos!
    [ao que este país chegou…]

    Agentes da PSP vão para ocorrências de autocarro
    POST: 16 JUNHO 2012 IN: ÓRGÃOS DE POLÍCIA CRIMINAL
    Na esquadra da PSP de São Marcos, Sintra, há agentes que se deslocam de autocarro para as ocorrências. Esta esquadra é uma das várias do Comando de Polícia de Lisboa que trabalha, neste momento, sem carros-patrulha, e a situação parece não ter resolução à vista.

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