Pas vraiment…e sem entrar no estado social a que o blasfémias tem raiva só equiparável à paixão pela paprika da personagem do Herman a lembrar a Filipa Vacondeus.
Se o eleitor é equiparado a um consumidor então que tenha o direito de devolver o produto até um mês depois de entregue. Por outro lado deve haver uma inspeção que previna o vinho a martelo e a burla qualificada. Quem ganhou em 2009 e 2011 mentiu com quantos dentes tinha e depois era tarde. Se o eleitor é um consumidor então que lhe seja dado o direito, dentro do prazo de garantia, de mandar o produto fraudulento janela fora.
Os velhos partidos? Quais? Onde? Que me lembre assim centenário está o SPD alemão, que tem paternidade no estado social – sim, Bismarck…- os conservadores e trabalhistas ingleses, os sociais-democratas escandinavos (mas lá está o gene) e talvez mais ninguém. Nasceu tudo do pós-guerra e depois do pós-guerra. Donde que a dedução não faz lá muito sentido. Isto na Europa pois nos EUA a coisa difere, a começar pela natureza dos partidos.
Mas então o que é que o nosso afamado historiador propõe? O regresso às oligarquias do século xix? Sufrágio censitário? Assim tipo com menos de dois mil euros de rendimento mensal não vota! E o mulherio? Também não podia votar. As meninas vão voltar a ser virgens e viçosas? Não me palpita e os homens eram os primeiros a protestar. Ou a ideia é recriar uma democracia orgânica? Assim tipo Francisco franco? Com corporações e sindicatos verticais?
Marine le pen: o PCF nos tempos de glória chegou a trinta por cento. E chegou a algum lado? Em todo o caso também ela já vai no terceiro marido ou companheiro e pelo que julgo gosta muito do estado social. Mas é claro, a FN é relativamente nova e pulula de suburbanos e fidalgotes com meio quarto de sangue limpo. Tudo piou piou como dizia o outro.
Veja os eleitores como um filho a quem não deu educação financeira, a quem se deu uma mesada excessivamente alta, carro aos 18 anos, perdoaram-se todos os excessos, e depois chega aos 30 e não se sabe «orientar». Então quando os pais querem tirar a mesada e fazer dele um homem independente e adulto o que acontece?
Os Estados deram o que não deviam aos eleitores, habituaram-nos mal, agora para organizar a casa será muito complicado e daí vem o perigo do populismo.
Porque é que as pessoas votam em determinados partidos? por interesse, por militância, por fé e até por ignorância. Mas a democracia é isto mesmo, e o facto de aparecerem ocasionalmente partidos que parecem pôr em causa o status quo não é coisa nova: em Portugal apareceu nos anos 80 o PRD que desapareceu poucos anos depois, na Alemanha no inicio do século apareceram os Verdes, que serviram para reciclar os revolucionários dos idos de 70 que não morreram na prisão, mas também desapareceram da cena politica, e cá novamente, o Bloco que já atingiu perto de 10% dos votos, mas vai rápidamente a caminho dos scores eleitorais da UDP+PSR.
Não sei o que é que se vai passar na Grécia com o Syrisa, mas, e posso estar enganado, o Podemos não vai atingir votações que lhe permitam influenciar a politica em Espanha e como partido de protesto há-de desaparecer com o tempo. O Ciudadanos que adoptou uma postura de protesto moderado e não assusta as classes medias, irá na minha opinião ter no futuro um papel de partido charneira e construir maiorias tanto com o PSOE como com o PP.
Em França a FN atingiu o score máximo e cristalizou o seu eleitorado entre os 25-30%, mas o sistema a duas voltas que induz o voto útil na 2ª volta, não lhe permite vôos mais altos. No próximo domingo vamos ver o que é que os seus 20 e tal% lhe proporcionam: muito pouco.
Podemos discutir porque é que existe tanta gente descontente na Europa actual. Na minha opinião tudo se resume a uma coisa: dinheiro, ou a falta dele. O wellfare state europeu foi concebido e gerido pelos partidos sociais-democratas, democrata-cristãos e conservadores europeus para uma dúzia de países com economias pujantes, com pouco desemprego, com fartura para distribuir. Agora somos 28, a fartura acabou e os europeus têm de se habituar a viver com o que produzem, que é cada vez menos.
Uma coisa é certa, a crise grega está a abalar a Europa.
Todos foram apanhados de surpresa com a vitória do Syriza e os novos partidos FN, Podemos, etc, viram a sua oportunidade de ascender ao poder.
Claro que a sua ascensão será a sua queda, a começar pelo Syriza
Os seus planos de organização não passam de pedir mais dinheiro (ou mandar imprimir mais euros).
