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Papel do consumo na Super Bock School of Economics

9 Julho, 2013

Durante anos o consumo em Portugal foi empolado por subidas dos salários e pensões acima da produtividade. A maior parte deste crescimento de salários e pensões foi induzido pela despesa pública e pelo défice. O crescimento do consumo acima da produtividade só pode ser sustentado por um aumento do endividamenteo externo para pagar importações.

Desde 2011 que este problema está a ser corrigido, quer através da redução da despesa do Estado quer (a partir de 2013) com o aumento de impostos sobre rendimento. Por isso as importações caíram e as exportações aumentaram. Redução do consumo em Portugal, colocando-o ao nível da produtividade do país leva ao equilíbrio da balança comercial e à eliminação das necessidades de financiamento externo. Este ajustamento é condição necessária para o crescimento futuro porque só travando as necessidades de financiamento externo é possível começar a reduzir os custos da dívida (pública e privada).

A moção de Pires de Lima ao congresso do CDS propõe agora que se aumente o consumo para gerar crescimento económico. Para a Super Bock School of Economics o aumento de rendimento não é um resultado do crescimento, mas a sua causa.  Ignoram que aumentos de rendimento sem o respectivo aumento da produtividade só são possíveis com aumento de endividamento e de importações, revertendo tudo o que foi conseguido nos últimos 2 anos.  Pretendem minorar o efeito do aumento de consumo nas importações através da promoção dos produtos nacionais e  da substituição de importações.  Não percebem que o défice da balança externa é um problema de produtividade e não um problema de marketing do produto nacional junto do consumidor.

27 comentários leave one →
  1. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    9 Julho, 2013 08:16

    «Desde 2011 que este problema está a ser corrigido, quer através da redução da despesa do Estado quer (a partir de 2013) com o aumento de impostos sobre rendimento.» JM
    .
    Em suma, os Portugueses passaram a CONSUMIR impostos em vez de consumir produtos e serviços nacionais.
    .
    Rb

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    • neotonto's avatar
      neotonto permalink
      9 Julho, 2013 08:39

      E ao JM lá com isso?
      Ele nao é neoliberal. Ele é neotonto !
      E ja com isso se diz o essencial.

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    • Me's avatar
      9 Julho, 2013 14:06

      pois é. li isto e lembrei-me logo : atão e o monstro das bolachas continua a consumir mais de 50% do rendimento ? o JM ignora o que lhe convém 🙂

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  2. Telmo Azevedo Fernandes's avatar
    Telmo Azevedo Fernandes permalink
    9 Julho, 2013 08:54

    Os deficits comerciais não geram necessariamente dívida. Se consumimos mais do que o que poupamos, esse desiquilibrio aplica-se tanto ao consumo interno como às importações. A raiz do mal não é o nosso comércio internacional.

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  3. PiErre's avatar
    PiErre permalink
    9 Julho, 2013 09:07

    João Miranda não passa de um defensor do intervencionismo estatal na economia. É um verdadeiro socialista keynesiano.

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  4. JP's avatar
    9 Julho, 2013 09:09

    Vai começar uma anedota não-irrevogável*.
    .
    (*) aquela que à pardida não é, mas depois passa a ser.

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  5. Mário Amorim Lopes's avatar
    9 Julho, 2013 09:25

    Eu, que sou um fã inexorável da Unicer e da Super Bock (vá de retro, Sagres!), encontro na moção de Pires de Lima um suspeito interesse em aumentar a procura interna e, quem diria, as vendas da Super Bock, quase todas elas para o mercado interno.

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    • Tiro ao Alvo's avatar
      Tiro ao Alvo permalink
      9 Julho, 2013 13:44

      Eu estou pior, Mário: eu só vejo isso, o interesse no aumento da procura da Super Bock. Mais nada.

