É o fim do mundo outra vez, desta vez é mesmo, não é como os outros fins do mundo que não o foram
Todos os dias aparece mais um totó a fazer a triste figura de perpetuar a ideia palerma de linhas vermelhas. “Não faço acordos com o Chega” é o equivalente moderno de exibir lençóis manchados de sangue após a noite de núpcias. Apesar de não faltarem porcos ou galinhas que testemunhariam, caso tivessem sobrevivido, às exibições de virtude do passado, estamos sujeitos, neste tempo, à obrigação de fingirmos que acreditamos na farsa.
O Chega, em 2025, representa a evolução do socialismo das democracias liberais europeias. Abraçar o Chega é promover a real mudança futura, sabe-se lá para o quê, pela estagnação habitual do presente. Bem sei que o discurso é insuportável, só ligeiramente menos insuportável que o dos partidos habituais do sistema, mas isso não interessa nada: a questão nunca é sobre quem não quer fazer acordos com o Chega. A questão é sobre quem não precisa deles para que não se afogue. Tirando o PCP, que ainda tem os sindicatos, todos precisam.
Por uma questão de decência, que se afoguem, então, mas rápido que acaba a doer menos para quem só veio ver a bola.

Uma coisa que os mandarins enquistados nos pp da III República parecem incapazes entender, de ignorantes e ou estúpidos, ainda que capazes de conquistar Bruxelas próximo de Waterloo, como Costa o Povoador.
“Configurações do Fim-estrutura de fim de época, e estrutura de fim de regime”
de conferencia de Joaquim Aguiar há poucos anos, com Adriano Moreira.
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*“O quinto império” *
… nós somos púnicos, parecemo-nos com os mercenários de Amílcar e todos esses matreiros do mediterrâneo. Nós somos girinos…
Em português, as palavras são um simples meio de simpatia, ou o seu contrário. As pessoas perdem assim horas em conversas inúteis, só com o fim de garantir a sua estima recíproca…
Como bom português, sentia-se fascinado pelo desastre e caminhava para o abismo…
Um conquistador não é um promovido pela antiguidade e pelos concursos; Filipe Pétain não teve ânimo para ir a Argel em 1942, Kaúlza para mandar a barraca aos ares em 1973. O poder exige uma alma de Al Capone, sem rei nem lei…
As revoluções, quem quer que sejam os seus autores, não mudaram nada. Conduzem aos mesmos abismos. A dificuldade é mudar o homem…
Uma das particularidades portuguesas: o gosto da pequena polícia, a que mantém relações sentimentais como povo. A sua arte de bisbilhotar, de procurar por trás, de inventar razões e causas, a um tempo teima de funcionário e regressão à inteligência infantil. Ou bem que os portugueses não fazem nada, ou bem que vão até ao último pormenor e, chegados aí, largam tudo como de costume…
Cada cinquenta anos, o país sonha ser a primeira sociedade liberal avançada do mundo. Cada cinquenta anos, o libertário volta à superfície. Procura-se então um banqueiro ou um professor de economia capaz de casar meio século de bordel com O Espírito das Leis…
Sem endereços e todos com o mesmo nome, obedecendo a dois ou três pequenos princípios, entre os quais o de inventarem títulos…
Dominique de Roux (1977, Paris)
«Se é que existe uma tal “consciência colectiva”, não faço a menor ideia de como comprovar a sua existência. Aqueles que apelam para uma consciência colectiva como «a vontade do povo» fazem-no geralmente para servir os seus interesses ou as suas opiniões políticas ou sociais»
“O código cósmico” (a física quântica como linguagem da natureza)
Heinz R. Pagels, Gradiva (Lisboa)
Roux-pequena troca palavras norte Moçambique, 1971/72, não longe do Sr Gen Kaulza em Mueda, no aquartelamento de Nangololo. Que fazer com esta raça?
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Então é esperar que tenha 45% dos votos, já faltou mais – logo que a malta do norte topar a coisa e fizer ao PSD o mesmo que a do sul fez ao PS.
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Há quem continue a viver em bolhas de condomínios fechados, não se dando conta de que o país está a mudar.
Para estes inimigos figadais do Chega, que pararam no tempo como fósseis arqueológicos de uma era que já não existe, sentiram nestas eleições o verdadeiro refluxo geográfico que lhes irrompeu pelas entranhas acima, como um abalo telúrico que os deixou sem chão.
Os proclamadores enquistados do sistema queriam prolongar, ad eternum, o prazo da demagogia e os slogans arrufados de utopias bafientas que durante meio século nos impingiram como amanhãs cantadas.
Vós que lá no vosso império, prometeis um mundo novo, calai-vos que pode o povo, querer um mundo novo a sério, foi como uma premonição poética de António Aleixo, um pastor de palavras e sonhos, de revoltas e inquietações, que soprou pelas planícies verdejantes de vontades e convicções.
Não, não queremos ser o país comovido do que é que dizem os teus olhos, quando na verdade seria mais apropriado perguntar-se o que é que dizem as tuas dívidas, varridas para debaixo de polígrafos falsos que vão protegendo as diatribes de uma comunicação social avençada, espartana, manipuladora, mentirosa e falida.
Podem traçar as linhas vermelhas que quiserem, vomitar os ódios que mais lhes aprouver, soltar calúnias e ressabiamentos que melhor acharem, mas uma coisa não vão impedir, o direito do povo votar, e é isso que atormenta estes donos feudais da democracia, que já persentem que a mama se lhes vai acabar e que os devaneios espúrios do poder a que estão agarrados têm os dias contados.
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“Bem sei que o discurso é insuportável, só ligeiramente menos insuportável que o dos partidos habituais do sistema”
Ah ah, bem observado!
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Só para quem ouve. O truque é não ouvir nenhum, e ir no que dá mais urticária aos orgãos oficiais do regime.
Infalível, e esforço zero.
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