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As coisas são o que são mas podem estar a deixar de ser o que eram

23 Agosto, 2015

Tema do meu artigo de hoje no Observador: O maior problema dos socialistas nesta campanha não são  os cartazes trapaceiros. Ou o facto de Sócrates estar preso. O maior problema do PS nesta campanha pode resultar de não perceber que o país mudou. O PS continua a falar para o país que resultou do 25 de Novembro de 1975. Mas quem vai a eleições é o país que viveu Abril de 2011. Ou seja o país que percebeu que nada estava garantido nesse Estado que os vencedores de 1975 lhe tinham prometido.

7 comentários leave one →
  1. anti-comuna's avatar
    anti-comuna permalink
    23 Agosto, 2015 12:09

    Helena, o seu artigo é interessante. Eu gostei imenso desta parte aqui:

    “E é aqui que chegamos ao que pode ser o grande equívoco desta campanha: tudo o que foi válido nos últimos quarenta anos pode estar a deixar de ser. E por isso o mesmo António Costa, que até há pouco teria sido elogiado, enaltecido e admirado por ter criado um enorme problema a Passos Coelho ao puxar para a esfera de influência socialista a antíga líder do PSD, parece agora meio desorientado ao declarar num dia que tem uma “uma identidade de pontos de vista muito significativa” com Manuela Ferreira Leite e no outro ao manter o equívoco em torno do apoio do PS à candidatura de Sampaio de Nóvoa.”

    O país já não é o mesmo de 75, é certo. Mas o país e a realidade política já não se compagina com “lideranças mediáticas” que depois eram reproduzidas na imprensa, pelos pretensos comentadeiros de serviço. Vc. aborda também o assunto:

    “Costa não pode liderar a agenda mediática em primeiro lugar porque a agenda mediática já não se domina como era hábito, e em segundo porque mediaticamente o PS se está a dirigir não ao país mas sim ao país que o PS acha que somos.”

    E aqui Vc. toca no ponto essencial. Há ainda em Portugal quem, na imprensa, pense que os grupos maioritários são representandos por algumas pessoas ou instituições, que são mesmo minorias reduzidas mas falam em nome de maiorias. Um exemplo claro. Há quem pretensamente queira falar em Portugal em nome dos reformados e pensionistas, quando não passam de meros comissários políticos. E estes comissários políticos (a técnica antiga de criar associações pretensamente independentes para representar grupos sociais já se esgotou há anos, mas o PC e a esquerda em geral ainda não o perceberam) são levados a sério, tanto na imprensa como nos partidos políticos, que os acolhem. (Ou são controlados, não interessa para o caso.)

    E o país mudou. Mas não é apenas o PS que não o percebeu. A imprensa também não. Peguemos neste interessante artigo no Público, que tem a ver muito com isto:

    “Uma campanha tóxica”

    http://www.publico.pt/sociedade/noticia/uma-campanha-toxica-1705707?frm=opi

    O autor confunde o país antes das redes sociais com aquele que os partidos políticos podem tentar manipular. E, o autor, nem compreende que, seja quem for que tente fazer campanhas negativas com o uso de redes sociais, elas nunca terão aderência se a parte do país que não depende da imprensa tradicional não acreditar nas tais campanhas. Aliás, o autor está um bocado como o PS, acredita piamente que se pode fazer campanhas nas redes sociais e na internet como se fazem nos meios tradicionais, muito menos caótico e mais lento e até passível de filtração dos intermediários da informação.

    Quer-me parecer que, tanto os políticos ( e não apenas o PS, repare-se bem) como os profissionais da informação ainda não perceberam o poder da internet. E na democratização desta que permite o acesso a múltiplas fontes de informação, e ínumeras opiniões contraditórias e uma realidade não plasficável por agências de marketing e comunicação. Fugindo da realidade Portuguesa e da actividade política, basta pensar na mortal campanha de comunicação da Pepsi sueca, que ao usar a figura do Cristiano Ronaldo, pensando que essa influência seria limitada ao mercado sueco, acabou por descobrir que, o seu público-alvo era muito mais alargado e complexo que o tradicional. E, portanto, o que se passou na Suécia levou a que a Pepsi tenha sido gozada em Portugal (basta relembrar o Nilton e como ele soube explorar humoristicamente o passo em falso da Pepsi) e gerado, mais ou menos, efeitos negativos, um pouco por todo o mundo. Devido à internet e como ela funciona em rede.

