O país das televisões está sempre à beira de um ataque de nervos
Hoje, no Público, sobre como tudo em Portugal parece ser julgado em função da excitação que causa e dos microfones que atrai:
Esta semana fui contactado por um órgão de informação para comentar umas declarações do Presidente da República. Pedi uns minutos para as ir ler. Pareceu-me então que os títulos podiam induzir em erro, mas quando expliquei que estava a ser feita uma leitura errada das palavras de Cavaco Silva, percebi que estava a desapontar o meu interlocutor. Afinal, eu não estava a sublinhar a “narrativa” dominante, não estava a seguir o guião-padrão do comentador.
Este episódio não vale nada – só que é revelador. Quem segue com atenção o fluxo das notícias percebe como boa parte do que chega aos noticiários televisivos e radiofónicos são excitações sucessivas alimentadas por uma cacofonia de vozes que repete mais ou menos o mesmo, seja qual for o órgão de informação. Nos noticiários televisivos chega a ser aflitivo. O país parece feito de pessoas apanhadas a sair ou a entrar para uma sala a quem se arrancam umas declarações que raramente ultrapassam a dimensão do sound-byte. A seguir, os comentadores encarregam-se de esmiuçar essas declarações e, no dia seguinte, muda-se de tema. É frequentíssimo ouvirmos declarações e até assistirmos a debates onde se assume que, por exemplo, não se conhece ou não se leu o que está a ser discutido. E isso é feito sem que ninguém pareça incomodado.
O que resulta deste ambiente comunicacional é um país permanentemente à beira de um ataque de nervos, um espaço público onde as matilhas saltam de assunto em assunto e de preconceito em preconceito, e uma cidadania constantemente menorizada. Nenhum assunto sério resiste a este tipo de tratamento. Nenhum debate, por mais importante e necessário que seja, sobrevive ao choque indignado de meia dúzia de ideias feitas.
Um bom exemplo deste estado de coisas foi o do debate – se é que chegou a haver debate – sobre o parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida sobre racionamento na área da saúde. E digo bem quando digo racionamento, e não pudicamente “racionalização”, pois o que está em causa, em Portugal como em todo o mundo desenvolvido, é um debate sobre racionamento. O facto de termos consumido boa parte do tempo a considerar que tinha sido apenas uma escolha errada de palavras diz muito sobre o preconceito vigente e sobre a nossa endémica incapacidade de encararmos um tema importante para o nosso futuro. Ou seja, ao mesmo tempo que as mais emproadas figuras aconselham, com ar severo e superior, o Governo a “repensar as funções do Estado”, uma turbamulta alimentada pelo populismo e pela ignorância impedia que se começasse sequer a pensar até onde pode o Estado ir na garantia de cuidados de saúde. Às vezes com as mesmas figuras emproadas à frente.
Este debate não é recente nem é português. Há muito tempo – pelos menos duas décadas – que se começou a perceber que o sucesso da ciência médica trazia com ele um dilema: como suportar os custos crescentes? O principal factor que contribuiu para o aumento desses custos é o próprio desenvolvimento da ciência. Há medicamentos cada vez mais caros – um dos fármacos mais sofisticados de tratamento do cancro requer mais de 400 mil euros/ano por doente -, há terapias cada vez mais dispendiosas e estão sempre a aparecer novos meios complementares de diagnóstico. Para além disso, a população está a ficar mais idosa.
Não era preciso vivermos em situação de crise para o problema da evolução dos custos com saúde se colocar. A não ser que pensemos que os recursos são ilimitados – ilimitados para a saúde, ilimitados para a educação, ilimitados para as prestações sociais -, haverá sempre que debater a forma de conter uma escalada que a economia portuguesa, mesmo pujante, nunca conseguirá comportar. Isso mesmo começaram a fazer outros países, alguns deles bem mais ricos do que Portugal, e já há vários anos.
Julgo que não haverá um só médico que não conheça este problema e que não saiba que há um debate por fazer. Mas poucos têm tido coragem de o assumir. Um dos poucos que o fizeram foi, há uns meses, Manuel Sobrinho Simões num debate na SIC Notícias. Foi ele que aí usou a palavra racionamento pela primeira vez, para horror da jornalista que moderava a emissão. O debate, no entanto, nem chegou a começar, pois as atenções foram logo desviadas para uma frase sobre hemodiálise de uma das outras pessoas presentes, Manuela Ferreira Leite. O foguetório durou algumas horas e foi depois devidamente enterrado pela cultura jornalística dominante.
