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Era um par de galhetas…

24 Maio, 2013

O único país da União Europeia que proibiu a utilização de galheteiros com azeite  foi o Estado português, em 2005.

Tal medida, sem parelo em qualquer outro país do mundo, onde continua o tradicional e saudável hábito de ter doseadores de azeite e vinagre nas mesas dos restaurantes deve a sua origem a uma proposta do CDS-PP em 2004 a que maioria socialista deu o seu acordo.

Para além do ridiculo, da intervenção desnecessária e abusiva do estado, da ausencia de qualquer vantagem para o consumidor, a medida provoca na prática  um aumento do desperdicio de embalagens e de azeite, constituindo apenas um bom negócio para os engarrafadores do produto, beneficio esse a que aqueles dois partidos foram então sensíveis.

A União Europeia, numa qualquer obscura comissão com pouco que fazer e tentando mostrar trabalho que a justifique, aprovou uma proposta para estender a proibição de galheteiros a toda a União. Embora seja dificil de encontrar o rasto lógico que justifique a competência da UE para tal proposta legislativa, o certo é que a mesma foi maioritáriamente aprovada.

Mas, conhecida que foi, tornou-se de imediato objecto de constestação e de ridicularização dos orgãos e instituições europeias. No entanto, por uma vez, o Comissário do sector entendeu o que estava em questão e anunciou que vai retirar a proposta.

Claro, o secretário de estado português «lamenta a decisão», pelo que Portugal continuará a ser uma triste excepção e um mau exemplo de intervencionismo.

24 comentários leave one →
  1. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    24 Maio, 2013 11:27

    O princípio da proibição teria sido a higiene, evitando que um mesmo recipiente ande de mão-e-mão por diversos clientes. Mas isso não se passa só com os galheteiros, mas com o ketchup, a mostarda, ou mesmo o sal e a pimenta. Para além dos riscos de fraude, como a mistura do azeite com óleos mais baratos.
    Se formos ao pormenor, as cadeiras de um restaurante teriam de ser substituídas depois de um cliente se levantar, para não contaminar o seguinte. Ou no mínimo terem um daqueles acentos que se vão virando com cada cliente, como nos barbeiros.

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  2. Gonçalo's avatar
    24 Maio, 2013 11:48

    A decisão está alargada aos molhos agri-doce nos restaurantes chineses?

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  3. Trinta e três's avatar
    Trinta e três permalink
    24 Maio, 2013 11:49

    De facto, importante seria introduzir esse hábito da “carta de azeites” e controlar a qualidade do produto servido. Recordemo-nos das falcatruas há uns anos bem frequentes.

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  4. Gonçalo's avatar
    24 Maio, 2013 12:15

    A carta de azeites pode ser mais um acréscimo de custo, made in europe que afasta os clientes dos restaurantes. Mas também se poderá recorrer à “marmita de molhos”, pessoal, que se passaria a transportar junto ao telemóvel, para uso quando necessário…

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  5. piscoiso's avatar
    piscoiso permalink
    24 Maio, 2013 12:23

    Restaurante que se preze, serve a comida com o respectivo molho no prato ou numa molheira.
    Se quer azeite que compre uma garrafa, como faz com o vinho.

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  6. Gonçalo's avatar
    24 Maio, 2013 13:02

    E um quilo que sal e pimenta.
    E outro de canela, nos pasteis…
    O azeite necessário pode reduzir-se a umas gotas. Mas o vinho também se vende a copo…

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  7. Churchill's avatar
    Churchill permalink
    24 Maio, 2013 13:04

    Ele há dia assim!
    Desde o autor do post até alguns comentadores, a palermice serviu de contágio e propagou-se.
    Misturam-se alhos com bugalhos e vá de cada um dizer a idiotice que lhe vem à cabeça.
    .
    Para variar, esta medida defende os consumidores e é um dos poucos setores em que Portugal tem capacidade exportadora, logo também defende os produtores.

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    • Trinta e três's avatar
      Trinta e três permalink
      24 Maio, 2013 13:46

      Os produtores foram protegidos por um hipotético aumento da venda do produto que seria conseguido com emblagens individuais. Só que não foi assim aplicado. Substituiu-se o galheteiro por embalagem de marca, que pode ser usada mais do que uma vez, Mais: a falsificação continua a ser possível. De facto, não me parece que seja por aqui que resolvemos o problema.

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  8. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    24 Maio, 2013 13:27

    A vantagem da medida para os consumidores é boa. Ao menos sabemos que aquilo é mesmo azeite.
    .
    Rb

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  9. Deirumori's avatar
    Deirumori permalink
    24 Maio, 2013 13:30

    Santa inocência…
    Esta medida não obedece a nenhuma lógica, a nenhuma precaução sanitária; nem pode impedir toda a espécie de contrafacções, pois estas não dependem das normas legais, mas sim dos limites da imaginação e da ética vigente.
    Esta norma, como a esmagadora maioria doutras promulgadas nos últimos anos, obedece a outra lógica, aliás muito discutida e louvada neste mesmo site: o empreendedorismo, acrescentado doutro facto que em Portugal é tabu e noutros países é de declaração obrigatória: interesses privados defendidos por meio de lobbies no parlamento e no governo.

