Nós já só queremos voltar à boa vida
13 Junho, 2014
Há um ambiente de descompressão no ar que não é do Santo António e do regresso do calor e da sardinha: é dessa ideia bem portuguesa e bem antiga que tudo se há-de compor sem esforço, porventura até sem acção e sobretudo sem que nada mude. Mais uma crónica minha no Observador.
23 comentários
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Ora bem! É o ditado popular a funcionar: “enquanto o pau vai e vem folgam as costas”…
O causador desta ‘anómala’ reacção terá sido Cavaco Silva que – imprudentemente – anunciou ‘porrada’ para mais de 20 anos.
Para usar uma expressão ‘consagrada’: Devemos ser ‘masoquistas’ ?
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“Acho” que essa “ideia bem portuguesa E BEM ANTIGA(!…) motivadora da “descompressão” está hoje fortalecida/enraizada “graças a um milagre de Nª Srª de Fátima” (Cavaco Silva dixit em Maio perante um “sucesso” sobre a dívida, lembram-se ?), mais doses cavalares de fado, autênticas orvedoses de futebol, e, também obviamente serenada por muitas e perigosas mentiras do governo — Fátima, Fado, Futebol(*) : um país perfeito…
(*) Nas conversas da oposição a Salazar surgia de vez em quando mais um “F” : Foda-se ! — perfeitamente adaptável hoje.
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“Tudo se há-de compor sem esforço, porventura até sem acção e sobretudo sem que nada mude”. Ao ler isto, resurgiu-me o que ontem ouvi num canal de TV : a inocência pedida pelo tal ex-banqueiro do BCPMillenium. Ele “já só quer voltar à boa vida”. A lavagem da imagem continua, o tuga contribuinte paga o detergente.
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JMF,
Sobre a “boa vida” de alguns portugueses antes de impostos agravados, salários, pensões e reformas roubadas (e em contrapartida e simultaneamente castas partidárias, bancárias, empresariais, políticos e outras favorecidas), o JMF tem ainda hoje a noção de que os “culpados” desta crise são quem sempre viveu dos seus honestos ordenados, nunca roubou ou perturbou e contribui irrepreensivelmente para o MFinanças ?
Quem (não pertencente a tríades, castas, “famílias”…) ainda tem vida razoável ou boa e não depende de favores estatais merece estar inserido nos “tais” alvejados neste seu artigo ?
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Até já começámos a pagar os buracos no orçamento com recurso à divida. E ainda não fez um mês que saímos do PAEF. Os sete mil milhões de austeridade até 2018 como diz o boletim da primavera do Banco de Portugal, é ficção. O pior vai ser quando formos novamente obrigados a andar com os pés no chão.
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Só um canalha de má-fé ou um adventista da santa igreja apostólica da culpa alheia pode insistir na na tese expiação.
Seguindo um rito comum lá para as bandas das Filipinas, pode o cronista, querendo, flagelar-se com chibatinha, Nós, após investimento, mudança, esforço e empenho, para outros malbaratarem, entendemos que já demos para o peditório.
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O seu blog dá lucro? Quem lhe paga o ordenado? Sabe das últimas notícias no Iraque?
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O Observador começou a dar lucro “à iniciativa” –e muitos lucros surgirão para os investidores & não só…– ainda antes de ser editado/apresentado…
Nota : têm obviamente o direito de existir assim, com objectivos conhecidos. Desde que não surjam por enviesados “jácintoleitecápelorego’s” apoios com dinheiro do Estado — o que não me espantaria.
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Afinal, ao fim de 3 anos de expiação (por pecados nossos e alheios) não temos direito a uma pitada de descanso?
Será que a nova tese é que estes 3 anos foram a brincar (‘sem acção‘) e, ao contrário do apregoado, o pior está para vir?
Que ‘terreno’ jmf1957 foi encarregado de preparar?
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O pior está de facto para surgir : Nos próximos 7, 8 anos, quase toda a população, que regrediu a muitos níveis, não terá “pé de meia” para se aguentar ; Estará impossibilitada de reerguer-se economica e financeiramente ; sofrerá –qualquer que seja o governo– mais punições nos ordenados, pensões e reformas ; não assistirá ao equilíbrio das finanças públicas ; constatará que a “classe política” tuga do “arco da governação” (Seguro ou Costa(*) incluídos) para além de não saberem governar nem possuirem estratégia global para o país, valem pouco e estão dependentes de lobbys.
(*) Parece que andam aparvalhados com o sebastianismo do ACosta… AC, PM ? — porra !, fujam ! O rectângulo está enfeitiçado ?, ou é defeito ?
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Tratado Orçamental: 6,7 mil milhões de redução na despesa do estado até 2018. Que parte é que não percebeu?
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Aguarde pela ressaca. Entretanto vá acreditando em quem quiser, tem esse direito.
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“Há um ambiente de descompressão no ar que não é do Santo António e do regresso do calor e da sardinha: é dessa ideia bem portuguesa e bem antiga que tudo se há-de compor sem esforço, porventura até sem acção e sobretudo sem que nada mude.”
A coisa ataca mais pelor meados da primavera.
Há 900 anos de experiência nesse optimisimo à “Candide”.
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O melhor e mais extenso da “lavagem made in Portugal” nem é tanto “os baqueiros”.
A lavagem começa quando dão duas maiorias a boliqueime porque este decide triplicar os rendimentos da coisa pública (hoje chamadas conquistas civilizacionais) sem ter como deixando a herança para o futuro.