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  6. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    9 Julho, 2013 09:36

    A confusão do Jm devém de uma coisa básica. As pessoas demasiado inteligentes raramente se detém com coisinhas básicas.
    .
    A confusão devém, essencialmente, de considerar o Consumo em termos abstractos e gerais sem relevar que partes do consumo nos interessem enquanto país económico.
    .
    Consumo = Consumo de bens importados + consumo de bens nacionais
    .
    Isto é, aquilo que se compra ao exterior mais aquilo que se compra aos produtores nacionais (de bens e serviços).
    .
    Quando o Jm faz louvas à redução do Consumo fá-lo em termos abstractos e gerais. Não lhe interessa se se reduz o Consumo de cebolas do quintal do sô Manel ou se reduz o Consumo de Ipads do quintal da sõ dona Apple. Não lhe interessa se uma escola que treina cães, ou um cabeleireiro, um padeiro fecha ou se fecha um stand de viaturas alemãs ou uma loja de telemóveis. Vai tudo na enxurrada.
    .
    Ora bem, na perspectiva dos credores, que nos emprestaram dinheiro, isto faz todo o sentido. Eu fazia o mesmo. Interessa sobretudo que se garanta que o país deixe de gastar no que quer que seja para que se garanta liquidez sufieciente para reembolso da massa ora dada em emprestimo.
    .
    É bom de ver, um banco que nos emprestou dinheiro se pudesse mandar nas nossas decisões impunha que cortassemos a luz, a agua, na comida… e que procedessemos à doação dos nossos próprios filhos que nos dão muita despesa. Sem despesas com filhos, comida, agua e luz garantiriam o reembolso do emprestimo.
    .
    O governo fez coisa semelhante. Incitou a emigração que é o mesmo que doar os filhos, induziu o desemprego para fazer reduzir o consumo geral, e proibiu coercivamente os portugueses de consumirem.
    .
    Ora, isto é um ajustamento errado. Temporario e colado a cuspe. Para troika ver. A não ser que mantenha o desemprego a niveis elevados e que continue a convidar as pessoas a viver miseravelmente como tem sido deliberadamente feito. O medo. Se o desemprego baixar o ajustamento desajustasse imediatamente.
    .
    É simples e básico, mas, vejamos, se o desemprego tem 500 mil pessoas que não têm qualquer fonte de rendimento, isso significa:

    500.000 x 800€ x14 = 5,6 mil milhões de euros.
    .
    Em suma, no espaço de 2 anos 500 mil pessoas deixaram de consumir 5,6 mil milhões de euros por anos. Metade disso são importações que deixam de ser importadas. A outra metade é produção nacional que deixa de ser fabricada.
    .
    Isto significa que o desemprego, com esta politica, não pode baixar. Convem que se mantenha alto. Cada vez mais alto. É a garantia que todos os anos, importamos menos 3 mil milhões de euros.
    .
    Rb

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    • Joaquim Amado Lopes's avatar
      Joaquim Amado Lopes permalink
      9 Julho, 2013 10:24

      Ricciardi,
      Compreendo que não queira ser “demasiado inteligente” (tudo o que é demais é mau) mas não precisa exagerar. É que, com o que escreveu sobre os bancos, o “incitamento à emigração” e os desempregados não consumirem nada, acabou por ser na mesma demasiado mas no sentido contrário.

      Com o corte no endividamento e, portanto, no rendimento disponível, os consumidores fazem (ou é suposto fazerem) as escolhas que mais os beneficiam. Por exemplo, deixa-se de comprar um iPad ou um Mercedes antes de se cortar nas cebolas. E corta-se nas sessões de treino do cão ou nas idas ao cabeleireiro antes de se deixar de ir à padaria.
      Ou seja, a contração do consumo não é transversal.

