Os trabalhadores e a oligarquia sindical
2 Outubro, 2013
Em França, a cadeia Monoprix pretendia que as suas lojas estivessem abertas até às 22h. Para o efeito fez um acordo com os seus trabalhadores: des majorations de 25 à 35 % des salaires, des repos compensateurs supplémentaires ainsi que des mesures sur la sécurité ou la mobilité des salariés concernés, qui sont tous volontaires.
A proposta foi aprovada maioritariamente pelos trabalhadores. Mas não só Tribunal de Versalhes considerou o acordo de empresa não válido como o sindicato CGT exerceu o seu direito de oposição maioritária. Logo o Monoprix vai passar a fechar às 21.
36 comentários
leave one →

Tudo legal, pois.
E no entanto não são poucos os que parecem não compreender que o alcance das leis (democraticamente ratificadas e instauradas) visa horizontes bem mais largos do que aqueles afectos ao horizonte e empirismo pessoais…
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A HM esquenceu involuntariamente este paragrafo e por isso nao se entende bem a polémica montada…
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Contactée par l’AFP, la CGT a défendu sa position. “Le travail de nuit nuit”, a déclaré Stéphane Fustec, de la CGT Commerce. “On a un refus de travailler la nuit exprimé majoritairement par les salariés”, a-t-il argué.
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“On a un refus de travailler la nuit exprimé majoritairement par les salariés” – Não a maioiria no Monoprix
“Le travail de nuit nuit – Mas qual noite? Certamete que o desemprego é mais prejudicial, Pela mesma ordem de ideias não haverá televisão nem jornais
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A Helena revela óbvios problemas de relação com a abstracção da lei…
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A França também leva um belo funeral. Quem os viu e quem os vê. Mas há uma data para o inicio da decadência: 1981, ano em que os socialistas chegaram ao poder. A partir daí, a França nunca mais foi a mesma. Depois de 22 anos de progresso e desenvolvimento social e económico, em 1981 a França entrou num processo de estagnação e decadência de onde nunca mais vai sair. O responsavel tem um nome: François Miterrand.
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Mais um mitólogo de serviço…
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É mais facil um burro passar pelo buraco de uma agulha, do que uma sigla debitar uma ideia…
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Também já compreendemos que tem bastante dificuldade em detectar ideias implícitas…
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A solução que a Helena parece defender, é acabar com as leis, já que os governantes não conseguem arranjar alternativas. Sem leis, sem tribunais… isso é que era poupar. Já agora, liberalizava-se o uso de porte de arma (eis um nicho de mercado) e só era preciso saber o que se fazia com tanto advogado (o que se afigura de alguma dificuldade…).
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Eu sei que o francês não é uma língua muito aprendida hoje mas onde é que nas notícias sobre os horários de trabalho no Monoprix se fala de armas?
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Helena:
É o seu comentário peca pelo português, não o meu pelo francês. Não disse que se falava de armas. Disse que a sua conclusão, levada às últimas consequências, dá no “salve-se quem puder”.
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Eu tenho uma empresa e chego a acordo com os meus empregados para alargar o horário em mais uma hora, em vez de fechar às 21 fecho às 22. O tribunal e a central sindical acham que o acordo não vale e nada feito. Em seguida acabam as leis e vamos todos comprar armas. Brilhante, nem o Mário Soares.
Grande Trinta e três
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Como deve saber, a lei, exceptuando indicação contrária, tem prioridade sobre acordos que não se cinjam ao enquadramento explicitado pela lei ou articulação de leis.
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Nem mais!
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Luís Marques:
Uma boa história tem que ser um pouco mais trabalhada. Comecemos pelas armas e pela ausência de leis e tribunais (constitucionais ou outros). Resolvemos tudo ao tiro- é a lei da selva. Ora, esse parece ser o objetivo dos que vêm para aqui criticar a recusa dos tribunais em permitir medidas ILEGAIS. Além de fingirem não perceber a função dos tribunais, fingem também esquecer que, por enquanto, as leis são democraticamente aprovadas. Por enquanto…
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Assim sem pensar muito, acho que uma empresa que não cumpre as leis em vigor entra em concorrência desleal com as que cumprem. Se calhar devia pensar mais…
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Por vezes surge-me a suspeita que alguns bloggers ditos de referência não compreendem cabalmente a existência da lei e dos seus efeitos implícitos.
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Isso não passou pela cabeça da Helena.
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São “as leis em vigor” que estão a levar a Europa para o beco sem saída em que se meteu. Aqui não está em causa o cumprimento da Lei; o que está em causa é que estes acordos feitos directamente entre empregados e empregadores rebentam com o poder divino dos sindicatos e de quem os controla.
