O que mudou nas últimas 3 semanas
1. Deixou de se falar numa coligação PS/CDS.
2. Provou-se que a esperança de que o governo podia cair por decisão do CDS era infundada.
3. Percebeu-se que o crescimentismo e o anti-austeritarismo tem menos apelo eleitoral do que se pensava.
4. Algumas pessoas perceberam que os juros da dívida pública dependem das nossas opções políticas.
5. A estratégia “um pé fora outro dentro” do CDS bateu na parede.
6. Algumas pessoas passaram a aceitar que a austeridade durará mais tempo do que pensavam.
7. Alguns eleitores perceberam o real valor das propostas de António José Seguro. A alcunha “Tó-zero” tornou-se mais popular.
8. As bases do PSD perceberam que o futuro sem Gaspar é muito parecido com o futuro com Gaspar.
9. As ideias da maior parte dos comentadores foram postas à prova e percebeu-se que não valiam grande coisa. Mas nenhum comentador se demitiu.

“3. Percebeu-se que o crescimentismo e o anti-austeritarismo tem menos apelo eleitoral do que se pensava”.
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Como é que se “percebeu” tal coisa??? Será que houve eleições e ninguém deu por isso?
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Então acha que o *anti-austeritarismo* está casa vez mais * viçoso* ?
Só . . .
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As “minorias” que não pertencem ao BPN, ao Banife, não assinaram PPP nem têm fundações”, estão cada vez mais… “viçosas”.
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Estimado Trinta e três, as sondagens publicadas sugeriam que mais de 65% dos portugueses não queriam eleições, penso que é a isso que o João Miranda se refere.
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Muito bem. Então o João Miranda deve alterar a afirmação, talvez do seguinte modo: “Percebeu-se que as eleições têm menos apelo entre os adeptos do crescimento e do anti-austeritarismo do que se pensava”.
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E como é que o Trinta e tres “percebeu” que que todos (para o Trinta e tres são todos, não é sequer uma eventual maioria de sondados) os portugueses são “adeptos do crescimento e do antiausteritarismo” ???
“Será que houve eleições e ninguém deu por isso?”
E, ja agora, como é que o Trinta e tres “percebe” o facto de 65% dos portugueses sondados não quererem eleições apesar de aparentemente serem todos “adeptos do crescimento e do anti-austeritarismo” ?!…
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Ó Fernando S: Precisamente por isso. A estratégia do Seguro quanto às negociações, se acalmou as tendências internas, deu claramente um sinal aos portugueses, mostrando que, com esse ou outro nome, a austeridade como dogma ia continuar. Para além disso, todas as sondagens o dizem.
Quanto ao resto das suas dúvidas, talvez seja melhor ler a sequência do meu comentário ao João Miranda, para perceber que usei a estrutura da afirmação dele.
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Trinta e tres,
Não sendo naturalmente a isso obrigado, a verdade é que não respondeu minimamente às minhas questões.
Leva-me antes a colocar outras questões para tentar “perceber” melhor qual é verdadeiramente a sua argumentação.
No que é que a estratégia de Seguro, que era a de não entrar em nenhum acordo de regime, “acalmou as tendencias internas” ?!… Quando muito, como sugere o JM, mostrou a alguns portugueses ainda dubitativos que a alternativa à austeridade é a garantia de que a crise se vai agravar e prolongar !…
O que é que dizem as sondagens ?… Que os portugueses gostariam que a austeridade acabasse mas percebem que entre o desejo e a realidade é esta ultima que mais pesa ?!…
A unica coisa que tinha “percebido” do seu comentario foi precisamente que procurou usar a estrutura do João Miranda para tentar dizer o contrario do que ele diz !!
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Fernando S:
Claro que esta troca de comentários está quase imperceptível, até porque o Fernando começou por me dar a autoria de afirmações que não fiz. Mas, adiante.
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Sondagens: Não há qualquer dúvida sobre a avaliação profundamente negativa que os portugueses fazem da ação do governo. O que me parece estar a acontecer (não é um dado seguro), é que o tradicional rotativismo está a perder “encanto”. Há vários aspetos que podem justificar isto, mas, para mim, ainda não são claros, assim como não são claras as possíveis consequências.
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Estratégias: Temos, hoje, elementos mais do que suficientes para concluir que, quer Seguro, quer Coelho, não estavam minimamente interessados numa aproximação e apenas responderam a um apelo do PR- que, por sua vez, foi absolutamente “assassino” para o CDS, já que apresentou a atual remodelação como uma segunda escolha. Só que, quer no PSD, quer no PS, havia (e há) adeptos duma alternativa tipo “bloco central”. Foi a eles que Seguro e Coelho quiseram responder.