A lavagem continua quando dão maioria e meia guterrista quando incorpora no mesmo sistema mais 250 mil servidores à conta de uma economia que não os consegue suportar.
Agrava-se a dita lavagem quando já os 60% da dívida se começa em 2005 a duplica-la e se lava com a crise de 2008.Também lhe dão maioria apesar de todos sabermos que além da duplicação outro tanto fica debaixo do tapete. Chama-se “investimento público””.
Durante este tempo todo lavam mais de 80 mil milhões de ajudas comunitárias em jeeps férias e off-shores.
Depois admiram-se dos banqueiros quando a grande maioria e à sua dimensão se comportou tal e qual.
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E é disto que o meu povo gosta! Sardinhadas, campeonato do mundo de futebol, bailaricos e… como dizia a minha avó: ” Amanhã, Deus dará”.
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Tinha (tem) carradas de razão o VPV : não deixámos de ser o povo do caldo da portaria do convento…
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Os católicos adoram o pecado e os castigos correspondentes, seja em Ave Marias ou mesmo em sifrões.
Os marxistas odeiam os ricos, e no fundo querem que sejam todos pobres e infelizes, pois só assim se mantêm na camaradagem.
Depois chegaram uns economistas iluminados que descobriram a ideia da zona de conforto, que é outro pecado, e venderam a ideia que o ideal é estar sempre de calças na mão e a tomar ansioliticos ou a snifar umas linhas.
Às tantas, até parece que querer viver bem e estar confortável é um crime!
Muitas pessoas percebem que fazer esforços elevados para se atingir um objetivo não uma vida má, tem custos mas a esperança de recompensa.
O que já não vejo como pacifico é a ideia de ter de fazer sempre mais esforço para ficar cada vez pior, ou então disparar a todos os que estejam mais ou menos bem para que fiquem mal, com argumentos que na prática são apenas mesquinhice.
Este artigo é quase só isso, vamos a lá a procurar uma forma de castigar os que querem ser felizes, pela boa vida, que precisamos mesmo é de fado e carpideiras.
Às tantas ainda prefiro o futebol e a sardinhada.
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“(…) é dessa ideia bem portuguesa e bem antiga que tudo se há-de compor sem esforço, porventura até sem acção (…)”.
Não sei onde é que foi buscar essa ideia de ser “bem portuguesa” a crença de que as coisas mudam sem esforço. Toda a História de Portugal mostra o contrário a menos que considere a firmação da nacionalidade e os Descobrimentos uma espécie de mesa de sueca ou de viagem de recreio. Mas nada se compõe “sem esforço” e sem INVESTIMENTO que não depende da maioria dos portugueses.
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A ideia é lançar a ideia de que o martírio é ‘libertador’. Uma premissa judaico-cristã importada para a análise. O problema é a falta de crença nos políticos e nas políticas que ou desapareceu ou está na mó de baixo.
Vai ser difícil convencer a sociedade a enfiar durante tanto tempo uma canga quando ouve ao seu lado (p. exº: na Europa do Norte) o potente roncar das máquinas…
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JMF: Claro que há descompressão e não posso menosprezar o 1º ministro. O ano passado e devido ao chumbo do constitucional a economia foi aquecida pelo consumo interno, não é a melhor via,mas enfim. Este ano aproveitando o chumbo do constitucional o governo levanta o pé da austeridade para contrariar os dados recessivos que tem,penso que com o verão (turismo) e mais dinheiro no bolso dos funcionários públicos lá teremos o consumo interno a aquecer a economia.Os cortes só voltarão em Outubro .O barulho com o TC é para enganar credores e entretanto vão sobrevivendo e nada se passará nos partidos da maioria enquanto estiverem no pote.
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Não recordo o autor, mas faz muitos anos li isto no jornal Gazeta do Sul:
O POVO QUE TEMOS
-Quem tiver paciência, e oportunidade, de ler e consultar os jornais de há 60 ou 70 anos, e mais, e se der ao trabalho de comparar o que então se dizia e fazia, com o que actualmente se diz e faz, não pode deixar de se surpreender com o paralelismo flagrante de situações e de oratória política. Com efeito, dando mostras do mesmo congénito sinal de incapacidade entre a manifestação da vontade e a capacidade de traduzir a mesma em actos positivos, o português, cada vez mais aferrado a hábitos de calaceirice e indolência mental, propõe mas não actua, perora e denuncia mas, para tanto prefere sempre o anonimato, projecta mas não realiza, e sem verdadeiro e autêntico sentido de humor, fabrica piadas ou faz anedotas. No capítulo físico , é teso, mas quanto a valentia, que é aceitação racional e calculada dos riscos e do perigo, vai-se contentando com os “brandos costumes”, e a crença do que é preciso é sorte e dinheiro para gastos. De modo que, a par das pseudo-soluções em que é fértil, consente, perfeitamente à vontade, o crime, a desonestidade, a violação do Direito, e o “gamanço”, a que chama “esperteza”. Verborreico e superficial, por atavismo, não possui qualquer sentido dramático da existência – e aqui se diferencia basicamente do espanhol – e é capaz de misturar, facilmente, o heroísmo com a cobardia. Saudavelmente, porém, diante do pior drama, faz pilhéria. É este o Povo que temos.
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Parece Eça.
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O que é preciso é saudinha… 🙂
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