Estratégia de Costa – II
É mais fuga para a frente. E que se lixe quem vier a seguir.
Sabe António Costa e sabe o PS que há 2 meses estavam com maioria absoluta ou perto dela. Sabem que no início de Setembro a vitória do PS era certa. Sabem que com a campanha eleitoral realizada, António Costa conseguiu perder as eleições mais fáceis de ganhar dos últimos 20 anos.
A forma de deixar tudo isso para trás e disfarçar o desaire, é transformar uma derrota do PS em vitória de esquerda. E avançar para um governo que agrege as esquerdas. O que foi feito com inteligência política e comunicacional.
E note-se que é legitimo. (não que eu veja como positivo, mas legítimo é). Havendo maioria parlamentar, tanto faz quem seja o pm. Desde que consiga agregar a si uma maioria, então que governe . As críticas de que «não foi isto que votaram» são infantis. Face aos resultados, obviamente há um cenário novo. Pretendido pelo povo. E é nesse cenário que se cozinham as possíveis soluções. Só depois. Nunca antes.
PSD/CDS foram apanhados um pouco em contra-mão, pois não esperavam essa estratégia. Mas é o que há. E neste momento, já perderam todas as hipóteses de conseguirem o namoro do PS. Costa está sem recuo. Ainda que Passos desse tudo ao PS, nem assim Costa poderia neste momento aceitar, pois seria trucidado à sua esquerda. Mas para o PSD/CDS qualquer cenário é-lhe positivo. Fique a governar em minoria ou na oposição a um governo Costa, Passos Coelho ficará sempre a ganhar. É apenas questão de aguardar pelas eleições do próximo ano que em qualquer cenário sempre ocorrerão. O eleitorado moderado de centro dar-lhe-á uma esmagadora vitória à custa de um PS, que, aconteça o que acontecer, será trucidado.

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