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A vida antes do défice era mais fácil

5 Outubro, 2012

Durante o século XX a política fazia-se num ambiente de baixo endividamento, crescimento na casa dos 3% e inflação quanto baste. A população era jovem e a percentagem da população dependente da segurança social era baixa.  Neste ambiente, os socialistas podiam seguir uma política de taxar e gastar porque a economia conseguia ainda assim crescer. A direita podia seguir uma política de baixar impostos para estimular a economia porque a dívida era diluída pelo crescimento. Se alguma coisa falhasse, emitia-se moeda para gerar inflação, o que reduzia salários e dívidas.

54 comentários leave one →
  1. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    5 Outubro, 2012 11:48

    Belos tempos esses da inflação nos dois digitos, em que todos os anos perdiamos dinheiro, pensando que estávamos a ganhar! era o que se chamava “empobrecer alegremente”!
    Os PMEs quando iam à banca nacionalizada pedir mil contos emprestados, só traziam 650, porque os juros eram 35% e pagos à cabeça. Grandes tempos!

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  2. castanheira antigo's avatar
    castanheira antigo permalink
    5 Outubro, 2012 12:25

    Pois é o século xx é que era bom .Depois veio o Sócrates endividou-se e gastou como um marinheiro bêbedo sem consequências para ele nem nem para os seus apaniguados (pelo contrário) . Portugal entrou em bancarrota e é eleito um governo fantoche manobrado por estrangeiros que não conhecem o que é o país .
    A politica continua sempre a ser a mesma : aumento de impostos para sustentar o monstro que continua bem e de boa saúde , ao contrário da economia que irá colapsar e criar as condições populistas necessárias para os socialistas regressarem .
    Porque nunca foi resolvido e esclarecido o golpe bancário do bpn com a cumplicidade quer de PS quer de PSD ?
    Porque se não resolvem os milhares de organismos estatais parasitários coitos de bois do ps ou psd?
    Porque se não coloca a justiça definitivamente a funcionar?
    Porque se não acaba com a burocracia , regulações confusas e outros entraves á economia?
    Porque se não fazem apenas leis simples , claras e universais?
    Porque a austeridade não chega ao governo e á assembleia da república?

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  3. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    5 Outubro, 2012 12:29

    E no século dezanove também.

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  4. A C da Silveira's avatar
    A C da Silveira permalink
    5 Outubro, 2012 12:31

    Acabei de ver na tv o principal guru do congresso das alternativas, Prof José Reis de sua graça, a dizer quais as alternativas que eles acham que resolvem os nossos problemas: denuncia do memorando da troika, e a renegociação da divida. Para chegar a estas conclusões não era preciso fazer um congresso; basta ouvir o que diz o BE e o PCP, e agora tambem o PS.

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  5. tric's avatar
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    5 Outubro, 2012 12:36

    “A direita podia seguir uma política de baixar impostos para estimular a economia porque a dívida era diluída pelo crescimento. ”
    .
    A Direita!!!?? eu nem acredito que o PSD não faça um Congresso Extraordinário para expulsar Passos Coelho da sua liderança…

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  6. tric's avatar
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    5 Outubro, 2012 12:38

    A estabilidade politica em Portugal passa obviamente por expulsar Passos Coelho do PSD…vai mesmo haver uma rebelião no grupo parlamentar do PSD…tem que haver…

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  7. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    5 Outubro, 2012 13:54

    Sá Pinto já disse que só sai quando Coelho sair.

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  8. Fernando S's avatar
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    5 Outubro, 2012 14:29

    Com ou sem Passos o pais tem de aumentar impostos, cortar despesa publica, baixar consumos, reduzir o custo do trabalho.
    De-se a volta que se der não ha outra maneira. Os “economistas” que pretendem o contrario são, como diria Borges, “ignorantes” (e/ou defendem interesses).
    Antigamente, com desvalorizações e inflacções, era brutal e rapido mas com a ilusão monetaria o povo e os interesses instalados nem percebiam bem como e quando.
    Agora, sem ilusão monetaria, tem de ser directo e estrutural.
    Com Passos (e Gaspar), mesmo com recuos e hesitações, ja se esta no caminho.
    Sem Passos, com o PSD “cavaquista” e o CDS anti-“assalto fiscal” ou com o PS, vai-se perder tempo e dinheiro e no final vai custar mais caro.
    Os portugueses e os interesses que escolham !

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  9. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 14:34

    “Com ou sem Passos o pais tem de aumentar impostos”
    Para que? Para as receitas baixaram mais ainda? Thanks, mas os privados já ajustaram o que tinham de ajustar.Agora é a vez do estado

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  10. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 14:36

    Alguns como o comentador acima, falam de ataque de interesses, quando o governo em todas as matérias cedeu a quase todos os interesses

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  11. Fernando S's avatar
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    5 Outubro, 2012 14:41

    A austeridade é um “assalto” à “classe média” ?
    Também foi a “classe média” que mais aumentou e mais ganhou com o modelo economico que nos trouxe para o impasse actual.
    Nota complementar : O corte nas despesas publicas, ja feito ou a fazer, também é um “assalto” à “classe média” (o que são no fim de contas os funcionarios publicos e a maioria dos beneficiarios do Estado gastador ?…).

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  12. PMP's avatar
    PMP permalink
    5 Outubro, 2012 14:42

    Eu ouvi dizer que o RU tem um deficit para ai de 9% e um desemprego de 8%.

    Mas deve ser mentira .

    O Passos / Borges / Gaspar é que sabe de macroeconomia com o PIB a baixar 3% , o desemprego nos 16% e a receita fiscal a diminuir !

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  13. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 14:45

    “Para que? Para as receitas baixaram mais ainda? ”
    .
    Para as receitas não baixarem ainda mais !

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  14. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 14:47

    “A austeridade é um “assalto” à “classe média” ?
    Também foi a “classe média” que mais aumentou e mais ganhou com o modelo economico que nos trouxe para o impasse actual.”
    É sim um assalto.Não, não foi.Foram os governos que gastaram mais do que podiam.
    Esses seus discursos….

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  15. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 14:54

    “Para as receitas não baixarem ainda mais”
    Ai sim?? Com as pessoas a consumirem ainda menos? Com a pesadissima carga fiscal que estás,se voce tornar o produto mais caro, mais pessoas pouparão

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  16. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 14:59

    “o governo em todas as matérias cedeu a quase todos os interesses”
    .
    Cedeu a uma vasta coligação de interesses ao recuar com a medida sobre a TSU.
    Ja começou a ceder e vai ceder a interesses relativamente à privatização da RTP.
    Os interesses não deixarão privatizar a CGD.

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  17. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 15:08

    “Ja começou a ceder e vai ceder a interesses relativamente à privatização da RTP.
    Os interesses não deixarão privatizar a CGD”
    Não concordo quando fala da tsu, mas ai estou plenamente de acordo.E acrecento-lhe ai, as ppp, as rendas energéticas, os bancos, etc..

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  18. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 15:15

    “Com a pesadissima carga fiscal que estás,se voce tornar o produto mais caro, mais pessoas pouparão”
    .
    O pais esta falido e às portas da bancarota. Não podia nem pode continuar a consumir tanto. Tinha e tem mesmo de reduzir o consumo, publico e privado. Não havia nem ha alternativa. Sem medidas de austeridade não haveria sequer dinheiro (da Troika e dos mercados) para pagar funcionarios e financiar a economia. O resultado seria muitissimo pior, em termos de consumo, investimento, recessão, receitas fiscais …
    A recessão tem causas estruturais que são anteriores ao aumento de impostos. O contexto economico internacional agrava ainda mais a situação portuguesa. A austeridade é negativa mas tem um impacto limitado a curto razo. De qualquer modo, não é possivel não fazer austeridade. A recessão é inevitavel e a queda das receitas fiscais também. O aumento de taxas serve para conter esta queda.
    A escolha não é entre austeridade com recessão e não austeridade com crescimento. É entre a austeridade e a bancarota !

