Há que pedir perdão por ganhar dinheiro?
MIGUEL ANGEL BELLOSO: «Passos Coelho e Rajoy funcionaram como uma grande oficina de reparações. Ninguém sensato pode dizer que sejam maus gestores. Mas não são os líderes que a ocasião merecia. Não houve substrato ideológico por trás das suas políticas, um projeto de país capaz de despertar a ilusão coletiva. Um afã por derrubar o consenso social-democrata em que está instalado o continente europeu há tantos anos.
Antes pelo contrário, a esquerda conseguiu incutir no imaginário coletivo a ideia falaciosa de que, como consequência das políticas de austeridade para combater a crise, os ricos estão cada vez mais ricos, os pobres cada vez mais pobres e a classe média está em fase de proletarização. E neste ambiente, a competição por demonstrar quem tem uma maior sensibilidade social e defende melhor os interesses dos desfavorecidos transformou-se no eixo central da discussão política. Em Espanha, por exemplo, onde a economia vai crescer este ano mais de 3%, o primeiro-ministro, Rajoy, declarou no último debate sobre o Estado da Nação que tinha chegado a hora de aliviar o sofrimento dos cidadãos, como se tivesse problemas de consciência por ter voltado a pôr o país nos eixos!»

A sorte de PPC, ter-se defrontado com a realidade.
Pouco, da sua campanha eleitoral, o mostrava muito diferente da dinâmica Bloco Central.
Contudo, a realidade tem muito peso.
Fez-se, ainda que com erros, o que havia que fazer.
Quanto ás oposições, uma desgraça pegada.
Quando até poderiam ter feito por contribuir para…reforma do Estado, correcções ao governo… um deserto.
Finalmente com pouco dinheiro, desde 2010 e agora, obrigados a ter juízo.
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Mas se a classe média está em fase de proletarização, interrogo-me se isso não é bom.
Além de saber que a classe média sempre foi das classes mais reaccionárias, fica-nos a esperança de podermos voltar a gritar: “Proletários de todo mundo Uni-vos”
Hoje somos muitos amanhã seremos mais.
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Qual classe média ?
A que vive da Função Publica, tremeu com os cortes, mas já está melhor que nunca. na baixa de Lisboa, os restaurantes e tascas voltaram a encher 2 e 3 vezes ao almoço – há dois anos,havia sempre lugares vazios.
A classe média “civil” é que se proletarizou. Profissionais liberais, pequenos comerciantes, pequenas oficinas, etc.
A diferença entre quem recebe do OGE e quem tem que fazer pela vida, ao mesmo tempo que é espoliado pelo fascista do nuncio e pelas multas de estacionamento, é que cava a coesão social.
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o fac-sista do nuncio que foi aquele gajo que apanhou os tais classe média que nas horas de trabalho, pagos pela classe média “civil”, se entretinham a vasculhar a vida das multas de estacionamento da cavadela da coesão social?
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“Antes pelo contrário, a esquerda conseguiu incutir no imaginário coletivo…”
Sem uma comunicação social ideologicamente comprometida, a “esquerda” (o que quer que isso seja…) conseguiria esse feito?
Por exemplo: ontem, vi Costa a atacar Passos a propósito da “inaceitável” lista VIP de contribuintes. “Passos é responsável pela lista VIP”, disse ele.
Alguém sabe do ponto de situação do perdão de mais de 4 milhões de Euros que a CM Lisboa ia conceder ao Benfica? Alguém viu reportagens nos telejornais sobre as alcavalas no licenciamento de obras que violavam o PDM da capital ou sobre a venda de terrenos ao Grupo Espírito Santo?!…
Na opinião de Costa, teria o presidente da CM Lisboa alguma responsabilidade nestes casos?
Hoje em dia a realidade é o que passa no telejornal. E não há imaginário que resista…
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2014/12/por-que-razao-continua-comunicacao.html
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Portugal tem todos os sinais que se encontram por todo o lado em Angola, no Brasil, na Venezuela e noutros países do género. Comunicação social, poderes locais, parlamento, justiça, etc. O Daniel Bessa tem razão – vai mesmo haver reformas, só que vão ser feitas à força, da próxima vez que se chamar “as instituições”.
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olá Marte, aqui TERRA a chamar……
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Estás enterrado, António?
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Análise bem feita por um estrangeiro. Torna-se claro que o PP, em Espanha, e o PSD, em Portugal, têm de mudar de líderes, os atuais e os seus apaniguados estão completamente desacreditados. Vaticino derrotas monumentais nas próximas eleições e como diz o presidente, não digam que eu não avisei.
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O problema é que, no contexto actual, se houver mudança será muito provávelmente para pior (em termos de politicas).
Sendo assim, mais vale manter os que lá estão.
E que não estão assim tão “desacreditados” como isso.
É verdade que a esquerda bem se esforça por passar essa ideia, com algum sucesso, até mesmo em sectores da propria direita.
Mas a verdade é que, tanto em Portugal como em Espanha, os governos de centro-direita conseguiram evitar o descalabro das finanças publicas e repor os respectivos paises de novo a crescer.
O que Miguel Angel Belloso nota é que, em resultado da demagogia da esquerda, a percepção de muita gente é diferente.
Mesmo assim, pelo menos em Portugal (em Espanha parece ser mais problemático), a posição nas sondagens dos partidos que apoiam o governo em funções não caiu tanto como noutros paises europeus. De resto, nada permite dizer agora que estes partidos vão ter “derrotas monumentais” nas proximas eleições. A não ser que os “casos” se multipliquem e se agravem …
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Espera pelas próximas sondagens, daqui a 3 ou 4 meses e depois rebobinamos o comentário.
