acabou
O Estado Social português acabou. Da pior maneira, por implosão do modelo social que manteve utopicamente durante décadas, e que devia e podia ter sido paulatinamente reformado enquanto havia dinheiro e tempo para isso. Agora, sem dinheiro para coisa nenhuma nem sítio para o ir buscar, o Estado Social vai-se decompondo e desmoronando com violência inaudita sobre centenas de milhares de pessoas que nunca conheceram outro modo de vida e a quem foi vendida a ilusão de que o governo e o estado podiam substituí-las na responsabilidade individual pelas suas existências. Estas pessoas a quem hoje falta emprego, saúde, educação, reformas, dinheiro, esperança, em suma, o indispensável para se poder ter uma vida digna, foram vítimas de políticos trapaceiros, de economistas inescrupulosos, de vendedores de ilusões que, ao longo de décadas, lhes foram prometendo o céu na terra, em troca dos seus votos e dos benefícios e privilégios que a política e o poder lhes foram dando. Esta crise tem, portanto, nomes e responsáveis, e só terá saída se as suas vítimas perceberem que foram enganadas e que não é possível viver como lhes foi prometido.

Não seria pertinente, completar o seu juízo, historiando o que sucedeu às pessoas que, para complemento das suas reformas, investiram no mercado mobiliário?
Se “responsabilidade individual pelas suas existências” estivesse em prática generalizada, o que teria acontecido?
Será que havia alguma efectiva salvaguarda.
Houve de facto erros: mas a coisa parece-me um pouco mais complicada.
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JFP,
Acha que o problema português foi o investimento no mercado imobiliário?
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…”foram vítimas de políticos trapaceiros, de economistas inescrupulosos, de vendedores de ilusões…” Esqueceu-se de referir “e jornalistas analfabetos”, como se depreende imediatamente das conclusões da leitura do artigo do Publico, que cuidadosamente no ultimo paragrafo não se esquece de referir a Islândia, como se o caso Islandês tivesse alguma coisa que ver com os casos português, espanhol ou grego.
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Não, mas também foi. A pergunta que fiz não pode ser anulada pela sua pergunta. Insisto se seria ou não de completar o tema, como interroguei. Afinal, o que é que teria acontecido?
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Ora, ora… é só aproximarem-se eleições * e heróis destes http://lishbuna.blogspot.pt/2012/08/honra-e-gloria-eternas-aos-herois-de.html ou outros semelhantes vão trazer o “Estado Social” de volta… vai uma aposta?
* por muito que, de boca, se estejam “lixando” para eleições
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a morte do Estado Social português é manifestamente exagerada; o mesmo foi anunciado na UK ,no tempo da dama de ferro “Táxer”, e parece que o enfermo resistiu e está de boa saúde…
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… apesar dos esforços criminosos dos aprendizes do liberalismo saloio, encabeçados pelo – simples – PPC.
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Mas não devia ter acabado. Não pode ser.
Tão habituado que estou a ser saqueado e a ouvir quem mais roubou aparecer a defender os meus queridos direitos. Eu gosto de me sentar à frente da TV a ver os dinossauros defender os “seus” trabalhadores. Eu já não sei viver sem os trapaceiros, sem a corrupção, sem o clientelismo e o oportunismo sustentados e alimentados pela classe política. Vocês sabem a corrupção é como o snif.
Por isso que podemos nós fazer, só não corrompemos se não pudermos, ficamos invejosos de ver os poderosos corromperem, mas não temos tomates para o evitar. Nós sabemos que no fundo, no lugar deles faríamos o mesmo nem que fosse preciso inscrever-nos nas jotas de todos os partidos.
Eu e os meus vizinhos da Buraca já não podemos viver sem isto. Sem o Estado dar 1581 milhões de euros a 401 fundações entre 2008 e 2010. Uma bagatela para um país que tem a Constituição mais avançada da Europa. Além de apoios directos, foram concedidos benefícios fiscais (por exemplo, isenções do pagamento do IVA, do Imposto Automóvel e do Imposto sobre Imóveis).
Já não é possível passar sem este leque de mentiras! Uma pessoa habitua-se, né!