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Trinta e tres,
Concretamente, exactamente, quais são as afirmações que não fez e que eu lhe teria atribuido ??…
Quanto às sondagens … Pelos vistos para si as sondagens interessam quando dão resultados que parecem confortar a sua visão das coisas, isto é, quando são desfavoraveis ao governo, mas ja não contam (“Será que houve eleições e ninguém deu por isso?”) quando mostram que uma maioria dos portugueses sondados não deseja eleições antecipadas.
No minimo, as sondagens mostram que os portugueses gostariam que a austeridade acabasse (mas eu também gostaria, se fosse possivel !…) mas que não acreditam na alternativa “crescimentista” do PS de José Seguro. Obviamente que acreditam ainda menos nas “soluções” ainda mais suicidarias da extrema esquerda. Desengane-se, não ha qualquer alternativa politica viavel ao “rotativismo” tradicional. E ainda bem, porque de soluções “perfeitas” esta o inferno bem cheio !!
Quanto a estratégias …
Seguro não esta interessado em qualquer compromisso para continuar a politica de austeridade e ajustamento previsto pelo memorando de entendimento com a Troika. Esta convencido, e infelizmente tem razões para isso, que continuando a fazer uma oposição frontal à politica do governo o seu partido vai ser o mais votado nas proximas eleições.
Passos Coelho teria naturalmente todo o interesse em associar o PS a uma maioria de apoio à aplicação do memorando. Seria bom para gerar um certo consenso interno, seria optimo em termos da imagem de Portugal no exterior e nos mercados. Mas, no fim de contas, ja ha muito que percebeu aquilo que salta aos olhos de todos, que o PS não esta minimamente interessado num compromisso para aplicar o memorando.
O falhanço das negociações era previsivel. Por tudo isto é que a iniciativa do Presidente da Republica foi inutil e uma perda de tempo,
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Afirmações que não fiz e que me atribuiu? As que iniciaram o seu primeiro comentário: “E como é que o Trinta e tres “percebeu” que que todos (para o Trinta e tres são todos, não é sequer uma eventual maioria de sondados) os portugueses são “adeptos do crescimento e do antiausteritarismo” ???”
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Sondagens: Valem o que valem e até já permitiram a Paulo Portas fazer uns brilharetes (por terem falhado). Dou-lhes a importância de serem meros indicadores e, como tal, indicam uma total desaprovação da política do governo. Só não dão maiorias absolutas a ninguém. Diz o Fernando que isso se deve ao facto do povo saber não haver alternativas. Pela parte que me toca, sou mais prudente e espero para ver, já que as maiorias absolutas nunca deram bom resultado em Portugal e o rotativismo, num quadro partidário de poucos princípios e muitos interesses, está mais do que esgotado. Historicamente, sempre pareceu não haver alternativas, até… aparecerem. Muitas vezes da forma mais violenta.
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Estratégias: Apesar do Fernando nunca o reconhecer, Passos Coelho está politicamente morto. O golpe de midericórdia foi dado, não pela pressão do CDS, mas sim pelo modo como Vítor Gaspar saiu. Ele (Coelho) sabe-o, a Europa sabe-o, o PSD sabe-o, o Cavaco sabe-o e o Portas também. Este último, tentou aproveitar-se da situação, mas foi travado pelo PR (e não pelo Coelho). Só houve um problema: para convencer o PS a negociar, era preciso dar-lhe um “rebuçado” (eleições em 2014) que, para P. Coelho, era a subalternização total- por isso mesmo, ele nunca esteve empenhado nas negociações, como o provou com o inábil discurso feito na AR.
Do ponto de vista do PS, a situação era um pouco diferente: era preciso satisfazer várias correntes (nalguns casos, totalmente opostas), mas o horizonte de ação é maior, já que, quanto mais tempo passar, mais hipóteses tem de reforçar a sua posição, ou seja, as intenções de voto. Se o vai conseguir, ou não, não sei. Aqui sou mais prudente do que o Fernando e não arrisco uma conclusão quanto à cada vez menor credibilidade do rotativismo. Veremos.
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Trinta e tres,
Quanto às afirmações que lhe atribui …
Dou-lhe agora razão : o seu comentario não pressupõe que todos os sondados sejam adeptos “do crescimento e do anti-austeritarismo” e chama apenas a atenção para o facto de uma parte destes ultimos não serem adeptos de eleições antecipadas.
“Percebi” mal este aspecto e peço-lhe desculpas por isso.
