De regresso ao bucolismo idealizado de outrora
O Cainesianismo, a doutrina económica que consiste em usar dinheiro emprestado para gerar crescimento e que, por nunca o gerar, exige constante aceleração do fluxo desse dinheiro, sofreu ontem um importante revés.
A moeda única é um projecto falhado, criado com a premissa de que os países membros cumpririam regras básicas de sanidade, mas executado com circunstâncias de cobiça que permitiriam a membros a manutenção de um despesismo a crédito, sempre na certeza que o corte deste fluxo implicaria atribuição do ónus da ruptura aos fornecedores do combustível desse Cainesianismo, os verdadeiramente interessados numa Europa de mercado livre.
O que gregos fizeram ontem foi afirmar peremptoriamente que não estão dispostos a manter o elo à moeda única se esta não servir a impossível tarefa da manutenção do Cainesianismo grego. Outros países se seguirão, eventualmente, mostrando que o Cainesianismo não só não é possível como a sua ilusão só é passível de ser mantida num pequeno manicómio unido na causa socialista que vê o mundo a passar ao lado enquanto perde progressivamente a capacidade de adquirir os bens importados que compõem o ramalhete de conforto e que, por terem entrado no cânone das expectativas, trarão a simplicidade bucólica do romantismo idealizado de outrora a uma geração cosmopolita que desconhece o significado de austeridade.
O mundo anda demasiado depressa para a Grécia. Se nunca tivessem saído da agrura de pé descalço também não iriam sentir a falta do que agora, embevecidos com o retro revolucionário, liminarmente repudiam.

Num arrebatado discurso de vitória, o führer do Syrisa declarou ontem, alto e bom som, que a troika tinha acabado.
Então, se acabou, se é como ele diz, já não poderá emprestar à Grécia os 7 mil milhões de Euros que ainda estavam pendentes, antes do encerramento do programa de resgate. Verba imensa que, pelos vistos, é indispensável para o Estado grego sobreviver sem ir à bancarrota total nos próximos 3 meses.
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Um mês sem salários pagos com o dinheiro emprestado pela Troika, far-lhes-ia muito bem ao sistema digestivo. Aclaravam ideias rapidamente.
Ademais, nem vejo como os contribuintes portugueses aceitarão pagar mais impostos para prestar solidariedade a quem vai aumentar o salário mínimo para € 751 ou isentar 300 mil famílias do pagamento de electricidade.
Ou isentar de execução bancária casas até € 300.000.
Parece que por cá se vive muito abaixo destes padrões.
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Ontem o BE (e não só) parecia aqueles nossos compatriotas que dizem que no mundial são do Brasil!
Espero é que não descubram que o Syriza não tem legitimidade democrática.
Com 37% de abstenção parece que afinal não tiveram a maioria dos votos (já nem falo dos 50 deputados extra por passar em primeiro na “casa partida”).
Ou será que esta lógica só interessa para o governo do Passos?
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“o Syriza não tem legitimidade democrática” segundo o critério do BE.
Para todos os com um mínimo de respeito pela democracia e pelo processo democrático, o Syriza tem toda a legitimidade para governar. Ainda mais tendo já conseguido formar coligação com o partido “Gregos Independentes”.
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Tanto o BE como Bruxelas sao alergicos a eleicoes ou referendos quando os resultados nao lhes convierem. Bem se viu a propaganda dos “chefes” europeus no sentido de condicionar o povo grego – chama-se intimidacao!
Acho que Bruxelas vai-se tentar agarrar com unhas e dentes para nao parecer fraca. Eventualmente tera que ceder com receio do crescente antieuropeismo que agora se comecou a evidenciar e, se nao houver um mudar de rumo…o futuro pode ser catastrofico. Hao-de ter um plano B mais criativo para uma mudanca em que continue tudo na mesma. Esse plano e continuar a mamar enquanto a teta for dando.
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Pois é, a Merkel e os gajos em Bruxelas estão cheios de medo do novo Hollande. Vai seguir o mesmo caminho e acabar como o Portas a fazer o passeio dos tristes ao FMI em Nova Iorque para ir lá pedir mais tempo para reduzir o défice.
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