O que ditou a saída do Carvalho da Silva da CGTP e do PCP, foi não ter conseguido evitar o acordo de empresa na AutoEuropa. Ele bem tentou lá entrar, mas o Chora não deixou.
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Errado! O que está em causa no exemplo da Helena, é a ilegalidade.
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A) um acordo de empresa está desprovido de legitimidade?
B) Um acordo de empresa é menos legítimo que a negociação colectiva? Porquê?
C) Se o Monoprix abrir até às 22h os seus concorrente não podem tb fazê-lo? Qual a deslealdade?
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Qualquer acordo só é válido se tiver suporte legal. Ponto.
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Esta Helena é insaciavel…
Ja nao chega com ter as tendas dos chineses abertas até a meia noite..)
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tendas = lojas
Glup
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Se o Monoprix abrir até Às 22h os outros supermercados terão de o fazer também, apesar de os seus trabalhadores não o pretenderem. Seguidamente os trabalhadores do Monprix irão abrir até às 24h e o processo recomeça.
Ao instituir uma concorrência sem regras num mercado de trabalho com muito desemprego acabamos por aceitar de tudo. O argumento que é melhor que estar desempregado não serve. É o argumento com que se justifica o trabalho infantil (os nossos pais foram trabalhar aos 12 anos porque era melhor do que morrer de fome), o assédio no local de trabalho (é melhor fazer um “jeito” ao chefe do que estar desempregado) e uma série de outras tropelias.
Repare que a longo prazo perdemos todos. Ao diminuirmos os impostos sobre o capital e ao diminuirmos os salários acabamos por cortar tanto nas receitas do Estado que este deixa de poder cumprir as suas funções.
Se gosta de impostos baixos, desregulamentação total do trabalho e um Estado mínimo não necessita de estar à espera da transformação de Portugal, basta-lhe emigrar para o Sudão ou para o interior do Afeganistão.
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As leis do estado são um “contrato” entre todos os cidadãos,empresas, etc. a sua prevalência sobre os acordos, contratos ou afins, particulares são a base de qualquer civilização equilibrada e a sua maior força.
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Sugiro-lhe o estudo da legislação laboral antes de se abalançar em questões de filosofia do direito…
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Os acordos de empresa estão previstos na legislação. O que está em causa é a possibilidade de um sindicato o vetar. É essa legitimidade que neste momento se discute em França. As legitimidades não são imutáveis. Nesse caso tornam-se privilégios.
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Se falarmos em termos filosóficos nada é imutável, mas em termos “reais” a afirmação : “As legitimidades não são imutáveis. Nesse caso tornam-se privilégios.” não tem nenhum suporte. É bonita, mas na realidade quer dizer o quê?
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O “voluntário” tem significados diferentes conforme o nível a que se está… ainda me lembro dos super portugueses também “voluntariamente” alterarem horários. Ou seja quem não cede vai para turnos indesejáveis ou para a rua. A única diferença aqui é mesmo a existência de um sindicato que se conseguiu opor protegendo os associados e os que não o são também.
Tem o se quê de originalidade falar na grande distribuição e ver oligarquias na sindicalização e não no resto. A isto é que se chama dar novos significados aos termos até que o original seja indecifrável.
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Em tempos, num grande estabelecimento de Genève, pude ver vários cartazes que diziam: «Assina o baixo-assinado a favor do aumento do horário de trabalho». O mais espantoso é que era assinado pela Comissão de Trabalhadores!
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A segunda circular deve estar cheia deles…. sente-se a vontade popular…
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A culpa é de quem se organiza em estruturas sindicais para defender interesses comuns, das leis que não estão feitas a gosto, dos tribunais que defendem essas leis, da comunicação social que está dominada por comunistas, dos socialistas e social-democratas que não são mais que comunistas encapotados porque até partilham o prefixo.
A culpa é dos outros, sempre dos outros.
Porque “nós” carregamos o fardo da verdade e não a conseguimos fazer singrar.
Nem sequer mentindo.
É fodida, a democracia…
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“Porque “nós” carregamos o fardo da verdade e não a conseguimos fazer singrar.”
Quase que se ouve um amém virtual da congregação.
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Se o objetivo da Helena era apresentar os sindicatos como maus e as empresas como bons, só se esqueceu de um pormenor: em Portugal a empresa obrigaria a trabalhar mais horas e nem receberiam o salário mínimo nacional (como são lojas, desculpavam-se com part-times de seis horas por dia, seis dias por semana, como faz o Continente). Essa Helena, é a realidade em Portugal, realidade de que a Helena se esquece demasiado facilmente enquanto procura notícias que favoreçam os seus pontos de vista (geralmente só encontrando notícias em França, porque será?).
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http://www.liberation.fr/economie/2013/10/02/travail-du-dimanche-travail-de-nuit-si-vous-n-avez-rien-compris_936445
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