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  19. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 15:26

    “E acrecento-lhe ai, as ppp, as rendas energéticas, os bancos, etc..”
    .
    Os interesses ligados às PPPs (construtoras, bancos, “partidão da despesa publica”, etc) e a outras rendas “protegidas” também participam da coligação que faz campanha para fazer cair este governo.
    Mas a questão das PPPs tem sido um pouco a arvore que esconde a floresta : o governo tem pouca margem de manobra e as economias possiveis não resolvem nenhum problema de fundo ; não evitam de modo nenhum a austeridade.
    Claro que ha diversos outros interesses que o actual governo não tem força ou não tem vontade de atacar, pelo menos para ja. Mas a verdade é que o governo não é “superman” e ja tem muitas guerras com que se ocupar. Muitos desses interesses estão em “embuscada” e vão participando, alguns mais “discretamente”, na campanha para fazer recuar e derrubar o actual governo.

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  20. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 15:36

    “O pais esta falido e às portas da bancarota. Não podia nem pode continuar a consumir tanto. Tinha e tem mesmo de reduzir o consumo, publico e privado. Não havia nem ha alternativa. Sem medidas de austeridade não haveria sequer dinheiro (da Troika e dos mercados) para pagar funcionarios e financiar a economia. ”
    .
    Mas isso passa por o estado fazer a sua dieita, não pelo assalto fiscal aos cidadãos.Isso é insistir no mesmo erro dos anteriores pecs do anterior governo.
    .
    ” recessão tem causas estruturais que são anteriores ao aumento de impostos”´
    Há outros factores, mas a fiscalidade é um dos senão o mais importante
    .
    é possivel não fazer austeridade. A recessão é inevitavel e a queda das receitas fiscais também. O aumento de taxas serve para conter esta queda.”
    Como é que o aumento de taxas pode conter o que quer que seja, se ao tornar o produto mais caro menos pessoas irão comprar!?
    A questão não é austeridade ou não.É o tipo de austeridade, e a quem é o alvo dessa austeridade

    .

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  21. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 15:39

    “Claro que ha diversos outros interesses que o actual governo não tem força ou não tem vontade de atacar, pelo menos para ja. Mas a verdade é que o governo não é “superman” e ja tem muitas guerras com que se ocupar. Muitos desses interesses estão em “embuscada” e vão participando, alguns mais “discretamente”, na campanha para fazer recuar e derrubar o actual governo”
    O governo devia dedicar-se a privatizar as empresas publicas,e a atacar a despesa.Ai tem todo o sentido que o governo se envolva.O que já não tem sentido nenhum é hostilizar da forma que foi, quem cria empregos e riqueza para o pais.

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  22. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 15:44

    “Como é que o aumento de taxas pode conter o que quer que seja, se ao tornar o produto mais caro menos pessoas irão comprar!?”
    .
    Anti-praticos, percebeu mal (ou eu expliquei-me mal) : o aumento das taxas serve para conter a queda das receitas fiscais que de outro modo seria ainda maior.

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  23. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 15:48

    “Mas isso passa por o estado fazer a sua dieita,…”
    .
    Também, claro.
    Mas enquanto isso não acontecer, enquanto não for possivel ir mais longe ou ir tão longe quanto seria necessario, não ha outra maneira senão aumentar impostos.
    Não serve de muito dizer que este governo não corta o suficiente e o que seria possivel nas despesas publicas. Qualquer outro governo viavel em Portugal faria pior.

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  24. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 15:53

    “Mas enquanto isso não acontecer, enquanto não for possivel ir mais longe ou ir tão longe quanto seria necessario, não ha outra maneira senão aumentar impostos.”
    O problema é que, também não é possivel neste momento recaudar receitas, porque a nossa carga fiscal atingiu os seus limites, isto é, produtos mais caros, menos consumidores, logo menos receita.Portanto, a menos que o senhor queira falhar as metas, o governo vai ter que insistir ainda mais.Eu não digo só que é possivel, como digo que é imprescindivel

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  25. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 16:15

    “o aumento das taxas serve para conter a queda das receitas fiscais que de outro modo seria ainda maior.”
    Não, até explicou muito bem.E eu digo-lhe que isso que voce diz é impossivel: se um proudto é mais barato, ou menos taxado, mais pessoas compram,e mais se recebe. Se os produtos tornam-.se mais caros e se houver mais taxas, logo menos se receberá por esse produto.
    Ou seja, em vea de conter, apenas agrava

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  26. Buiça's avatar
    Buiça permalink
    5 Outubro, 2012 16:23

    “E acrescento-lhe ai, as ppp, as rendas energéticas, os bancos, etc..”
    A única coisa de util que o inenarravel Paulo Campos disse na vida foi na entrevista do outro dia: o seu sucessor na actual secretaria de estado é “só” quem representava os Bancos em 7 ou 8 das últimas negociatas rodoviárias.
    Há áreas em que o “governo” não muda há mais de duas décadas…

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  27. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 16:26

    Buiça, isso é como uma raposa ir guardar a capoeira.Bonito!

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  28. PSC's avatar
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    5 Outubro, 2012 16:32

    Onde estão as alternativas!? VIÁVEIS E EFICAZES! Nada de paleio para entreter que assim não vale a pena nem ouvir. E já agora cheguem-se para a frente e ponham à disposição do Estado os 4,3 mil milhões de Euros que precisamos no próximo dia 10! Vamos lá! Então? Coragem, pessoal! Emprestem o dinheiro e começamos a principiar a resolver o problema! Não me digam que não têm o dinheiro??!! Então, afinal, é tudo paleio de “chacha” que não resolve nada e só cria mais confusão. Como dizem os brasileiros: “Caiam na Real,oh! caras!”

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  29. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 16:55

    “O governo devia dedicar-se a privatizar as empresas publicas,e a atacar a despesa.(…) O que já não tem sentido nenhum é hostilizar da forma que foi, quem cria empregos e riqueza para o pais.”
    .
    Sem duvida quanto a privatizações e coretes nas despesas.
    E, melhor ou pior, o governo esta a fazer alguma coisa. O programa de privatizações é importante e tem estado a avançar. Teem sido feitos cortes nas despesas, estão previstos mais cortes para os proximos tempos (um plano de 4 mil milhões fora cortes de vencimentos e pensões).
    Não creio que se possa dizer que o governo tem “hostilizado” “quem cria empregos e riqueza para o pais”. As medidas de austeridade teem poupado os rendimentos mais baixos e as empresas. A medida sobre a TSU era completamente a favor das empresas e do emprego, sobretudo das dos sectores de bens transaccionaveis. Mesmo as outras, que dependem mais do mercado interno, teriam uma margem financeira adicional para fazer frente às dificuldades ligadas à recessão. Pode-se criticar a oportunidade e eficacia das medidas do governo. E pode-se inclusivamente dizer que a austeridade é prejudicial às empresas que dependem do mercado interno. Mas não faz sentido dizer que o governo tem “hostilizado” as empresas em geral.

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  30. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 17:08

    Anti-praticos : “…não é possivel neste momento recaudar receitas, porque a nossa carga fiscal atingiu os seus limites” (…) “a menos que … queira falhar as metas, o governo vai ter que insistir ainda mais [no corte de despesas].”
    .
    Não penso que se tenham atingido os “limites” para a carga fiscal. Se o governo não aumentasse impostos as receitas fiscais seriam ainda menores e o déficit ainda maior. Claro que seria de longe preferivel não aumentar impostos. Mas não estamos numa situação de poder escolher e deixar de o fazer.
    Dito isto, é verdade que, mesmo com os aumentos de impostos e os cortes de vencimentos e pensões ultimamente anunciados, o governo cai ter de cortar ainda mais nas outras despesas publicas para não falhar as metas. Gaspar falou num plano de 4 mil milhões até 2014. Mas é apenas uma primeira estimativa e ha varias outras variaveis a controlar (para além das receitas fiscais, os custos financeiros da divida, as receitas extraordinarias com as privatizações, a evolução da economia internacional, etc, etc).

