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Nós já só queremos voltar à boa vida

13 Junho, 2014
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Há um ambiente de descompressão no ar que não é do Santo António e do regresso do calor e da sardinha: é dessa ideia bem portuguesa e bem antiga que tudo se há-de compor sem esforço, porventura até sem acção e sobretudo sem que nada mude. Mais uma crónica minha no Observador.
23 comentários leave one →
  1. JDGF's avatar
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    13 Junho, 2014 23:24

    Ora bem! É o ditado popular a funcionar: “enquanto o pau vai e vem folgam as costas”…
    O causador desta ‘anómala’ reacção terá sido Cavaco Silva que – imprudentemente – anunciou ‘porrada’ para mais de 20 anos.
    Para usar uma expressão ‘consagrada’: Devemos ser ‘masoquistas’ ?

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  2. MJRB's avatar
    13 Junho, 2014 23:39

    “Acho” que essa “ideia bem portuguesa E BEM ANTIGA(!…) motivadora da “descompressão” está hoje fortalecida/enraizada “graças a um milagre de Nª Srª de Fátima” (Cavaco Silva dixit em Maio perante um “sucesso” sobre a dívida, lembram-se ?), mais doses cavalares de fado, autênticas orvedoses de futebol, e, também obviamente serenada por muitas e perigosas mentiras do governo — Fátima, Fado, Futebol(*) : um país perfeito…
    (*) Nas conversas da oposição a Salazar surgia de vez em quando mais um “F” : Foda-se ! — perfeitamente adaptável hoje.

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  3. MJRB's avatar
    13 Junho, 2014 23:48

    “Tudo se há-de compor sem esforço, porventura até sem acção e sobretudo sem que nada mude”. Ao ler isto, resurgiu-me o que ontem ouvi num canal de TV : a inocência pedida pelo tal ex-banqueiro do BCPMillenium. Ele “já só quer voltar à boa vida”. A lavagem da imagem continua, o tuga contribuinte paga o detergente.

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  4. MJRB's avatar
    14 Junho, 2014 00:01

    JMF,

    Sobre a “boa vida” de alguns portugueses antes de impostos agravados, salários, pensões e reformas roubadas (e em contrapartida e simultaneamente castas partidárias, bancárias, empresariais, políticos e outras favorecidas), o JMF tem ainda hoje a noção de que os “culpados” desta crise são quem sempre viveu dos seus honestos ordenados, nunca roubou ou perturbou e contribui irrepreensivelmente para o MFinanças ?
    Quem (não pertencente a tríades, castas, “famílias”…) ainda tem vida razoável ou boa e não depende de favores estatais merece estar inserido nos “tais” alvejados neste seu artigo ?

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  5. Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
    Alexandre Carvalho da Silveira permalink
    14 Junho, 2014 01:03

    Até já começámos a pagar os buracos no orçamento com recurso à divida. E ainda não fez um mês que saímos do PAEF. Os sete mil milhões de austeridade até 2018 como diz o boletim da primavera do Banco de Portugal, é ficção. O pior vai ser quando formos novamente obrigados a andar com os pés no chão.

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  6. Cáustico's avatar
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    14 Junho, 2014 01:03

    Só um canalha de má-fé ou um adventista da santa igreja apostólica da culpa alheia pode insistir na na tese expiação.
    Seguindo um rito comum lá para as bandas das Filipinas, pode o cronista, querendo, flagelar-se com chibatinha, Nós, após investimento, mudança, esforço e empenho, para outros malbaratarem, entendemos que já demos para o peditório.

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  7. gastão's avatar
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    14 Junho, 2014 01:57

    O seu blog dá lucro? Quem lhe paga o ordenado? Sabe das últimas notícias no Iraque?

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    • MJRB's avatar
      14 Junho, 2014 02:21

      O Observador começou a dar lucro “à iniciativa” –e muitos lucros surgirão para os investidores & não só…– ainda antes de ser editado/apresentado…
      Nota : têm obviamente o direito de existir assim, com objectivos conhecidos. Desde que não surjam por enviesados “jácintoleitecápelorego’s” apoios com dinheiro do Estado — o que não me espantaria.