Quando vejo o poderio militar grego não me consigo esquecer que a ditadura dos coronéis gregos acabou em 74.
E até agora não vi (distracção minha) os militares na praça Sintagma a apoiar o governo.
Veremos o que acontecerá em França e Espanha (mas acho que os novos partidos começarão a sua caminhada para o esquecimento).
O Costa teve sorte, por pouco era o delegado do Syriza em Portugal, graças a Deus para ele o BE manteve a representação.
A Frente Nacional tem propostas que pouco se diferenciam das propostas dos Socialistas. Reforma aos 60 anos, numa Europa onde aumenta a esperança média de vida, nacionalização da Banca ou do sector energético, retrocessos na liberalização da legislação laboral (recordo que a França tinha há poucos anos uma das piores legislações laborais do mundo), defesa das corporações profissionais, etc. Depois aproveita o ódio aos muçulmanos para piscar o olho aos judeus e aos gays, num partido que até há pouco tempo era antisemita e homofóbico.
Há uma transferência maciça de riqueza da Europa para os países emergentes.
A Fundação Rockefeller prevê que nas próximas décadas as diferenças entre países ricos e pobres esbater-se-ão, em parte devido ao empobrecimento dos países ricos.
Os empreendedores e os cérebros estão a fugir da Europa Continental para o mundo anglo-saxónico devido ao excesso de impostos, burocracias e regulamentações.
Há quem preveja que o Reino Unido se estabeleça como a grande potência europeia dentro de alguns anos devido ao excesso de Estado na Europa Continental.
Estado Social? Deveria ser só para os muito pobres ou doentes. A classe média que cuida das suas finanças, que trabalhe e se desenrasque.
Morte a este Estado Social, em nome do futuro da Europa.
Recordo ainda que a Espanha está a crescer, e resolveu há décadas problemas estruturais que Portugal ainda tem.
Enquanto nós brincávamos ao PREC, enquanto a canalha reles e imunda de Esquerda destruía a economia portuguesa, os espanhóis desenvolviam o turismo e modernizavam a agricultura, a indústria, os portos.
Não fossem as aventuras esquerdistas dos Soares e Cunhais da vida, mais a Direita sonsa e matreira cavaquista, se o ritmo de crescimento continuasse o mesmo que por cá vigorava antes das ilusões abrileiras, Portugal teria certamente um PIB per capita mais elevado que o espanhol.
O Nó Górdio,
é um Estado social que um dos mais seus inteligentes actores se mostra ‘incapaz’ de reformar, Mr Portas, ou é o Estado que mantem uma nomenclatura partidária que se renova e substitui eleição após eleição?
As centenas ou milhares de jovens quadros, no apoio aos seus amados lídres, que uma vez no governo, lhes dão emprego?
O triunfo dos ‘boys’? Habituem-se, aliás, representa igualmente o triunfo de alguma da juventude portuguesa.
Quanto ao texto do Observador…Quando não se perceber que a Democracia é decidir por voto quem pode usar a violência do Estado para obrigar quem não concorda com a ideologia do vencedor e não se colocar travão a tal não chegaremos a lado nenhum. Estaremos sempre vulneráveis aos Estatistas de Esquerda e Direita.
Luis, há aí um problema na mesada. Remete para a relação de paternidade o que se quiser, para a política, ficava mais próximo das concepções orgânicas. É melhor que opte pelo contrato social ou pelo accionista numa empresa. Aí sempre pode dizer que comeram demais nos dividendos e marimbaram-se para o investimento. Só que isso é um problema de sociedade e não de paternidade.
Em todo o caso não deixa de ser engraçado o apelo ao ‘liberalismo clássico’, regimes que caíram em catadupa nas primeiras décadas do século xx. Música romântica do género António Mourão. Só para que fique o registo: por cá, até 1820 foi o pandemonio com a invasão dos franceses e o governo dos ingleses, de 1820 a 1851 foi guerra civil uma após outra, quando se cansaram entraram numa de centro com fontes Pereira de Melo a fazer de José Sócrates e a banca de Londres de Bruxelas, a seguir foi só o estertor final. Melhorou o país comparativamente aos outros? Não. Nem na economia, nem na educação, emigraram esfomeados para o Brasil, três quartos eram analfabetos. Mesmo dona Amélia e dom Manuel II reconheciam no exílio que esses regimes estavam caducos. Pelos vistos cem anos depois é o caminho da salvação.
Não sou historiador mas tenho uma vaga noção que a carga fiscal era elevada, além da existência de monopólios e concessões, portanto liberalismo? Onde?
o que tem a ver a “frente nacional” com o “estado social”?
e partidos a gerir a economia?
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Pas vraiment…e sem entrar no estado social a que o blasfémias tem raiva só equiparável à paixão pela paprika da personagem do Herman a lembrar a Filipa Vacondeus.