Como é que os nossos petizes, entre um sms e uma passa, vão aprender a somar sem a Fundação para as Comunicações Móveis, criada no bom tempo do injinheiro, que negociou a distribuição dos computadores Magalhães e que recebeu mais de 400 milhões de euros.
Acaba-se assim com a filantropia! Patrimónios de 1760 milhões de euros que em 2010 já tinha triplicado para os 57137 milhões. Trocos, senhores, são trocos!
O pobre Joe Berardo da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea do empresário madeirense pode já ter gasto os 13,3 milhões de euros do Estado entre 2007 e 2010, ele tão amigo dos pobrezinhos, como é que a farra vai continuar? A Fundação Mário Soares, esse santo, (cuja actividade é quase um “segredo de Estado”) recebeu de apoios 1,3 milhões de euros, isto já para não falar das prebendas que a Câmara Municipal de Lisboa, uma cidade muito limpa, lhe tem generosamente oferecido. E a Fundação da Senhora que protegia os direitos humanos e até do meu cão mais das galinhas, acham demias? Vão-se catar, vocês são uns neoliberais empedernidos, não me façam recorrer a mais apelidos capitalistas, neocolonialistas, para não acabar em fássistas, meus Deus, se eles vêm lá estamos fritos !
Eu já não posso passar sem este fartar vilanagem, isto ainda vai acabar mal…o povo às vezes zanga-se, mas não me admira que por este andar o Belenenses ainda ganhe o campeonato.
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Caro JFP,
Num sistema de livre mercado, todos os investimentos são da responsabilidade de quem os faz. Há, como bem sabe e para esse efeito, produtos conservadores (sem risco, que garantem o capital investido), de médio (que garantem apenas uma parte do capital investido) e de alto risco (que garantem uma parte reduzida), sendo que ninguém é obrigado a fazê-los, menos ainda, a fazer aqueles cujo risco é elevado. Assim, repito, numa sociedade de livre mercado, cada um será responsável pelo destino que dá às suas economias, não podendo, depois, queixar-se de as perder, caso tenha resolvido arriscar mais, para tentar ganhar mais. Por outro lado, se estes produtos forem vendidos fraudulentamente, haverá mecanismos legais e judiciais para responsabilizar quem comete essas ilegalidades, sendo que, no limite, se os responsáveis não tiverem como responder levarão as sociedades que geriram à falência e esta responderá. Se não tiver para responder, o fundo de garantia bancário, no caso de se tratarem de bancos, responderá dentro dos limites que são do conhecimento dos clientes.
Isto numa sociedade de mercado livre. Numa sociedade de terceira via, isto é, de forte intervenção estatal e de mercado limitado, como é a nossa, o estado responde pelas ditas “falhas” do mercado. O que permite, por exemplo, muito mais displicência por parte dos investidores, que desnecessitam de avaliar os riscos que correm com grande cuidado, porque contam com o estado para o que der e vier, se for necessário.
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Se morrer, esse tal “Estado social”, será de uma parasitose.
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Há 465 mil desempregados sem receber protecção social há 9 meses. (Público)
“Julgo não estarmos a exigir demasiados sacrifícios aos portugueses” – Pedro Passos Coelho
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Acabar, não acabou. Será, sem dúvida, diferente.
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O P. Contemporâneo resume a situação caricata:
«Lo que nos pasó y nos pasa a los españoles es que no sabemos lo que nos pasa». Ortega y Gasset, citado hoje por Martí Prieto, no La Razón.
Julgo que esta afirmação se aplica também aos portugueses: “O que se passou e passa com os portugueses é que não sabemos o que se passa connosco, e isso é o que se passa connosco”.
Está para se saber o que fizeram pelos desempregados os que mais choram pela sua situação deplorável.
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Concordo com o artigo do Sr. Rui a.O nosso futuro não será bom, nem haverá amahãs que cantam.Se Portugal não tivesse entrado no Euro e tivessemos governantes honestos e com sabedoria, poderiamos ter feito como a Islândia.Como estão as coisas, penso que só um milagre nos salvará.