      É claro que seria de todo preferível que a redução do consumo fosse apenas de bens importados mas isso não é possível. E não é possível porque há muitos bens de primeira necessidade que são importados e há muitos bens que só são produzidos em Portugal se subsidiados com dívida.
      Com a contração do consumo interno, os produtores ajustam-se e passam a produzir mais do que é realmente necessário e mais do que podem exportar. O consumo deixa de ser financiado pela dívida e passa a ser financiado pela produção.
      Ou seja, precisamente o contrário do que afirmou (“Se o desemprego baixar o ajustamento desajustasse imediatamente.”). É precisamente este ajustamento que permite criar condições para que o desemprego venha a baixar sem ser à custa de mais dívida.

      Este ajustamento é penoso e demorado mas, surpresa, está mesmo a ser feito e a dar resultados. É ver a evolução das importações e das exportações.
      O que não é sustentável é manter o emprego e o consumo artificialmente altos à custa de dívida. Foi precisamente essa “política” que nos trouxe à situação em que estamos.

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      • Mário Amorim Lopes's avatar
        9 Julho, 2013 11:12

        JAL, admiro a sua paciência. Torna-se maçador ter de repetir ad nauseum algo que por esta altura já deveria ser óbvio para toda a gente. Este nível de procura agregada baseada em dívida externa não é sustentável.

        A economia portuguesa estava toda ela orientada para o mercado interno, algo que só foi possível com altos níveis de endividamento que esconderam a dura realidade: o nosso mercado é esclerótico. O crédito lá foi enganando: os empresários portugueses achavam mesmo que tinham oportunidades de rentabilidade aqui (e tiveram durante algum tempo).

        A festa acaba quando é preciso pagar o crédito.

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  7. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    9 Julho, 2013 10:15

    Rb : “Quando o Jm faz louvas à redução do Consumo fá-lo em termos abstractos e gerais.”

    O Jm falara por ele …
    Mas o que diz o Rb não me parece ser correcto.

    A redução do consumo global, para além de ser também uma necessidade num pais que consome demais e investe de menos, altera os padrões de consumo.
    Com um rendimento médio inferior as familias tendem a substituir o consumo de bens e serviços menos essenciais, em boa medida importados, por outros mais basicos e que podem vir de produção nacional.
    Por enquanto, nesta fase do ajustamento, esta-se ainda sobretudo na fase da redução imediata de consumos menos essenciais.
    Neste ajustamento, para além das importações, são também afectadas actividades nacionais viradas quase exclusivamente para o mercado interno e, deste, modo ha desinvestimento de recursos, humanos e materiais.
    Estamos neste momento em pleno nesta fase.
    Mas, a alteração do padrão do consumo interno deve encorajar os agentes economicos, empresas e familias, a criar e a aumentar a produção das actividades para onde ha uma reorientação dos gastos em consumo.
    Esta fase, dita do investimento, vai necessariamente ocorrer nos proximos tempos. Se é que não esta ja a acontecer, mesmo que os resultados não sejam ainda visiveis em termos de indicadores globais, incluindo o do emprego.
    Interromper agora a austeridade desnaturaria este processo de ajustamento e tornaria efectivamente inuteis os sacrificios e os resultados feitos e conseguidos até agora.

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  8. Ricciardi's avatar
    Ricciardi permalink
    9 Julho, 2013 11:47

    «… reorientação dos gastos em consumo.» fernando s
    .
    Em suma, como as pessoas não têm competência para fazerem opções livremente e de acordo com as suas preferências. Os liberais portugueses reclamam, pois, politicas que conduzam e condicionem as opções de consumo das mesmas. E como o fazem?
    .
    É simples. Em vez de fazerem como os comunistas que condicionam a oferta de produtos, os liberais fazem o mesmo condicionando a procura. Ao retirar rendimento à procura pretendem o mesmo que os comunistas pretendem. A resultado é o mesmo. O estilo é que varia.
    .
    Ou seja, um governo comunista limita-me o acesso a produtos. Um governo liberal, pelos vistos, limita-me o salário para os obter.
    .
    É a liberdade condicionada. Ou a igualdade provocada.
    .
    Bem, eu sempre tive a ideia de que os liberais defendiam que o mercado se auto-regulava. Quer dizer, que se o pessoal se endividasse em demasia a correcção seria feita de forma natural, falindo ou não, fazendo sacrificios ou não. Que se o pessoal importasse cenisses a mais a ponto de colocar em a balança de corrente deficitária, que a prazo o mercado se encarregaria de naturalmente corrigir os excesso.
    .
    Ora, os liberais portugueses, ao que parece, não querem esperar que o mercado actue. Nada disso. Eles querem intervir no mercado pelo lado da procura. Matando-a.
    .
    Ai a procura não baixa? pensa um liberal portugues.