Se o eleitor é equiparado a um consumidor então que tenha o direito de devolver o produto até um mês depois de entregue. Por outro lado deve haver uma inspeção que previna o vinho a martelo e a burla qualificada. Quem ganhou em 2009 e 2011 mentiu com quantos dentes tinha e depois era tarde. Se o eleitor é um consumidor então que lhe seja dado o direito, dentro do prazo de garantia, de mandar o produto fraudulento janela fora.
Os velhos partidos? Quais? Onde? Que me lembre assim centenário está o SPD alemão, que tem paternidade no estado social – sim, Bismarck…- os conservadores e trabalhistas ingleses, os sociais-democratas escandinavos (mas lá está o gene) e talvez mais ninguém. Nasceu tudo do pós-guerra e depois do pós-guerra. Donde que a dedução não faz lá muito sentido. Isto na Europa pois nos EUA a coisa difere, a começar pela natureza dos partidos.
Mas então o que é que o nosso afamado historiador propõe? O regresso às oligarquias do século xix? Sufrágio censitário? Assim tipo com menos de dois mil euros de rendimento mensal não vota! E o mulherio? Também não podia votar. As meninas vão voltar a ser virgens e viçosas? Não me palpita e os homens eram os primeiros a protestar. Ou a ideia é recriar uma democracia orgânica? Assim tipo Francisco franco? Com corporações e sindicatos verticais?
Marine le pen: o PCF nos tempos de glória chegou a trinta por cento. E chegou a algum lado? Em todo o caso também ela já vai no terceiro marido ou companheiro e pelo que julgo gosta muito do estado social. Mas é claro, a FN é relativamente nova e pulula de suburbanos e fidalgotes com meio quarto de sangue limpo. Tudo piou piou como dizia o outro.
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Veja os eleitores como um filho a quem não deu educação financeira, a quem se deu uma mesada excessivamente alta, carro aos 18 anos, perdoaram-se todos os excessos, e depois chega aos 30 e não se sabe «orientar». Então quando os pais querem tirar a mesada e fazer dele um homem independente e adulto o que acontece?
Os Estados deram o que não deviam aos eleitores, habituaram-nos mal, agora para organizar a casa será muito complicado e daí vem o perigo do populismo.
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Basicamente isso Luís. O problema é que já se transformou numa cultura.
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Porque é que as pessoas votam em determinados partidos? por interesse, por militância, por fé e até por ignorância. Mas a democracia é isto mesmo, e o facto de aparecerem ocasionalmente partidos que parecem pôr em causa o status quo não é coisa nova: em Portugal apareceu nos anos 80 o PRD que desapareceu poucos anos depois, na Alemanha no inicio do século apareceram os Verdes, que serviram para reciclar os revolucionários dos idos de 70 que não morreram na prisão, mas também desapareceram da cena politica, e cá novamente, o Bloco que já atingiu perto de 10% dos votos, mas vai rápidamente a caminho dos scores eleitorais da UDP+PSR.
Não sei o que é que se vai passar na Grécia com o Syrisa, mas, e posso estar enganado, o Podemos não vai atingir votações que lhe permitam influenciar a politica em Espanha e como partido de protesto há-de desaparecer com o tempo. O Ciudadanos que adoptou uma postura de protesto moderado e não assusta as classes medias, irá na minha opinião ter no futuro um papel de partido charneira e construir maiorias tanto com o PSOE como com o PP.
Em França a FN atingiu o score máximo e cristalizou o seu eleitorado entre os 25-30%, mas o sistema a duas voltas que induz o voto útil na 2ª volta, não lhe permite vôos mais altos. No próximo domingo vamos ver o que é que os seus 20 e tal% lhe proporcionam: muito pouco.
Podemos discutir porque é que existe tanta gente descontente na Europa actual. Na minha opinião tudo se resume a uma coisa: dinheiro, ou a falta dele. O wellfare state europeu foi concebido e gerido pelos partidos sociais-democratas, democrata-cristãos e conservadores europeus para uma dúzia de países com economias pujantes, com pouco desemprego, com fartura para distribuir. Agora somos 28, a fartura acabou e os europeus têm de se habituar a viver com o que produzem, que é cada vez menos.
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“dinheiro, ou a falta dele.”
Falso. Compare os ordenados de 1990 com hoje. Quem ganha?
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Isso vale para os que tẽm ordenado, não é?
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Uma coisa é certa, a crise grega está a abalar a Europa.
Todos foram apanhados de surpresa com a vitória do Syriza e os novos partidos FN, Podemos, etc, viram a sua oportunidade de ascender ao poder.
Claro que a sua ascensão será a sua queda, a começar pelo Syriza
Os seus planos de organização não passam de pedir mais dinheiro (ou mandar imprimir mais euros).
