Sobre a selectividade de memória dos portugueses, que é igual à dos outros todos
24 Março, 2014
Quatro notas sobre a aparente mas não real selectividade de memória dos portugueses:
- Cavaco perde as presidenciais em 1996 porque as pessoas se lembram do passado recente (governo de Cavaco);
- Cavaco vence as presidenciais de 2006 porque as pessoas se lembram do passado recente (Guterres) e têm boas memórias (sentir versus lembrar) de quando eram mais novas 10 a 20 anos (Cavaco primeiro-ministro);
- Nem Sócrates nem Passos poderiam concorrer a presidenciais já. Pelos motivos anteriores, Guterres está bem colocado. Quando Sócrates puder concorrer a presidenciais, já o PS teve que governar: talvez lá perto dos 70 anos, se conseguir estar calado o suficiente para não se eclipsar antes.
- A experiência presidencial de Soares, sucedendo a governação, não se repete enquanto não houver um período de uma década após uma revolução ou semelhante.
17 comentários
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Para este post ser perfeito necessitava de uns modelos econométricos. O resto está lá tudo.
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Só uma questão: tem a certeza do último ponto, ou está apenas alimentado na crença de que ninguém o consegue fazer? É que se as coisas continuarem como estão, rapidamente as pessoas esquecerão a memória do Sócrates, porque terão a memória de Passos Coelho e do que vier a seguir. Nessas condições o Sócrates consegue vencer umas legislativas (e, anos mais tarde, umas presidenciais), equiparando-se ao Mário Soares, basta que o Passos Coelho se continue a lixar para as eleições.
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A probabilidade de Sócrates ser primeiro-ministro através de eleições é mais ou menos parecida com a do primeiro prémio do Euromilhões.
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Espero sinceramente que tenha razão, mas não alimento muita confiança.
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Vamos testar a memória dos portugueses… Se a coligação Relvista tiver mais de 20% dos votos na europeias, temos a prova provada que os portugueses não têm memoria e os Relvistas terão uma vitória retumbante. Se a coligação Relvista tiver menos de 20% dos votos prova-se que os portugueses têm memória de curta e longa duração ( mais de três anos para a memória de longa duração e o dia de hoje para a memória de curta duração.
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A história não começou ontem nem termina amanhã.
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Os Portugueses acreditam num político se o político acreditar em si próprio.
Não interessa se o que diz tem valor, ou é contraditório, desde que não choque o Português ao dizer que lhe vai tirar alguma coisa, pode dizer tudo o resto.
O que interessa é a convicção, aparência de cavalo mais forte e os portugueses apostam.
Os portugueses julgam por sensações.
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É uma realidade, o povo português tem memória curta!
Mas, com as trancadas que tem levado no lombo e, do-
rido como está … as dores não passam até 2016!
Por outro lado, seria preocupante para a direita que, por
uma qualquer fortuita razão, o José Sócrates fosse eleito
e, na função desse a volta que o País precisa para entrar
nos eixos este, me parece o receio subliminar do seu “post”!!!
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Estou a tremer. Já nem aguento esta austeridade de ausência socrática.
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O propósito do labrego do Sócrates é precisamente esse, por isso ele anda por aí…só que há um problema: as trapalhadas que lhe atrapalharam o percurso deveras alucinante e giro não são nada abonatórias…a menos que já tenham prescrito. O que eu duvido.
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Tenho pena que a Socratínia de ontem não mereça um post, JRS iniciou a estratégia Da RTP para dispensa de Pinto de Sousa, conferindo ao espaço de “comentário” algum contraditório. Entre outras pérolas:
“No ajuste de contas entre passado e presente, Sócrates afirmou que “esta austeridade cega mata-nos”, recordando as “apostas” da sua governação nas energias renováveis ou no parque escolar, por exemplo. E questionou o jornalista pelas apostas do actual, para dar a resposta de que ao Executivo de Passos Coelho não se conhecem apostas.”
Isto é, Socrates afirma que moderou a sua austeridade com sucessos como a aposta em energias renováveis e na parque escolar. A minha perplexidade vai para o desplante da defesa da obra deste narciso.
Ainda assim acredito que há uma agenda no PS para o “regresso” queimando Seguro nas Europeias e Costa antes da sucessão (perfeito candidato adiado) e dando dimensão messiânica a esse regresso.
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Aclamar o Messias acaba sempre com a libertação de Barrabás.
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O problema são as quaresmas de várias legislaturas, começamos por jejuar e acabamos (não eu, mas muitos, com se vê pelos comentários) ansiando a ressurreição.
Nunca Barrabás e Messias foram tão iguais.
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É um fenómeno mediático, como sempre foi. Têm alguma destreza e organização nos jornais, blogues e redes sociais, o que dá uma sensação de afastamento do mar morto quando é um mero agitar de uma colher numa chávena. Em nenhum centro de saúde, hospital, escola ou café isso é assunto.
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Espero que não se engane no seu raciocínio, tomo-o por uma promessa eleitoral de quem não se candidatou 🙂
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“Vós que lá do voosso império
Prometeis um mundo novo
Calai-vos que pode o povo
Querer um mundo novo a sério”
António Aleixo (1899-1949)
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Só desde 1949, altura em que o senhor morreu, já houve mundo novo de 15 em 15 dias.
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