O ministro que não era
Alvaro Santos Pereira, como estrangeirado que era, aterrou no governo e sentiu-se perdido. Achou que podia tentar alguma coisa, sem conhecer o terreno. Andou aos papeis meses e meses.
Quando o seu secretário de Estado da Energia, farto de ver o seu trabalho boicotado no interior do próprio governo bateu com a porta, o champanhe jorrou na administração da eletrica nacional. Santos Pereira deixou nesse momento de ser ministro. Mas nem na hora da verdade soube agir. Aceitou, agachou-se, calou, tal era a sua vontade de ser aceite. Desde então passou a ter boa imprensa. Puseram-lhe o braço pelos ombros e disseram-lhe, «você portou-se bem, deixou-o cair, pois era o que merecia. Andava perdido, mas agora encontrou o caminho. Veja, é por aqui que vamos. Juntos». E finalmente deixaram-no lançar as suas medidinhas em paz.
Na primeira oportunidade correram com ele, pois era completamente descartável. O seu poderzinho era tão minúsculo que só conseguiu deitar atabalhadoamente mão a uma vingançazinha em cima da hora: o contrato de contrapartidas dos submarinos. Coisa que de imediato foi neutralizada com uma nova «avaliação da situação»….
Pires de Lima é todo o inverso do seu antecessor. O típico ministro do regime. Sabe quem tem de respeitar, a quem tem de agradar, mas também a quem pode ignorar ou mesmo pisar um bocadinho os calos para dar imagem de autoridade, Sabe que medidas lançar para mostrar «iniciativa» e retirar capital político. Não mudando nada de essencial, terá sempre boa imprensa,

“Pires de Lima é todo o inverso do seu antecessor. O típico ministro do regime.”
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só aquela de fechar fabricas em Portugal para as deslocalizar para Angola…em nome da Internacionalização da economia…e depois ainda recebe um prémio,,,
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“Pires de Lima é todo o inverso do seu antecessor. O típico ministro do regime.”
Isto parece-me ser um eneorme elogio ao seu antecessor…
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Este país é uma merda !!
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Concordo no essencial com a análise de GSilva sobre ASPereira.
Sobre PLima, de facto “sabe quem tem de respeitar” (pudera !), “a quem tem de agradar (óbvio, para isso foi COLOCADO por interesses que se desvendarão…) e, “a quem pode ignorar (a pedido).
PLima será mais um apparatchik de interesses do que ministro ao serviço do Estado.
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…Constataremos tudo isso se o governo cumprir a legislatura…
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O Alvaro
Foi o único ministro dedicado às decantadas “reformas estruturais”. No meio de muita tralha, fez, apesar de tudo, a mais importante reforma laboral desde 1975 e tentou desafiar poderes rentistas (como na electricidade), tudo coisas com real importância para a competitividade. Pois foi a única vítima do “novo ciclo”, curiosamente dedicado ao “crescimento”.
Os comentários à sua partida foram depreciativos, amarfanhantes mesmo. No jornal ‘Expresso’, por exemplo, num daqueles sítios de seta para cima e para baixo, foi visto como o “patinho feio” que “não deixa saudades”. Mas recorde-se a verdadeira moral da fábula: o patinho feio era, afinal, um belo cisne. Bem, não é fácil ver Álvaro encarnar num belo cisne, mas ajuda compará-lo com os tristes patinhos que ficaram.
Álvaro foi despromovido, ou terá antes sido promovido para fora do Governo?
PS – Luciano Amaral CM.
Acrescento eu: “O Alvaro no partido das loooooongas noite das naifas…”
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ASPereira certamente não brincaria na Comporta ou noutros locais, “aos pobrezinhos”, como afirmou uma gaja “espírito santa”ao Expresso.
PLima não enjeitaria um fim-de-semana por lá, acompanhado por tão ilurtre famíla brincalhona…
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Sabe, numas comparações à última hora, podíamos comparar Álvaro Santos Pereira a Adelino Amaro da Costa: ambos acreditaram naquilo que estavam a fazer. Felizmente, Santos Pereira foi suficientemente inteligente para fugir a tempo.
A outra comparação pode ser com aquele magistrado italiano muito famoso nos anos 80 que tentou combater a máfia e foi morto num atentado bombista.
Moral da história, se Álvaro Santos Pereira queria ficar vivo, fez o correto (escapou a tempo da morte), se queria salvar o país, devia ter vindo com um ou dois batalhões de capacetes azuis (só para o que desse e viesse).
Mas sim, Pires de Lima nunca sofrerá consequências de nada, ele é o homem certo para o regime (de facto, ele é o nosso típico empresário português, o modelo de empresário que descredibiliza a inexistência de legislação laboral que o seu colega Rui defende noutro post).
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O nível da expectativa que a Direita criou em volta de Pires de Lima será fatal na avaliação dos seus actos políticos.
O actual Governo passou por uma remodelação que manteve ou intensificou a incoerência inicial.
Portas nunca deu provas de ter capacidades de coordenação da área económica e envaidecidamente aceitou assumir o controlo das relações com a troika, quando continua excluído das reuniões do Conselho Europeu, do Eurogrupo e do Ecofin, onde hoje quase tudo se decide e amanhã essa capacidade interventiva estará reforçada com a programada saída do FMI da actual troika.
Pires de Lima não vai necessitar de muito tempo para verificar que é muito diferente ser um empresário de sucesso do que um bom político.
A situação financeira garrota toda e qualquer veleidade a desempenhar pela economia real. Na verdade, a recessão económica [e o desemprego] é um componente (intencional) do ‘ajustamento’ imposto e cedo o novo ministro verificará ‘isso’.
Pires de Lima não está imune a ter de cometer os mesmos erros que Álvaro Santos Pereira. Não falará dos pastéis de Belém mas corre o risco de mergulhar na espuma da crise económica ficando prisioneiro da sua insustentável leveza. Porque lidar com ‘produtos’ com espuma tem sido a sua actividade (na empresa donde provém e no CDS).
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Boa análise de Gabriel Silva. Desde que li, há anos, o livro do Álvaro “Os Mitos da Economia Portuguesa” que passei, simultaneamente, a respeitá-lo e a discordar do seu liberalismo. Lembro-me ainda razoavelmente daquela teoria da independência da Madeira, se eles forem economicamente viáveis. Quando não se é viável, come-se dos viáveis; quando se é viável manda-se apanhar no tal sítio os que nos fizeram viáveis. Esta é uma das partes da discordância… profunda. A do respeito tem a ver com o seu contributo, na altura ainda incipiente, para descodificar a economia portuguesa. Hoje até José Gomes Ferreira, com algum mérito que terá, apesar de se tentar entrevistar semanalmente, recorrendo a outra figura, escreve programas de governo… que não são programas de governo.
Se Gabriel Silva continuar bem encaminhado, como hoje, poderei vir a concordar (mais ou menos) com ele no futuro. 😉
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Scary movie (um dos muitos)
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