Fiquei, contudo, alerta para o problema e, como responsável de uma revista que tem como objecto a promoção do debate de ideias, a XXI, Ter Opinião, anuário da Fundação Francisco Manuel dos Santos, pedi a um especialista, Pedro Pita Barros, um artigo sobre o tema. Esse texto – “Racionamento em Saúde: inevitável realidade?” – sairá na edição que chegará às bancas no final deste mês, mas entretanto já está disponível no portal da fundação, precisamente para ajudar a fundamentar o debate público. Recomendo a sua leitura, pois é uma peça bem fundamentada que enquadra os problemas éticos no constrangimento económico e fornece uma perspectiva sobre o ponto do debate, e das medidas já tomadas, noutros países.
Os dilemas éticos são, naturalmente, tremendos. Por exemplo, “deverá ser valorizado o acréscimo na longevidade, independentemente da qualidade de vida, ou deverá o objectivo ser maximizar os anos de vida com qualidade?” Outro exemplo: se se quiser “maximizar o bem-estar social”, será que “na escolha de distribuição dos recursos por grupos de idades diferentes se deve atribuir prioridade às populações mais jovens, uma vez que, em média, o benefício de receber tratamento é maior (maior longevidade obtida)”?
O contributo para este debate do parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida é indiscutivelmente importante, mesmo permanecendo muitas questões em aberto. Mais: esse parecer, ao falar de racionamento, não está a falar de racionalização, isto é, não está a falar de evitar o desperdício ou utilizar melhor os recursos disponíveis, está a estabelecer critérios para a utilização de recursos escassos. Como o conselho escreveu, podemos optar por manter a situação actual – em que já existe um racionamento implícito em muitos serviços, sem critérios transparentes e conhecidos – ou preferir encarar o problema e tentar estabelecer um consenso social sobre o que é tolerável e mesmo necessário, e aquilo que não queremos deixar de pagar em cuidados de saúde, mesmo que isso implique gastar menos noutras áreas.
Quando o parecer foi conhecido, o espaço público encheu-se de condenações sumárias, desde as de um António Arnaut que admitiu nem o ter lido, até às de um bastonário que quer desencadear uma fronda contra os médicos que o subscreveram. No meio da vozearia quase nada se ouviu de sensato – talvez mesmo a única notícia ponderada e informada que eu tenha lido em toda a imprensa portuguesa tenha sido a que saiu neste jornal e, depois, uma entrevista a um especialista no Expresso. A tendência para retratar um país sempre à beira de um ataque de nervos onde legiões de indignados se aprestam a rasgar as vestes em defesa nem se sabe bem de quê sobrepôs-se a tudo o resto.
O essencial, neste como em tantos outros debates públicos, perdeu-se. E o essencial, como escreve Pedro Pita Barros, é que “o que está hoje para discussão não é se há ou não racionamento, mas sim a forma como é determinado e quem decide sobre os seus aspectos fundamentais” Ou seja, que “a sociedade necessita de clarificar os seus valores, para que os profissionais da área da saúde se possam guiar por eles”.
Em Portugal, todos gostam de dizer que não são culpados. Gostaria agora de saber quem é que não tem culpa de ter torpedeado este debate importante. Ou de transformar em discussões maniqueístas muitos outros debates cruciais para o nosso futuro. É que é bom não esquecer como em Portugal também não se quis discutir decentemente, anos a fio, temas como a dívida ou as auto-estradas. Entre outros.

Já agora por televisão…
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Patriarca diz que democracia na rua corrompe a democracia
O patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, diz que a Igreja Católica deve “aceitar a diferença” e que a situação actual do governo “a partir da rua” resulta na “corrupção da harmonia democrática”.
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se Jesus descesse à terra dava-te a “harmonia democrática” !
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comentar declarações de um presidente da república?
mas é à escolha ou dão um presidente já pré-definido?
é que numa república mais tetrapak que o bicéfalo bloki
acho que comentar o quadricéfalo presidente da república
é um caso de loucura extrema
espere pelo próximo que dessa vez
já o número de presidentes do conselho que fazem declarações nos jornaes e outros canaes
devem ser menos do que de mais
tetracefalias não dão geralmente pentacampeonatos de comentários
mas vivemos num tempo de milagres
como de resto todos os tempos são…
ser jmf1957 não dá direito a reforma de comentários?
caso raro e nunca visto
visto o quê se o rey vai nu
Viva Soares III e Cavaco II
já Sampayo II dá azia
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Para além da propaganda a uma publicação de um grupo empresarial (não cito o nome) continuam algumas das cabeças pensantes a querer misturar racionamento com racionalização.
