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Com pais assim os filhos até saem muito acima do esperado

4 Maio, 2013

“A CNIPE acaba de saber que há orientações que estão a chegar às escolas no sentido de obrigarem os alunos do 4º ano a assinarem um termo de responsabilidade, um compromisso de honra, em como não vão utilizar telemóveis ou equipamentos multimédia” durante os exames, afirma o dirigente da confederação, Rui Martins.   
 Para Rui Martins, “é uma insanidade completa” o Ministério da Educação e Ciência (MEC) estar a pedir às crianças que assinem um “compromisso de honra”.  “Estamos a falar de crianças de tenra idade e isto é uma insanidade o que estão a pedir aos nossos filhos. Eles nem sequer sabem o que vão assinar”, diz.  
  “Os nossos filhos não podem assinar documento nenhum na terça e na sexta-feira [dias da próxima semana em que se realizam os exames] em como não podem utilizar equipamentos desses”, sustenta Rui Martins. 

Sabem utilizá-los mas não sabem dizer que não os vão utilizar?

16 comentários leave one →
  1. André's avatar
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    4 Maio, 2013 10:39

    Concordo plenamente consigo, só tenho pena que seja preciso fazer as crianças assinar um termo de responsabilidade. Seria mais fácil (e gastava-se menos papel) se as crianças que usassem telemóvel fossem expulsas da sala e chumbassem o exame e o ano. Mas pronto, deve-se dar uma oportunidade às crianças.

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  2. Grunho's avatar
    Grunho permalink
    4 Maio, 2013 10:44

    O melhor é mandá-las já para a tropa.

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  3. JSF's avatar
    JSF permalink
    4 Maio, 2013 10:48

    È quase como a nova lei do alcool; um miudo com 16 anos não pode comprar bebidas espirituosas, mas pode apanhar uma valente bebedeira com cerveja. Qual é a lógica? Eu sei; chamasse Pires de Lima, presidente de uma cervejeira

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  4. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    4 Maio, 2013 10:57

    Finalmente, parece que estamos a vencer a batalha contra a burocracia.
    As pistolas de paintball não são uma coisa multimédia, pois não? Ah! Então podem utilizar. 😉
    Porque é que não vivemos num país normal?

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  5. @!@'s avatar
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    4 Maio, 2013 11:16

    Uau. Mocidade Portuguesa. “Juro….” a seguir será o Perdoai-me Senhor…Que maravilha, faltará pouco para se voltar a ouvir nas serras, prados, avenidas, ruas, escadas, centros comerciais, alegres entoações de padres nossos e avés cheias de graças.

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  6. Joaquim Amado Lopes's avatar
    Joaquim Amado Lopes permalink
    4 Maio, 2013 11:18

    Helena,
    O problema não é não saberem dizer que não os vão utilizar. O problema é, tal como Rui Martins alerta, ser pedido a crianças que assinem um documento cujo significado e alcance poucas entenderão.
    Como o André escreve (no primeiro comentário), bastaria dizer às crianças, de forma explícita e sem margem para dúvidas, que quem fosse apanhado a usar o telemóvel durante o exame seria expluso da sala, chumbaria o exame e o ano. Naturalmente, isso teria que ser transmitido antecipadamente aos pais (que são quem tem a responsabilidade de transmitir valores às crianças), para evitar “indignações” despropositadas depois.
    .
    No entanto, compreendo a atitude do MEC como uma atitude de desespero, por (grande?) parte dos pais se demitir de educar as crianças na distinção entre certo e errado.

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  7. YHWH's avatar
    YHWH permalink
    4 Maio, 2013 11:25

    A Helena parece não percepcionar a falta de senso de tal medida por parte dos dirigentes ministeriais. E isso é que é grave.

    A sua asserção «Sabem utilizá-los mas não sabem dizer que não os vão utilizar?» tem implicações e consequências que vão bem para lá do horizonte imediato contido na expressão. A dimensão e expressão de juízo sobre algo que se sabe fazer é bem mais complexa e subtil do que o mero domínio do uso. A implicação «uso. logo estou apto a decidir sobre o uso.» é falsa na generalidade pelo consequente propositivo suceder de qualidade diversa do antecedente.

    Sobretudo, aparece tal medida como uma esplendorosa fuga à responsabilidade pela única parte que não se pode eximir à responsabilidade plena e consciente: o ministério da educação, a direcção de escola, etc. Só faltava agora querer colocar os alunos de 10-11-12 anos como válvula de escape da responsabilidade no sistema educativo.

    Mas neste país já nada me surpreende.

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  8. Piscoiso's avatar
    4 Maio, 2013 11:51

    Ainda vão obrigar as crianças a assinar um documento em como não demoram mais do que cinco minutos a fazer chichi.

