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Veja (e note) as diferenças

28 Abril, 2013
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Sexta-feira a RTP emitiu uma pequena reportagem sobe uma fotografia do meu amigo Alfredo Cunha tirada há 28 anos, numa altura em que o FMI também estava em Portugal.

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A reportagem tenta passar a ideia de que entre o que se passava (e como se vivia) nessa altura e o que se passa hoje não há quaisquer diferenças. A fotografia é, no entanto, elucidativa. O que aquela mãe recorda, também. Hoje os dias são difíceis – mas mesmo nestes dias difíceis nada é realmente comparável ao que era Portugal nesses dias, nesses anos. Basta olhar com atenção para a fotografia, e para o seu dramatismo quase bíblico. Pena é que memória seja curta e a vontade de tornar tudo ainda mais negro muito grande. Pena é, também, que quem então pensava que “Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”, hoje entenda que “nunca houve tanta pobreza, tanta miséria e tanto desespero por parte da população”. Nunca? Nunca digas nunca…

32 comentários leave one →
  1. YHWH's avatar
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    28 Abril, 2013 14:38

    O JMF anda a salto?!…

    Aproxime-se das filas da Cáritas & similares, e assimile alguns dos espectáculos «bíblicos» que por lá se passam…

    Talvez a sua análise esteja capturada pelo enfoque na questão do B&W fotográfico e/ou do vestuário demodée…

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  2. Pffff !'s avatar
    Pffff ! permalink
    28 Abril, 2013 14:44

    É só deixar o Gaspar (com a ajuda de Boliqueime), governar esta merdaleja mais 2 anitos e vamos ter todos…mas todos, o mesmo aspecto !
    Bem, o Catroga, o Mira Amaral, o Oliveira…etc… esses não!

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  3. Piscoiso's avatar
    28 Abril, 2013 15:00

    O que se nota na foto (1985), é que ninguém está a falar ao telemóvel e está tudo com ar chateado por ainda não haver acesso fácil à net.

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  4. Esmeralda's avatar
    Esmeralda permalink
    28 Abril, 2013 15:00

    Indigno-me aqui, como me tenho indignado há décadas. Realmente é admirável como as pessoas reagem. Já nem sei se é memória curta. Tenho-me sentido filha de um 26 de Abril que, ainda hoje, urge cumprir. E não tem donos o 25 de Abril, como muitos continuam a achar. Mais do que “o dia inicial inteiro e limpo” do poema de Sophia de Mello Breyner, importam sobretudo ao Portugal de hoje os muitos dias fragmentados e sujos que vieram a seguir, num rodopio de ambições ditatoriais. Fui professora e enquanto aluna e enquanto professora, tive turmas de 42/45 alunos. Na primária, eram 4 classes. E havia meninos descalços. Os livros partilhavam-se, as roupas andavam de umas famílias para outras, não havia leite ou refeições nas escolas. Havia pessoas muito necessitadas, caladas, sobreviventes. Uma coisa não me lembro de ver nunca: DESPERDÍCIO.

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  5. BorNot2B's avatar
    28 Abril, 2013 15:58

    JMF em hipocrisia delirante, cruel e cínica em campanha de “branqueamento” da miséria criada pelo Passos Coelho. Não sabe do que está a falar. Avalia e tem a audácia de comparar as “crises” através de fotografias. Porque é que não sai à “rua” para ver pelos próprios olhos?
    Anos atrás gostava de ler a sua escrita. Agora, apenas posso deduzir que os anos lhe deformaram a lucidez e que uma qualquer “sombra negra” lhe atrofiou a humanidade…

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  6. A. R's avatar
    A. R permalink
    28 Abril, 2013 16:17

    Não há miséria, nem fome, nem desespero: isso foi no tempo do gonçalvismo onde até a cólera espalharam pelo país. Olhem para o congresso do PS: notaram alguma pobreza, falta de bons fatos, bons penteados, propaganda, etc? Eles estão ricos a esquerda está rica e soma e segue.

