A censura na Europa
Elon Musk revelou há dias que a Comissão Europeia propôs às plataformas de redes sociais acordos ilegais secretos no período que antecedeu as recentes eleições europeias. O acordo pretendido pela Comissão Europeia pressupunha que as redes sociais censurassem os conteúdos nas respectivas plataformas, se forma sigilosa e, por contrapartida, estas estariam imunes a processos judiciais que levariam à imposição de multas gigantescas e restrições à sua actividade comercial ao abrigo do chamado Regulamento dos Serviços Digitais.
O X (ex-Twitter) recusou o acordo, mas Musk afirma que o Facebook e a Google o aceitaram.
É extraordinária a hipocrisia e o cinismo da Comissão Europeia. É que Bruxelas tem alertado constantemente para uma suposta ameaça da Rússia à Europa por via da disseminação de notícias falsas, desinformação e discursos de ódio provenientes do regime de Putin. Mas se isto é verdade, é bom que os cidadãos europeus estejam conscientes de que os ataques à sua liberdade e atitudes antidemocrática censórias são também o modo de acção das elites da União Europeia.
Este desprezo pelos cidadãos e pela democracia assenta na húbris e presunção institucionalizada de que os burocratas e decisores da União Europeia sabem o que é melhor para a sociedade e, portanto, devem eles decidir em nome dos europeus o que é um discurso aceitável, o que pode e não pode ser dito online, e prevenir que informação inconveniente chegue à população que não tem a mesma capacidade de discernimento e cultura das elites.
O Regulamento dos Serviços Digitais não passa de máscara sob a qual a elite da União Europeia exerce o seu poder, subvertendo os valores europeus da democracia e da liberdade de expressão. É um subterfúgio para controlar narrativas úteis aos interesses da oligarquia dominante que passa por exemplo por instrumentos como os chamados “verificadores de factos” ou polígrafos, pela programação centralizada dos algoritmos para remoção de certas publicações e cancelamento de utilizadores inconvenientes, etc.
Esta forma de manipular os cidadãos tem sido consentida e mesmo apreciada pelos partidos portugueses, da esquerda à direita.
A censura regressa à Europa promovida por dirigentes políticos com a cumplicidade activa de algumas Big Tech e passiva dos media tradicionais que beneficiam do ataque contra os novos meios de comunicação.
Dir-se-ia que se adoptarmos como princípio de prudência considerar as narrativas dos burocratas de Bruxelas e de grande parte dos nossos jornais e televisões como desonestas e mentirosas, estaremos mais bem informados e mais próximos da verdade dos factos.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

É por isto que existe o Nostr.
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Será? Ou será “mais uma operação de bandeira falsa?”.
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Não há lixo que não tenha lugar na democracia, aparece como o grande princípio definidor.
Sempre se esquecem que a democracia pressupõe cidadania com sua responsabilidade face à lei, e não anónimos e bots a infestarem o espaço mediático.
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Eu por mim fiquei elucidado pela reacção dos liberais portugueses ao regulamento 350/2022 – é o que nos proíbe de ver o canal russo RT, entre outras coisas, à revelia de todas as liberdades constitucionais que supostamente nos assistem.
As liberdades constitucionais não valem o papel em que estão escritas, e os liberais da casa que comem e calam ainda valem menos do que isso.
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caro Senhor
Felicito o seu oportuno artigo, nesta época em que uma tremenda maioria branca WASP tudo faz para censurar a opinião no espaço público e privado.
Basta consultar a net para ver o controle de linguagem, temas, e orientações.
Não vou dizer se a Wiki é tão fiável como a Enciclopédia Britânica ( não é ), mas o maior erro não é por omissão ou inexactidão: é deliberado e fruto da sua ideologia – “a culpa do homem Branco”.
Coitados dos miúdos que já não conhecem livros: terão de se alimentar naquela “cartilha ideológico”, pseudo-cultural, e de fraco nível intelectual.
Entregámos ( vamos, brevemente) as decisões às máquinas ( artificial): vamos deixando, de contar ao início, e depois apenas , deixando …!
Cumprimentos
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