O prefácio de Cavaco Silva deixou muitas almas em estado de choque. Afinal a austeridade não vai acabar. Pois não. Basta recordar as regras que foram aprovadas na União Europeia e com as quais se comprometeram PSD, PS e PSD. Cito o prefácio:
– No que se refere à política orçamental, os Estados da Zona Euro devem assegurar um défice das administrações públicas não superior a 3 por cento do PIB e um défice estrutural (…) não superior a 0,5 por cento.
– Em caso de défice excessivo, o défice estrutural deve ser reduzido pelo menos 0,5 por cento do PIB em cada ano.
– No caso de excesso de dívida pública, em relação ao valor de referência de 60 por cento do PIB, os Estados-membros deverão reduzi-la ao ritmo médio de um vigésimo por ano. O cumprimento desta regra por parte de Portugal apresenta-se bastante exigente, tendo em conta que se prevê que, em 2014, a dívida pública seja superior a 126 por cento do PIB.
– Pressupondo um crescimento anual do produto nominal de 4 por cento e uma taxa de juro implícita da dívida pública de 4 por cento, para atingir, em 2035, o valor de referência de 60 por cento para o rácio da dívida, seria necessário que o Orçamento registasse, em média, um excedente primário anual de cerca de 3 por cento do PIB. Em 2014, prevê-se que o excedente primário atinja 0,3 por cento do PIB.
– A partir do Orçamento para 2014 os Estados-membros submeterão as suas propostas de Orçamento, assim como o quadro macroeconómico em que se baseiam, à Comissão Europeia e ao Eurogrupo antes de serem submetidas aos respetivos parlamentos nacionais. A Comissão pode requerer a revisão das propostas de Orçamento.
– Os países da Zona Euro que beneficiem de programas de assistência financeira, como é o nosso caso, estão sujeitos a uma supervisão económica e orçamental reforçada, como a que tem vindo a ser regularmente efetuada pela “troika”. Depois de concluir os respetivos programas de ajustamento, estes países continuarão sujeitos a uma supervisão pós-programa até terem reembolsado pelo menos 75 por cento dos empréstimos que lhes foram concedidos pela União Europeia. [Ora no nosso caso] não se prevê que ocorram reembolsos antes de 2025 e que a percentagem de 75 por cento dos reembolsos seja atingida antes de 2035.
Nada disto devia surpreender ninguém, pois são regras bem conhecidas e pacatamente aceites.
Não gostam? Então digam com clareza como se pode fazer de forma diferente. Fora do euro? Fora da Europa? É uma escolha. Era bom que alguém a defendesse assumidamente nas próximas eleições.
Eu só acho que o Boliqueime mesmo assim está a pintar o cenário de cor-de-rosa.
Além de referir um suposto prazo aproximado de cerca de 20 anos não entra em linha de conta que a nossa dívida real não é aquela que realmente hoje se diz que é. Basta somar as “dívidas consolidadas” do sector empresarial do estado para alterar todo o cenário.
Mas vão todos cantando como se fosse possível em vinte anos resolver as coisas. Até o Jerónimo, dizendo o contrário sabe disso.
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Mas quem é que quer o fim da austeridade? Eu, por exemplo, só quero que se aplique as medidas de austeridade onde ainda há dinheiro para ser poupado (através de cortes nas despesas) e para ser recebido (aumento da receita).
Por exemplo, já viram os salários de assessores dos ministérios e secretarias de estado? E isto é em tempos de cortes nas despesas, vejam se não fossem… Ah não, os cortes nas despesas só se referem a quem não tem cartão do partido, uma pessoa esquece-se sempre desse pormenor… Melhor mesmo seria cortar a despesa, mas isso não se faz que os defensores da austeridade depois ainda ficavam com dificuldades parecidas com as da populaça… Claro que depois de se cortar na despesa com aqueles que dizem que se deve cortar na despesa, deve-se passar para o resto, mas entretanto há que dar o exemplo.
Aí só não gosto de uma coisa, os orçamentos deverão ser sempre apresentados ao parlamento do país, afinal, o estado-nação ainda somos nós. E sem querer defender o Sócrates, isto deixa-me um bocadinho estupefacto. Então os orçamentos têm de ser previamente apresentados à Comissão Europeia (a partir de 2014), mas o nosso governo de 2011 não podia aplicar essa regra para documentos de estratégia orçamental? Não faz muito sentido… Ainda assim, preferia que tanto num caso como noutro se apresentasse tudo primeiro à assembleia do país.