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  7. gonçalo's avatar
    28 Abril, 2013 16:39

    Seguro garantiu 12,5 mil milhões. Nada que não tenha aprendido com um qualquer candidato a presidente do Sporting…
    É a volta da cigarra. Só que, desta vez, a formiga nada tem amealhado, para a nova cigarra. Ainda não recuperou da cigarra anterior…

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  8. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    28 Abril, 2013 16:52

    “Pena é que memória seja curta…”
    Pois é. A memória é curta. Soares tinha recebido um Estado falido e a necessitar do FMI, depois de vários governos AD. Recebeu-o em 1983. E o FMI veio logo a seguir. Até há quem diga que Soares chegou ao governo em Junho, provocou uma falência ainda antes, talvez entre 1980 e 1983, portanto antes de lá chegar, e depois chamou o FMI que, aliás, já estava chamado antes.
    ——-
    Esta extraordinária foto foi capa da Stern, se bem me lembro, e foi recentemente alvo de uma belíssima reportagem da RTP (por favor, não acabem com a RTP) é um hino à garndeza humana, por um lado, e à estupidez extrema e à desgraçada política de gente sem alma. Não digo sem alma religiosa. Digo a outra alma. Foi extremamente comovente. Gostaria de lembrar que o GRANDE HOMEM que tirou a foto deu na altura 20 escudos à senhora, que mesmo cheia de fome, se admirou e a levou a tentar dizer que era excessivo. Ele deu na mesma.
    Acrescento ainda que os dois filhos estiveram com ela na reportagem (estiveram todos os intervenientes da época), os dois desempregados, sem receber subsídio, pelo menos ele (não me lembro bem). Foi comovente e provou que quem nasce mal neste país terá de viver com esse estigma. Quiseram comprar-lhe os filhos, mas ela manteve-os sempre, até hoje.
    Caro JMF, tem sem dúvida um grande amigo, Alfredo Cunha. Se eu o conhecesse pessoalmente dar-lhe-ia um grande abraço. Assim, tenho de o deixar aqui.
    PS: a reportagem foi na sexta a seguir ao telejornal e estará, certamente, disponível no site da RTP, ou no MEO ou Zon.

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    • fado alexandrino's avatar
      28 Abril, 2013 22:21

      Porque é que não clica nos links, onde está isso tudo explicado.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        28 Abril, 2013 23:12

        Meu caro, não fui ler agora. Vi a reportagem e tentei descrevê-la para quem não viu.
        Nem vi link nenhum. Já que leu em vários links, fui fiel ao essencial? Paciência. Olh

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      • fado alexandrino's avatar
        28 Abril, 2013 23:27

        Parece que não se pode responder em cascata, por isso adianto aqui ; os links estão no post em vermelho, como de costume, aliás.

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      • Fincapé's avatar
        Fincapé permalink
        28 Abril, 2013 23:46

        Ah, sim! Tem razão. Os do post vi-os a vermelho, mas não fui ver os conteúdos. Como tinha visto a reportagem, que me tinha tocado, descrevi parte dela. Mas não sei se reparou que grande parte é mais sobre a impressão que me deixou do sobre o conteúdo “cru”. E como os senhores do blogue me cedem gentilmente espaço, olhe, escrevi. Tenha paciência. Já li aqui muitas coisas com menos interesse. “Penso eu de que”. Como diz o seu adversário… e meu! 😉

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  9. gonçalo's avatar
    28 Abril, 2013 17:24

    http://estadodebarrancos.blogspot.pt/2009/10/os-governos-da-republica-portuguesa.html
    O País faliu naturalmente na sequência do 25 de Abril e não dos governos da AD. O processo de ajuste a uma nova realidade conduziu a isso. Conquistou-se a liberdade mas, a riqueza, ao contrário do que se esperava, não caiu do céu. Soares veio, veio o FMI e depois os fundos europeus. Logo antes do crédito que nos conduziu a situação actual. Dizer que foram os governos da AD que entregaram o País nesse estado a Soares é dizer só uma parte. Esses governos foram de Sá Carneiro (1 ano) e Balsemão (pouco mais de 2 anos). Não tiveram tempo para corrigir nada na sequência dos anos pós revolução.