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    • Churchill's avatar
      Churchill permalink
      24 Maio, 2013 14:12

      Colocar num frasco sem rótulo um liquido similar ao azeite e levá-lo para a mesa é o mesmo que servir uma garrafa com tampa inviolável e com um rótulo em que responsabiliza o produtor pelas características?
      Já agora como é que coloca a validade num galheteiro?
      .
      Sobre o comentário “a precaução sanitária … não depende de nenhuma norma” é algo que felizmente já não vigora pelo menos desde a idade média!

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  10. Me's avatar
    24 Maio, 2013 15:07

    os restaurantes que serviam lasanha e canelonis de cavalo , embalados individualmente , rotulados e tal tudo como manda a “lei ” , achavam que serviam vaca aos clientes… se acham que isso impede a falsificação , vou ali e já venho 🙂

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  11. tony's avatar
    tony permalink
    24 Maio, 2013 15:10

    esta medida provocou um aumento na qualidade do azeite servido é bom para o consumidor então é bom para todos o resto é treta.

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  12. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    24 Maio, 2013 16:48

    “Era um par de galhetas…”
    Dois pares, se faz favor. É que eu não sabia que a proposta tinha sido do CDS. Portanto, no mínimo, um para para o PS e outro para o CDS. Só para começar!

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  13. maria ferreira's avatar
    maria ferreira permalink
    24 Maio, 2013 18:49

    Quem tem boa boca não se importa com a mixórdia.Claro que uma embalagem proteje o consumidor e a trafulhice. Lamento dizer mas muitos se aproveitam para dar a beber azeite adulterado. Porque não substituir o pacote de açúcar por um açucareiro? Cada um mete lá a colher e tira e segue para a mesa do lado. Se soubessem as baldrocas que o azeite leva mudariam e quereriam uma embalagem. Como dizia o outro, eu sei do que falo.

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  14. Zé's avatar
    permalink
    25 Maio, 2013 13:41

    A ideia é boa! A lei é má.
    O facto do azeite e outros temperos serem embalados deve ser apenas um motivo de diferenciação. O resto são burrocracias.

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  15. Adriano Marques's avatar
    Adriano Marques permalink
    25 Maio, 2013 17:11

    Esta medida era uma garantia para o consumidor que estava a consumir o azeite virgem extra de uma determinada marca, no galheteiro não sabe a marca que está a consumir e muito menos se é azeite, porque muitas vezes é óleo. Esta medida foi defendida pelos países produtores do Sul e vetada pelos países ricos do norte que tudo nos impõe.
    E o estranho é que uma medida que defende a produção de um dos poucos produtos que produzimos em Portugal é defendida por uns pancóvios com o argumento de defender a tradição, mas estão som a acabar com a tradição de comer bom azeite Português em detrimento dos óleos, molhos de manteigas e outros molhos estrangeiros.
    Foi com estes argumentos que o norte da Europa “deu cabo” da nossa agricultura e pescas e continua a dar cabo de nós.
    Já agora acabem com o vinho engarrafado, vinho da casa para todos estes pancóvios, já que é tudo igual.

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  16. JE's avatar
    25 Maio, 2013 19:51

    Pergunto às Marias e outras pessoas que se preocupam que desconfiam do azeite nos galheteiros, se vão ver que tipo de azeite é usado na cozinha dos restaurantes para cozinhar…

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  17. Raul Vaz Osorio's avatar
    26 Maio, 2013 01:49

    Só digo uma coisa: o bom senso levado à insanidade chama-se politcamente correcto. Junte-se uma boa negociata e temos ainutilidade da política à portuguesa.

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  18. Orlando Silva's avatar
    Orlando Silva permalink
    28 Maio, 2013 17:37

    “… numa qualquer obscura comissão com pouco que fazer e tentando mostrar trabalho que a justifique …” Faz-me lembrar a ASAE (para não falar nem na Inquisição, nem na PIDE). Gente fina, que fica horrorizada por tudo e por nada; e esquecem-se que a maioria dos consumidores não tem tantas peneiras. Eu consumidor, quero ter a liberdade de escolher entre o azeite barato do galheteiro (que ninguém me obriga a beber), e um extra virgem (que ninguém me obriga a pagar).

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  19. José's avatar
    José permalink
    3 Junho, 2013 09:15

    Estas a meter agua . O que não combina com o azeite em questão .Os especialistas em azeites da Comissão decidiram opor-se aos 15 votos a favor de galheteiros descartaveis e 9 votos contra dos paises da UE . Não sei bem porque é que eles assim decidiram contra um voto democratico que visava apenas defender a qualidade do aziete produzido no sul da Europa. Torna-se estranho esta atitude dos azeiteiros da Comissão (confesso que não sei que outra coisa chamar a um especialista em azeites ) que normalmente seguem os votos dos paises !!! .

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  20. Opinião's avatar
    Opinião permalink
    4 Setembro, 2014 21:14

    Não partilho da mesma opinião. Para além de ser nojento acho super plausível a ideia de fraude e riscos de contaminação tal como acontecia com os molhos.
    As coisas que já vi fazerem com este tipo de coisas como lamberem o ketchup da embalagem é dos maiores nojos.
    Apoio totalmente esta decisão ainda que possa favorecer grandes marcas.

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