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É o fim do mundo outra vez, desta vez é mesmo, não é como os outros fins do mundo que não o foram

27 Maio, 2025

Todos os dias aparece mais um totó a fazer a triste figura de perpetuar a ideia palerma de linhas vermelhas. “Não faço acordos com o Chega” é o equivalente moderno de exibir lençóis manchados de sangue após a noite de núpcias. Apesar de não faltarem porcos ou galinhas que testemunhariam, caso tivessem sobrevivido, às exibições de virtude do passado, estamos sujeitos, neste tempo, à obrigação de fingirmos que acreditamos na farsa.

O Chega, em 2025, representa a evolução do socialismo das democracias liberais europeias. Abraçar o Chega é promover a real mudança futura, sabe-se lá para o quê, pela estagnação habitual do presente. Bem sei que o discurso é insuportável, só ligeiramente menos insuportável que o dos partidos habituais do sistema, mas isso não interessa nada: a questão nunca é sobre quem não quer fazer acordos com o Chega. A questão é sobre quem não precisa deles para que não se afogue. Tirando o PCP, que ainda tem os sindicatos, todos precisam.

Por uma questão de decência, que se afoguem, então, mas rápido que acaba a doer menos para quem só veio ver a bola. 

6 comentários leave one →
  1. silvares1945's avatar
    silvares1945 permalink
    27 Maio, 2025 09:29

    Uma coisa que os mandarins enquistados nos pp da III República parecem incapazes entender, de ignorantes e ou estúpidos, ainda que capazes de conquistar Bruxelas próximo de Waterloo, como Costa o Povoador.

    “Configurações do Fim-estrutura de fim de época, e estrutura de fim de regime”
    de conferencia de Joaquim Aguiar há poucos anos, com Adriano Moreira.

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  2. silvares1945's avatar
    silvares1945 permalink
    27 Maio, 2025 09:38

    *“O quinto império” *

    … nós somos púnicos, parecemo-nos com os mercenários de Amílcar e todos esses matreiros do mediterrâneo. Nós somos girinos…

    Em português, as palavras são um simples meio de simpatia, ou o seu contrário. As pessoas perdem assim horas em conversas inúteis, só com o fim de garantir a sua estima recíproca…

    Como bom português, sentia-se fascinado pelo desastre e caminhava para o abismo…

    Um conquistador não é um promovido pela antiguidade e pelos concursos; Filipe Pétain não teve ânimo para ir a Argel em 1942, Kaúlza para mandar a barraca aos ares em 1973. O poder exige uma alma de Al Capone, sem rei nem lei…

    As revoluções, quem quer que sejam os seus autores, não mudaram nada. Conduzem aos mesmos abismos. A dificuldade é mudar o homem

    Uma das particularidades portuguesas: o gosto da pequena polícia, a que mantém relações sentimentais como povo. A sua arte de bisbilhotar, de procurar por trás, de inventar razões e causas, a um tempo teima de funcionário e regressão à inteligência infantil. Ou bem que os portugueses não fazem nada, ou bem que vão até ao último pormenor e, chegados aí, largam tudo como de costume…

    Cada cinquenta anos, o país sonha ser a primeira sociedade liberal avançada do mundo. Cada cinquenta anos, o libertário volta à superfície. Procura-se então um banqueiro ou um professor de economia capaz de casar meio século de bordel com O Espírito das Leis

    Sem endereços e todos com o mesmo nome, obedecendo a dois ou três pequenos princípios, entre os quais o de inventarem títulos…

    Dominique de Roux (1977, Paris)

    «Se é que existe uma tal “consciência colectiva”, não faço a menor ideia de como comprovar a sua existência. Aqueles que apelam para uma consciência colectiva como «a vontade do povo» fazem-no geralmente para servir os seus interesses ou as suas opiniões políticas ou sociais»

    “O código cósmico” (a física quântica como linguagem da natureza)

    Heinz R. Pagels, Gradiva (Lisboa)

    Roux-pequena troca palavras norte Moçambique, 1971/72, não longe do Sr Gen Kaulza em Mueda, no aquartelamento de Nangololo. Que fazer com esta raça?

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  3. passante's avatar
    passante permalink
    27 Maio, 2025 20:00

    “Não faço acordos com o Chega”

    Então é esperar que tenha 45% dos votos, já faltou mais – logo que a malta do norte topar a coisa e fizer ao PSD o mesmo que a do sul fez ao PS.

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  4. Desalinhado's avatar
    Desalinhado permalink
    28 Maio, 2025 08:33

    Há quem continue a viver em bolhas de condomínios fechados, não se dando conta de que o país está a mudar.

    Para estes inimigos figadais do Chega, que pararam no tempo como fósseis arqueológicos de uma era que já não existe, sentiram nestas eleições o verdadeiro refluxo geográfico que lhes irrompeu pelas entranhas acima, como um abalo telúrico que os deixou sem chão.

    Os proclamadores enquistados do sistema queriam prolongar, ad eternum, o prazo da demagogia e os slogans arrufados de utopias bafientas que durante meio século nos impingiram como amanhãs cantadas.

    Vós que lá no vosso império, prometeis um mundo novo, calai-vos que pode o povo, querer um mundo novo a sério, foi como uma premonição poética de António Aleixo, um pastor de palavras e sonhos, de revoltas e inquietações, que soprou pelas planícies verdejantes de vontades e convicções.

    Não, não queremos ser o país comovido do que é que dizem os teus olhos, quando na verdade seria mais apropriado perguntar-se o que é que dizem as tuas dívidas, varridas para debaixo de polígrafos falsos que vão protegendo as diatribes de uma comunicação social avençada, espartana, manipuladora, mentirosa e falida.

    Podem traçar as linhas vermelhas que quiserem, vomitar os ódios que mais lhes aprouver, soltar calúnias e ressabiamentos que melhor acharem, mas uma coisa não vão impedir, o direito do povo votar, e é isso que atormenta estes donos feudais da democracia, que já persentem que a mama se lhes vai acabar e que os devaneios espúrios do poder a que estão agarrados têm os dias contados.

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  5. freakonaleash's avatar
    freakonaleash permalink
    28 Maio, 2025 14:36

    “Bem sei que o discurso é insuportável, só ligeiramente menos insuportável que o dos partidos habituais do sistema”

    Ah ah, bem observado!

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    • passante's avatar
      passante permalink
      28 Maio, 2025 17:19

      Só para quem ouve. O truque é não ouvir nenhum, e ir no que dá mais urticária aos orgãos oficiais do regime.

      Infalível, e esforço zero.

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