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    • BorNot2B's avatar
      28 Abril, 2013 19:57

      Mesmo que, à época, não tenha sido o caso, três anos (ou dois), são mais do que suficientes para “destruir um país”.
      Exemplo #1: o “crime” de que acusam Sócrates ocorreu entre 2008 e 2011; antes até lhe gabavam as “virtudes”. Exemplo #2: a degradação efectiva das condições de vida em Portugal apenas começaram a ser visíveis após a a “governação” do Passos Coelho.

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      • Incognitus's avatar
        28 Abril, 2013 22:01

        Luis, aquilo que levou à degradação das condições de vida agora ocorreu antes … na realidade foi o processo de NÃO tomada de dívida, que provocou essa degradação, antes escondida pela tomada de dívida.

        A governação actual é simplesmente uma inevitabilidade. E a perda de poder de compra não é um bug, é uma feature.

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      • BorNot2B's avatar
        29 Abril, 2013 16:37

        Sim, sim, já me contaram isso… Muitas vezes…
        Não obstante, não é difícil identificar nos “resultados” à vista o dedinho desastrado da governação destes dois últimos anos (apatia, irresponsabilidade e desmazelo…). Basta ver a “reforma do Estado”? Qual reforma? Não deu conta disso? Quanto a indicadores objectivos… Cada vez pior!…

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  10. YHWH's avatar
    YHWH permalink
    28 Abril, 2013 17:51

    Gonçalo,

    Formigas?!… Cigarras?!…

    E a seguir vem o quê: conversa da treta?!…

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    • Incognitus's avatar
      28 Abril, 2013 22:02

      A história da cigarra é uma boa analogia para querer-se consumir mais do que se produz…

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    • gonçalo's avatar
      29 Abril, 2013 08:22

      Pode ser muito grave o que vem a seguir.
      Considero que a democracia pode ficar em sério risco. A ideia que o povo tem sempre razão e que coloca no poder quem lhe interessa, num ambiente de decrescimento económico (inevitável, com origens que superam qualquer ideia que injectar dinheiro é que vai reanimar a economia – sem tratar dos seus fundamentos) poderá levar a situações de caos total.
      E isto é válido para todo o Mundo desenvolvido face ao Mundo emergente que está a capturar todo o trabalho disponível. Até o crescimento da Alemanha é falacioso, face à entrada de capital de que vai usufruindo (os capitais afluem, vindos os países em problemas, a zero por cento).

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  11. lucklucky's avatar
    lucklucky permalink
    28 Abril, 2013 18:00

    Não tem nada de biblico é só manipulação fotográfica para esplorar as emoções nada mais.

    Quanto ao resto os Portugueses vivem melhor mas não por causa deles próprios.
    – talvez com excepção do multibanco e pouco mais-
    E ainda menos dos Governos que elegeram.

    Vivem melhor porque há empresas que desenvolveram tecnologia – informática, medicamentos, etc -e estas são maioritáriamente Asiáticas, Americanas, Alemãs etc…

    A melhoria das condições de vida em Portugal pouco teve que ver com Portugal.
    Um medicamento pode melhorar a vida a milhares de portugueses, mas isso nunca é notícia para o complexo político-jornalistico que a unica coisa que faz é autopromover-se.

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  12. Expatriado's avatar
    Expatriado permalink
    28 Abril, 2013 18:05

    Pronto. JMF tocou na “coutada” privada dos marcianos e sairam em catadupa para “defender o que e’ seu”.

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  13. fado alexandrino's avatar
    28 Abril, 2013 18:07

    Piscoiso
    Gosto de o ler, escreve bem e por vezes tem graça, embora um pouco repetitiva.
    Há porém limites.
    Neste post acho que se excedeu.
    Foi pena.

