Matias, o ministro da Inteligência Artificial
Exultemos de alegria!
Há um novo plano governamental que promete transformar Portugal, “capacitando três milhões de pessoas no digital até 2030”.
À frente da empreitada está o inefável deslumbrado ministro Matias. Depois de na “Ovibeja da Internet” ter jurado que transformação digital estava ao virar da esquina, o ministro da reforma do estado volta agora a surgir com falsa sofisticação, anglicismos estratégicos e uma convicção teatral quase comovente.
Gonçalo Matias, anunciou a «Estratégia Nacional Digital» ao abrigo da qual serão gastos mil milhões de euros. Introduz-se pomposamente um “Pacto de Competências Digitais”, que em linguagem própria de gente com dois dedos de testa se traduz como sendo um pacto do Estado consigo próprio para o qual se convocam parceiros para a fotografia e em que se proclama que a sociedade irá dar um salto civilizacional. Mas quando o Estado fala em “pactos”, é sinal de que o real objetivo é parecer moderno enquanto recruta mais burocracia.
No seu prodigioso lirismo, o doutor Matias irá seleccionar “Agentes Digitais Comunitários”, como se fossem missionários da modernidade, pagos para evangelizar populações inteiras sobre a importância do “digital” em sessões de catequese tecnológica.
O ministro Gonçalo fala em “multiplicadores de conhecimento”. Uma expressão genial porque não define nada, não compromete ninguém e sugere uma espécie de alquimia pública em que a burocracia transforma relatórios em produtividade. Se multiplicarem conhecimento com a mesma perícia com que o Estado multiplica despesas, preparemo-nos…
O governante informa que será lançada também uma “carteira digital de formação”. Deverá ser um arquivo centralizado onde ficará registada toda a formação financiada. Uma espécie de álbum organizado do dinheiro já gasto e da convicção de que gastar é, por si, uma forma de progresso.
Na era Sócrates tivemos o choque tecnológico e o ábaco computacional «Magalhães», exportado para a Venezuela de Chávez juntamente com os enchidos de porco de empresas de ministros socialistas.
Agora regressa o mesmo guião: um plano central desenhado por burocratas, pago pelo contribuinte, e alheio ao facto de se as competências digitais aumentam salários e prosperidade, as pessoas e as empresas já têm incentivos naturais para as adquirir. O Estado deveria, portanto, limitar-se a remover barreiras, baixar impostos e abrir o mercado educativo, em vez de reincidir em paternalismos inconsequentes.
Mas o ministro Matias sorri e entusiasma-se com a gigantesca encenação progressista que serve apenas para legitimar a expansão de estruturas públicas que sobreviverão muito para além do programa e muito para aquém dos resultados prometidos.
É, verdadeiramente, um ministro da Inteligência Artificial.
A minha crónica-vídeo, aqui:


Isto está quase a fazer-me recordar o episódio do Yes Minister em que o Sir Humphrey explicava qualquer coisa do género … nem interessava em que é que se gastava …
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