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  31. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 17:26

    Anti-praticos,
    Quanto à queda nas receitas fiscais e ao aumento das taxas de imposição … ainda não percebeu o que eu digo.
    As receitas cairiam mesmo sem aumentos de taxas. Porque ha uma recessão e, por isso, a matéria colectavel diminui. O aumentos das taxas permite que, para a mesma matéria colectavel, as receitas sejam maiores. Ou seja, a queda das receitas é menor do que seria sem o aumento das taxas. Mesmo admitindo que o aumento das taxas possa ter algum efeito negativo imediato sobre a actividade economica e sobre a colecta fiscal, o aumento de receitas pelo aumento das taxas é sempre superior à perda de receitas em resultado da baixa na matéria colectavel.

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  32. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 17:37

    “Não penso que se tenham atingido os “limites” para a carga fiscal. Se o governo não aumentasse impostos as receitas fiscais seriam ainda menores e o déficit ainda maior. Claro que seria de longe preferivel não aumentar impostos. Mas não estamos numa situação de poder escolher e deixar de o fazer.”
    Eu confesso ter muita dificuldade em compreender a sua lógica.Quanto mais caros ficam os produtos e os bens, logo menos se compra, o que faz com que a receita desca. Logo esse aumento só pode diminuir a receita e não protegê-la como voce diz . Portanto .Até agora, todos os governo , incluindo este , aumentaram a carga fiscal para fazer face ao défice.Só que subimu-la tanto que neste momento um aumento de impostos , é uma redução da receita. Fiscalmente, estamos próximos do prec. Se não é um assaltante, pelo menos o estado está a tornar-se um ditador fiscal.Só que nem vale a pena o estado sacar mais, porque os tesouros estão vazios.

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  33. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    5 Outubro, 2012 17:54

    “O aumentos das taxas permite que, para a mesma matéria colectavel, as receitas sejam maiores. Ou seja, a queda das receitas é menor do que seria sem o aumento das taxas. Mesmo admitindo que o aumento das taxas possa ter algum efeito negativo imediato sobre a actividade economica e sobre a colecta fiscal, o aumento de receitas pelo aumento das taxas é sempre superior à perda de receitas em resultado da baixa na matéria colectavel.”

    Mas eu percebi bastante bem o que voce disse.Só que a sua tese para mim não faz muito sentido.O injustificável não se justifica
    Acontece que eu acho o contrário do que voce acha.Isto é, apesar de eu concordar que o recessão faz perder receita, no entanto, a receita ha uns tempos atrás era maior.E se era maior era porque as pessoas consumiam mais, e se consumiam mais é porque a fiscalidade era menos pesada,e mais confortável.Se o governo aumentou a fiscalidade, as pessoas passaram a consumir menos, logo a receita piorou.
    Dito de outra forma, eu (ao contrário de si, penso eu) sou da opinião , que o aumento de impostos é maior do que seria sem o aumento,porque reduz as receitas
    Mas isso é a sua opinião, não comungo dela.

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  34. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    5 Outubro, 2012 20:36

    Anti-praticos : “a receita ha uns tempos atrás era maior.E se era maior era porque as pessoas consumiam mais, e se consumiam mais é porque a fiscalidade era menos pesada,e mais confortável.Se o governo aumentou a fiscalidade, as pessoas passaram a consumir menos, logo a receita piorou.”
    .
    “[] As pessoas consumiam mais” … Este é precisamente o problema que se trata de resolver. Na verdade, as pessoas consumiam demais ralativamente às possibilidades do pais. Por isso é que é preciso reduzir o consumo, ajustar o nivel de consumo às possibilidades do pais. O problema não é consumirmos menos, é consumirmos demais.
    Enquanto o Anti-praticos, e tantas outras pessoas, não perceber isto não vamos a lado nenhum, não vamos sair da situação de insolvencia em que nos encontramos actualmente.
    As pessoas não consumiam mais apenas pelo facto da fiscalidade ser menos pesada. A fiscalidade j’a era bastante pesada nessa altura. As pessoas consumiam mais sobretudo porque o pais se endividou fortemente perante o exterior. Ou seja, o pais no seu conjunto consumia mais do que produzia. O mais preocupante é que ainda hoje consome mais do que deveria consumir. O pais tem agora de reduzir drasticamente o seu consumo. Para importar menos. Para poupar mais, investir mais, produzir mais. Para poder um dia começar a reembolsar a divida que tem para com o exterior.
    Portanto, como ve, a diminuição do consumo não é um mal que se deve evitar. É certamente um mal. Mas é um mal que não se pode nem se deve evitar, um mal necessario, uma inevitabilidade.
    Mesmo que não queiramos temos de reduzir o nosso consumo. São os nossos credores que o exigem. Quem nos emprestou durante anos e anos, os famigerados mercados, e que desde há uns tempos não nos empresta mais (pelo menos a custos razoaveis ; mas recentemente chegaram sinais encorajadores). E quem nos empresta agora para não entrarmos em ruptura financeira, para o nosso Estado continuar a pagar os seus funcionarios e os nossos bancos continuarem a financiar a economia. Refiro-me naturalmente à famigerada Troika. Os nossos credores não vão em conversas, querem ver medidas que reduzem efectivamente o nosso consumo (e que melhoram a nossa capacidade de produzir apenas aquilo que podemos pagar).
    O desequilibrio das contas públicas e das contas com o exterior são precisamente manifestações do nosso excesso de consumo a nível nacional.
    Por isso é que reduzir o consumo passa necessáriamente por um esforço no sentido de reequilibrar estas contas. Trata-se de transferir recursos, por um lado do sector privado para o Estado e, pelo outro lado, dos sectores de bens não transaccionáveis para os sectores de bens transaccionáveis.
    A fiscalidade é apenas um dos instrumentos de politica economica utilizados pelo governo com vista ao restabelecimento destes equilíbrios e, por consequência, à redução do consumo nacional.
    Por isso é que não faz sentido estar a contestar o aumento de impostos apenas com o argumento de que faz baixar o consumo. Tem de fazer baixar o consumo.
    Claro que a baixa do consumo e a recessão que lhe está associada tem também efeitos negativos ao nivel das receitas fiscais e, por cosequência, torna mais dificil a consolidação orçamental. Por esta razão, o aumento das taxas de imposição tem de ser ainda maior no sentido de compensar a inevitável redução da matéria colectável. Dito de outra maneira, o aumento de impostos tem de ser ainda maior para que no final a transferência de recursos da economia para o Estado seja quantitativamente aquela que é necessária para que a consolidação orçamental se faça nos montantes e ritmos exigidos pelos nossos credores. A redução adicional do consumo nacional é apenas o reverso da medalha do processo de ajustamento das principais contas do país.
    Resumindo : a diminuição do consumo é uma passagem obrigatória do processo de ajustamento da nossa economia e a fiscalidade é apenas um instrumento governamental para levar a cabo esse ajustamento.

