O Clima e alterações científicas
Na lucidez dos seus quase 96 anos, José Rentes de Carvalho recordou há dias um dos mais proeminentes e extraordinários cientistas do século XX, o físico teórico Freeman Dyson, falecido em 2020. Apesar dos seus valiosíssimos contributos na área da física quântica, matemática e cosmologia, Dyson tornou-se conhecido do grande público pelas suas opiniões desalinhadas no debate sobre o clima.
Dyson observou que grande parte dos cientistas que expressavam dúvidas ou reservas sobre narrativa dominante a propósito das alterações climáticas eram frequentemente pessoas mais velhas. Explicou esse facto com a circunstância de os cientistas mais velhos serem financeiramente independentes, não dependerem de bolsas, financiamento, nem estarem necessitados de progressão na carreira, tornando-os, portanto, mais livres nas suas análises e opiniões.
Se já era verdade no tempo de Dyson, hoje existe muito mais financiamento e poder político associado ao tema das alterações climáticas. O assunto mobiliza tanto dinheiro, tanta política e tanta atenção mediática, que se cria inevitavelmente uma rede de interesses e incentivos que subverte o método científico, a racionalidade analítica e a ponderação intelectual.
A verdade é que quanto maior for o medo público acerca das alterações climáticas, maior o financiamento e o poder das instituições que trabalham nesse tema. E como a comunidade científica é composta por seres humanos, estes respondem consciente e inconscientemente a incentivos institucionais para o afunilamento de opinião.
Por isso, devemos ter cuidado quando a ciência é apresentada como consenso obrigatório, ou quando o debate é encerrado por apelo à autoridade. A ciência climática produz modelos e probabilidades, não certezas absolutas. A ciência não é uma democracia e a verdade científica não se decide por votação.
E mesmo que os modelos climáticos estivessem corretos, isso não determinaria qual a política pública mais racional eventualmente a adoptar, nem as que produzem o maior benefício humano ao menor custo. E convém não esquecer que também há efeitos positivos das alterações climáticas, curiosamente ignorados nas discussões públicas sobre o tema.
Se em vez de ver negacionistas em cada esquina tivéssemos uma postura anti-dogma, talvez fosse mais perceptível ao grande público que as políticas climáticas radicais podem causar mais danos económicos do que benefícios para o clima e que o crescimento económico e a tecnologia são a melhor estratégia de adaptação à Natureza.
A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