    – então retira-mo-lhes rendimento, respondem.

    Ai a procura não baixa? pensa um comunista.

    – então limitamos a oferta.
    .
    Duas faces da mesmíssima moeda.
    .
    Rb

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    • Mário Amorim Lopes's avatar
      9 Julho, 2013 11:54

      Rb, não desvirtue a conversa. O Governo não é um mercado, e quando intervém nele, fá-lo de forma desproporcional. Aliás, ele é frequentemente um causador de disrupções. Não fosse a elevada carga fiscal e as pessoas não teriam tanto propensão a endividar-se. Porquê? Porque o rendimento disponível seria, surpresa, maior.

      Ainda assim, os mercados até estão a trabalhar bem — veja como estão a obrigar o Governo a proceder a uma consolidação fiscal. Antigamente os mercados avisavam-nos via taxa de câmbio, hoje o mecanismo de saneamento é outro, mas está aí.

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    • Fernando S's avatar
      Fernando S permalink
      9 Julho, 2013 12:15

      Rb,

      O paralelo que faz entre os liberais e os comunistas a proposito do consumo é perfeitamente absurdo e gratuitamente provocatorio.

      Em parte ja lhe respondo no ultimo paragrafo do meu comentario aqui em baixo, apesar de escrito antes de ter lido este seu comentario aqui em cima.

      Também concordo plenamente com o que diz o Mario Amorim Lopes aqui em cima.

      Pela sua logica, os governos podem sempre adoptar politicas que favoreçam e orientem os consumos, mesmo que sejam desequilibrados e não sustentados por produção real, mas ja não podem tomar medidas para corrigir e sanear estas sitações anomalas.
      Ou seja, podem-se fazer politicas estatalistas e despesistas mas ja não se podem fazer reformas liberais.
      No fim de contas, é a logica dos exegetas oficiais e oficiosos da nossa actual Constituição !

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  9. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    9 Julho, 2013 12:01

    Rb : O governo fez coisa semelhante. Incitou a emigração que é o mesmo que doar os filhos, induziu o desemprego para fazer reduzir o consumo geral, e proibiu coercivamente os portugueses de consumirem.”

    Esta frase é surpreendente numa pessoa como o Rb, em geral ponderada e elaborada.

    O governo não “incitou” à emigração. O PM apenas disse algo de obvio e de bom senso : as pessoas, nomeadamente os jovens, com dificuldades em arranjar empregos em Portugal devido à crise actual, que saibam ou vejam oportunidades no estrangeiro, devem naturalmente tentar aprovei-ta-las. Mais vale um português empregado no estrangeiro do que um português desempregado em casa.
    Tirando esta reflexão de mero bom senso, o governo não tomou nenhuma medida de “incentivo” à emigração. Nem faria qualquer sentido.
    A emigração não é nenhuma tragédia. Ainda menos nos tempos de hoje. No passado, a emigração permitiu a milhões de portugueses sairem de uma vida miseravel para condições muito mais satisfatorias. Em todos os tempos, os emigrantes foram provavelmente a categoria da população que mais melhorou a sua condição num periodo bastante curto.
    Para além da dimensão humana, e ao contrario do que dizem agora muitos, a emigração também não é um desperdicio de recursos para o pais. No passado a emigração representou mesmo a maior fonte de receitas. Na altura eram sobretudo ganhos financeiros. Mas não apenas. A emigração mais recente tem outras caracteristicas, mais sofisticadas. Felizmente. Felizmente para os proprios. E felizmente para o pais, porque os emigrantes mais qualificados tendem a gerar efeitos positivos para os paises de origem, mesmo que indirectos e a mais longo prazo. Inclusivé do ponto de vista das relações comerciais com o exterior, do investimento estrangeiro no pais, da internacionalização das nossas empresas, etc.