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  8. JDGF's avatar
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    14 Junho, 2014 02:34

    Afinal, ao fim de 3 anos de expiação (por pecados nossos e alheios) não temos direito a uma pitada de descanso?
    Será que a nova tese é que estes 3 anos foram a brincar (‘sem acção‘) e, ao contrário do apregoado, o pior está para vir?
    Que ‘terreno’ jmf1957 foi encarregado de preparar?

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    • MJRB's avatar
      14 Junho, 2014 03:04

      O pior está de facto para surgir : Nos próximos 7, 8 anos, quase toda a população, que regrediu a muitos níveis, não terá “pé de meia” para se aguentar ; Estará impossibilitada de reerguer-se economica e financeiramente ; sofrerá –qualquer que seja o governo– mais punições nos ordenados, pensões e reformas ; não assistirá ao equilíbrio das finanças públicas ; constatará que a “classe política” tuga do “arco da governação” (Seguro ou Costa(*) incluídos) para além de não saberem governar nem possuirem estratégia global para o país, valem pouco e estão dependentes de lobbys.

      (*) Parece que andam aparvalhados com o sebastianismo do ACosta… AC, PM ? — porra !, fujam ! O rectângulo está enfeitiçado ?, ou é defeito ?

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    • Alexandre Carvalho da Silveira's avatar
      Alexandre Carvalho da Silveira permalink
      14 Junho, 2014 11:53

      Tratado Orçamental: 6,7 mil milhões de redução na despesa do estado até 2018. Que parte é que não percebeu?

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      • MJRB's avatar
        14 Junho, 2014 12:30

        Aguarde pela ressaca. Entretanto vá acreditando em quem quiser, tem esse direito.

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  9. BELIAL's avatar
    14 Junho, 2014 08:13

    “Há um ambiente de descompressão no ar que não é do Santo António e do regresso do calor e da sardinha: é dessa ideia bem portuguesa e bem antiga que tudo se há-de compor sem esforço, porventura até sem acção e sobretudo sem que nada mude.”

    A coisa ataca mais pelor meados da primavera.
    Há 900 anos de experiência nesse optimisimo à “Candide”.

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  10. Tiradentes's avatar
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    14 Junho, 2014 08:45

    O melhor e mais extenso da “lavagem made in Portugal” nem é tanto “os baqueiros”.
    A lavagem começa quando dão duas maiorias a boliqueime porque este decide triplicar os rendimentos da coisa pública (hoje chamadas conquistas civilizacionais) sem ter como deixando a herança para o futuro.
    A lavagem continua quando dão maioria e meia guterrista quando incorpora no mesmo sistema mais 250 mil servidores à conta de uma economia que não os consegue suportar.
    Agrava-se a dita lavagem quando já os 60% da dívida se começa em 2005 a duplica-la e se lava com a crise de 2008.Também lhe dão maioria apesar de todos sabermos que além da duplicação outro tanto fica debaixo do tapete. Chama-se “investimento público””.
    Durante este tempo todo lavam mais de 80 mil milhões de ajudas comunitárias em jeeps férias e off-shores.
    Depois admiram-se dos banqueiros quando a grande maioria e à sua dimensão se comportou tal e qual.

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  11. cepatorta's avatar
    cepatorta permalink
    14 Junho, 2014 09:51

    E é disto que o meu povo gosta! Sardinhadas, campeonato do mundo de futebol, bailaricos e… como dizia a minha avó: ” Amanhã, Deus dará”.

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  12. Juromenha's avatar
    Juromenha permalink
    14 Junho, 2014 11:04

    Tinha (tem) carradas de razão o VPV : não deixámos de ser o povo do caldo da portaria do convento…

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  13. Churchill's avatar
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    14 Junho, 2014 11:06

    Os católicos adoram o pecado e os castigos correspondentes, seja em Ave Marias ou mesmo em sifrões.
    Os marxistas odeiam os ricos, e no fundo querem que sejam todos pobres e infelizes, pois só assim se mantêm na camaradagem.
    Depois chegaram uns economistas iluminados que descobriram a ideia da zona de conforto, que é outro pecado, e venderam a ideia que o ideal é estar sempre de calças na mão e a tomar ansioliticos ou a snifar umas linhas.