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  9. jose's avatar
    jose permalink
    4 Maio, 2013 13:51

    A escola não deverá ser apenas um lugar de acumulação de conhecimento. Faltará o mais essencial – e tem faltado muito, oh se tem faltado neste 39 anos que levamos desta DEMO(?)CRACIA – se não forem desde tenra idade, inculcados princípios de responsabilidade individual e, de consequência cívica – para o próprio e comunidade – das suas boas ou más atitudes. Esta declaração, já é qualquer coisa de um bom princípio.

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  10. Balio's avatar
    Balio permalink
    4 Maio, 2013 16:34

    Como é que a Helena sabe que os sabem utilizar? A maioria dos alunos do 4º ano não tem telemóvel. Pelo menos na escola onde o meu filho anda.
    Ademais, assinar um compromisso de honra é algo muito diferente de utilizar um telemóvel. Uma criança também sabe falar, mas não é por isso que vamos exigir que crianças deponham como testemunas em tribunal. Uma criança sabe ler e escrever, mas nem por isso admitimos que elas participem em contratos.

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  11. Mauro Rebelo's avatar
    Mauro Rebelo permalink
    4 Maio, 2013 22:21

    Esta Helena, está cada vez mais fascizoide!!!!
    Qual o “valor” em tribunal de uma declaração assinada por crianças com 9 anos! sim, é a idade das crianças que vao fazer a prova…..Será que no momento de entrega da declaração ás crianças, irão explicar o seu conteudo e objectivo? Não me parece…e mais, aos pais foi transmitido o que era e não era possivel levar para o exame….posto isto, no ministério da educação só existem “menores” na sua direcção….

    Cumps

    Mauro Rebelo

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  12. Helena's avatar
    Helena permalink
    4 Maio, 2013 23:50

    Impressionantes os comentários! Foi no que deu a promoção da irresponsabilidade geral! Aos 9 anos não sabem assumir um compromisso? Ou talvez não saibam o que é honra… nerm eles nem os pais que os julgam muito novinhos para serem responsabilizados pelo que dizem e fazem. Depois admiram-se!

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  13. Toupeira Real's avatar
    Toupeira Real permalink
    5 Maio, 2013 00:07

    A coisa é pior, Helena! Parece que as criancinhas maiores que vão fazer exames de 6º, 9º e 12º anos, mais propensas a “batotas”, estão dispensadas da assinatura de qualquer termos de responsabilidade. Se calhar, terão de assinar qualquer coisa à volta das calculadoras, Ipads, Iphones…. A idiotia (de professores e representantes de criancinhas) no ensino em Portugal roça o ridículo. Pobres criancinhas…

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  14. O Autor's avatar
    6 Maio, 2013 06:30

    Sem ironia, deve haver algo que me está a escapar. Não é possível que seja só eu ver o absurdo disto tudo. André (primeiro comentário) toca na questão, mas de resto parece estar tudo a passar ao lado, digo eu, que repito, me deve estar a escapar alguma coisa. Termo de res-pon-sa-bi-li-da-de?! Estamos a falar de crianças de 9-10 anos, certo? A maioridade é ainda aos 18 ou essa foi alguma reforma estrutural que me escapou?
    .
    O mero pensar em algo assim revela que não estamos de facto preparados para repor a ordem das coisas. Existe um conceito que há muito parece ter virado anacrónico: “regras”. Outro é “autoridade”. A ordem natural das coisas manda seja a “autoridade” que procura assegurar que “regras” sejam aplicadas. Desse processe faz parte encaminhar para as devidas instâncias “judiciais” que não as cumpre. Ou eu assinei um termos de responsabilidade em como vou cumprir com as regras de trânsito ou que não vou desatar por aí a matar gente?

    Se fossem alunos de 2º ou 3º ciclo, era assim (era mesmo, lembram-se?): meus meninos, a regra é “não há telemóveis na sala” (ou não mascar chiclete, ou não joga à batalha naval, ou não atirar com papéis). Ponto, sem “mas”, sem “ses”. Quebrada a regra, o aluno é convidado a sair da sala com falta injustificada. Perante recusa, o professor – a “autoridade” neste momento em particular – reserva-se o direito de dar a aula por encerrada e a matéria dada. Aluno reincidente era reencaminhado para as devidas autoridade “judiciais”: os pais! Os pais aí fariam como entenderiam: pregavam uma sova no marmanjo ou marmanja ou vinham protestar para a escola, onde lhe eram apontadas as “regras” e a quem era ali a “autoridade”.

    Sendo alunos de 1º ciclo, a coisa parece-me que e encurta: quebrada a regra e perante reincidência ou recusa em obedecer à autoridade, os pais são chamados à escola, sendo colocados sobre eles (e não sobre miudos de 9-10 anos) a res-pon-sa-bi-li-da-de de por cobro à situação (mais uma vez, através da administração da pedagógica lamparina ou com beijinhos de compaixão). Seja como for, continuando a reincidência, o menino começa a ter problemas em continuar no estabelecimento de ensino a perturbar aqueles cujos pais exercem competentemente o papel que lhes compete.

    Termo de responsabilidade? Só podem estar a brincar.

    O Autor
    Antologia de Ideias

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