    O governo não “induziu” nenhum desemprego, muito menos “para fazer reduzir o consumo”. O desemprego é antes o resultado de multiplos factores, um dos quais é precisamente a redução do consumo. O desemprego acentua naturalmente a baixa do consumo. Mas o facto do desemprego ter subido muito durante os dois anos de exercicio deste governo não significa que é este governo o principal responsavel. A austeridade, a redução do consumo, o desemprego, são o resultado inevitavel de tudo o que é agora preciso fazer para corrigir os erros dos governos anteriores (incluindo os do PSD, naturalmente).

    Ninguém, nem sequer o governo, “proibe os portugueses de consumirem”. Esta frase é o exacto contraponto do que seria dizer que no passado os governos “obrigaram os portugueses a consumirem”. O consumo é naturalmente impactado pelas politicas governamentais, fiscais, orçamentais, economicas em geral. Sempre, num como noutro sentido. Algumas politicas são acertadas outras não. No passado foram nefastas quando provocaram aumentos artificiais e desequilibrados do consumo global e do respectivo padrão. Hoje a correcção desta situação faz-se também com politicas que tornem a economia equilibrada e sustentavel. Mas isto não corresponde necessariamente (não deve corresponder de modo nenhum) a uma interferencia directa dos governos nas decisões de consumo das familias.

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    • Ricciardi's avatar
      Ricciardi permalink
      9 Julho, 2013 12:35

      Certo Fernado. Exagerei nas palavras. Meia culpa. Mas fi-lo intencionalmente para demonstrar uma coisa. É que quando um gajo defende que Portugal precisava de restringir algumas importações (bens de consumo), ainda que temporariamente, os liberais atiram-se como ‘cães do inferno’ por causa da liberdade de escolha e free trading etc. Mas quando querem resolver o problema do defice externo não tem problemas em intervir no lado da procura.
      .
      Eu sou muito claro nesta questão. O desemprego só pode ser resolvido se houver investimento. Como não há poupança interna suficiente (nem haverá) esse investimento terá de provir do estrangeiro. Para atrair investimento estrangeiro teremos de baixar o IRC para uns 12%.
      .
      Temos, aliás, neste momento, uma situação potencialmente perigosa. A Poupança dos particulares aumentou. Para cerca de 12%. Esta poupança foi conseguida não porque as pessoas criaram mais riqueza ou porque lhes sobra. Nada disso, mas antes porque estão desconfiadas quanto ao futuro. Eu diria, apavoradas. Ao mesmo tempo, a idade média do parque automvel portugues já vai nos 14 anos. O consumo de gasolina parece ter aumentado no ultimo mês. Ou seja, mal se percepcione mais confiança, o pessoal desata a consumir importaçoes. Por isso é que eu afirmo que o ajustamento da balança comercial é colado a cuspe. E quando houver sinais de recuperação, a nossa balança comercial descamba imediatamente.
      .
      Porquê?
      .
      Porque não se está a promover lograr obter negócios que substituam importações.
      .
      Uma das formas de dinamizar os negócios, é por exemplo baixar o IVA (para a tx minima) de materias primas e subsidirias que integrem processo de fabrico.
      .
      Um Mercedes importado deve ter a tx de IVA a 23% como já tem. Mas as peças para o fazer deve ter um IVA de 5%. Isto significa que, acompanhado por uma reduzção do IRC, as fabricas seriam convidadas a laborar em Portugal.
      .
      De outro modo eu não vejo qualquer vantagem das fabricas se instalarem em portugal.
      .
      Por outro lado, para financiar esta reduzção das txas de imposto, o governo devia ter reduzido as despesas não recessivas e programar para um prazo de 15 anos a redução das despesas mais recessivas a curto prazo.. Mas não o fez.
      .
      Fez ao contrario. manteve as despesas não recessivas e cortou nas recessivas.
      .
      Cerca de 20% da divida publica deriva de parcerias e parceiros e rentistas do estado. Esta divida deve ser ‘paga’ de imediato. O estado deve emitir OT’s a 50 anos de maturidade, especiais de corrida, e dá-las em DAÇÃO em PAGAMENTO aos parceiros da desgraça. Os juros seriam variaveis e estricta função dos trafegos ocorridos nas parcerias.
      .
      47% da divida é detida pela Troika. O prazo de 7 anos é insuficiente e deve ser renegociado para o dobro em linha com a Reforma do Estado. Eles sabem disso. Estão disponiveis para isso. Só falta que o governo se deixe de merdas. A restante divida (33%) não é passivel de ser mexida. É pagar e não bufar. É a parte dos tais mercados.
      .
      Rb