Na verdade, existem fármacos muio caros para tratamento de patologias concretas (oncológicas e outras) cuja análise custo/benefício é duvidosa ou, para usar a terminologia actual, que não resitem à triagem que a medicina da evidência exige. Portanto, o problema deve ser colocado a montante e não a jusante, i. e., no estabelecimento prestador de cuidados.
Especificando: muitas das novas moléculas terapêuticas conseguem – para toda a UE – uma AIM /Autorização de Introdução no Mercado (cá estão outra vez os mercados) através da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), ‘despite’ (a sede da EMA é em Londres) a inexistência de efectividade (eficácia, segurança e qualidade) que é previamente definida por ensaios clinicos randomizados. Se a análise prévia não é conclusiva ou pouco segura porque razão aparecem estes novos fármacos no mercado criando problemas de toda a natureza (económicos, assistenciais e éticos) a jusante (administrações e direcções clínicas hospitalares)?
Apesar da aparente independência dos membros que integram o Conselho de Administração da EMA e dos seus cerca de 500 colaboradores, existirão conflitos de interesses ‘ocultos’ a influenciar a avaliação e a supervisão de ‘novos’ medicamentos no mercado?
É que no terreno ético – pelo menos em Países com serviços de saúde de cobertura universal – os medicamentos depois de introduzidos no mercado e de acordo com ‘guidelines’ construídas sob critérios científicos, deve ser garantido o seu acesso (universal) regido, como é óbvio, por (rígidos) princípios de equidade. De facto, para chegarem ao mercado – estes medicamentos – já deveriam de ter ultrapassado uma rigorosa análise custo/efectividade.
E as questões têm ser colocadas aí, i. e., no lugar certo. Quando se tenta emendar a mão à posteriori damos sempre azo a mal entendidos, a confusões. Foi o que sucedeu com o parecer da Comissão de Ética.
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eanito el “estatico” ainda é o presidente desta ré pudica que commenta melhor a ré púbica
o azar é que sempre foi um gajo de poucas falas
já os restantes falam demais quando não devem
e de menos quando deviam
cá por mim acho bem que voltemos aos governos de iniciativa do commentador ou comendador de momento
agente quer é o con domínio bem gerido
se puserem os elevadores da dívida a funcionar
e uma porteira para limpar as merdas que fazem e que comentam
agente paga tude e mais além
de qualquer modo estamos habituados
é tradição
e se chegarmos unos a 2043 fazemos um euro 2043 ou um escudo 2043
duvido que façamos um Real 2043
mas é Irreal dizer que nã…Ipodpod
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já agora porque é que os comentadores randomizados
não são promovidos a alea tórios
é verdade que o romano não dá bom grego
mas anglo-saxão é alemão não…
porque é que estas revistas XXI nã se chamam XXII
porque é que as afundações ainda promovem o omeprazol para curar as ulcerações da mucosa induzidas pelo excessivo con sumo de nimed’s para pôre o gado calmo?
porque é que o dispensário medicamentoso dá vida ou dava a dezenas de milhares de empregos
porqué que o sounde byte
não anda normalizado como sound bite nesse tal comentador de pré-residentes
Sounds and bites for you dear Kommentador
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A ignorância e a incapacidade do pessoalzinho da cu-municação é devastadora.
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um “diario da manhã” e uma tv a preto e branco era capaz de ajudar à consolidação orçamental.
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Muito estranha a forma como hoje se vê a medicina. Ben Goldacre, médico por Oxford/investigador/colunista no Guardian, no livro Ciência de Treta, lembra que “…repentinamente, entre 1935 e 1975, a ciência fez brotar um manancial de milagres.” Até à atualidadade, a medicina foi capaz de dar resposta à quase totalidade dos doentes; no século XXI, segundo milénio, diz-se que daqui para a frente parte dos seres humanos terá bons cuidados médicos, a maioria dos cães também, mas boa parte dos seres humanos não! Poderia dizer-se quea verdade é que há muitos anos há a diálise, transplantes e meios de diagnóstico avançados e para toda a gente. Estou em crer que bastaria acabar com os abusos para que toda a gente pudesse ter eternamente acesso a boa medicina.
O que se está a vender é o mais puro e ignóbil liberalismo. Ir-se-á gastar muito mais em medicina (nos EUA é o dobro da Europa), mas só para alguns.