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  14. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    28 Abril, 2013 18:07

    “Não tem nada de bíblico é só manipulação fotográfica para esplorar as emoções nada mais.”
    Tem a certeza que a Bíblia não foi escrita para “explorar” as emoções?
    Naquele tempo já havia mauzões a querer deixar para o futuro a sua visão da “história”. Coisa que não se deve fazer, nem de forma escrita, nem com registos de imagem.
    “Nós”, os “durões”, pensamos assim e “prontos”! 😉

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  15. Zé da Póvoa's avatar
    Zé da Póvoa permalink
    28 Abril, 2013 18:19

    O que jmf diz vale o que vale! Também andou a dizer que o governo escutava a presidência e veio-se a saber que essa sua informação fazia parte de um plano de ataque ao governo de então. Arranjou, com isso, que o patrão (Belmiro) tivesse que lhe dar um pontapé no traseiro e agora arrasta-se ao serviço do merceeiro holandês a escrever livrinhos que ninguém consegue ler. Até breve?

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  16. Piscoiso's avatar
    28 Abril, 2013 21:33


    Foto de Alfredo Cunha

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  17. Binarypsilocybin's avatar
    28 Abril, 2013 22:08

    Tanto ano depois e o sacrassanto Estado ainda não ensinou a mulher a conjugar como deve ser os verbos? Todos falam da pobreza do antes e do agora. A mim faz-me espécie como em plena economia global e com tanta informação (e com o Estado Social) o raio da mulher não falar Português.
    Já o comentário do jovem na entrevista é a cara chapada dos Piscoisos e dos Portelas desta vida.
    R.

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    • Portela Menos 1's avatar
      Portela Menos 1 permalink
      28 Abril, 2013 23:11

      salazarista uma vez, rogério salazarista toda a vida.

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    • Fincapé's avatar
      Fincapé permalink
      28 Abril, 2013 23:17

      Rogério, a senhora continua a lutar pela sobrevivência. Conhece a pirâmide de Maslow?
      É assim a vida de muita gente. Não sabia?

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      • Binarypsilocybin's avatar
        30 Abril, 2013 15:14

        Fincapé, o que faz pensar que a senhora luta pela sobrevivência?
        R.

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  18. Aladdin Sane's avatar
    28 Abril, 2013 22:40

    Rogério, não se esqueça que a senhora, em 28 anos, não tinha regressado ainda ao Rossio, isto apesar de aparentemente residir na Musgueira: “nesse dia, tínhamos chegado da Musgueira”. Malfadado estado neoliberal, que não “atira” um emprego a cada cidadão! Mas aposto que os “oráculos-educadores do povo” aqui de serviço nos esclarecerão. São mais incisivos que os “Eldermormons” 🙂

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  19. @!@'s avatar
    @!@ permalink
    29 Abril, 2013 16:29

    E foi este gajo director de um jornal durante uns anos, através do qual teceu comentários, manipulou noticias, e tentou moldar a mente dos portugueses, e pergunto-me o quanto terá contribuido para o desastre em que mergulhamos, porque não basta dizer que a culpa é dos politicos, é também destes gajos que transmitiram uma ideia de sociedade, e se não serão passíveis de punição.

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  20. BorNot2B's avatar
    29 Abril, 2013 17:06

    Já percebi que muita gente alinha na ideia que se viveu melhor… Ah sim, pois claro!… Viveu melhor um “segmento” da classe média vistosa e televisiva. Os que viajaram (muitas vezes a crédito), os que compraram casa (a crédito), os que brilharam no escuro da nossa triste realidade social… Porém, uma parte (importante) do povo, vive mal agora como viveu mal quando alguns afirmam que se viveu melhor… Infelizmente neste País damos mais conta das aparências do que da realidade objectiva (e estatística…).
    Somos um País pobre. No tempo das “vacas gordas”, éramos um País pobre. Muitos dos que sofrem para encher o prato, nem sequer notam diferenças… O único desenvolvimento apreciável que tivemos foi a maior democratização do ensino. E mesmo essa está a ser corroída e desbaratada pelo ambiente económico incapaz de gerar oportunidades.

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