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Acabou? Mas será que alguma vez existiu? Antes de apregoar disparates é útil realizar algum “benckmarking” com países onde realmente existe um estado digno desse nome. Quando se diz que “centenas de milhares de pessoas que nunca conheceram outro modo de vida e a quem foi vendida a ilusão de que o governo e o estado podiam substituí-las na responsabilidade individual”, está-se a falar de quem?
O pensamento neoliberal vigente criou realmente alguns preconceitos engraçados (e profundamente cínicos)…. Exemplos: os portugueses (trabalhadores) são preguiçosos; tudo (os trabalhadores) a viver à conta do Estado; Acabou-se “a mama”… etc. etc. – Trata-se dum pensamento faccioso e tacanho que apenas engole quem quer.
A maioria dos portugueses – mesmo em melhores tempos -, sempre viveram do seu trabalho, sempre tiveram de dar voltas ao orçamento para sobreviver, e nunca ninguém lhes serviu o “prato doce”, de que agora lhe cobram a factura. Por alguma razão, Portugal, é um dos países com maior assimetria de rendimentos no mundo ocidental. Ou isto é mentira? — Uma das próprias patranhas das crise é a própria crise! Porque mesmo nela os mais desfavorecidos são-o aos níveis da insustentabilidade humana enquanto a pequena parte que concentra privilégios (os “1%”), apenas vai ter de sofrer a “chatice” de despedir uma das mulheres a dias, o jardineiro, e talvez não trocar de carro este ano…
Uma das maiores leviandades do “pensamento” liberal é ter perdido o respeito por quem sofre, a pontos de amesquinhar o sofrimento alheio, tornando as vitimas, muitas vezes, como causadores do “problema”…
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Rui a.
O Estado Social Português acabou . . .
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Whishing Thoughts
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rui a,
Há coisas que não entendo…e apesar do Estado Social português ter acabado, como é que Passos Coelho voltava a ganhar caso as eleições fossem hoje???
Das duas três ou os participantes destas sondagens são da zona da Quinta da Marinha e mesmo assim tenho as minhas duvidas ou está tudo passado dos cornos.
Porque não fazem uma sondagens destas p´rós lados de Baleizão???
Se esta pandilha não levar uma tareia nas proximas eleições autarquicas, deixo de discutir politica.
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Leu bem as sondagens, Bolota? Ora veja lá:
http://expresso.sapo.pt/ps-a-um-ponto-do-psd=f747352
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rui a,
A leitura que faço é que o PSD continua a ganhar 34,1 %, perdendo apenas a maioria.
Seja como for, estes resultados não fazem um minimo de sentido, só um povo invertebrado consegue lavrar resultados destes.
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As notícias sobre a minha morte manifestamente exageradas.
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Ó Bolota:
então agora o povo é invertebrado só porque as sondagens não estão de acordo com o que desejaria???
Voltando ao post, é justo reconhecer as sábias palavras do LuisF (Posted 17 Agosto, 2012 at 19:11).
Tanta patranha neoliberal, ad nauseum, a zurzir numa amostra mal-enjorcada de social-democracia a quem os ditos (neo-liberais) apelidam de stalinismo.
E não se sai deste pensamento maniqueísta.
A versão popularucha deste pensamento está espelhada no episódio do homem que morre no Tejo, na apanha ilegal de marisco, e a culpa é da Polícia Marítima. Ou na reportagem de hoje (TVI?) com uns quantos donos de restaurante a dizer que têm que pedir empréstimos para entregar ao fisco o IVA que cobraram aos clientes.
Ah! Morra o Estado, essa moléstia que impede a livre iniciativa.
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Cáustico,
Não tem nada a ver com o estar de acordo ou não com as sondagens.
Como é que se reelege Passos Coelho, quando Passos Coelho no colocou no maior buraco economico que há memoria???
Pois eu sei, não foi só ele…foi obra da TOIKA á portuguesa (PS, PSD, CDS)
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Caro Rui A.
Desculpe lá, mas limitou-se a divagar sobre investimentos, num contexto demasiado clássico, porque ultrapassado, como bem sabe. Lembre-se dos simples depósitos a prazo (conhece investimento mais conservador?) que precisaram de garantia do Estado, em valor limitado e apenas até ao fim do ano corrente.