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Vale? ou poderá valer, um general vindo do Norte-Porto?
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Oh Helena, este seu amigo até articula umas coisas… é pena é viver desfasado no tempo 40 anos…
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Muito bem,compreende-se, a sempiterna “Tesouraria”.
Entretanto, ali em Tunes…
Para quem se intersse por “estas coisas” : os três últimos parágrafos do artigo de opinião de Fernando Ónega , hoje, em “La Voz de Galicia” (www.lavozdegalicia.es).
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“Los españoles,entre los menos satisfechos de Europa”
…
La mala salud y el riesgo de pobreza son los principales determinantes de la baja percepción del bienestar
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“A direita (…) carece de um modelo social e económico próprio, um modelo com que seduzir os cidadãos (<..)"
Concordo – fraquíssimos na comunicação desse modelo.
Alguém se atreve a tentar?
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Catarina, essa é a falácia. O modelo defendido pela direita, é o que garante melhores condições de vida em todo o planeta.
Partidos como o PS apenas têm rótulo de esquerda, não têm um modelo diferente para oferecer! Apropriam-se da “parte boa” que esse modelo oferece e “passam culpas” para a direita quando das coisas que correm mal…
Quais são os modelos de esquerda? O Brasil, a Venezuela, a Grécia?
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Concordo com o Murphy.
“Comunicar” sobre um modelo de responsabilidade não é fácil em lado nenhum e em tempo nenhum !
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Claro que a “direita” carece de um modelo económico e social. Em princípio a dita “direita” deveria aceitar o modelo que a própria sociedade vai moldando a si própria.
Essa coisa de “seduzir” a sociedade é típica das religiões ou proto-religiões socializantes em que meia-dúzia de de mafarricos se acham iluminados por modelos que eles acham que seriam melhores para os outros.
Essa “descobrida” já foi feita nos finais do sec, XIX sabendo de antemão que a preguiça e a ignorância são sedutoras, agarrando os seus praticantes facilmente os modelos criados por outros.
Essa é e será sempre a vantagem das “esquerdas”. Pintam uns modelos bonitinhos e sedutores que depois na prática dão os resultados conhecidos como sendo horríveis.
“Mas cada um é como cada qual….ninguém é como evidentemente”
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Comunicação e propaganda, andam sempre de mãos dadas…
Cumprimentos e bom fim de semana a todos os blasfemos.
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Depende como. Se é legal, se sendo legal o legislador não estiver feito como por cá sucede comos reguladores das utilities (que linda que é a língua inglesa, ate ajuda a disfarçar o fundo da conversa), se não for imoral, assim tipo anúncio do CM, bom, então como dizia o outro, pode não dar felicidade mas faz muito bem aos nervos.
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Não, efectivamente não há que pedir perdão por ganhar dinheiro. Mas também há limites para as desigualdades. Uma simbiose entre crescimento económico e redução de desigualdades seria o ideal. Não é só na Espanha e Portugal que os lideres não estão à altura, é por toda a União Europeia, nisto concordo com Belloso. Quanto ao resto Belloso apenas disserta de modo tonto sobre economia.
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Também depende. Abomino futebol, donde que pelo meu lado os profissionais seriam uma espécie de franciscanos dos quatro cantos. Mas Mourinho e Cristiano Ronaldo roubam? Nunca ouvi tal. Deviam eles dizer a quem lhes paga? Isso é demais. Só quero um terço. Só se fossem tolos. Venha ele!
Outra coisa é saber se deve haver impostos sucessórios e quanto. Cá está o nosso querido piquetty. Aí a música é outra. Trata-se de saber se por exemplo o cristianinho deve receber a massa toda do papá ou se o estado pode e deve ficar com algum. Isto no pressuposto de que o rapazinho quando chegar a homem não tem jeito para nada e faz uma coisa que é o sonho de muito lusitano de duas patas: viver dos rendimentos. Ao que percebo, o que diz piquetty é que a bola de neve dos rendimentos do capital – no caso a herança – rola mais depressa que a de quem dá o seu, isto não tem a ver com capitalismo ou socialismo mas como fazer com que o capitalismo seja realmente um caminho de oportunidades.
Se quer que lhe diga estou-me borrifando para as desigualdades económicas. Se não fossem as milionárias não havia couture da Dior e sem esta não havia pronto-a-vestir para as executivas da secção económica do expresso nem perfumes para as respetivas secretárias, nem anúncios nos pasquins. Prefiro as desigualdades económicas à conversa católica sonsa da opção preferencial pelos pobres que depois é férrea na discriminação social. E andam eles a cantar aleluia a um carpinteiro que não consta que tivesse sido um empresário de sucesso. Esses tenho a certeza de que nem querem ouvir falar em impostos sucessórios. É pouco, é muito pouco mas há sempre a tia solteira que deixa uma casinha, uma quinta que ajuda a rumar com o barco. Não tenho muita paciência para esta gente. Talvez por me sentir petisco a prazo.
E não falei eu da economia de rendas, das PPPs. Parece que vem aí mais um bolo. Tudo legal, pelo menos na forma. E esses também não são Cristiano Ronaldo nem Belmiro de Azevedo, que com defeitos e muitos, chegou onde chegou desancando em Lisboa. Ou o velho champas. E isto leva a outra questão. É preciso ser-se rico, muito rico, e independente para que o estado nos respeite. E eu nem sou liberal. É mesmo uma piolheira esta que nos caiu em sorte.
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