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A outra face da UE

23 Novembro, 2025

A União Europeia tem-se apresentado ao mundo como um projecto de paz, liberdade, prosperidade e progresso. Mas, por detrás da fachada institucional e do discurso tecnocrático cuidadosamente polido, cresce uma percepção de que Bruxelas segue uma agenda cada vez mais centralizadora, autoritária e desligada da vontade popular. Uma agenda que condiciona economias, monitoriza cidadãos, influencia eleições, financia lobbies ideológicos e tenta redefinir a própria identidade dos povos europeus. Nos últimos anos, esta outra face da UE tem-se tornado impossível de ignorar.

O chamado Green Deal, promovido agressivamente por Ursula von der Leyen, tornou-se um dos pilares do novo dirigismo europeu. Sob o pretexto de “salvar o planeta”, Bruxelas impõe normas ambientais quase impossíveis de cumprir, sobretudo no sector automóvel – um dos pilares económicos da Europa há mais de um século.

Fabricantes europeus perderam competitividade face aos EUA e à China, onde as regulamentações são mais flexíveis e o Estado subsidia massivamente a produção. A proibição de motores de combustão, a burocracia ambiental crescente e o encarecimento da energia destruíram margens de lucro, aceleraram deslocalizações e colocaram milhares de empregos em risco.

Muitos vêem aqui não apenas incompetência, mas a imposição deliberada de uma política industrial que prejudica a Europa para promover interesses ideológicos: uma transição acelerada, sem debate democrático, cujos custos recaem sobre trabalhadores e consumidores.

Um escândalo reportado por jornais europeus – que os fact-checkers se apressaram a negar -, revelou que a Comissão Europeia canaliza verbas públicas para ONGs ambientais e estruturas militantes que moveram processos judiciais e campanhas mediáticas para empurrar Estados-membros para políticas climáticas radicais: financiamento político com dinheiro dos contribuintes; influência sobre tribunais; pressão mediática organizada. Tudo para forçar medidas que não obtiveram apoio popular. Eis um resumo:

1. Financiamento de ONGs Verdes e Lobby Climático

1.1. Alegações de Contratos Secretos com ONGs

1.2. Programa LIFE e Críticas de Transparência

1.3. Litígios Climáticos como Ferramenta Política

  • Algumas ONGs processaram a Comissão Europeia por considerarem as metas de redução de emissões para 2030 “insuficientes”.
  • Um dos processos é liderado por CAN Europe e GLAN, que argumentam que os objetivos da UE não estão alinhados com a ciência climática e que violam compromissos legais e de direitos fundamentais.
  • Esses litígios podem ser vistos por críticos como parte de uma estratégia mais ampla: usar dinheiro público para pressionar a UE a adotar políticas mais agressivas, que favorecem determinados setores (verdes) ou prejudicam indústrias tradicionais.

E isto é apenas a superfície. A UE paga a influenciadores para promover narrativas favoráveis, sobre vacinas, clima, digitalização e migração. A Comissão, inclusivamente, desenvolve mecanismos para selecionar perguntas “aceitáveis” nas suas conferências de imprensa e sessões públicas, silenciando vozes críticas. Cresce a suspeita – agora confirmada em vários relatórios – de que certos media tradicionais recebem financiamento directo ou indirecto de Bruxelas. O “modelo democrático europeu”, afinal, funciona cada vez mais como uma máquina de marketing controlada pela elite tecnocrática.

A digitalização massiva, apresentada como “modernização”, tornou-se o cavalo de Troia de um sistema de vigilância cada vez mais intrusivo. A ID Digital, combinando dados pessoais, médicos, financeiros e administrativos, abre caminho para o rastreamento permanente, acesso condicionado a serviços, exclusão social de quem recuse aderir. Governos como o do Reino Unido já estudam medidas semelhantes para controlo de imigração. Mas  Bruxelas pretende ir mais longe, integrando tudo numa infraestrutura única.

