Tema do meu artigo de hoje no DE: «“Ai primas, que espectáculo tão horrível. Eu saí logo após o fim!” – escreveu de Lisboa, onde vira pela primeira vez um espectáculo de ‘striptease’, para as suas primas, residentes como ele numa pequena cidade alentejana, um respeitável cidadão (e extremoso primo!) de visita à capital. A história tal como me foi contada e que presumo não ser absolutamente original repetindo-se com ligeiras variantes pelo País fora – ou não se alimentasse a prodigiosa imaginação do tempo aparentemente morto da vida provinciana com episódios similares! – dá bem conta não apenas da duplicidade moral daquele parente dado à epistolografia mas também da nossa. Há semanas que andamos a saudar a saída da ‘troika’, a enumerar os cortes na era da ‘troika’, a lastimar os pobres dos anos da ‘troika’, a chorar o desemprego criado pela ‘troika’… Mas, tal como aconteceu com o primo alentejano da minha história, não se perde uma linha a explicar como se chegou ao “espectáculo tão horrível” e muito menos porque não se saiu antes de ele acabar.»
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