Não é razoável supor, desculpará, que as pessoas saberiam individualmente investir. E note que este é apenas uma pequena parte do problema.
Eu apenas pretendo uma coisa: que o senhor assuma que o problema está muito longe de poder ser tratado da forma simples como o abordou. Infelizmente as coisas são, na realidade, bem mais complexas.
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Já o deram por morto muitas vezes, mas ele continua vivo e de boa saúde. Se calhar quem lhe deseja a morte deveria ter mais cuidado, pois se existisse a tal “implosão” que fala ia chover merda sobre muita gente. Ou julga, que o povo continuará sereno, quando os seus filhos berrarem com fome?
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Não me parece que seja o Estado seja demasiado grande em Portugal. Parece-me, sinceramente, que a produção de riqueza do Privado é manifestamente baixa.
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Ainda que se defenda que a despesa publica deva estar em linha com as receitas, não se pode defender isso e ao mesmo tempo exigir padrões de qualidade aceitaveis. É deixar que a mortalidade infantil volte a aumentar… é deixar de tratar a saude das pessoas… é deixar de exgir etars nas fabricas que despejam detritos para o rio… é deixar de fiscalizar a salubridade das aguas… é deixar a iluminação publica… é deixar que os filhos menores voltem a trabalhar para sustentar os pais e irmãos…. é deixar todas as normas e normativos comunitários que exigem bons procedimentos… é deixar importar carros indianos e chineses a 1500 euros (mesmo que nao passem nos testes de qualiodade)…. enfim, caro RUI.A. não se pode exigir padrões de uma sociedade civilizada a um país que não pode gastar para os atingir.
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Pode-se, isso sim, ter governantes com coluna vertebral. Que tenham prioridades. Que percebam alguma coisinha da coisa governada.
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Agora votarmos em tipos que, à vez, ora gastam à toa, ora cortam à toa, mais valia não ter ninguém. Isto de ser governante em portugal nao tem nada que saber: aumentar impostos, cortar salarios, ou ainda, cortar salarios ou aumentar impostos.
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Algum governante pensa em economia real? porque é que veêm os preços de produção de energia a aumentar exponencialmente e nada fazem para contrariar isto? porque é que invés de passarem anos a discutir tgv’s e aeroportos não discutem e implementam investimentos em centrais nucleares que substituem importações?
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É apenas uma questão de prioridades. Já sabemos o mal que Socrates nos fez. Desbaratou dinheiro em investimentos sem retorno. Mas essa tendencia já vinha de outros governos.
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Este só não o faz porque não pode. Não tem crédito. Mas está a fazer tudo por voltar aos mercados, afiançam. Quando voltarem aos mercado tudo vai continuar igual. As importações vão disparar e não será preciso mais de dois anos para a troika ter que voltar.
E porque?
Exactamente porque as medidas certas não estao a ser tomadas. Estão a fazer um ajustamento forçado para ingles ver. Não acredito num eeconomia que imponha aumentos de impostos e cortes em salarios. Sobretudo sabendo que os impostos já eram altissimos e que os salarios já eram baixissimos.
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Portanto, para baixar salarios e aumentar impostos num pais com salarios miseraveis sé é possivel se os preços dos bens em geral tambem baixarem. Mas nao é o caso. Tudo continua a subir. E não há vivalma que pense em motivar a poupança e consequentemente o investimento que substituam o preço das importações.
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Rb
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Caro Rui A.
Acima perguntou-me se o problema português foi o investimento no mercado mobiliário. Já lhe respondi.
Mas há poucos minutos ao iniciar a leitura de um livro recente de um prémio Nobel da Economia deparei no seu primeiro parágrafo:
“Este é um livro sobre a recessão económica que aflige actualmente os Estados Unidos e muitos outros países, uma recessão que entrou agora no seu quinto ano de duração e que não mostra sinais de terminar em breve”.
De facto, todas estas coisas são demasiado complicadas, para, como me parece poder depreender-se do seu post, poderem ser objecto de soluções simples e mais ou menos imediatas. Oxalá tivesse razão.
