v império
O messianismo político do sebastianismo é o mito fundador da nossa modernidade política. Essencialmente, ele traduz a desresponsabilização dos portugueses pelo seu próprio destino, sempre à espera de um salvador que os conduza à glória e à felicidade, a quem delegam a condução quase integral das suas existências. A dependência que temos em relação à política e ao governo, em relação a quem se depositam todas as esperanças de vida, são indiciadoras de uma sociedade retrógrada e subdesenvolvida. Hoje Costa, há uns anos Cavaco, antes Salazar, daqui por uns tempos outro qualquer. Os portugueses desabituaram-se de assumir riscos e a responsabilidade por si próprios. Por isso mesmo é que as ideias de mercado, concorrência e propriedade privada lhes são antipáticas. Eles preferem diluir-se no que é público e não tem dono nem responsável visível, onde podem sobreviver sem correr grandes riscos, ainda que vegetando. Depois, quando clamorosamente os políticos não lhes concedem o mínimo que eles pretendem, substituem quem está e proclamam a infalibilidade do que se segue. Os portugueses entregaram-se, por inteiro, à política, aos políticos e ao estado, alegando que é daí que virá a salvação e um salvador, ainda que intimamente saibam que pouco lhes podem dar. Mas podem dar esse pouco e isso é quanto basta para muitos. Os portugueses escolheram deixar de ser livres.

A inevitabilidade da dependência sebastiânica dos portugueses tem muito a ver com expectativas e liberdade de ação. Aqui, no rectângulo luso, o “povo” está habituado a render-se em permanência a um conjunto de apelidos que se prolongam nos séculos ocupando a liderança da nação. Uma liderança que é pouco criativa, preguiçosa, ubíqua e que ocupa a totalidade dos papéis de poder. Ela manda e é oposição. É ministro e revolucionário “comuna”. Tudo na mesma família, tudo na mesma geração. E nas seguintes. Pela frente combatem-se e nos bastidores partilham a mesa, a festa e o pão.
O “povo” sabe disso, sabe que nada pode fazer, que “eles” não lhe dão espaço, que eles usurpam todos os papéis… A elite lusa é prémio da longevidade nacional e maldição para a capacidade de iniciativa. O “mal” não está no povo, está na maldição.
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Excelente abordagem!
De facto é inexacto dizer-se que “Os portugueses escolheram deixar de ser livres”. Como com acerto menciona ‘Luis FA’, “Tudo na mesma família, tudo na mesma geração. E nas seguintes”.
O problema não é o Povo – foi sempre as Elites, sempre indigentes.
O sebastianismo NÃO “traduz a desresponsabilização dos portugueses pelo seu próprio destino” – traduz sim a sabedoria do Povo em procurar Esperança noutro lado que não nas Elites predominantes. Porque intui o que elas são (e que eram já em 1580):
. “A falta de personalidade das elites portuguesas constitui um perigo nacional permanente” – Artur Ribeiro Lopes, 1936.
. “É confrangedor assistir entre os intelectuais portugueses à falta de confiança nas próprias raízes, ao complexo que os faz humilharem-se perante qualquer mirabolância insignificante vinda lá de fora” – António José Saraiva, 1971.
O Escol português há muito deixou de possuir as qualidades duma Ínclita Geração – e o Povo intui e sabe!!!
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Lamentavelmente, tem razão no seu «post».
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Simpatizo com Costa. Até por homonimo ou genealogia. Mas se o seu pensamento é liderado pela neo ideologia dum NOVO substanciado em principios salvadores como as portagens para entrada nas cidades que defendeu, adeus minhas vindimas.
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Já agora tranquilamente um alertazita ao PS.
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A rapaziada nas esplanadas do café com o conhecimento da Vida, ora chamados de manada ou ovelhas ou seja lá o que for para os identificar como ignorantes etc e tal, tranquilamente decide:
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a coisa está bem engendrada nessa coisa do teatro oposição contra situação e situação contra oposição para ser tudo o mesmo, mais do mesmo.
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E assim o PS acobracia bem mas já caiu. Os artista não estão a desempenhar bem o papel, a peça saiu-lhes mal. Mal ou bem é o que os que metem o papelito nas urnas estão já convictos. Aumenta até a multidão que já vai em papelitos. Mudem o retrato rapidamente.
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Arrastarem mais o que a manada já se convenceu ter visto de longe ….. é o arraso nas proximas eleições sejam mais para o lado da costa maritima da costa ou do lado do seguro pinheiral interior. Um arraso.
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Isto apenas num analisar dentro do mais ou menos do mesmo que admite ser a grande solução. o resolver de Portugal, como aposta na roelta da sorte.
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deve ler-se “Aumenta até a multidão que já NÃO vai em papelitos”
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Portugal nunca será uma causa perdida. Passou por aflições e ficou mais forte. Ainda não mandou caçar o Coelho. Espera, pacífico, o painelão do coelho à caçador, onde o Portas faz de brasas, para a caldeirada!
O Crato vai mandar avaliar os políticos, para deixar de haver os “politiqueiros”. Os graus de ensino vão aumentar. Não haverá mais Relvas a roubarem licenciaturas! E…
Viva o 31 de janeiro!
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