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  35. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    6 Outubro, 2012 00:03

    “pessoas consumiam mais” … Este é precisamente o problema que se trata de resolver. Na verdade, as pessoas consumiam demais ralativamente às possibilidades do pais. Por isso é que é preciso reduzir o consumo, ajustar o nivel de consumo às possibilidades do pais. O problema não é consumirmos menos, é consumirmos demais.”
    .
    Não estou de acordo com a generalização que faz, mas cada caso é um caso, e ao contrário de si, não acho que seja papel do estado resolver esse assunto, que pertence ao ambito de cada um.As funções do estado são: criar condições de riqueza, via liberalizações , reducao de impostos e corte de despesa, e não de punir as pessoas.Por isso oponho-me radicalmente á sua visão.


    As pessoas não consumiam mais apenas pelo facto da fiscalidade ser menos pesada. A fiscalidade j’a era bastante pesada nessa altura. As pessoas consumiam mais sobretudo porque o pais se endividou fortemente perante o exterior. Ou seja, o pais no seu conjunto consumia mais do que produzia. O mais preocupante é que ainda hoje consome mais do que deveria consumir. O pais tem agora de reduzir drasticamente o seu consumo. Para importar menos. Para poupar mais, investir mais, produzir mais. Para poder um dia começar a reembolsar a divida que tem para com o exterior.
    Portanto, como ve, a diminuição do consumo não é um mal que se deve evitar. É certamente um mal. Mas é um mal que não se pode nem se deve evitar, um mal necessario, uma inevitabilidade.”
    .
    Pois eu acho esse diagnóstico enviasado.As pessoas consumiam os produtos eram mais baratos,e a fiscalidade, sim era pesada, mas menos que hoje, e porque os seus salários assim o permitiam.Mesmo que eu concordasse consigo, o maior problema foi o crescimento do sector publico.Tivemos demasiado estado,e portanto estge´é que tem de fazer o grosso do ajustamento.
    Se alguém gastou demasiado, esse alguém é que tem de corrigir por si próprio.O que lhe quero dizer, é que ao contrário de si,não acredito que o papá-.estado tenha que aumentar a sua intervenção no sentido de substituir-se ás pessoas no papel de decidir os seus gastos e consumos.Para algúem liberal como eu, essa ideia que defende é completamente oposta aos seus principios liberais.

    “Mesmo que não queiramos temos de reduzir o nosso consumo. São os nossos credores que o exigem. Quem nos emprestou durante anos e anos, os famigerados mercados, e que desde há uns tempos não nos empresta mais (pelo menos a custos razoaveis ; mas recentemente chegaram sinais encorajadores). E quem nos empresta agora para não entrarmos em ruptura financeira, para o nosso Estado continuar a pagar os seus funcionarios e os nossos bancos continuarem a financiar a economia. Refiro-me naturalmente à famigerada Troika. Os nossos credores não vão em conversas, querem ver medidas que reduzem efectivamente o nosso consumo (e que melhoram a nossa capacidade de produzir apenas aquilo que podemos pagar”
    .
    O que os credores querem é que reduçamos o défice e equilibremos o balanço de pagamentos.Mas isso não passa por converter o estado num ladrão de assalto á mão armada.

    “A fiscalidade é apenas um dos instrumentos de politica economica utilizados pelo governo com vista ao restabelecimento destes equilíbrios e, por consequência, à redução do consumo nacional.
    Por isso é que não faz sentido estar a contestar o aumento de impostos apenas com o argumento de que faz baixar o consumo. Tem de fazer baixar o consumo.”
    .
    Pois, mas alguém supostamente liberal, devia repudiar o recurso á extorsão de rendimentos .O meu dinheiro fernando, está melhor nos meus bolsos do que no estado.Eu não contribui para os problemas, portanto não tenho nada a haver com os problemas do estado.O que não faz sentido nenhum é a sua tese em que o aumento de impostos sirva para compensar a queda das receitas.Mas já vou desenvolver mais esse ponto.

    “nivel das receitas fiscais e, por cosequência, torna mais dificil a consolidação orçamental. Por esta razão, o aumento das taxas de imposição tem de ser ainda maior no sentido de compensar a inevitável redução da matéria colectável. Dito de outra maneira, o aumento de impostos tem de ser ainda maior para que no final a transferência de recursos da economia para o Estado seja quantitativamente aquela que é necessária para que a consolidação orçamental se faça nos montantes e ritmos exigidos pelos nossos credores
    .
    Cá está, não vejo nenhuma lógica na sua tese de que o lançamento de mais impostos atenua a queda de receita.Por uma questão de lógica, e de principio, a minha opinião não podia ser mais diferente da sua
    Pelo contrário, menos consumo é menos receitas.Se os produtos tornam-se mais caros, menos clientes terão, logo menos contribuintes para esse impostos haverá

    Eu naõ digo que voce seja de esquerda, nem algo parecido, mas acho estranho alguém liberal defender o aumento(porque ja havia) do poder do estado na vida de nós.Você tem uma visão mais técnica que politica.Voce até sabe umas coisas de economia, mas devo confessar que se partilho alguma coisa do problema, geralmente não partilho das suas soluções,e de algumas posições que voce tomou, a favor do governo, que neste e noutros blogs, já há algum tempo tenho vindo a notar, especialmente no insurgente, talvez o blog mais forte da direita.
    Voce parece ser alguém inteligente, mas de facto constato estar á sua direita.Essa tese da compensação de receitas, por exemplo , é o caso de uma tese que voce defende, mas que eu não partilho.
    Cumprimentos

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  36. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    6 Outubro, 2012 00:36

    Em relação ao que apontou mais acima.. eu estava-me a referir, á falta de educação e respeito da parte de antónio borges,e ás bocas,digamos assim, que Carlos Moedas mandou aos empresários.Isso tem que parar

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  37. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    6 Outubro, 2012 17:32

    Anti-praticos : “cada caso é um caso, e ao contrário de si, não acho que seja papel do estado resolver esse assunto, que pertence ao ambito de cada um.”
    .
    Eu não me refiro ao caso particular de cada um mas sim à situação do pais no seu conjunto.
    Como diz, cada pessoa, familia, empresa, endividada é que tem de gerir e procurar resolver o seu problema individual.
    Mas existe também uma dimensão do problema que é global e que compete ao governo tratar e resolver.
    .
    Desde logo, o facto de muitas pessoas, familias, empresas, se terem endividado para além do que seria normal e prudente, criou e representa um problema para o pais. Numa primeira fase, esse endividamento traduziu-se em termos globais em mais consumo, em menos poupança, em mais investimentos mal feitos, em mais importações. Contribuiu para os desequilibrios macro-economicos e para a degradação das contas nacionais. Contribuiu para o aumento do endividamento nacional perante o exterior. Mesmo indirectamente. Por exemplo, os Bancos nacionais financiaram-se no exterior para poderem financiar no interior. Sabemos que este envidamento bancario é uma componente importante do endividamento externo e que a actual descapitalização da Banca nacional afecta negativamente o crédito disponivel para a economia. O excesso de endividamento de muitas familias e empresas é também actualmente um dos factores explicativos do abrandamento e mesmo retrocesso da actividade economica. Familias e empresas em dificuldades significa precisamente menos procura e menos produção. Perante esta situação, um governo responsavel deve seguir politicas que favoreçam e acompanhem o inevitavel processo de correcção desta anomalia e não, pelo contrario, continuar a alimentar as condições que levaram ao sobreendividamento.
    .
    Dito isto, o endividamento global do pais perante o exterior não resultou apenas do endividamento dos agentes económicos individuais, familias e empresas (directamente e, sobretudo, por intermédio do sistema bancario). O país endividou-se também através do Estado e o Estado, através dos seus gastos e de transferências, distribuiu pelo país, familias e empresas, rendimentos e bens e serviços obtidos e aquiridos através dos empréstimos externos. Ou seja, muitas familias e empresas receberam recursos através de remunerações, transferências, receitas de vendas de bens e serviços ao Estado, etc. Uma parte significativa do endividamento do Estado corresponde a um ganho equivalente por parte de famílias e empresas (que por sua vez o distribuem por outras famílias através de remunerações, salariais e outras). É neste sentido que se pode dizer que o endividamento do Estado, na medida em que acabou por beneficiar muitas famílias e empresas, é também uma responsabilidade destas famílias e empresas (mais no sentido de ser um fardo que diz também respeito às familias e empresas e não tanto de ser “da responsabilidade” política destas). Neste ponto, poder-se-ia argumentar que, assim sendo, os sacrificios a pedir para a correcção desta situação deveriam ser solicitados apenas às famílias e empresas que de algum modo beneficiaram com as despesas e o endividamento do Estado. Em parte é verdade. Por isso é que se justifica que certos sectores e categorias possam ser mais penalizados do que outros. Por exemplo, os funcionários públicos, os pensionistas, os beneficiários de transferências sociais e outros serviços do “Estado Social”. Por exemplo, as empresas dos sectores não transaccionáveis viradas para o mercado interno (construção, serviços, comércio, turismo interno, restauração, etc). O problema é que, apenas relativamente a certas categorias é possível ou mais fácil delemitá-las exactamente e aplicar medidas discriminatórias (por exemplo, funcionários públicos e pensionistas). De um modo geral, é muito mais complicado, senão mesmo impossível ou contra-producente (por exemplo, no que se refere às empresas e aos trabalhadores do privado). De qualquer modo, pode-se dizer que, de um modo ou de outro, uns mais e outros menos, práticamente todos os portugueses acabaram por tirar algum beneficio imediato da acção de um Estado que gastou e distribuiu rendimentos que o país não produziu e recebeu do exterior.
    .
    O Estado não é uma entidade exterior ao resto do país. Faz parte dele, está imbricada com ele. É o reflexo da sociedade e impacta sobre a sociedade. O governo do Estado e o governo da sociedade são exactamente a mesma coisa. O endividamente do Estado é um problema do conjunto do país. Tal como a gestão, o endividamento do Estado é também e necessáriamente algo que diz respeito ao conjunto dos cidadãos.