As CBDC europeias, as famosas moedas digitais,  permitirão: controlo total das transações, bloqueio selectivo de contas,  limites de consumo ou sectores proibidos, penalizações automatizadas. Uma ferramenta que, nas mãos erradas, transforma um sistema financeiro em mecanismo de obediência política.

A proposta de lei que permite que plataformas monitorizem todas as mensagens privadas, mesmo encriptadas, marca um dos maiores retrocessos de liberdades na história da UE. Nenhuma democracia ocidental ousou propor tal coisa. A UE sim. China e Rússia riem-se e com razão.

Em paralelo com o controlo digital, a Europa enfrenta ainda uma transformação social gigantesca: a imigração massiva. . Mas ao contrário do que se tenta vender, não se trata de “imigração inevitável”. Trata-se de política deliberada. A Frontex existe, mas está politicamente manietada. Estados que tentam reforçar fronteiras são criticados, multados ou pressionados por Bruxelas.

O novo Pacto Migratório na UE, permite: redistribuição obrigatória de migrantes, penalizações aos países que recusam, aceleração dos processos de entrada, incentivo indirecto a novos fluxos. Longe de travar, a UE institucionaliza e normaliza a migração em massa.

Não é preciso recorrer a teorias –  basta ler documentos oficiais: A UE quer milhões de migrantes para “sustentar a economia”. Críticos dizem que isto equivale a diluir identidades nacionais, alterar equilíbrios culturais e eleitorais, substituir Estados soberanos por populações mais dependentes da estrutura europeia. E os resultados estão à vista. Nos últimos anos, França, Bélgica, Suécia e Alemanha enfrentam níveis inéditos de crime, guetização e tensões religiosas; políticos que pedem limites são demonizados; tribunais europeus bloqueiam políticas internas mais restritivas. Segundo esta visão crítica, a UE não perdeu controlo: está a redesenhar a Europa.

A UE e governos nacionais alinhados têm mostrado um padrão inquietante na interferência política, censura e prisões: candidatos soberanistas perseguidos judicialmente; moções de censura ignoradas; derrotas eleitorais anuladas sob pretexto de “interferência estrangeira”; líderes opositores presos sem culpa formada. O caso recente da Roménia, com eleições anuladas e candidatos detidos, tornou-se símbolo da deriva autoritária europeia. Mas é apenas um exemplo entre muitos.

Como se não bastasse, assistimos à centralização forçada. De união de nações soberanas passamos a um super-estado tecnocrático.  Ursula von der Leyen acelerou uma federalização informal da UE: compras centralizadas de vacinas; mecanismos de controlo orçamental; eurobonds e mutualização de dívidas; imposição de agendas ideológicas; flexibilização selectiva das regras para França e Alemanha. A Comissão já não é guardiã dos tratados: é braço político do eixo franco-alemão.

Com Estados sobreendividados, curva de Laffer atingida e dependência energética agravada, muitos países da UE caminham para pedidos de assistência – Espanha incluída. E em tempos de crise profunda, surgem sempre “soluções milagrosas”: CBDC, austeridade, federalização económica, controlo fiscal total.

Em conclusão, a UE apresenta-se como guardiã da democracia, mas: censura mensagens privadas; impõe políticas sem debate; manipula fluxos migratórios;  centraliza poder económico; financia propaganda; persegue dissidência e prepara mecanismos de vigilância nunca antes vistos no continente. A Outra Face da UE não é a de um projecto de paz e prosperidade. É a de um super-Estado tecnocrático, autoritário e ideológico, que tenta moldar a Europa segundo uma visão pós-nacional em que identidades, liberdades e soberanias são obstáculos a ultrapassar.

O que resta saber é se os povos europeus aceitarão este novo rumo – ou se, como na Roménia, começarão a levantar-se contra ele.

4 comentários leave one →
  1. JgMenos's avatar
    JgMenos permalink
    23 Novembro, 2025 13:31

    Há ou não que promover mudanças que contenham/ invertam as alterações climáticas?

    Há ou não que encarar alterações na estrutura da organização laboral, ou cabe às migrações garantir que os europeus seguem um qualquer rumo que lhes dê na gana?

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