point of no return
As diligências que António Costa anda a promover junto do Bloco e da CDU, supostamente para encontrar uma alternativa de esquerda a um governo da direita, podem não passar de uma estratégia para obrigar aqueles dois partidos a submeterem-se à autoridade do PS e, simultaneamente, de uma manobra de intimidação da Coligação e do Presidente da República, com resultados políticos que Costa pretenderá alcançar a médio e não a curto prazo.
Nesta linha estratégica, o ideal para o PS seria que os seus putativos parceiros de coligação a inviabilizassem por agora, deixando, contudo, essa possibilidade em aberto, caso o governo do PSD/CDS ultrapassasse os limites do que o PS considerará aceitável. Assim, o Costa manteria em sentido a esquerda, responsabilizando-a por ter inviabilizado um acordo que teria evitado o governo de direita, e o PSD e o CDS, com a ameaça de derrubar o governo, ameaça que concretizaria num prazo razoável em que não fosse acusado de irresponsabilidade, provocando eleições que não teria dificuldades em ganhar.
O problema da estratégia de Costa é que há pontos de não retorno e ele poderá tê-los já involuntariamente ultrapassado. Para isso, bastará que o PC e o Bloco se finjam de mortos e que aceitem todas as condições de Costa e do PS para formar governo. Aí, inverter-se-ia o feitiço contra o feiticeiro, e passaria o governo de Costa a ser um governo de um partido minoritário, dependente de outros dois partidos à sua esquerda que o querem canibalizar, e dois partidos à sua direita que terão espaço aberto para crescerem no centro político abandonado pelo PS. Neste caso, seria o governo de António Costa a cair num prazo breve: não se imagina o PC e o Bloco a levarem-no ao colo por muito tempo. E o líder do PS passaria assim, num ápice, de caçador a presa.

Chama-se a isto aproveitar uma derrota para se especializar em chicana. Vai longe, sobretudo se o objectivo é transformar o PS num PASOK…
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tás receoso e se resulta?
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A história está aí para provar que sempre que o PS se aliou à direita, PERDEU as eleições a seguir.
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Se o PS se aliar à esquerda corre o risco de nunca mais as ganhar, pelo menos nos próximos 20 anos. O Costa é um patarata rodeado de pataratas ainda mais perigosos do que ele, como o Porfírio ou o Pedro Nuno Santos.
É bom que o PS faça a frente de esquerda para ver se desaparece de vez da área da governação. Fica um grande partido conservador no centro-direita, essas coisas de Social-Democracia ou Democracia-Cristã já não fazem hoje muito sentido, e à esquerda o BE que pode ocupar uma parte do espaço deixado vago pela loucura dos socialistas. O PS e o PCP ficam assim uma espécie de dinossauros do regime com 5% cada um.
O único senão do cenário da frente de esquerda é o estado em que deixariam o país; teríamos de passar outra vez pelo tratamento da troika, mas desta vez muito mais doloroso.
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O tiro ainda pode sair mais ao contrário. Só o facto de manter as actuais negociações, vai polarizar ao máximo as próximas eleições – independentemente de quem faça cair o governo. E o PS vai levar com o argumento do perigo comunista no governo. Que o PS não poderá desmentir pois anda a brincar com o fogo.
Se nas próximas eleições, votar PS significa (poder) levar os comunistas para o Governo, o país parte-se ao meio e até podemos chegar a um ajuste das contas que ficaram estes anos todos por fazer.
Para o eleitorado central que repudia o comunismo e que tem presente a
venezuela e a Grécia das ATM’s, já nem interessa muito que o PS chegue ou não a formar governo com os comunistas. Basta que tenha falado com eles para esse efeito.
É a encostar-se ao fascismo vermelho que o PS se está a PasoKar.
A alternativa do PS era jogar no meio campo. A extremo vai ficar fora de jogo, porque os fiscais de linha, além do mais são europeus e são eles é que nos oferecem as caixas com presentes. Digo eu que se percebesse alguma coisa disto estaria a ganhar um dinheirão a comentar nas TV’s.
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Você percebe mesmo muito disto.
Não é por ser um “anónimo” que não vai para a TV, eles têm lá muitos anónimos e Zés Ninguém a comentar.
Só não vai para a TV porque não pensa como eles querem.
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As suas conjeturas são demasiado elaboradas e pressupõem que Costa tem uma linha de pensamento coerente.
O único fio condutor do seu pensamento é “vou ser primeiro-ministro”. Neste caso é mesmo custe o que custar, o que interessa o euro, a estabilidade, o desaparecimento do PS à custa do crescimento do BE e de uma futura maioria de direita. Que se lixe o país e o partido “eu vou ser primeiro-ministro”.
A lógica é a de Cunhal: “não vamos perder nas urnas o que ganhamos na rua”. Neste caso o que ganharam nos jornais e TVs.
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Jerónimo sem negar a própria doutrina tem cabedal para tramar o trapezista Costa.
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O principio do fim!
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Só uma pergunta será um governo formado por PS, CDU e BE tem maioria na Assembleia? Não se estão a esquecer dos 19 deputados do PS da ala Segurista? 19 + 107 (contando com os 3 deputados que a PAF irá obter com os votos da Europa e Resto do mundo) dão 126 (maioria absoluta)
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Será que o PS se vai dividir como aconteceu com o Syriza?
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Se isto entrar num impasse inultrapassável e houver a curto ou médio prazo eleições antecipadas, o BE poderá vir a ser o nosso Siryza ou o nosso Podemos.
Assim saiba gerir a coisa.
Para o bem e para o mal, vamos sempre atrás, mas vamos.
Como abstencionista que sou, do mal o menos.
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Já todos sabem que tipo de “abstencionista” o João de Brito é.
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de branco. Só bebe tinto e sangria bem vermelhaça..
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Por aqui e por estes dias, a política começa e acaba em meros jogos partidários, na construção abstrata de cenários, naquilo a que de facto e infelizmente está reduzida esta nossa pseudodemocracia – pura formalidade.
Da vida real, nada.
Dos mais de 30% de jovens desempregados, do despedimento coletivo de mais de 400 trabalhadores entre a Unicer e a Somague, coisa nenhuma.
Há que silenciar.
Porque se trata de mais uma consequência inevitável da competitividade, primeira essência deste liberalismo selvagem que nos consome.
De facto, sendo os trabalhadores considerados custos de produção…
O capital e o lucro é que são intocáveis.
As pessoas, não!
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Mais a AutoEuropa! 😦
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Excelente argumentação …
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Por acaso condensei este pensamento aqui
http://fado-alexandrino.blogspot.pt/2015/10/darwin.html
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