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  38. Fernando S's avatar
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    6 Outubro, 2012 17:35

    Anti-praticos : « Tivemos demasiado estado,e portanto estge´é que tem de fazer o grosso do ajustamento.”
    .
    “Tivémos demasiado Estado ?”… É verdade. Essa foi a razão principal dos nossos males actuais.
    “O Estado é que tem de fazer o grosso do ajustamento” ?… Em parte é verdade. Mas apenas em parte.
    Para o Anti-práticos o “ajustamento do Estado” é cortar nas despesas. Certamente que é algo que é preciso fazer. E que já começou a ser feito. Cerca de 13,5 mil milhões em 2 anos (fora juros da dívida). Estamos a falar de uma redução de 16% da despesa primária do Estado (fora medidas extraordinárias e juros da dívida). Deve ser continuado ? Sem dúvida. De resto, o governo prevê cortar pelo menos mais 4 mil milhões nos próximos 2 anos. Mas não se deve parar por ai e os cortes deverão continuar nos próximos anos.
    Dito isto, convém desde já lembrar que os cortes nas despesas públicas não são indolores para a sociedade, para os portugueses, para as famílias e as empresas. Os cortes afectam milhares e milhares de familias e empresas. Em primeiro lugar, afectam as famílias de funcionários, pensionistas e outros beneficiários de transferências sociais. Em segundo lugar, afectam os utentes dos serviços públicos. Muitos destes serviços são regalianos e são insubstituíveis pelo privado (justiça, segurança, espaços e infraestruturas públicas, etc). Outros são gratuitos ou com tarifas reduzidas (saúde, educação, transportes, etc). Mesmo que sejam mal geridos e pouco eficientes, a verdade é que o corte de despesas pode levar a uma degradação adicional da qualidade dos serviços e a um aumento dos custos para os utentes. Em terceiro lugar, afectam empresas que são fornecedoras do Estado e que, por sua vez, distribuem rendimentos pelos próprios trabalhadores e fazem trabalhar outras empresas. Finalmente, e resumindo, afectam o conjunto da economia na medida em que através das suas despesas e investimentos o Estado é de longe o principal agente económico. Muitos esquecem por vezes que uma redução rápida e drástica das despesas tem necessáriamente um impacto recessivo importante sobre a economia. Deste modo, cortar nas despesas significa também um ajustamento muito significativo do conjunto da sociedade e da economia.
    Seja como for, o que é certo é que o corte nas despesas públicas, por mais importante que seja, não é suficiente para que o Estado faça completamente o ajustamento necessário ao nível das contas públicas. Pelo menos no curto/médio prazo, enquanto os corte nas despesas não são suficientes, o reequilibrio das contas passa igualmente pelas receitas fiscais, pelo aumento de impostos. Como já referi várias vezes anteriormente, os déficits e as dívidas do Estado são uma responsabilidade do conjunto do país pelo que é natural que pelo menos uma parte dos portugueses seja solicitada. Trata-se primeiro baixar o défict orçamental no sentido de diminuir o ritmo de crescimento da dívida pública. Tratar-se-à depois de começar a reembolsar esta mesma dívida. Como sempre se disse, o déficit e a dívida pública de hoje são impostos para amanhã. As gerações actuais, melhor ou pior, tiraram partido do endividamento. Devem ser elas a fazer agora o esforço principal da consolidação das contas públicas e não deixar o fardo para as gerações futuras.

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  39. Fernando S's avatar
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    6 Outubro, 2012 17:41

    “… não acredito que o papá-.estado tenha que aumentar a sua intervenção no sentido de substituir-se ás pessoas no papel de decidir os seus gastos e consumos.Para algúem liberal como eu, essa ideia que defende é completamente oposta aos seus principios liberais.”
    .
    Já abordei por diversas vezes esta questão, nomeadamente em resposta a outras interpelações suas (ou de alguns dos seus alter-egos) a este respeito.
    Não se trata de aumentar a intervenção do Estado em prejuízo da liberdade das pessoas. Trata-se de corrigir uma situação insustentável que resultou precisamente de um excesso de intervenção do Estado na economia.
    As pessoas devem decidir livremente dos seus gastos e consumos apenas na medida em que os seus rendimentos correspondem exactamente às contrapartidas pelas suas actividades, isto é, são determinados em mercados livres e não condicionados e entravados pela acção do Estado.
    Acontece que não tem sido esse o caso em Portugal. O despesismo e o intervencionismo estatais adulteraram e determinaram os mecanismos de mercado e criaram uma situação completamente artificial e desequilibrada.
    Em resultado desse excesso de Estado e de intervencionismo governamental, o país gastou demais, consumiu demais e consumiu mal, investiu demais onde não devia ter investido e investiu demenos onde devia ter investido. Agora é preciso fazer marcha atras, é preciso reduzir o consumo, é preciso que a dimensão e o tipo de consumo deixem de ser determinados pela acção de um Estado gastador e intervencionista, é preciso que o investimento seja feito nos sectores e actividades que as condições do país permitem. Ou seja, globalmente, é preciso repor as contas em ordem e é preciso reformar o modelo económico estatalo-intervencionista de maneira a redimensionar o Estado e a liberalizar a economia.
    Ora, este trabalho tem de ser feito por um governo, através de acções e políticas apropriadas. É indispensável a intervenção de um governo para desintervencionar a economia. Uma reforma económica liberal apenas pode ser feita por um governo. Que se supõe liberal, naturalmente. Um governo liberal tem de intervir para recriar as condições que garantam e favoreçam um máximo de liberdade económica.
    Como proceder ?
    Não se parte do nada. Existe uma situação, um modelo económico estatalo-intervencionista, e existe uma situação crítica em termos de contas públicas e externas.
    Numa primeira fase, um governo, qualquer governo, tem de começar por tentar ultrapassar a crise financeira, em particular a das contas públicas. Sem resolver prioritáriamente este problema, nenhum governo com um programa liberal terá alguma vez condições para seguir em frente e proceder às reformas necessárias na economia. Esta primeira fase de intervenção de um governo liberal na economia pode à primeira vista parecer contrária aos princípios liberais. Nomeadamente quando tem de aumentar impostos para consolidar as contas públicas. Mas é uma ideia errada. A redução da carga fiscal é certamente um objectivo liberal de médio/longo prazo. Mas um aumento de impostos no curto prazo pode muito bem ser uma medida indispensável para que a economia comece um processo de ajustamento longo e complexo sem o qual nenhum programa liberal faz sentido e pode ter alguma possibilidade de sucesso.