Dito isto, aquilo que quiz essencialmente contestar foi a sua ideia de que os resultados das sondagem não servem para se “perceber” o que se passa apenas quando não são desfavoraveis ao governo de Passos Coelho (“Será que houve eleições e ninguém deu por isso?”) mas ja servem para “perceber” que uma maioria de portugueses são “adeptos do crescimento e do anti-austeritarismo” !…
Os resultados das sondages, mesmo não tendo o rigor e o valor que teem as eleições, servem certamente para se tentar “perceber” a realidade, devendo no entanto ser interpretados com reservas e prudencia.
Por exemplo, as sondagens não deveriam ser instrumentalizadas para exigir a demissão de um governo legitimo e com maioria parlamentar.
De resto, no segundo paragrafo do seu comentario anterior, o Trinta e tres parece reconhecer que as sondagens não substituem as eleições e que devem ser sempre interpretadas com prudencia.
Seja como for, o Trinta e tres interpreta as sondagens existentes como dando a indicação de que para uma maioria dos portugueses o “rotativismo” esta esgotado.
Esta é talvez a sua opinião. Não me parece que se possa dizer que é a da maioria dos portugueses.
Não sei se algum dia vai aparecer alguma alternativa viavel ao actual “rotativismo”, seja ela qual for. Mas não me parece que seja hoje uma possibilidade realista.
Pela minha parte não acredito em alternativas milagrosas. Nem as desejo. Normalmente dão resultados ainda piores,por vezes muito piores, do que aqueles que resultam da alternancia entre partidos “tradicionais” de centro-direita e centro-esquerda.
O “rotativismo” actual é suficiente para representar a existencia de, como diria José Seguro, dois caminhos para governar Portugal.
O que mais conta é saber para que lado os portugueses se inclinam agora e se vão inclinar no futuro.
Como sabe eu inclino-me claramente para um lado … E o Trinta e tres, vai continuar a inclinar-se à esquerda enquanto espera pelo fim do “rotativismo” ??!!… 😉 🙂
Quanto à questão das estratégias … Claro que é uma matéria que se presta a todo o tipo de especulações … Concordo com algumas das suas observações, não concordo com outras …
Passos Coelho “esta politicamente morto” ?… Ja ouço dizer isso ha muito tempo … e a verdade é que continua a ser o PM português !…
Pelo meu lado, espero bem que não esteja, pela simpes razão de que, de entre as muitas sensibilidades e orientações que contam dentro do “centro-direita”, parece-me que Passos Coelho representa politicamente aquela que tem uma visão mais lucida sobre a situação do pais e sobre a politica a seguir para fazer face à actual crise e reformar a economia.
Se e quando Passos Coelho sair efectivamente da cena politica, ou deixar de representar a menos ma das opções politicas disponiveis no “mercado”, então nessa altura, e não antes, colocar-me-ei a questão de saber qual é a melhor opção alternativa !
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10. A seguir a dois anos de austeridade seguem-se dois anos de criação de emprego
11. Já não faremos mais posts sobre os nossos amigos da Super-Bock
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E percebeu-se que assim como passolas fez tudo, num à vontade de quem mente e procede com desonestidade, no que se sente como peixe na água, para apanhar o pote, fará o mesmo, as vezes que for preciso,definitivamente, por resguardá-lo, o pote, a distribuir por quanto boy especialista do psd e cds-pp se encontre, até ao fim dos tempos, com cavaco a ajudar e o portas, mesma seita de famelga. E isso é que é governar, não como aquele boy de sokras de outra seita, que se abalançou a governar, ingénuo, em minoria na assembleia, com que eu o deitei abaixo, num ai, diz o passolas, e foi bem feito .
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12. Paulo Portas sempre foi nosso amigo do peito
13. Cacavo já não é keynesiano
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10. Só jornalismo idiota aceita manter comentadores sempre desmentidos pela realidade – tal qual como no futebol, a Constança bacalhau seco à gomes de Sá parece o Rui Prantos…
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pode parecer, a Constança, mas não inventa nada e no que diz não vai além do que se mete pelos olhos dentro a qualquer um, até cegos…
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Nã, nem ouço o Prantos nem como o que a Constança cospe no prato, apesar de gostar de bacalhau mas o dela é muito fraco…
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É patente que parte significativa das pessoas que alterna o voto passou a compreender que Portugal faz uma travessia perigosa em cima de uma corda e qualquer passo ao lado sugerido pelos palhaços do regime dá em queda livre. Mas a televisão está cheia de palhaços e papagaios-tudólogo, todos eles com a particularidade de nunca falarem em números (muito menos saldos), mas sim em “social”, “cultura”, “900 anos de história” e outras expressões encantadoras. Outra coisa que é notória é que a cara do deputado Alberto Martins de repente deixou de ser igual à do avatar do “Portela Menos 1”.