    Em Portugal, pensavam, que bastava mandar comunicados para a imprensa, fazer discursos para a imprensa (e muitas vezes o público-alvo dos políticos eram os comentadores e não propriamente os eleitores) e para os telejornais, e se fazia uma campanha política. E se fazia isto sem pensar na democratização do acesso à informação pro parte das populações, cada vez menos “infoexcluidas”. Hoje a internet está a democratizar-se e cada um pode ser um líder de opinião, desde que saiba comprender o pulsar da sociedade não mediatizada mas plasmada nas redes sociais. E esse poder, caótico, pode ajudar uma candidatura política (como no caso do Obama) como poder destruir, quando não existe sintonia entre a mensagem política ea realidade.

    O seu artigo é um aviso à navegaçâo à esquerda e ao PS mas não se limita a tal. O próprio CDS e o Paulo Portas são vítimas de uma realidade que mudou mas que os próprios políticos e os partidos políticos não acompanharam. Tanto em práxis política como o discurso, acções de marketing, programas, etc. É evidente que o PS é a pior vítima deste processo porque, aquilo que nasce mediaticamente, morre pelos meios comque nasceu. Nos média.

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  2. anónimo's avatar
    anónimo permalink
    23 Agosto, 2015 15:29

    O povo aprendeu mais em 4 anos sobre finanças públicas, sistema de impostos, sistema de pensões etc do que durante os outros 36 anos.
    De algum modo, atingiu a maioridade e deixou de seguir cegamente apenas o que lhe diziam.
    Curiosamente, TóZero verbalizou essa diferença essencial. Porém, só o fez quando os costistas lhe fizeram a folha, pois que até aí funcionou no mesmo registo socialista de sempre.
    Estou plenamente de acordo com o seu texto
    E nas zonas onde moro e trabalho não percebo onde existe o empate técnico das sondagens.
    O registo é votar no “do mal o menos”. E o PS está longe de ser o mal menor.

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  3. gato's avatar
    gato permalink
    23 Agosto, 2015 18:32

    Fernando Pessoa (1888–1935): Um período revolucionário é sempre uma ditadura de inferiores.

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  4. Pedro Morgado's avatar
    23 Agosto, 2015 21:25

    Pelos vistos a Helena gostava mais do Portugal de 1975 do que do Portugal de 2011. Não me admiro com a preferência.

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  5. manuel branco's avatar
    manuel branco permalink
    23 Agosto, 2015 23:26

    ena camarada! de 1975, onde ao que por aí se diz, estava do lado errado, direitinha para 2011. Sá Carneiro e AD? não interessa. Adesão à CEE? não interessa. Governos Cavaco? não interessa. Adesão ao euro? não interessa. O ano da graça de 2011 foi o ano zero. Esse sim, foi a nossa Aljubarrota, a nossa São Mamede. Chegou Dom Sebastião e venceu a esquerdalha de Alcácer Quibir. Pois sim, mas a velha direita portuguesa, a velha velhinha, já a tinha despachado para o paço dos Estaús.

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  6. José Francisco's avatar
    José Francisco permalink
    23 Agosto, 2015 23:43

    Concordo com o artigo da Helena no sentido de que os partidos, principalmente aqueles que mais se afastam da realidade com promessas impossíveis, foram ultrapassados pelas redes sociais.Porém o Dr. Costa já deu resposta ao introduzir a temática da vinda de eventuais extraterrestres, no caso marcianos, com outros meios técnicos certamente é só fazer as contas em Exel e esperar, para ver o futuro, compromisso.

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  7. Artista Português's avatar
    Artista Português permalink
    23 Agosto, 2015 23:58

    Curioso também é aquela dos cartazes, perdão…outdoors, que falam de CONFIANÇA e mostram o semblante angelical de alguém que só está ali porque deu uma facada nas costas de outrem…

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