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  40. Anti-praticos's avatar
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    6 Outubro, 2012 17:49

    Fernando s, pedia-lhe que da próxima vez que comentasse, que fosse o mais resumido possivel e já agora, que usasse uma linguagem menos técnica, porque muitas vezes não percebo bem o seu raciocinio.

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  41. Anti-praticos's avatar
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    6 Outubro, 2012 18:08

    “Mas existe também uma dimensão do problema que é global e que compete ao governo tratar e resolver.
    .
    Desde logo, o facto de muitas pessoas, familias, empresas, se terem endividado para além do que seria normal e prudente, criou e representa um problema para o pais. Numa primeira fase, esse endividamento traduziu-se em termos globais em mais consumo, em menos poupança, em mais investimentos mal feitos, em mais importações. Contribuiu para os desequilibrios macro-economicos e para a degradação das contas nacionais. Contribuiu para o aumento do endividamento nacional perante o exterior. Mesmo indirectamente. Por exemplo, os Bancos nacionais financiaram-se no exterior para poderem financiar no interior. Sabemos que este envidamento bancario é uma componente importante do endividamento externo e que a actual descapitalização da Banca nacional afecta negativamente o crédito disponivel para a economia. O excesso de endividamento de muitas familias e empresas é também actualmente um dos factores explicativos do abrandamento e mesmo retrocesso da actividade economica. Familias e empresas em dificuldades significa precisamente menos procura e menos produção. Perante esta situação, um governo responsavel deve seguir politicas que favoreçam e acompanhem o inevitavel processo de correcção desta anomalia e não, pelo contrario, continuar a alimentar as condições que levaram ao sobreendividamento.”
    .
    Pois ,mas lá está:Esse problema é do foro individual e não global como você diz.Um governo responsável, tem que reduzir despesa, e criar condições para investimento.
    .
    ” De qualquer modo, pode-se dizer que, de um modo ou de outro, uns mais e outros menos, práticamente todos os portugueses acabaram por tirar algum beneficio imediato da acção de um Estado que gastou e distribuiu rendimentos que o país não produziu e recebeu do exterior.
    O Estado não é uma entidade exterior ao resto do país. Faz parte dele, está imbricada com ele. É o reflexo da sociedade e impacta sobre a sociedade. O governo do Estado e o governo da sociedade são exactamente a mesma coisa. O endividamente do Estado é um problema do conjunto do país. Tal como a gestão, o endividamento do Estado é também e necessáriamente algo que diz respeito ao conjunto dos cidadãos.”
    .
    O fernando está a cair numa concepção paternalista e estatista até, da sociedade, pouco prórpias de alguém de direita. O seu diagnosticos é algo generalizador e muito simplista.A responsabilidade ai não é do consumidor, mas sim de quem concedeu o crédito e não o devia ter feito, que foi o estado, portanto este é que deve ser responsabilizado.Contudo, esse problema é menor comparado com o descontrolo das contas publicas e com o crescimento desmesurado do sector publico o que me conduz á segunda critica que lhe faço.
    Voce mistura sector publico e sector privado num só.Se as responsabilidade são do sector público, então este é que tem de pagar pelos seus pecado,não o sector privado e os trabalhadores.O estado deve intrometer-se o menos possivel nas suas vidas.E deixe-me dizer-lhe por ultimo que uma coisa é o governo e o sector público, outro é o privado.Cada um tem as suas vidas, separadas uma da outra.Portanto, só resta o estado fazer a sua reforma

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  42. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    6 Outubro, 2012 18:42

    “Tivémos demasiado Estado ?”… É verdade. Essa foi a razão principal dos nossos males actuais.
    .
    “O Estado é que tem de fazer o grosso do ajustamento” ?… Em parte é verdade. Mas apenas em parte.”
    POis, como liberal que sou, só posso discordar do seu ponto de vista.Mas pronto, são diferenças.Para mim,as coisas são assim.Quer a familia, quer o estado, se gastam mais do que podem,teem que reduzir os gastos.Como o sector publico gastou demasiado, este tem que actuar por si mesmo.Não pode obrigar o sector privado , nem a resolver os seus problemas,nem as familias reduzirem os seus gastos, já que esse assunto não é do seu dominio.
    De qualquer forma, a redução da despesa ao contrário da receita é controlável, mesmo se recessiva.
    .
    2é suficiente para que o Estado faça completamente o ajustamento necessário ao nível das contas públicas. Pelo menos no curto/médio prazo, enquanto os corte nas despesas não são suficientes, o reequilibrio das contas passa igualmente pelas receitas fiscais, pelo aumento de impostos. Como já referi várias vezes anteriormente, os déficits e as dívidas do Estado são uma responsabilidade do conjunto do país pelo que é natural que pelo menos uma parte dos portugueses seja solicitada. Trata-se primeiro baixar o défict orçamental no sentido de diminuir o ritmo de crescimento da dívida pública. Tratar-se-à depois de começar a reembolsar esta mesma dívida. Como sempre se disse, o déficit e a dívida pública de hoje são impostos para amanhã. As gerações actuais, melhor ou pior, tiraram partido do endividamento”
    .
    E eu já lhe disse, que além de nem serjusto e correcto, serem os contribuintes a pagarem os problemas dos governantes, é uma medida ineficaz do ponto de vista económico ,que está a falhar clamorasamente e que está a fazer com que atrasemos o regresso aos mercados.
    Desculpe-me mas continuo sem conseguir perceber que sentido faz aumentar impostos para cobrir os efeitos da recessão.Não entendo isso
    Se existe uma recessão que faz com que as receitas diminuem, logo se o ofernando aumentar os impostos directos e indirectos, mais acentuará a fuga ao fisco, mais empresas sairão,e quando aos indirectos, menos pagadores desses impostos haverá.Ou seja, as receitas que se perderá depois das medidas, serão maiores do que sem essas medidas

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  43. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    6 Outubro, 2012 18:50

    Anti-praticos,
    A minha linguagem não é “tecnica”. Pelos vistos, apenas não consigo é ser suficientemente claro, pelo menos para si. E é verdade que a sintese nunca foi o meu forte…
    Com efeito, apesar de cada um de nos se considerar “liberal”, as nossas analises e as nossas conclusões são muito diferentes.
    Isto também explica que andemos um pouco sempre à volta dos mesmos argumentos sem conseguirmos avançar grande coisa relativamente às nossas convergencias e divergencias.
    Efectivamente, não partilho em nada da sua visão, para mim muito formal e estruturalista, da separação entre o Estado e a sociedade. O Anti-praticos fala do Estado como se fosse uma entidade individual, independente dos cidadãos, com autonomia e vontade proprias. Para mim o Estado é precisamente uma organização de toda a sociedade e que diz respeito a todos os cidadãos. O problema não é o Estado de um lado e os individuos do outro. O problema é o Estado ser melhor ou pior governado pelas pessoas que os cidadãos escolhem para esse efeito. O problema do Estado é um problema de todos nos. E os nossos problemas pessoais, para o melhor e para o pior, dependem, e muito, do modo como o problema do Estado é tratado.
    Com tantas divergencias, mesmo de fundo, não admira que as nossas posições politicas sejam tão opostas. Pelo menos no contexto actual em Portugal.
    De resto, apesar de o Anti-praticos se considerar mais “liberal” do que eu, e no radicalismo de alguns principios aparentes até pode ser, a verdade é que o vejo muitas vezes partilhar criticas e argumentos de sectores da sociedade portuguesa que de liberal teem muito pouco ou nada. Enfim, paradoxos !…
    Mas não me vou alongar mais sobre estes e outros aspectos para tentar satisfazer minimamente o seu pedido …
    A continuação de um bom fim de semana.