Quando vejo o poderio militar grego não me consigo esquecer que a ditadura dos coronéis gregos acabou em 74.
E até agora não vi (distracção minha) os militares na praça Sintagma a apoiar o governo.
Veremos o que acontecerá em França e Espanha (mas acho que os novos partidos começarão a sua caminhada para o esquecimento).
O Costa teve sorte, por pouco era o delegado do Syriza em Portugal, graças a Deus para ele o BE manteve a representação.
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A Frente Nacional tem propostas que pouco se diferenciam das propostas dos Socialistas. Reforma aos 60 anos, numa Europa onde aumenta a esperança média de vida, nacionalização da Banca ou do sector energético, retrocessos na liberalização da legislação laboral (recordo que a França tinha há poucos anos uma das piores legislações laborais do mundo), defesa das corporações profissionais, etc. Depois aproveita o ódio aos muçulmanos para piscar o olho aos judeus e aos gays, num partido que até há pouco tempo era antisemita e homofóbico.
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Há uma transferência maciça de riqueza da Europa para os países emergentes.
A Fundação Rockefeller prevê que nas próximas décadas as diferenças entre países ricos e pobres esbater-se-ão, em parte devido ao empobrecimento dos países ricos.
Os empreendedores e os cérebros estão a fugir da Europa Continental para o mundo anglo-saxónico devido ao excesso de impostos, burocracias e regulamentações.
Há quem preveja que o Reino Unido se estabeleça como a grande potência europeia dentro de alguns anos devido ao excesso de Estado na Europa Continental.
Estado Social? Deveria ser só para os muito pobres ou doentes. A classe média que cuida das suas finanças, que trabalhe e se desenrasque.
Morte a este Estado Social, em nome do futuro da Europa.
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Recordo ainda que a Espanha está a crescer, e resolveu há décadas problemas estruturais que Portugal ainda tem.
Enquanto nós brincávamos ao PREC, enquanto a canalha reles e imunda de Esquerda destruía a economia portuguesa, os espanhóis desenvolviam o turismo e modernizavam a agricultura, a indústria, os portos.
Não fossem as aventuras esquerdistas dos Soares e Cunhais da vida, mais a Direita sonsa e matreira cavaquista, se o ritmo de crescimento continuasse o mesmo que por cá vigorava antes das ilusões abrileiras, Portugal teria certamente um PIB per capita mais elevado que o espanhol.
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O Nó Górdio,
é um Estado social que um dos mais seus inteligentes actores se mostra ‘incapaz’ de reformar, Mr Portas, ou é o Estado que mantem uma nomenclatura partidária que se renova e substitui eleição após eleição?
As centenas ou milhares de jovens quadros, no apoio aos seus amados lídres, que uma vez no governo, lhes dão emprego?
O triunfo dos ‘boys’? Habituem-se, aliás, representa igualmente o triunfo de alguma da juventude portuguesa.
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É claro que o Estado Social é irreformável. Ele existe para a classe média onde estão a maioria dos eleitores,
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Quanto ao texto do Observador…Quando não se perceber que a Democracia é decidir por voto quem pode usar a violência do Estado para obrigar quem não concorda com a ideologia do vencedor e não se colocar travão a tal não chegaremos a lado nenhum. Estaremos sempre vulneráveis aos Estatistas de Esquerda e Direita.
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Luis, há aí um problema na mesada. Remete para a relação de paternidade o que se quiser, para a política, ficava mais próximo das concepções orgânicas. É melhor que opte pelo contrato social ou pelo accionista numa empresa. Aí sempre pode dizer que comeram demais nos dividendos e marimbaram-se para o investimento. Só que isso é um problema de sociedade e não de paternidade.
Em todo o caso não deixa de ser engraçado o apelo ao ‘liberalismo clássico’, regimes que caíram em catadupa nas primeiras décadas do século xx. Música romântica do género António Mourão. Só para que fique o registo: por cá, até 1820 foi o pandemonio com a invasão dos franceses e o governo dos ingleses, de 1820 a 1851 foi guerra civil uma após outra, quando se cansaram entraram numa de centro com fontes Pereira de Melo a fazer de José Sócrates e a banca de Londres de Bruxelas, a seguir foi só o estertor final. Melhorou o país comparativamente aos outros? Não. Nem na economia, nem na educação, emigraram esfomeados para o Brasil, três quartos eram analfabetos. Mesmo dona Amélia e dom Manuel II reconheciam no exílio que esses regimes estavam caducos. Pelos vistos cem anos depois é o caminho da salvação.
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Não sou historiador mas tenho uma vaga noção que a carga fiscal era elevada, além da existência de monopólios e concessões, portanto liberalismo? Onde?
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