    Às tantas, até parece que querer viver bem e estar confortável é um crime!
    Muitas pessoas percebem que fazer esforços elevados para se atingir um objetivo não uma vida má, tem custos mas a esperança de recompensa.
    O que já não vejo como pacifico é a ideia de ter de fazer sempre mais esforço para ficar cada vez pior, ou então disparar a todos os que estejam mais ou menos bem para que fiquem mal, com argumentos que na prática são apenas mesquinhice.

    Este artigo é quase só isso, vamos a lá a procurar uma forma de castigar os que querem ser felizes, pela boa vida, que precisamos mesmo é de fado e carpideiras.
    Às tantas ainda prefiro o futebol e a sardinhada.

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  14. Almeida's avatar
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    14 Junho, 2014 11:32

    “(…) é dessa ideia bem portuguesa e bem antiga que tudo se há-de compor sem esforço, porventura até sem acção (…)”.
    Não sei onde é que foi buscar essa ideia de ser “bem portuguesa” a crença de que as coisas mudam sem esforço. Toda a História de Portugal mostra o contrário a menos que considere a firmação da nacionalidade e os Descobrimentos uma espécie de mesa de sueca ou de viagem de recreio. Mas nada se compõe “sem esforço” e sem INVESTIMENTO que não depende da maioria dos portugueses.

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  15. JDGF's avatar
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    14 Junho, 2014 12:02

    A ideia é lançar a ideia de que o martírio é ‘libertador’. Uma premissa judaico-cristã importada para a análise. O problema é a falta de crença nos políticos e nas políticas que ou desapareceu ou está na mó de baixo.
    Vai ser difícil convencer a sociedade a enfiar durante tanto tempo uma canga quando ouve ao seu lado (p. exº: na Europa do Norte) o potente roncar das máquinas…

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  16. manuel's avatar
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    14 Junho, 2014 18:33

    JMF: Claro que há descompressão e não posso menosprezar o 1º ministro. O ano passado e devido ao chumbo do constitucional a economia foi aquecida pelo consumo interno, não é a melhor via,mas enfim. Este ano aproveitando o chumbo do constitucional o governo levanta o pé da austeridade para contrariar os dados recessivos que tem,penso que com o verão (turismo) e mais dinheiro no bolso dos funcionários públicos lá teremos o consumo interno a aquecer a economia.Os cortes só voltarão em Outubro .O barulho com o TC é para enganar credores e entretanto vão sobrevivendo e nada se passará nos partidos da maioria enquanto estiverem no pote.

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  17. Marquês Barão's avatar
    Marquês Barão permalink
    14 Junho, 2014 21:11

    Não recordo o autor, mas faz muitos anos li isto no jornal Gazeta do Sul:
    O POVO QUE TEMOS
    -Quem tiver paciência, e oportunidade, de ler e consultar os jornais de há 60 ou 70 anos, e mais, e se der ao trabalho de comparar o que então se dizia e fazia, com o que actualmente se diz e faz, não pode deixar de se surpreender com o paralelismo flagrante de situações e de oratória política. Com efeito, dando mostras do mesmo congénito sinal de incapacidade entre a manifestação da vontade e a capacidade de traduzir a mesma em actos positivos, o português, cada vez mais aferrado a hábitos de calaceirice e indolência mental, propõe mas não actua, perora e denuncia mas, para tanto prefere sempre o anonimato, projecta mas não realiza, e sem verdadeiro e autêntico sentido de humor, fabrica piadas ou faz anedotas. No capítulo físico , é teso, mas quanto a valentia, que é aceitação racional e calculada dos riscos e do perigo, vai-se contentando com os “brandos costumes”, e a crença do que é preciso é sorte e dinheiro para gastos. De modo que, a par das pseudo-soluções em que é fértil, consente, perfeitamente à vontade, o crime, a desonestidade, a violação do Direito, e o “gamanço”, a que chama “esperteza”. Verborreico e superficial, por atavismo, não possui qualquer sentido dramático da existência – e aqui se diferencia basicamente do espanhol – e é capaz de misturar, facilmente, o heroísmo com a cobardia. Saudavelmente, porém, diante do pior drama, faz pilhéria. É este o Povo que temos.

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  18. BELIAL's avatar
    14 Junho, 2014 23:21

    O que é preciso é saudinha… 🙂

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