Re: Saison des cartes pas de Descartes en français
Amigo,
É fácil, para quem está em liberdade, referir-se à sorte alheia de quem está preso. Porém, digo-te, a vida de presidiário não é nada fácil, como constato todos os dias ao ver os que o são mesmo. A minha própria experiência, apesar de diferente da de um presidiário pindérico, é deveras traumática para um homem amaldiçoado com substantivo porte intelectual. Percebo que recorras à tua mãe para te aliviar a carga que carregas sobre os ombros. Eu próprio recorro à minha e à sua herança sempre que necessito, como agora, que decidi começar a pagar a quantia exacta em dívida ao meu amigo, mal apure exactamente quanto lhe devo. Porém, não é a tua mãe que te pode ganhar eleições. Devias falar com quem sabe e com quem pode. A vida é complicada e nem sempre podemos estar onde queremos mas, bolas, sabes exactamente onde estou e não te custa nada vir cá trazer um bolo ou uma mala de fotocópias. Tudo se arranja na vida. Eu é que estou preso e tu é que sentes os trabalhos forçados. Posso aliviar-te a carga. Posso conceder-te o que desejas. Mas há um preço, como em tudo na vida. Socialismo sim, mas para os discursos. Aqui é a César o que é de César. Podia elaborar mais mas já não tenho papel, que gastei para a última lista telefónica de absurdos de inocência sacados de um livro de um tal de Dostoyevsky que enviei para publicarem nos meus jornais. Aparece. Falamos pessoalmente. Não sejas piegas.
Com amizade,
Marlene
