shark tank à portuguesa
Seis grandes empresários portugueses, daqueles que «triunfaram no mercado», formam o júri do Shark Tank Portugal, o programa televisivo que recebe empreendedores em busca de parceiros de investimento para os negócios que ambicionam criar. Angelito, Varadas, Coelhone, Granadas, Oliveira da Serra e Salgadinhos formam o painel. Segue-se o resumo do primeiro programa.
Apresentadora: Senhoras e senhores, começa hoje o Shark Tank Portugal, o programa que realiza os sonhos dos empreendedores nacionais que buscam o dinheiro que não têm para os negócios que nunca hão-de ter, junto de empresários de sucesso que têm dinheiro sem nunca terem tido negócios. Que entre o primeiro candidato, o jovem Antunes, que quer abrir uma mercearia de produtos finos em Freixo-de-Espada-à-Cinta.
Angelito: Seja bem-vindo, caro Antunes. Espero que nos surpreenda e nos cative com o projecto que vai apresentar. Mas, por favor, não me desiluda, porque o último empreendedor em que apostei, depois de estabelecido e bem estabelecido com o capital político que lhe consegui reunir, deu-me um coice a arrumou-me como se faz com os velhos, o ingrato! O que nos vem, então, propor?
Antunes: Boa noite a todos os membros do ilustre júri. Venho pedir-vos € 500,00 em troca de 100% de uma mercearia fina que quero montar na minha terra, Freixo-de-Espada-à-Cinta, onde para se comprar uma posta de lombo de bacalhau temos de percorrer mais de 130 Km até ao Continente mais próximo, em Bragança. É negócio de sucesso garantido!
Varadas: 100% do capital? E você vive de quê? Ao menos recebe em robalos?
Antunes: Em roubá-los?
Varadas: Não, homem, em «robalos», aquele peixe que se vende em carros topo-de-gama e que costuma ser embrulhado juntamente com notas de 100 euros. É mais ou menos a mesma coisa, mas tem as suas minudências.
Antunes: Prefiro que me paguem um salário no final do mês, que isto de ser empresário tem riscos elevados em Portugal.
Angelito: E você só quer o salário? Não se compromete com o negócio? Não quer sentir o risco empresarial? Não tem a correr nas veias o killer instinct que distingue um verdadeiro empresário de um reles marçano de farmácia?
Antunes: Bom, se me arranjarem um lugar de marçano lá na farmácia de Freixo, deixo já a mercearia.
Oliveira da Serra: Homem, não pense pequeno, caramba! Você, por acaso, já passou pelo meu banco? Olhe que se lá passar à porta e entrar, enchemos-lhe os bolsos de pastel. E ainda leva um Mirone de bónus se se portar bem.
Salgadinhos: Mas se for ao meu, para além de caroço e de dois Mirones, ainda lhe damos valiosas acções da PPT.
Granadas: Ó patrão, ó patrão, damos acções da PPT? E tenho que assinar alguma coisa?
Salgadinhos: Não se meta homem, não seja burro, que a conversa não é consigo! Assina o que eu quiser e mandar, pois com certeza! Não se esqueça que investir numa mercearia em Freixo-de-Espada-à-Cinta é criar valor para o nosso Grupo. E sempre fazemos um favor ao Presidente da Câmara, que é nosso amigo e trabalhou lá na agência.
Coelhone: Meu rapaz, por acaso tens algum membro da Edilidade a apoiar-te?
Antunes: Donde, Senhor?
Coelhone: Da Edilidade, caramba, da Câmara Municipal. Da Junta de Freguesia, pelo menos.
Antunes: Aí não conheço ninguém, Senhor.
Coelhone: Mau, mau, rapaz. Assim nunca serás um verdadeiro empresário português. Daqueles que triunfam no mercado, pá!
Angelito: Vamos lá com calma, meu caro Coelhone. Já nos passaram pelas mãos casos bem piores e olha que cheios de sucesso, hoje em dia, graças ao nosso rasgo empresarial. Qualquer um de nós tem as suas histórias e memórias para contar…
Coelhone: Pois tem, ó Angelito, mas sem amigos morre-se na prisão! Nos negócios isso é fatal! Olha aquele tipo que tinha o sobrinho taxista em Paris. Não escolheu os amigos certos e foi o que se viu…
Varadas: Ai morre, morre. Às vezes, já nem chega ter amigos! O país e o mundo civilizado estão perdidos! Já nada é como era nos tempos em que fizemos Portugal crescer!