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E pronto, se não havia um indignado da treta a vir cá com as tretas do costume até parecia estranho:
“Acabou? Mas será que alguma vez existiu?”
Será que alguma vez pesquisou? A despesa pública anda à volta dos 48% do PIB este ano, as despesas públicas em Educação, Saúde e Segurança Social andam respectivamente a cerca de 5%, 7% e 12% do PIB, cerca de 45% da despesa pública são prestações sociais (só as pensões representam cerca de 66% desse total) e 26% são salários do pessoal do Estado. Ora só para ter uma ideia, a despesa pública na Suiça anda à volta de 35% do PIB e a despesa pública em Previdência social representa cerca de 10% do produto. Aonde é melhor viver? Vai dizer-me “pois mas lá não há tanta corrupção”. Pudera e por uma razão muito simples: o Estado é mais pequeno e a economia é muito mais livre! Quanto mais um país for livre e o seu Estado ser pequeno menos dependencia há para com os políticos, menor é a probabilidade de veremos sectores serem favorecidos em detrimento de outros. Ao contrário de Portugal, o Estado social suíço não anda a empatar as pessoas, pode-se dizer que as pessoas são praticamente proprietárias dele (sempre que os políticos propõem mexidas na despesa ou nos impostos é logo referendo) e lá não se anda a choramingar pelas ajudas do Estado.
“centenas de milhares de pessoas que nunca conheceram outro modo de vida e a quem foi vendida a ilusão de que o governo e o estado podiam substituí-las na responsabilidade individual”, está-se a falar de quem?”
Aparentemente de pessoas como você.
“O pensamento neoliberal vigente criou realmente alguns preconceitos engraçados (e profundamente cínicos)….”
Faça favor de explicar o que é o neoliberalismo e de me explicar como o mundo ocidental tem andado a viver nos últimos dez anos, veja só esse gráfico:
http://mercatus.org/publication/fiscal-austerity-europe-doesnt-mean-large-spending-cuts
Aonde está a redução do Estado? Aonde está o pensamento “neoliberal”?
Exemplos: os portugueses (trabalhadores) são preguiçosos; tudo (os trabalhadores) a viver à conta do Estado; Acabou-se “a mama”… etc. etc. – Trata-se dum pensamento faccioso e tacanho que apenas engole quem quer.
LOL, no PREC o PCP e a CGTP pedia aos portugueses de trabalharem mais e não fazerem greves. Quer dizer quando é o meu clube a mandar as pessoas têm de fazer tudo que digo, quando é o dos outros temos direito a reclamar. Enfim…
A maioria dos portugueses – mesmo em melhores tempos -, sempre viveram do seu trabalho, sempre tiveram de dar voltas ao orçamento para sobreviver, e nunca ninguém lhes serviu o “prato doce”, de que agora lhe cobram a factura.
De facto, mas estima-se que cerca de 60% da população reciba alguma coisa do Estado. Vai do muito pouco ao excesso é certo, mas isso não nos impede de dizer que o Estado é gordo demais. Nesse aspecto podemos falar de algo de perverso; o Estado é enorme, logo desvia recursos e destrói oportunidades de vida, para compensar dá migalhas as pessoas que estão na miséria e as pessoas depois agradecem quando na verdade deveria se revoltar porque é o Estado que lhes está a estragar a vida, mas ele lá disfraça. Olhe na Idade Média era exatamente igual na relação servo-nobre: o primeiro trabalhava feito doido, o nobre roubava-lhe e controlava todos os aspectos da sua vida, mas em troca dava-lhe “segurança”.
Por alguma razão, Portugal, é um dos países com maior assimetria de rendimentos no mundo ocidental.
Lá está porque o Estado anda a distribuir favores a uns em detrimento da maioria, como lhes impede de singarem na vida. Por isso quem quer acabar com as desigualdades sociais e regionais é favor de mais liberdade, e não de mais Estado.