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  44. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    6 Outubro, 2012 18:59

    “Não se trata de aumentar a intervenção do Estado em prejuízo da liberdade das pessoas. Trata-se de corrigir uma situação insustentável que resultou precisamente de um excesso de intervenção do Estado na economia.
    As pessoas devem decidir livremente dos seus gastos e consumos apenas na medida em que os seus rendimentos correspondem exactamente às contrapartidas pelas suas actividades, isto é, são determinados em mercados livres e não condicionados e entravados pela acção do Estado.
    Acontece que não tem sido esse o caso em Portugal. O despesismo e o intervencionismo estatais adulteraram e determinaram os mecanismos de mercado e criaram uma situação completamente artificial e desequilibrada.
    Em resultado desse excesso de Estado e de intervencionismo governamental, o país gastou demais, consumiu demais e consumiu mal, investiu demais onde não devia ter investido e investiu demenos onde devia ter investido. Agora é preciso fazer marcha atras, é preciso reduzir o consumo, é preciso que a dimensão e o tipo de consumo deixem de ser determinados pela acção de um Estado gastador e intervencionista, é preciso que o investimento seja feito nos sectores e actividades que as condições do país permitem. Ou seja, globalmente, é preciso repor as contas em ordem e é preciso reformar o modelo económico estatalo-intervencionista de maneira a redimensionar o Estado e a liberalizar a economia.”´
    .
    Não vale a pena inventar sinónimos e escudar-se através de explicações técnicas.A verdade é que o estado está a intervir, e essa não é a sua função .Dito assim, não cabe ao estado aumentar a intervenção nos consumos aumentando impostos, planificar o crescimento de uns sectores face a outros.
    Se o estado quer reduzir o défice e a divida, então que reduza drasticamente a sua despesa, liberalize, e crie condições para investimento, não passando como agora, por aumentar a taxação aos rendimentos.O estado que deixe os cidadãos viverem á sua vontade e criarem riqueza.
    .

    “sta primeira fase de intervenção de um governo liberal na economia pode à primeira vista parecer contrária aos princípios liberais. Nomeadamente quando tem de aumentar impostos para consolidar as contas públicas. Mas é uma ideia errada. A redução da carga fiscal é certamente um objectivo liberal de médio/longo prazo. Mas um aumento de impostos no curto prazo pode muito bem ser uma medida indispensável para que a economia comece um processo de ajustamento longo e complexo sem o qual nenhum programa liberal faz sentido e pode ter alguma possibilidade de sucesso.”
    Mas a verdade é que essa solução é completamente contrária ao liberalismo, sendo que a solução em que vc acredita, é utilizada sobretudo pelos partidos de esquerda.É o chamado socialismo para ricos, que quando algum banco ou instituição financeira entra em falência, são os contribuintes a resolverem esses problemas.Não vou já falar da opção pela receita fiscal no curto prazo porque já conhece a minha opinião.É diferente da sua e vice-versa.
    Não digo contudo que seja de esquerda, ou socialista, mas sendo voce um liberal, não descarta soluções mais á esquerda no curto prazo.É legitimo, mas não partilho dessa visão

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  45. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    6 Outubro, 2012 19:13

    Anti-praticos : “Desculpe-me mas continuo sem conseguir perceber que sentido faz aumentar impostos para cobrir os efeitos da recessão.Não entendo isso”
    .
    Muito rapidamente, porque ja me despedi…
    O Anti-praticos raciocina como se a recessão fosse uma consequencia dos recentes aumentos de impostos. Eu não vejo a situação da mesma maneira. A recessão tem causas estruturais que agem desde ha muito tempo. De resto, esta recessão, digamos “estrutural”, é que acabou por colocar completamente a nu a situação critica das nossas contas publicas. A recessão provocou uma progressiva queda nas nossas receitas fiscais. Não é apenas de agora, do governo de PPC, começou ja ha uns 4 anos, no seguimento da crise internacional, mesmo antes do inicio das politicas de austeridade e dos Pecs do governo socialista de José Socrates. Acontece que a recessão continuou e se agravou mesmo. Nestas condições, a unica maneira de evitar quedas ainda maiores das receitas fiscais foi aumentar as taxas de imposição (não foram criados novos impostos). Mas os primeiros aumentos não foram suficientes, muito simplesmente porque a recessão foi maior do que estava estimado, nomeadamente em termos de consumo e resultados das empresas. Foi por isso inevitavel aumentar ainda mais as taxas de imposição. É precisamente o que tem vindo a acontecer nos ultimos meses. Ou seja, não é o aumento de impostos que provoca a recessão, é a recessão que obriga a aumentar ainda mais os impostos para conter a queda nas receitas fiscais. Tudo isto para evitar que o déficit seja ainda maior do que ja é. Se, apesar de tudo isto, o actual governo tem vindo a conseguir reduzir o déficit orçamental, é porque tem conseguido compensar a queda nas receitas fiscais com ganhos ainda maiores através de cortes nas despesas e receitas extraordinarias das privatizações. A verdade é que tanto a Troika como os mercados (vejam-se as noticias mais recentes) até teem acreditado na possibilidade de sucesso da consolidação orçamental com a politica do actual governo. Até ver, os receios do Anti-praticos quanto à ineficacia da politica fiscal no combate ao déficit não são partilhados por estes observadores interessados, atentos e, espera-se, técnicamente competentes.

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  46. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    6 Outubro, 2012 19:18

    Anti-praticos : “Não digo contudo que seja de esquerda, ou socialista, mas sendo voce um liberal, não descarta soluções mais á esquerda no curto prazo.É legitimo, mas não partilho dessa visão”
    .
    Agradeço o seu reconhecimento de que não sou de esquerda. Reciprocamente, eu nunca pretendi que voce seja de esquerda.
    Mas repare que não basta ser contra os aumentos de impostos do actual governo para se ser liberal. Neste momento, muito curiosamente, ou talvez não, toda a gente à esquerda é contra o aumento de impostos. Neste aspecto, o Anti-praticos esta muito bem acompanhado !!…

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  47. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    6 Outubro, 2012 19:36

    “A minha linguagem não é “tecnica”. Pelos vistos, apenas não consigo é ser suficientemente claro, pelo menos para si. E é verdade que a sintese nunca foi o meu forte…
    Com efeito, apesar de cada um de nos se considerar “liberal”, as nossas analises e as nossas conclusões são muito diferentes.
    Isto também explica que andemos um pouco sempre à volta dos mesmos argumentos sem conseguirmos avançar grande coisa relativamente às nossas convergencias e divergencias.
    Efectivamente, não partilho em nada da sua visão, para mim muito formal e estruturalista, da separação entre o Estado e a sociedade. O Anti-praticos fala do Estado como se fosse uma entidade individual, independente dos cidadãos, com autonomia e vontade proprias. Para mim o Estado é precisamente uma organização de toda a sociedade e que diz respeito a todos os cidadãos. O problema não é o Estado de um lado e os individuos do outro. O problema é o Estado ser melhor ou pior governado pelas pessoas que os cidadãos escolhem para esse efeito. O problema do Estado é um problema de todos nos. E os nossos problemas pessoais, para o melhor e para o pior, dependem, e muito, do modo como o problema do Estado é tratado.”
    Ok, fernando , há pessoas que se exprimem com mais facilidade que outras, perfeitamente aceitável.
    Não falo do estado como uma entidade individual.Mas nós não temos a capacidade e prever o futuro, e o mau ou bem que os governantes fazem.E para mim, não é ético, pagar o justo pelo pecador.De qualquer forma, é um principio liberal, que o estado incomode o menos possivel os cidadãos, ou seja, o liberalismo é uma solução e não uma terra prometida