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      • Ricciardi's avatar
        Ricciardi permalink
        9 Julho, 2013 12:43

        Em suma, macroeconomia não chega, nem interessa muito nesta fase do campeonato. É preciso ir ao osso, ao cerne das questões e começar a gerir, governar, reinar.
        As exportações desaceleraram. Era previsivel. O governo fez tudo que esteve ao seu alcance para fazer reduzir a dinamica de crescimento passada das exportações. É que, vejamos, as empresas não são apenas entidades exportadoras. Elas vendem produtos. Para o mercado externo e interno. Ora, se o interno colapsa, os lucros diminuem. Eles tentam virar-se, em desespero, para o exterior. E conseguem, mas longe de compensar as quebras de vendas totais. Até porque fazem-no sacrificando margens comerciais.
        .
        Daí que a produção industrial cai sucessivamente.
        .
        Rb

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      • Fernando S's avatar
        Fernando S permalink
        10 Julho, 2013 09:50

        Rb,
        O meu comentario aqui em baixo, no fim da caixa de comentarios.

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    • makarana's avatar
      makarana permalink
      9 Julho, 2013 19:41

      Directa talvez não, mas indiretamente sim,parece-me

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  10. Portela Menos 1's avatar
    Portela Menos 1 permalink
    9 Julho, 2013 12:23

    admiro muito os esforços dos assessores do governo, estiveram uma semana calados mas é bom que estejam de volta 🙂

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  11. YHWH's avatar
    YHWH permalink
    9 Julho, 2013 12:54

    Quem diria que afinal o JM é um acérrimo defensor para Portugal do modelo «Ethiopia Economics»…

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  12. Castrol's avatar
    Castrol permalink
    9 Julho, 2013 15:19

    Pelos vistos o patrocínio exclusivo do FCPorto por parte da Super Bock não resultou??!!!
    As vendas da dita beveragem pelos vistos continuam a descer… Claro que para o Sr Pires de Lima tal é resultado da crise, nada tendo a ver com uma gestão deficiente…

    Agora temos que aturar este amador no governo!! A esbanjar dinheiro em nome dum suposto “crescimento” à custa do défice do Estado. Tudo para que os Patrícios bebam mais cerveja…

    O problema do Sr Pires de Lima é que a maioria vai fazer como eu… Bebem mais SAGRES!!!!

    Isto da Democracia é uma chatice…

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  13. Abe's avatar
    9 Julho, 2013 16:43

    Caros,

    Acerca de uma tal crise política, deixo-vos o segundo episódio da saga envolvendo Paul Entrance, Viktor Gus Par, Maria Alvin Kirk, Francis Ball Seaman e uma sociedade secreta.

    http://antologiadeideias.wordpress.com/2013/07/09/part-2-the-secret-society/

    O Autor
    Antologia e Ideias
    blog: http://antologiadeideias.wordpress.com/
    facebook: https://www.facebook.com/antologiadeideias.wordpress
    e-mail: antologia.wordpress@gmail.com

