Já não é véspera de feriado
O meu avô paterno faleceu um ano antes de eu nascer. Eu, que nasci num 31 de Outubro, véspera de Dia de Todos os Santos, dia que agora se decidiu convencionar como sendo de Halloween1, habituei-me a festejar o aniversário em véspera de feriado. Foi assim toda a vida até hoje, dia que não é, pela primeira vez, véspera de feriado; não era um feriado qualquer: era o feriado que juntava a família alargada em torno da campa do meu avô e outros, da sua geração, nascidos ainda no século XIX e combatentes na 1ª Guerra Mundial. Mais que um feriado religioso, era um feriado ecuménico, que unia famílias com católicos e agnósticos, protestantes e ateus no mesmo local e com um propósito comum.
Ao longo dos anos, foram-se aglomerando as lápides de outros familiares, cada vez mais próximos, até que um desses fins bateu à minha própria porta. O ritual do 1 de Novembro manteve-se, diminuindo os do lado de cá em visita ao número crescente dos do lado de lá.
De todos os feriados religiosos, o dia 1 de Novembro sempre foi o que, pelo menos na minha família, transcendia a igreja católica. Era o único feriado que tinha uso real como feriado, celebrando os vivos através da recordação dos mortos. Lamento que, de entre os feriados religiosos, se tenha optado por cortar aquele que efectivamente era o mais abrangente para a comunidade. Quem usa o dia da Imaculada Conceição de uma forma que justifique a manutenção do feriado, pelo menos, comparativamente com o uso que o 1 de Novembro sempre teve?
Mas pronto, mantenha-se o 15 de Agosto e o 8 de Dezembro. Está decidido, está decidido. Espero, porém, que reconsiderem.
1 Eu chamava-lhe “dia das bruxas”. Sendo o meu aniversário, conhecia a efeméride mas não me recordo de outros colegas da escola conhecerem o dia de Halloween.
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PARABÉNS.
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Eheheheh! Obrigado.
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