Oliveira da Serra: Mesmo assim, eu acho que você devia ir ao nosso banco. Fale lá com aquele rapaz, o Loureiro, que lhe pode ser muito útil e lhe dará sábios conselhos, não tivesse ele sido um dos mais eminentes conselheiros da nossa República.
Varadas: Por falar em República, você vai vender bananas na sua mercearia, ou só robalos?
Salgadinhos: Venha mas é ao nosso banco, caramba! E traga as suas economias, que lhes daremos bom destino. Invista em acções do Grupo, coisa segura e certa, como ainda há dias afiançaram as grandes autoridades deste pais.
Antunes: Mas eu só quero umas massitas para abrir uma mercearia. A alta finança não é para mim!
Granadas: Faça o que o Senhor Doutor lhe está a dizer, homem! Ele é que sabe destas coisas. Comigo resultou: já conto com quase trinta anos de sucesso empresarial! Volta e meio assino uns papéis e já está!
Angelito: Isto não me está a agradar. O candidato não tem um projecto claro para o capital que nos pede. Estou fora.
Varadas: Que já estás fora há muito tempo já sabemos todos, ó Angelito.
Granadas: Eu também estou fora, pelo menos enquanto puder não estar dentro. Não vejo como poderei trazer valor a uma mercearia em Freixo-de-Espada-à Cinta. Ainda se fosse no Brasil, tinha lá um gestor, por sinal genial, para encabeçar o projecto.
Coelhone: Nem em Freixo-de-Espada-à-Cinta, nem no Brasil, nem em lado nenhum, Granadas. Já agora, também estou fora, porque este tipo não conhece ninguém que seja conhecido. Como é que você tem a lata de vir aqui dizer que quer ser empresário, se nem se quer é amigo do Presidente da Junta?
Oliveira da Serra: Eu também queria estar fora, embora por enquanto esteja dentro.
Salgadinhos: E eu ainda não estou dentro, pelo que, por enquanto, estarei fora.
Varadas: E eu nem dentro, nem fora, que ninguém se decide. Isto assim não é vida.
Apresentadora: Senhoras e senhores, terminou o primeiro Shark Tank Portugal. O candidato a empresário entrou como saiu e como costumam sair a maior parte dos empresários portugueses, isto é, sem nada nos bolsos. Para a próxima, se quiser dinheiro que vá ao Totta!
Antunes: E como é que eu volto para Freixo-de-Espada-à-Cinta, que nem dinheiro tenho para a passagem de camioneta?
Coelhone: Não tem camioneta? Faça como eu: vá de mota, homem de Deus! Mas que grande canastrão nos saiu este Antunes!

“porreiro, pá!”
Esta pequena rábula é do género das que se faziam dantes nos “Parodiantes de Lisboa” e que agora se fazem cinco minutos antes das 8 da manhã, pelo grupo de António Machado e Cª
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grande imaginação isso dava um filme, mas não no film festival no ESTORIL que é promovido no maoir antro de corrupção e traficancia de influências do país, o Casino Estoril que destruiu centenas de pessoas no despedimento coletivo para agradar aos familiares e amigos.
ISTO É CASO DE POLICIA!!!!!!!!
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Muito bom. Os tiques distribuídos com muito “critério” – como se diz em futebolês.
Só faltou um empresário do tipo do carrapastaloso, daqueles empresarios geniais com origem nas Escolas de Gestão da moda, que só têm que decidir em cada ano se aumentam os clientes 3 % ou 3,5 %.
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Temos de assumir que vivemos em cleptocracia, mas depois não se espantem quando somos humilhados por Angola e Timor.
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Tanto tempo livre!
Só pode ser funcionário público.
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Era para ter graça?
Falhou.
Deixe isso para quem tem uma licenciatura, neste caso os Gatos Fedorentos.
Dedique-se antes à agricultura.
Afinal, agora, todos podem ser “jovens agricultores”.
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Hehehe
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É pá, que violência! O vitorcunha podia ter rematado a coisa a menos de metade do texto.
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