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O que as “pessoas perceberam” foi que a alternativa ao Coelho se arriscava a ser, apenas, de nome.
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Vai-se escolhendo o menos péssimo para governar. 🙂
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A mais engraçada:
“9. As ideias da maior parte dos comentadores foram postas à prova e percebeu-se que não valiam grande coisa. Mas nenhum comentador se demitiu.”
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A menos abrangente ( toda a gente se tinha apercebido que Gaspar não acrescentava nem desacrescentava nada):
“8. As bases do PSD perceberam que o futuro sem Gaspar é muito parecido com o futuro com
Gaspar.”
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A mais realista:
“6. Algumas pessoas passaram a aceitar que a austeridade durará mais tempo do que pensavam.”
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A mais desculpabilizante:
“4. Algumas pessoas perceberam que os juros da dívida pública dependem das nossas opções políticas.”
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A menos razoável, pelo menos no que diz respeito ao crescimento:
3. Percebeu-se que o crescimentismo e o anti-austeritarismo tem menos apelo eleitoral do que se pensava.
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A menos provada (desta vez foi quase, depois logo se vê):
“2. Provou-se que a esperança de que o governo podia cair por decisão do CDS era infundada.”
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A ordem é do fundo para o cimo. Espero que João Miranda não se demita, a não ser que vá para o governo. 😉
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excelente resenha, Fincapé .
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O que mais visivelmente mudou nas últimas 3 semanas foi o semblante de Portas.
De um sorriso cínico passou a uma expressão assustada.
Coelho mantém a maquilhagem e Cavaco aumentou a medicação.
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Tenha vergonha e DEMITA-SE, Piscoiso.
Está de tal forma a malta informada da sua dependência
que, agora, está apenas a atrapalhar a vida ao seu *dono* . .(e de que maneira . . .)
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então e o novo ciclo?
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Tric: o novo “ciclo ” tem duas vias : 1ª – Novo resgaste à Grega;
2ª -Regaste à Chipre
Na 2ª via ,é conveniente fixarmos os nomes dos responsáveis, à epoca ,pela governação . O meu augúrio é que o “engenheiro” em Paris vai ter novos vizinhos ,mas sem direito a comentários na RTP. Pessoalmente ,não tenho pena nenhuma destes governantes, que se continuam a passear a carros de topo de gama e vão deixar o país entregue às ajudas da FAO.
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10. Percebeu-se que quem ganharia as eleições agora seria o PS porque o eleitorado, estupidamente, não premeia o excelente trabalho que o governo tem feito.
11. Ficou claro se o CDS quiser o governo cai. Basta o irrevogável ser irrevogável. E ficou ainda mais claro que, como é assim, o CDS, que teve 12% nas urnas, vai ter muito mais poder no governo, incluindo um vice-primeiro-ministro.
12. Ouviu-se Gaspar, Cavaco e o CDS a pedirem políticas de crescimento, o que não se compreende. Continuar tudo como esta é que é bom.
13. Algumas pessoas passaram a aceitar que a austeridade durará mais tempo do que pensavam, até porque provoca recessão, e por isso mais austeridade, e assim sucessivamente.
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Concordo com o nº 1.
Temos de eliminar a gordura da barriga, quer queiramos, quer não.
E temos do fazer todos os dias, aplicando uma regra que todos conhecemos:
Não esbanjar…
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de eu fosse representante dos relógios da marca
___________________EDPREITAAGORAAJADEPOIS_______
e metesse um anúncio (disfarçado) de promoção teria (e muito bem)
interdição de o fazer.
Quanto aos Partidos Políticos é porta aberta.
Exige-se que a ASAE garanta que sejam de exclusiva utilização
do cidadão comum e não sirva de Placard Publicitário.
QUEM ME ACOMPANHA NESTA LUTA PELA DECÊNCIA?
(Quando será que poderemos por KO os Piscoisos?)
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Nas últimas 3 semanas mudou o tipo e o estilo de rasteiras políticas e ergueu-se um monumento a isso – a carta do Gaspar.
Documento que terá entrado imediatamente no índex…
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rnando S HIPERLIGAÇÃO PERMANENTE
23 Julho, 2013 15:34
E, ja agora, como é que o Trinta e tres “percebe” o facto de 65% dos portugueses sondados não quererem eleições apesar de aparentemente serem todos “adeptos do crescimento e do anti-austeritarismo” ?!…
_________________________
Percebe-se lindamente______________os Portugueses foram sempre
____________________uns poetas.
Mas o que ficou patente é que os adeptos das Eleições JA!