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  14. Fincapé's avatar
    Fincapé permalink
    9 Julho, 2013 21:10

    Como suponho que PMF não leu o livro do seu parceiro de blogue, Paulo Morais, transcrevo com grande gosto algumas linhas:
    “Portugal vive hoje intoxicado por duas mentiras colossais. A primeira é a ideia, repetida à exaustão, de que os portugueses são responsáveis pela crise, porque andaram a viver acima das suas possibilidades, compraram bens de consumo que não deviam e a que não teriam direito.” 😉

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  15. Fernando S's avatar
    Fernando S permalink
    10 Julho, 2013 09:52

    Caro Ricciardi,

    O seu comentario é bastante rico em assuntos e propostas. Procurarei ir comentando alguns.

    Os liberais não teem à partida nenhuma objecção relativamente a um objectivo de redução duma importação de bens de consumo que não seja economicamente e financeiramente sustentavel. Antes pelo contrario, como o debate e a pratica destes ultimos tempos tem vindo a mostrar.
    Mas, em perfeita coerencia, e ao contrario do que o Ricciardi insinua, os liberais não aceitam que tal se faça através de politicas publicas que limitem a liberdade dos agentes economicos nos mercados. Por exemplo, opoem-se ao proteccionismo externo e a todas as formas de intervencionismo discriminatorio nos mercados internos.
    Neste aspecto nada mudou na posição dos liberais.
    Outra coisa, bem diferente, diz respeito às politicas publicas que teem obviamente um impacto, seja ele qual for, nas condições que condicionam os comportamentos dos agentes economicos, das familias às empresas.
    Talvez com a excepção de algumas franjas libertarias (e mesmo estas !…), os liberais nunca prescindiram da utilização dos instrumentos de politica à disposição dos governos para a criação de condições que favoreçam uma maior liberdade dos agentes economicos e, consequentemente, um menor peso e intervencionismo estrutural do Estado, na economia em geral, nos mercados em particular, nas decisões das pessoas no final.
    No caso portugues, o despesismo e o intervencionismo do Estado ao longo das ultimas décadas desequilibrou e desajustou fortemente a economia conduzindo-a para uma situação insustentavel e critica. Se o Estado não tivesse aumentado e intervido tanto, se não tivesse condicionado artificialmente o comportamento dos agentes economicos, estes teriam adoptado, “naturalmente”, livremente, os comportamentos mais adequados e os ajustamentos necessarios teriam sido feitos pouco a pouco de modo a manter e a restabelecer os equilibrios fundamentais.
    Assim sendo, para restabelecer uma situação mais equilibrada e mais “natural”, um governo tem necessariamente de fazer uma politica reformista, isto é, tem de fazer marcha atras e inverter a orientação de algumas das politicas que desequilibraram a economia.
    Ou seja, concretamente, e pegando no seu exemplo da procura, se no passado as politicas orçamentais e fiscais empolaram artificalmente a procura global interna, favorecendo certos sectores e prejudicando outros, então é perfeitamente normal que um governo reformista corrija essas politicas de modo a limitar os excessos e a compensar as deficiencias.
    Mas atenção, para os liberais, estas politicas, embora impactem obviamente os rendimentos disponiveis das familias e as condições de actividade das empresas, não devem de modo nenhum interferir com a liberdade de escolha e decisão mesmos destes agentes economicos. O mercado deve ser sempre soberano.