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Com o devido respeito, o texto do Sua Excelência o Senhor Presidente da República Portuguesa, mais parece o de um ministro das finanças do terceiro mundo.
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Com o devido respeito:
D. Heloísa Apolónia Piscoisa, como vão as suas tias?
Quando é que a malandreca tira a Burka?
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post off topic
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As opiniões do Piscoiso são uma referência importante do Blasfémias. Mas sobra-me uma dúvida: a credibilidade do Piscoiso aumentaria ou diminuiria se despisse a burka?
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Discordo: as opiniões dele seriam uma referência no dia em que as manifestasse.
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Pois…
O “Piscoiso” tira a burka… e o “Colono” acha que o pastel de belém deixa, milagrosamente, de ser um medíocre ministro das finanças do terceiro mundo.
A fé é uma coisa linda!!! 🙂 🙂
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Mais uma vez o sobrinho tem completa razão.
Precisamente o discurso adaptado ao país. Não é que ele precise fazer algum esforço pois é exactamente o presidente desse país (são iguais)
Há é algumas pessoas que sonham que não o são.
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jmf escreve “Era bom que alguém a defendesse assumidamente nas próximas eleições.”. Nas últimas eleições já tivemos quem implicitamente o defendesse e deu o resultado visto. Quanto vale de facto esse caminho em peso eleitoral? Não serão esses partidos defensores da soberania do povo?
Por outro lado esse mesmo resultado eleitoral obtido garante que não mais os ditos se afoitarão a defender publicamente o que pensam, sob pena de erradicação democrática, e vêm pois com discursos metodológicos da terceira via da quarta ala do quinto texto programático. Quem de facto engana os Portugueses? Veremos a despudorada tentativa de capitalizar descontentamentos no seu melhor, já nas europeias e, se a coisa não correr bem inaugurar-se-á a tese que o capital também vence eleições e que o povo é de uma sabedoria proporcionalmente inversa ao custo das suas decisões, dirão.
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Para mim que não tenho conhecimentos académicos de nível superior, há muito que percebi que as políticas económicas seguidas pelos governos do PS e não só, iriam desaguar nestas àguas pantanosas e putrefactas onde nos encontramos. Sempre concordei com as análises do prof. Medina Carreira, que nos dizia que íamos bater na parede. Quem pensa que alguém nos vai emprestar dinheiro agora, com esta dívida monstruosa para consumo, que se desengane. Como já não acredito nas pessoas que mandam nestes Partidos, irei votar em branco em todas as eleições que tenhamos.
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Seria interessante que os votos em branco pudessem eleger lugares vazios nos parlamentos… actualmente beneficiam os eleitos
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Diminuir os lugares na AR, eis ma boa medida de promoção da austeridade e da verdade democrática.
Subscrevo uma petição pública que proponha essa medida!.
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A diminuição dos lugares na AR implicaria uma mudança de mobiliário.
Em vez de cadeiras seriam chaise long para eles dormirem mais confortavelmente.
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A patética insistência diminuição dos lugares no Parlamento como solução para os problemas da Humanidade!!!
Casseeeeeeete!!! 🙂
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Antes das repúblicas,os emprestimos eram dados aos reis . Quando um rei era irresponsável , vigarista ou louco e não honrava os seus compromissos os credores já sabiam que não seriam pagos pois teriam já ponderado tal risco, porquanto os sucessores não se sentiam obrigados a pagar uma dívida que não era sua.
Em Portugal contemporâneo os portugueses no seu todo deveriam decidir da mesma forma e obrigar os credores que emprestaram os biliões ao socrates que os reclamem a ele e todos os seus amigos e camaradas , congelando os seus interesses nesses países e utilizando as formas que considerem justas para esse objectivo.
O que não acho justo é os portugueses estarem a pagar as dívidas do socrates quer com impostos injustos que roçam o roubo , quer com quebras de contratos apenas com os mais fracos . Portugal precisa de espinha dorsal , precisa de liberdade para empreender e de justiça a funcionar e fazer pagar a quem manda fazer , isto é responsabilidade pelos seus actos. Infelizmente continuamos em socialismo até ao estoiro , estilo argentina.