Uma das maiores leviandades do “pensamento” liberal é ter perdido o respeito por quem sofre, a pontos de amesquinhar o sofrimento alheio, tornando as vitimas, muitas vezes, como causadores do “problema”…
Você nem sabe o que é o pensamente liberal portanto pare de falar sem saber. Álias tem piada porque toda a carrada de comunas, xuxas, conservadores e fascistas, quem andam sempre a clamar pela justiça social (e que logicamente deveria ser os maiores inimigos do mundo) passam mais tempo a criticar a minoria do seu desagrado e fustigar os liberais. Ou seja o ponto comum entre toda essa gentinha é de ser inimigo ferranho dos amigos da liberdade!!! Você vem aqui com as suas coisas de desigualdade, de falta de ampatia, mas explique-me lá porquê que a maior parte do seu comentário é ocupado por critíca aos ricos e aos liberais? Se calhar se era mais próximo da extrema-direita seria contra os judeus e os liberais, se era socialista era contra os banqueiros e os liberais, se era conservador era contra as prostitutas e os liberais. Eh, não é por uma pessoa não se importar de ser suportada pelo Estado e defender que todos deveriam o suportar que faz de você um santo e de eu um monstro.
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“Estas pessoas a quem hoje falta emprego, saúde, educação, reformas, dinheiro, esperança, em suma, o indispensável para se poder ter uma vida digna, foram vítimas de políticos trapaceiros, de economistas inescrupulosos, de vendedores de ilusões que, ao longo de décadas, lhes foram prometendo o céu na terra, em troca dos seus votos e dos benefícios e privilégios que a política e o poder lhes foram dando. Esta crise tem, portanto, nomes e responsáveis, e só terá saída se as suas vítimas perceberem que foram enganadas e que não é possível viver como lhes foi prometido.”
Os que governaram ao longo de décadas (PS, PSD e CDS) são os mesmo que governam agora e formam a troika interna que assinou o memorando com a outra troika.
Consumo e austeridade são balas da mesma arma dos predadores da economia.
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@ Guillaume Tell — O “tom” ofensivo e mal educado com que contesta a minha opinião dispensa respostas. Infelizmente neste País pouca gente sabe esgrimir argumentos – mesmo que opostos – com a dignidade e respeito que seria de esperar entre pessoas “civilizadas”. Vem-me à memória uma frase antiga: ” quem lava a cabeça a burros perde o tempo e o sabão”…
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LuisF,
quando se vem com conversa de café não se admir que as pessoas lhe respondam com tom “ofensivo”. Álias o facto do senhor ser incapaz de contrargumentar, ao vir logo se queixar da minha brutalidade, demostra bem que eu tive razão de ser “ofensivo” visto que não tem nível para aguentar uma conversa. Se você não é capaz de argumentar e contrargumentar, como se sente ofendido porque alguém levanta o tom na sua argumentação, então aconselho-o a ficar calado que ninguém gosta de chorros.
(Agora pouco adianta contrargumentar que eu vou ficar sem Net os próximos dias)
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Ainda tenho uma ténue esperança que o estado social (com cortes a prazo) se mantenha.Se acabar-mos com loucuras como,mordomias,impunidade para os corruptos e outros quejandos não será utopia manter a esperança num estado equilibrado que tente ser um moderador entre os deveres e os direitos dos cidadãos.
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Guilherme, à medida que o PiB vai baixando (e nos ultimos 5 anos já baixou cerca de 20% em cadeia) é natural que as percentagens de despesa sobre o PiB aumentem.
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Vc devia saber uma coisa simples: a despesa per capita em Portugal é imensamente mais baixa do que em qualquer outro pais de referencia. A despesa com a saude em Portugal anda nos 2200 dolares per capital. Na alemanha e na frança é de cerca de 4500 dolares per capita. Nos Eua é de 8000 dolares per capita.
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Aonde é que se gasta demais? Não se gasta. O estado portugues consegue produzir uma certa qualidade na saude (por ex) com muito menos dinheiro. Isto significa que o problema está na produção de riqueza.
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Rb
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Em vez de concentrar energias em cortar limalhas, pinauts, o estado devia INVESTIR na redução massiva de IMPOSTOS. O dinheiro está melhor nas mãos dos privados. Se o tivessemos feito logo de inicio já estariamos a crescer. A Irlanda é bom exemplo de governos com coluna vertebral que nunca abdicaram dos seus impostos reduzidos.