É certo que a generalidade das pessoas endoideceu e é capaz de exigir que o bisavô com 120 anos esteja ligado a uma máquina, apesar de morto. As coisas que às vezes ouço, até de amigos, arrepiam-me por irem nesse sentido. Por isso, acabe-se lá com essa maluqueira e deixem-se de elitismos parasitários.
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Qual a surpresa? Um caneiro, mesmo se , e sobretudo se , televisivo , escorre sempre o mesmo conteúdo…
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Um comentário bem oportuno, com uma falha:
Não dá relevo à classe aristocrática dos entrevistadores de personalidades, que cumprem a elevada função de maximizar a cacofonia, ainda que o entrevistado possa ter uma opinião dissonante!
A fantástica Judite e um rapazinho algo excitado que agora aparece na SIC são exemplos confrangedores,
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Quanto menos tv nacional vir mais saudável fica. Vá dar um passeio antes de dormir, se puder, ouça uma musiquinha calma que lhe recorde bons momentos, reveja o que fez e podia ter feito melhor durante o dia. É melhor.
Lembre-se que quanto menos tv vê menos se irrita com aquelas pildéricas, menos audiências, menos anúncios.
Faça com que elas voltem a casa de onde nunca deveriam ter saído a não ser para trabalhar no duro e não para ganharem para cima de 10000 euros por mês.
Grande parte das vezes eles estão a soldo de tipos que você conhece mal. mas que estão prontos a esfolá-lo se puderem.
“Manuel Luís Goucha é o apresentador de televisão mais bem pago em Portugal. Segundo adianta hoje a revista “TV Mais”, o conhecido apresentador de “Você na TV” ganha cerca de 40 mil euros na TVI.
A antiga apresentadora da SIC, Fátima Lopes, que se mudou recentemente para a TVI, surge em segundo lugar com um salário na ordem dos 35 mil euros.
Seguem-se Júlia Pinheiro, Catarina Furtado ( a apresentadora mais bem paga da RTP), Cristina Ferreira, a parceira de Luís Goucha em “Você na TV” e Cláudia Vieira, com salários de 25 mil euros, o apresentador de “O Preço Certo”, Fernando Mendes, com 21 mil euros, José Carlos Malato, Jorge Gabriel e Diana Chaves com 20 mil euros mensais e João Manzarra, com 10 mil euros, adianta a mesma publicação.
Os mais bem pagos
40 mil euros Manuel Luís Goucha
35 mil euros Fátima Lopes, Judite de Sousa
25 mil euros Júlia Pinheiro Catarina Furtado Cristina Ferreira Cláudia Vieira, Ana Lourenço”
Não acham que passaríamos bem sem elas?
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Em relação ao seu tema primordial, a comunicação social, tenho de concordar em pleno consigo. Não consigo ver as notícias na televisão sem pensar “não foi aquilo que ele disse” ou “estão a passar ao lado da mensagem” ou mesmo “estão a gozá-lo para alterar as opiniões”. Todas estas frases já devem ter sido ditas e pensadas por muitos de nós. O problema, é que como quarto poder, a comunicação social aproveita-se da falta de literacia de grande parte da população portuguesa (atenção, falo de iliteracia e não de analfabetismo).
Em relação à saúde, sou a favor do Sistema de Saúde Público (como já disse neste blog), no entanto, acredito que o SNS deve ter critérios práticos para apoiar os doentes. Em primeiro lugar, no caso de doenças de fácil prevenção deve fazer-se esse gesto ao máximo, para evitar custos elevados (ou não) de tratamentos. Em segundo lugar, deve-se pedir aos cidadãos que usem o SNS por algo relativamente grave (e não apenas por coisas esporádicas que se resolviam facilmente com um telefonema para a Saúde24), desse modo, poupava-se muitos hospitais a casos de gripes de crianças que os pais vão ao médico entupir os serviços de atendimento a quem deles precisa. Em terceiro lugar, deve-se usar mais eficazmente todos os recursos que os hospitais têm, economizar em coisas dispensáveis como despesas energéticas (colocando, por exemplo, lâmpadas LED nos hospitais), pode-se cobrar um estacionamento um pouco mais caro em casos de curta duração, de modo a incentivar as pessoas a usar menos o hospital (e a angariar mais dinheiro). Em último lugar, quando temos um doente que sabemos que vai morrer, não o devemos tentar curar, devemos apenas dar-lhe um melhor fim de vida (é claro que não estou a falar de doentes com SIDA, isso pode ser mantido com todos aqueles medicamentos, nem estou a falar de doentes com cancro, que existem bastantes tratamentos passíveis de aplicar).