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Os empréstimos eram concedidos aos estados, a não ser que fale de monarquias absolutas como a do rei sol, mas isso nem se aplica ao conceito de democracia e ao de estado moderno.
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Somos, irremediàvelmente, uns românticos saudosistas : então não é que nos referimos ao “torrãozinho de açúcar” como se fosse , na verdade , um país independente?…
Olhemos para o mapa, verifiquemos a nossa posição geográfica, lancemos os olhos para as “condições meteorológicas” além -Pirenéus e, mais importante ainda , além – Reno, façamos uma introspecção ao povo que realmente somos – e creio que as previsões não serão exactamente brilhantes.
A questão é saber quem nos vai ( continuar a ) tutelar…
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O que está no post é o ‘acordo’ necessário para gerir as contas públicas.
Tudo o que for para além disso – não vale a pena esconder – é manietar a decisão política.
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O que nos vale é que os responsáveis pelo descalabro já devem estar todos presos por muitos anos e assim não terão a oportunidade de voltar a fazer as maldades que nos fizeram.
Agora estamos no bom caminho; daqui a mil anos temos as dívidas pagas.
Ainda bem, graças a Deus.
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O que o presidente diz, que não é novidade mas espantou muita gente que anda distraída, serve entre outras coisas para arrefecer certos entusiasmos que quer à direita, CDS, quer à esquerda, PS, já andam a prometer o que não podem, como baixar impostos ou repor vencimentos da função publica e reformas.
Quando a troika sair vamos ter de continuar a contar os tostões. Claro que há quem viva no mundo da fantasia e pense que há milagres tipo mutualização das dividas ou a solidariedade do norte para os do sul continuarem a gastar o que não têm. Isso não existe nem está nos planos de ninguém. Vejam o que se está a passar na Holanda e na Dinamarca, por exemplo. Já nem falo da França ou da Itália.
Quanto mais depressa os do PS quiserem aceitar a realidade, mais depressa podemos começar a sair do buraco.
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E continua:
http://economico.sapo.pt/noticias/compromisso-politico-faria-descer-juros-da-divida_188777.html
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Só acho graça (:-C) que as regras da Comissão Europeia só tenham valor quando se trata de países pobres… Quando a Alemanha tem um excedente de exportações de 7% nos últimos 3 anos, prejudicando assim os outros países da moeda única, quando o limite considerado pela mesma Comissão é de 6% , não há sanções… É que na Europa uns países são mais iguais do que outros, infelizmente…
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O homem é bom de contas. Não se percebe que, em sabendo isto, tenha aceite a imposição da contração económica. Mas porque razão só diz as coisas ao retardador, nos prefácios aos roteiros, que mais parece um posfácio.
Está mais que visto que assim não dá oh Passos, parafraseando o melhor do mundo. Há gente a gritar há que tempos que o prazo é curto, que se deve renegociar, mas insiste-se na cassete do pirata de que não há alternativa senão o de caminhar sobre a tábua e que tem de ser como os credores querem, tem-se de criar consensos para estabelecer um pacto de regime, isto é que tem de haver uma comissão liquidatária (nem eles acreditam que Portugal consiga) para garantir que os credores recebem a totalidade da divida. Uau. Nem na II guerra mundial com a Alemanha.
Isto como está nem no ciclo mais rotativo da máquina de lavar a sujidade sairia, como diz o outro para por as rotativas a funcionar.
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Fez bem o presidente em desmascarar os vendedores de banha da cobra. Lamento que não exista alternativa credível à atual maioria e como as coisas vão ,a aliança Portugal ainda se arrisca a ganhar.
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Diga-se antes, não existe qualquer força política credível, porque considerar o atual governo credível é algo que deixa a desejar.
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Este Sr Cavaco e uma anedota vir dizer o que muita gente com menos instrucao ja sabia. Estoirando como estoirou os dinheiros vindos EU…o que esperava ele? Nao pensou na altura nas consequencias desastrosas para o Pais? Se nao sabia, dava o lugar a outro. Foi um crime que vai reprecursao por muitos anos (nao serao apenas 20).
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