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Ao reduzir impostos e não reduzindo salarios ao estado apenas cabia a politica de motivar a poupança. Podia faze-lo atraves de várias medidas. Directas e indirectas. São as poupanças das pessoas, depositadas nos bancos, que fomentam o investimento nacional privado que por sua vez é responsavel pelo crescimento futuro.
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Quando cortam salario e aumentam impostos a engorda do estado fica bem patente. O estado não sabe investir. O JM defende que o dinheiro é melhor aplicado pelo estado na reducao da divida do que nas maos dos privados. Eu discordo em absoluto.
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Rb
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O estado social não está a acabar de morte natural. Todos os argumentos em que esta ideia se apoia são falaciosos, mal-intencionados e, enfim, intelectualmente indigentes. O estado natural está a ser pura e simplesmente destroçado por uma matilha de cães, aka banqueiros, políticos corruptos, legisladores venais e comentadores mediáticos a soldo, como os deste blog.
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Não percebo se rui a. manifesta neste post alegria, se tristeza, se revolta, se indiferença. Acho que nenhuma delas.
No fundo, rui a. exacerba simplesmente uma parte da realidade.
E exacerba-a da pior maneira, parecendo-me insinuar isto: se me tivessem ouvido antes, esta seria já há muito tempo a única realidade!
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Caro rui a.,
deixo aqui, pela primeira vez, um comentário a um post seu (apesar de os ler a todos desde que regressou ao Blasfémias) para lhe dizer que este seu post, apesar de curto e brutalmente simples, é um autêntico murro no estômago tão bem dado que me deu vontade de levantar-me da cadeira e bater-lhe palmas. É daqueles posts “right on the money”. Excelente!
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Impressiona a lucidez desta análise.
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Só para ter uma ideia: o Estado português tem uma dívida de cerca de 50 mil milhões para com os bancos. 30% do PIB. 30% do PIB que serviu a financiar políticas “sociais”. 50 mil milhões que servem para pagar, entre outras coisas, pagar a Segurança Social. Sem esse dinheiro o Estado deveria estar em equilibro orçamental desde 2007, sob pena de falir.
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Como é que uma pessoa pode ser coerente sendo a favor do Estado “Social” e contra os banqueiros especuladores? Como podem os ultra-neoliberais serem coerentes sendo a favor dos bancos mas contra o seu maior cliente?
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http://sicnoticias.sapo.pt/Lusa/2012/08/22/banca-divida-do-estado-aos-bancos-portugueses-sobe-10-mil-me-no-1.-semestre—bdp
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“Guilherme, à medida que o PiB vai baixando (e nos ultimos 5 anos já baixou cerca de 20% em cadeia) é natural que as percentagens de despesa sobre o PiB aumentem.”
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O problema é que em 2007 a despesa pública representava 75,1 mil milhões de euros, em 2009 já representava 83,8 mil milhões e em 2011 estava em 83,6 mil milhões. Por isso a prova está dada que o bem-estar de uma sociedade não depende da dimensão do Estado Social.
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http://www.pordata.pt/Portugal/Administracoes+Publicas+despesas++receitas+e+defice+publico+(R)-809
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“Vc devia saber uma coisa simples: a despesa per capita em Portugal é imensamente mais baixa do que em qualquer outro pais de referencia. A despesa com a saude em Portugal anda nos 2200 dolares per capital. Na alemanha e na frança é de cerca de 4500 dolares per capita. Nos Eua é de 8000 dolares per capita.”
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E? O PPC Português anda há volta dos 20.000 dolares, o alemão pelos 40.000. Pagamos tanto como eles comparativamente e temos uma Saúde pior. O “dinheiro” ao fundo pouco “importa”, o que interessa é a eficácia e a eficiência. E comparativamente a Saúde alemã é mais barata e mais eficáz para quem vive na Alemanha, do que a Saúde português para alguém que vive em Portugal.
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“Isto significa que o problema está na produção de riqueza.”
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Pois, mas você não acaba o raciocino. Porquê que a produção de riqueza é fraca? Porque o Estado cobra muitos impostos, porque gasta muito e mal, porque há demasiadas regras, porque há demasiados travões à eficiência e eficácia.
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