Noutro ponto da questão, os custos dos medicamentos. Será que é lícito as farmaceuticas serem das empresas mais lucrativas do mundo? Se o Estado se encarrega de tratar os doentes, não deveria estar a cargo dos Estados o desenvolvimento dos medicamentos (nacionalizando assim o processo da saúde). Se a União Europeia tratasse de uma nacionalização das farmaceuticas, fazendo com que elas não tivessem de dar lucro, mas apenas de fazer medicamentos, muito provavelmente os medicamentos usados nos hospitais seriam bem mais baratos e diminuiria as despesas dos Estados europeus com a medicação dos pacientes. Enquanto não fizermos isso, sempre podemos usar os genéricos ao máximo nos hospitais para tratar os doentes.
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…“Se a União Europeia tratasse de uma nacionalização das farmaceuticas, fazendo com que elas não tivessem de dar lucro, mas apenas de fazer medicamentos, muito provavelmente os medicamentos usados nos hospitais seriam bem mais baratos e diminuiria as despesas dos Estados europeus com a medicação dos pacientes.”…
Nacionalizar na UE? Só se for – temporariamente – bancos!
E encaixava a Saúde na sacrossanta ‘economia social de mercado’?
Ou andamos para aqui a defender valores sobre a vida, o bem-estar, quando o desenvolvimento tecnológico e as politicas financeiras transformaram a saúde numa mercadoria?
O problema ético começa aí.
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Mais uma vez os comentários mostram a ignorância esquerdista e populismo abjecto. Estou a falar de JDGF e Fincapé ou To Zé por exemplo, este último julga que o lucro torna as coisas mais caras…
Diga-se aliás que o autor do texto também erra ao falar de racionamento agora. O racionamento sempre existiu e é sempre maior quanto mais pobre o país.
O facto de só termos uma ou duas cidades com uma boa parte das valências é racionamento.
Quando um médico manda um doente fazer análises só faz as mais prováveis. Não todas com alguma probabilidade. Racionamento.
Quando se passa para os paliativos na oncologia são sinal racionamento porque não se justifica luta mais contra o cancro. E a razão é custos em muitos casos. Racionamento.
Listas de espera são Racionamento.
Esperar implica que a doença pode piorar. E em muitos casos implica a morte bastante mais cedo.
Racionamento existe em todo o Mundo.
Não ter o melhor médico, o melhor medicamento , os melhores enfermeiros , as melhores e mais completas análises é racionamento. E sempre existiu e sempre implicou mortes tal como qualquer obra de engenharia que é um compromisso entre custos e segurança.
Quem está dentro da gestão médica sabe tudo. Mas ninguém pode ser honesto sem sofrer um linchamento porque o discurso da esquerda populista domina e aqueles na esquerda que sabem a verdade mentem. Descaradamente como sempre fez desde 1917.
Ler o que diz um ex.membro da administração Obama no NYT
“The big money in Medicare is not to be found in Mr. Ryan’s competition or Mr. Obama’s innovation, but in reducing the cost of treating people in the last year of life, which consumes more than a quarter of the program’s budget.
No one wants to lose an aging parent. And with price out of the equation, it’s natural for patients and their families to try every treatment, regardless of expense or efficacy. But that imposes an enormous societal cost that few other nations have been willing to bear. Many countries whose health care systems are regularly extolled — including Canada, Australia and New Zealand — have systems for rationing care.
Take Britain, which provides universal coverage with spending at proportionately almost half of American levels. Its National Institute for Health and Clinical Excellence uses a complex quality-adjusted life year system to put an explicit value (up to about $48,000 per year) on a treatment’s ability to extend life.
At the least, the Independent Payment Advisory Board should be allowed to offer changes in services and costs. We may shrink from such stomach-wrenching choices, but they are inescapable.”
Além disso esta conversa de indignados sociais de esquerda e direita mete nojo quando os mesmos apoiam o Aborto pago no SNS. Aí já não se preocupam com os recursos tirados, os médicos não disponíveis etc etc..
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“Ou andamos para aqui a defender valores sobre a vida, o bem-estar, quando o desenvolvimento tecnológico e as politicas financeiras transformaram a saúde numa mercadoria?
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Seriam excelentes notícias se fosse verdade. Queria dizer que acabaria a nobreza da saúde e os preços viriam por aí abaixo.