    Obviamente que o emprego se cria apenas com investimento. Nacional como estrangeiro. E, para tal, é preciso dar aos investidores condições que viabilizem e rentabilizem as empresas. Nestas condições, a diminuição da fiscalidade sobre as empresas e as familias é necessaria e que, para tal, é necessario que o Estado reduza despesas publicas.
    Até aqui não é dificil estarmos de acordo.
    Mas, dito isto, discordo das considerações e propostas que faz de seguida.
    Discordo da sua ideia subjacente de que é possivel fazer um ajustamento da economia sem redução do consumo global e, consequentemente, sem recessão.
    Discordo da sua ideia de que a austeridade se deve resumir a cortes nas despesas publicas e que ha cortes que não são recessivos.
    Os cortes nas despesas publicas são naturalmente desejaveis e indispensaveis. Devem ser cortes nos gastos correntes e na estrutura permanente do Estado. O Estado deve ser significativamente reformado e redimensionado.
    Mas todos os cortes nas despesas publicas teem efeitos recessivos. Mesmo aqueles que não dizem directamente respeito a vencimentos e pensões. O efeito multiplicador das despesas faz com que no final sejam sempre afectados rendimentos, procuras, consumos e investimentos privados. A distinção que faz sentido é entre cortes que podem ser feitos mais rapidamente e que teem um efeito orçamental mais imediato e mais importante e cortes mais dificeis de realizar e que devem ser realizados ao longo do tempo. Nos cortes de mais curto prazo é inevitavel incluir a componente dos rendimentos distribuidos pelo Estado, os vencimentos, as pensões, os subsidios. Estes são os cortes que contam verdadeiramente e o governo fez bem em ter começado por eles. Infelizmente, o TC tem vindo a limitar e a dificultar este tipo de cortes.
    De qualquer modo, e até pela dificuldade em cortar mais e mais rapidamente na despesa publica, o aumento de certos impostos nesta primeira fase revelou-se inevitavel. Sem estes aumentos, feitos em boa medida para compensar as perdas de receitas fiscais em consequencia da recessão da economia, a consolidação orçamental não teria avançado. Assim sendo, o governo fez bem em ter concentrado estes aumentos nos impostos sobre o consumo e os rendimentos das familias, preservando assim as empresas.
    Precisamente, o Ricciardi parece sub-estimar ou até ignorar esta faceta da politica de austeridade do governo nesta primeira fase : concentrar o esforço fiscal nas familias preservando ao maximo as empresas.
    Fazer mais pelas empresas no plano fiscal era, e ainda é, praticamente impossivel. Não existe margem orçamental para baixar impostos. O objectivo da consolidação orçamental é e deve continuar a ser prioritario. No fim de contas, esta consolidação é a primeira e a principal condição para que o financiamento da economia seja assegurado e progressivamente melhorado e para que a confiança volte para todos os interlocutores internos e externos, incluindo as familias, as empresas, os investidores em geral. Repito : a primeira e principal condição para favorecer a retoma do investimento e o relance da economia é a consolidação orçamental. Apenas depois desta estar assegurada poderão seguir outras medidas, incluindo a progressiva redução da carga fiscal, a começar por aquela que incide sobre as empresas.
    Infelizmente, as condições politicas internas e uma certa incompreensão e resistencias por parte de certos meios empresariais, não permitiram que fosse aplicada uma medida, dita da TSU, que teria permitido uma primeira redução da fiscalidade sobre as empresas sem por em causa o objectivo prioritario da consolidação orçamental.
    Mas mesmo que existisse alguma margem, e quando esta começar a aparecer, não concordo com as suas propostas de redução de certas taxas e impostos discriminando entre sectores de actividade, tipos de investimentos, nacionalidade das empresas, etc. Como os aumentos, as baixas de impostos devem ser iguais para todos dentro do mesmo tipo de agentes economicos. Não compete ao Estado estar a decidir quais são as actividades e as empresas que devem ser beneficiadas ou penalizadas fiscalmente. O mercado e a liberdade dos agentes economicos são o meio mais adequado para assegurar uma melhor afectação dos recusos disponiveis relativamente às necessidades sociais também elas expressas livremente. Este é também um dos pontos centrais de qualquer politica de cariz liberal.

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    • António's avatar
      10 Julho, 2013 10:00

      ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha….. não encontro outro tipo de resposta…..

      quando o povo estiver habituado a não comer, volto cá…..

      afinal é esse o objectivo…..

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