um debate esclarecedor

O debate, ontem realizado, entre os quatro líderes dos principais partidos políticos de Espanha – Sánchez, Casado, Rivera e Iglésias – revelou o estado cataléptico da política desse país: discutiram-se, quase exclusivamente, os possíveis pactos de governo, cientes todos de que nenhum partido alcançará a maioria absoluta, ou ficará, sequer, próximo disso. De facto, Casado e Rivera arrostaram às ventas de Sánchez as suas ligações aos independentistas catalães e a necessidade que terá de indultar os eventuais condenados do julgamento de Madrid para se manter num futuro governo; Iglésias encostou Sánchez às cordas perguntando-lhe se «pactuaria» com Rivera, a quem, por sua vez, chamou de troca-tintas em matéria compromissos de governo; Casado insistiu no perigo de Sánchez e Rivera se entenderem a seguir às eleições, ao que este jurou, pelas cinco chagas de Cristo, que jamais o faria, embora Sanchez não o negasse quando confrontado com essa hipótese; este, em modo de contra-ataque, ia alertando para a mais do que provável ida para o governo do VOX e de Abascal – os grandes ausentes da noite – se esse partido for necessário para uma maioria parlamentar com os dois outros da direita. Quanto ao mais, um Sánchez patético, entre sorrisos irónicos, silêncios comprometedores e um discurso oscilante entre a «igualdade de género» e o perigo do «fascismo»; um Casado francamente imberbe e muito superficial; um Rivera ao ataque, para ver se cresce nos votos que as sondagens lhe negam, mas melífluo q.b. quanto a futuros pactos de governo e um Iglésias decepcionante, porque excessivamente institucionalista e moderado, sempre com a Constituição nas mãos, ao contrário do que se espera dele. Hoje há outro debate e no domingo veremos como ficará a Espanha: se com um rumo certo, se dividida e confusa como este debate. A probabilidade de vencer a segunda hipótese, e de se repetirem eleições a um breve prazo, é mais do que elevada.

Fique como ficar, continuarão a foder-nos com os transvases.
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Os 4 candidatos a primeiros-ministros são todos homens, razoavelmente jovens, bem parecidos e elegantes. Nada em comum com o que se vê em Portugal.
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