    “De resto, apesar de o Anti-praticos se considerar mais “liberal” do que eu, e no radicalismo de alguns principios aparentes até pode ser, a verdade é que o vejo muitas vezes partilhar criticas e argumentos de sectores da sociedade portuguesa que de liberal teem muito pouco ou nada. Enfim, paradoxos !…”
    .
    Não é bem assim.Eu apenas sou adepto de soluções diferentes ás dos ultimos 38 anos em portugal.O fernando apenas tem em conta o que a esquerda diz agora, e não o que ela pensa de facto.E posso-lhe garantir que naquilo que a esquerda pensa de facto, está muito mais próxima do governo , do que de mim. Deixe-me dar lhe um conselho: não dê muito crédito ao que a esquerda diz, porque posso-lhe garantir que no fundamental ela está de acordo com o governo.
    Não é por acaso que as criticas que a esquerda parlamentar e o ps, fazem são mais favoráveis ao governo, do que o cds mostra ser por exemplo.´
    Voce tem uma visão mais pragmática e menos politica.
    Um bom fim de semana igualmente

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  48. Anti-praticos's avatar
    Anti-praticos permalink
    6 Outubro, 2012 19:59

    “Nestas condições, a unica maneira de evitar quedas ainda maiores das receitas fiscais foi aumentar as taxas de imposição (não foram criados novos impostos). Mas os primeiros aumentos não foram suficientes, muito simplesmente porque a recessão foi maior do que estava estimado, nomeadamente em termos de consumo e resultados das empresas. Foi por isso inevitavel aumentar ainda mais as taxas de imposição. É precisamente o que tem vindo a acontecer nos ultimos meses. Ou seja, não é o aumento de impostos que provoca a recessão, é a recessão que obriga a aumentar ainda mais os impostos para conter a queda nas receitas fiscais. Tudo isto para evitar que o déficit seja ainda maior do que ja é. Se, apesar de tudo isto, o actual governo tem vindo a conseguir reduzir o déficit orçamental, é porque tem conseguido compensar a queda nas receitas fiscais com ganhos ainda maiores através de cortes nas despesas e receitas extraordinarias das privatizações. A verdade é que tanto a Troika como os mercados (vejam-se as noticias mais recentes) até teem acreditado na possibilidade de sucesso da consolidação orçamental com a politica do actual governo. Até ver, os receios do Anti-praticos quanto à ineficacia da politica fiscal no combate ao déficit não são partilhados por estes observadores interessados, atentos e, espera-se, técnicamente competentes.´”
    .
    Eu não disse que havia outras causas, mas a fiscalidade é uma delas,porque os anteriores governos recorreram a essa solução
    Mesmo que eu não acreditasse que a fiscalidade não causasse recessão, o que eu não percebo e não concordo, é com a sua teoria de que um aumento de impostos, compense uma queda de receitas devido á recessão passada.
    Claro que a recessão causa perda de receitas.Mas temos de perceber que produto x, tem um numero x de clientes.Se aumentar o iva desse produto, o produto perde clientes, logo menos receitas o estado receberá.Quantos aos impostos directos,se subir o irc ou outros impostos,mais pessoas mudarão a sede fiscal para outro pais, logo menos contribuintes.
    Resumindo: o aumento de impostos, faz cair mais receita, do que o resto da recessão faz cair.
    Pois, eu baseio-me nos resultados que foram apurados pela UTAO e INE. Eu só conheço o que esses observadores dizem em público, não o que dizem em privado.E consta-me que quase chumbámos na ultima avaliação da troika. Não sei a quem já lhe disse, mas a crença dos mercados, nem sempre corresponde aos resultados concretos.
    .
    “Neste momento, muito curiosamente, ou talvez não, toda a gente à esquerda é contra o aumento de impostos. Neste aspecto, o Anti-praticos esta muito bem acompanhado !”
    .
    Aho que já lhe expliquei este ponto, mas volto a explicar mais uma vez: A esquerda está a ser demagógica e a mentir, e não dá alternativas.Quando se mente é porque se está a favor da politica contrária(o governo9.Isto significa que a esquerda , em especial, o ps, partilha da politica económica do governo.
    Logo , eu não posso estar acompanhado!

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  49. pedro paulo's avatar
    15 Outubro, 2012 02:22

    Fernando S. : Gostei muito dos seus textos. Tomei a liberdade de cop+iar um para o meu perfil do facebook. Aacima tem o link para o meu perfil facebook. Publiquei um dos seus comentários atribuindo-lhe a autoria a si, é claro. Também coloquei link para o texto original. Obrigado.

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  50. JCA's avatar
    JCA permalink
    15 Outubro, 2012 02:32

    .
    Hoje Domingo quem sem odios segue a coisa, tivémos duas cartadas de 2 ‘sacerdotes’ dos que metem os ‘governozitos’ no bolso, quiçá mesmo PR’s se necessário for. E não são só xuxas, na rapaziada posta em Governo (carne para canhão) que las hay las hay. Cada cavadela cada minhoca.
    .
    ‘Tecnicamente’ girissimo de seguir, sem perder de vista a DESTRUIÇÃO
    .

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  51. pedro paulo's avatar
    15 Outubro, 2012 02:33

    PS : Desculpe. O link que coloquei acima , para o meu perfil no facebook ,está incorrecto.
    O link correcto é este.
    Obrigado.

    http://www.facebook.com/profile.php?id=100001349049975

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  52. JCA's avatar
    JCA permalink
    15 Outubro, 2012 02:35

    .
    Não cito nomes porque teria dos citar todos. E não posso porque alguns andaram a saltar por cima dos muros a fugirem dos ‘noveas’ e da ‘bofia’. Já lá vão tantos anos e como eramos tão jovens, E solidariedade é, mesmo depois de velhos que abominámos enquanto jovens os velhos da altura, A roda.
    .

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  53. JCA's avatar
    JCA permalink
    15 Outubro, 2012 02:37

    .
    saiu ‘noveas’ mas eram os ‘niveas’ da bofia (PSP)
    ,~

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  54. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    15 Outubro, 2012 16:29

    pedro paulo,
    Obrigado pela atenção.
    É bom ver que ha outros comentadores com quem partilhamos o mesmo tipo de perspectiva sobre a situação economica e politica actual.
    O que pode surpreender é que haja tanta gente, de resto inteligente e bem informada, que não percebe as verdadeiras causas da situação dificil em que se encontra o nosso pais e da inevitabilidade da austeridade para tentar sair dela.
    Ninguém gosta de perder poder de compra mas a verdade é que o pais tem de corrigir o caminho com demasiadas facilidades que seguiu até ha bem pouco tempo.
    Espero bem que, para além do mal-estar e descontentamento imediato provocado por medidas que são necessariamente duras e impopulares, a maioria dos portugueses compreenda e aceite, mais ou menos racionalmente ou mais ou menos intuitivamente, que não ha soluções de facilidade ou milagrosas e que qualquer impasse ou retrocesso na austeridade apenas faria perder tempo e aumentaria ainda mais os sacrificios a fazer no futuro.
    Saudações.

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