Sócrates 29 Julho, Piscoiso 30 Julho, saíram derrotados.
(mesmo que Piscoiso 28 Julho tivesse preferido o contrário:
cumprir a Constituição____4 anos para cada governo eleito.
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minivan (23 Julho, 2013 13:26) :
“12. Ouviu-se Gaspar, Cavaco e o CDS a pedirem políticas de crescimento, o que não se compreende.”
Não é que isto tenha agora uma grande relevancia … Bem ou mal, Gaspar saiu de cena !…
Mas este tipo de frase é um exemplo do que é um grande equivoco, se não for mesmo uma deliberada desinformação propagandistica : estar-se agora a dizer que Gaspar, que até ha poucos dias era apontado como sendo a cabeça e o guardião da austeridade, “pede politicas de crescimento” !..
A unica declaração de Gaspar apos o seu pedido de demissão é … a carta com o seu pedido de demissão.
Acontece que nesta carta não ha nada, absolutamente nada, que permita concluir que Gaspar passou a renegar a austeridade e a defender as “politicas de crescimento” em alternativa.
Gaspar reconheceu que a politica de austeridade teve custos sociais, em particular ao nivel do desemprego jovem, e que estes foram maiores do que as suas proprias previsões iniciais. Até aqui nada que signifique um qualquer reconhecimento de que a austeridade não era necessaria e de que foi um falhanço. Antes pelo contrario, a carta contém em diferentes momentos, frases que dizem claramente que a austeridade era inevitavel, que os resultados obtidos foram positivos, que se deve continuar com o processo de ajustamento tal como previsto desde o inicio no acordo com a Troika. A unica alusão a uma nova fase aparece quando Gaspar lembra que o processo de ajustamento chegou a um momento em que o desinvestimento passa a ser superado pelo investimento. Tal como sempre esteve previsto. Nada de novo, nenhuma mudança de rumo.
Gaspar nunca se refere a medidas concretas no sentido de favorecer o investimento. Talvez pudesse admitir algumas das que o Ministro da Economia, Alvaro Santos Pereira, tem procurado propor e implementar. Principalmente linhas de crédito para as empresas e alguma redução da fiscalidade, sobretudo a pensar no investimento estrangeiro. Mas tudo isto é pouca coisa e, sobretudo, com muito pouco impacto orçamental. O que é certo é que nada disto tem a ver com as famigeradas “politicas de crescimento”, de investimento publico, de gastos publicos, de aumentos de salarios e pensões, no sentido de estimuar o consumo e a procura internas. Estas sim, seriam medidas em sentido oposto ao da austeridade e com um forte impacto orçamental. O mais longe que Gaspar vai na sua justificação tem a ver com o que ele chama “a credibilidade” pessoal. Nesta nova fase o mais importante é que o governo seja credivel e que os agentes economicos tenham confiança. Gaspar pensa certamente na certeza e na previsibilidade da politica economica e financeira do governo. E aqui chegamos às verdadeiras razões da demissão. Gaspar não se demitiu por ter chegado à conclusão de que a “sua” politica de austeridade estava errada e de que era preciso mudar de politica. Nada que se pareça. Se assim fosse seria o mundo às avessas e nada mais faria sentido. Foi precisamente o contrario. No fim de contas, decidiu sair do governo porque sentiu que a oposição interna a uma rigorosa politica de austeridade, como ele sempre defendeu com unhas e dentes, que vinha de varias sensibilidades dentro da coligação PSD-CDS, e que dentro do governo era sobretudo assumida por Paulo Portas, se estava a tornar cada vez maior e estava a por em causa a sua autoridade de Ministro da Finanças e numero 2 do governo. Nestas condições, eventualmente prevendo que se tratava de uma batalha perdida por antecipação, achou preferivel sair pelo seu proprio pé. Trata-se de uma decisão pessoal, que é discutivel, até por todos os problemas que acabou por provocar, mas que se deve respeitar como tal.
O que não faz qualquer sentido é dizer que Vitor Gaspar saiu porque reconheceu o falhanço da “sua” politica e passou a defender o contrario daquilo que sempre defendeu !!
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O TóZero desistiu de vir a ser PM, mas já temos o Hollande português: o alcaide de Lisboa, ao pretender “governar em contraciclo”. Contra “o custo da austeridade”, mas com rigor. O homem sonha.
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Grande comentário. Sublime. Parabens.
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