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gosto do Blasfémias também por isto…
post e dezenas de comentários, dos mais variados, chega um cromo e diz ” são todos uns ignorantes – à esquerda, à direita, ao centro – e eu é que percebo disto”!
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É pena não referir ou linkar as declarações do PR que lhe pediram para comentar e cuja interpretação divergiu de outros.
Acho isso perfeitamente normal, até porque o atual PR é useiro em declarações ambíguas, que por isso mesmo se prestam a diversas interpretações.
E ainda não lhe pediram uma interpretação da Bíblia?
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A credibilidade do jornalisno anda ao nível da classe política dirigente, ou seja, pelas ruas da amargura. Os telejornais transformaram-se em telenovelas mexicanas que exploram “indecentemente” a miséria e a indigência que vai infelizmente alastrando no país. Se formos seres muito sensíveis, dificilmente conseguimos acabar de ver um qualquer telejornal, sem chorar. É a telenovelização das realidade. Onde está o rigor informativo nisto? Quem souber que avise.
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DESENGANO AOS VICIOSOS
TU, que em torpes desejos atolados, vergonhosos prostíbulos frequentas; Tu, que os olhos famintos alimentas
No cofre, de tesoiros atulhados. – Tu, que os olhos famintos alimentas No cofre, de tesoiros atulhados.
Tu, que do oiro e da púrpura adornado , Quási de igual a Jupiter ostentas, Bebendo as frases vis e peçonhenta De bando adulador, que tens ao lado:
Monstros, que desonrais a humanidade, Desprezando a pobreza atribulada, E transgredindo a lei da caridade
O desengano ouvi, que assim vos brada: _ “Tremei da pavorosa Eternidade,
Tremei, filhos do pó, filhos do nada!”
BOCAGE, impressionado com o arrojo da pergunta, lembrando-se ainda do caso das escutas de Belém
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lucklucky,
Quase me esquecia de lhe agradecer. Obrigado pelas correções que fez ao meu comentário acima. Vou analisá-las uma a uma, com o devido cuidado porque são muitas, e reformular a minha opinião.
Para melhor memorizar, vou repô-las aqui todas entre aspas:
“Mais uma vez os comentários mostram a ignorância esquerdista e populismo abjecto. Estou a falar de JDGF e Fincapé ou To Zé por exemplo, este último julga que o lucro torna as coisas mais caras…
Diga-se aliás que o autor do texto…”
A última frase já é sobre o autor do texto, pelo que essa não lhe agradeço. Pelas outras, renovo os meus eternos agradecimentos.
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É só para quem é populista e procura enganar os outros com contos de fadas fazendo crer que não há racionamento na saúde desde sempre.
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Caro lucklucky, eu não disse que não havia racionamento desde sempre, disse que momentos piores exigem medidas mais drásticas. Em relação ao lucro, sim, o lucro torna os produtos mais caros. Se eu quiser ter uma margem de lucro num produto tenho de cobrar mais por ele, mesmo que apenas um ou dois cêntimos. Se tivermos em conta o número de medicamentos que um Estado compra, um ou dois cêntimos podem fazer uma diferença de viabilidade em muitos Estados como o nosso.
Já agora, uma forma de poupar dinheiro na saúde era diminuir a zero o número de fraudes, fazendo uma justiça de aplicação fácil e rápida, criando leis que obrigassem os profissionais que retiram dinheiro do SNS a repor tudo, mais 50% de juros. Depois cria ver quantos é que continuavam a arriscar. Isto sim, é populismo, mas não significa que não diminua as fraudes por medo.
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“É só para quem é populista e procura enganar os outros…”
Ai era só para isto? 😉
Então, digo-lhe que não me considero nada populista. Felizmente, conheço médicos, a quem recorro, que receitam e aconselham medicamentos e exames diagnósticos muito, mas mesmo muito, abaixo da média.
Aquele que mais frequento chega a cortar para metade a dúzia, e às vezes mais, de medicamentos que alguns idosos tomam.
Conheço de muito próximo (até de família) pessoas idosas que ficam tristes por não não lhe receitarem medicamentos (por não necessitarem, obviamente).
É a mentalidade consumista. E é essa que deverá ser educada e até combatida. E não só nos medicamentos e meios diagnósticos, mas em tudo na vida.
Mas vá dizendo coisas. Eu até me divirto. 😉
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Ó Zé, e aquela narrativa das escutas?
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Isso é que foi um romance, hein?
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