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Mediação imobiliária: o mito da regulação

19 Dezembro, 2025

O meu artigo de hoje na coluna da Oficina da Liberdade no Observador:

Transformar associações privadas em extensões burocráticas do Estado não é modernização. É a institucionalização da mediocridade em nome da “credibilidade”.

Nos últimos anos o sector imobiliário tornou-se um mais dinâmicos da economia portuguesa. Entre 2018 e 2023 realizaram-se, em média, entre 160 mil e 190 mil transacções imobiliárias por ano, com valores globais frequentemente acima dos 30 mil milhões de euros anuais, segundo dados do INE e do Banco de Portugal. Em paralelo, o universo da mediação imobiliária expandiu-se de forma acelerada com o número de empresas e agentes registados no IMPIC a ultrapassar hoje as dezenas de milhares. O acesso à habitação é actualmente uma das principais fontes de preocupação das famílias e o sector imobiliário em geral está no centro do debate político. Consequentemente, a mediação imobiliária passou também a ser tratada como um “problema público”, alvo recorrente de propostas legislativas e reforço regulatório.

É neste contexto comum defender-se a obrigatoriedade legal de licença de mediação imobiliária para exercer a actividade, assim como é visto como um passo natural para “proteger o cliente”, “profissionalizar o sector” e “garantir qualidade” tornar certos deveres e encargos, hoje voluntários, como legalmente obrigatórios. Porém, esta narrativa soa bem mas não resiste ao teste da experiência nem da realidade.

Como tantas regulações corporativas, a licença e outros requisitos obrigatórios revelam-se mais úteis para quem já está instalado no mercado do que para aqueles que se diz querer proteger. O sector imobiliário não é excepção. É, aliás, um estudo de caso particularmente evidente.

A ideia segundo a qual licenciar ou certificar mediadores elimina incompetência e fraude é uma ficção reconfortante, mas infantil. Nos sectores mais regulados, da banca aos seguros ou consultoria financeira, incompetentes e oportunistas continuam a existir. A licença não impede maus profissionais e cria a falsa sensação de que o Estado está a controlar a situação e a livrar-nos das más prácticas. Seria uma espécie de placebo regulatório, não fosse algo disfuncional na prática.

Por muito que novos diplomas burocráticos estejam carregados de boas intenções, mercados abertos e concorrenciais são preferíveis a sistemas de licenciamento obrigatório que acabam por reduzir a oferta, encarecer o serviço e diminuir alternativas para os clientes.

É certo e sabido que em Portugal inúmeras pessoas e entidades exercem mediação imobiliária sem licença, sem formalização e muitas vezes sem rebuço. Entre esses operadores informais encontram-se até profissionais a quem a lei proíbe explicitamente de exercer a actividade. Apesar de a legislação ser clara, a realidade é ainda mais nítida: a lei é ignorada e o fenómeno tolerado pelas partes envolvidas nos negócios.

Para que este universo informal fosse controlado e os preceitos legais fossem realmente eficazes, ter-se-ia de estabelecer um nível de vigilância tal, que seria quase necessário instaurar um Estado policial, promover a delação institucionalizada, monitorizar permanentemente contactos privados, ou infiltrar a ASAE em grupos de WhatsApp de angariação e promoção de transacções imobiliárias. Há uma absoluta impossibilidade prática de fiscalizar por completo o sector. A obrigatoriedade legal acaba assim por ser uma regulação de fachada e uma perversão que apenas prejudica quem cumpre as regras, enquanto os restantes continuam a operar sem obstáculos. Porque não existe sistema suficientemente regulado que impeça as pessoas de fazer aquilo para que têm incentivos a fazer.

Uma outra falácia é a questão da “profissionalização”. Quando se argumenta que a mediação imobiliária precisa de dignidade e seriedade, quase sempre isso significa que se pretende limitar o número de pessoas e empresas que podem entrar no sector. Acontece assim em várias actividades como vimos recentemente também com a saga TVDE. Exames, formações obrigatórias, certificações várias, seguros, quotas e burocracias parecem medidas de qualidade, mas funcionam sobretudo como barreiras à entrada. São ferramentas dissimuladas de cartelização que beneficiam incumbentes e prejudicam novos operadores. O resultado previsível são comissões mais altas, menos concorrência e um sector menos dinâmico.

Depois há o moralismo da “credibilização da profissão”. É sempre simpático ouvir que uma licença “dignifica” o mediador. Mas dignidade não se legisla nem é um prémio atribuído pelo Estado. Conquista-se no mercado, onde a reputação não está sujeita a regulamentos, mas a resultados e confiança.

Outro argumento habitual é o da “assimetria de informação”. É verdade que um comprador ou vendedor comum sabe menos do que um profissional, mas isso também é verdade quando compra um carro, contrata um advogado ou escolhe um seguro. A assimetria resolve-se com reputação, transparência contratual, avaliação pública, concorrência entre modelos de serviço e responsabilização efectiva. Não com um cartão profissional emitido pelo Estado, que não diz nada sobre competência real, não certifica talento negocial e não elimina conflitos de interesse.

Sempre que se reclamam medidas obrigatórias impostas pela força da lei, ignoram-se os custos invisíveis de tal legislação: negócios que não se fazem; modelos de mediação flexíveis que seriam possíveis, mas são proibidos; concorrência que desaparece silenciosamente; preços que sobem sem explicação aparente. Tudo em nome de uma segurança ilusória.

Sucede que muitas das associações corporativas que operam no sector disfarçam mal o que realmente desejariam ser: extensões burocráticas do Estado. Criam estruturas internas quase ministeriais, com códigos de ética, regimes disciplinares e organogramas hierárquicos que fariam corar um organismo público. Sonham com a tutela estatal porque ela lhes garante aquilo que o mercado não concede: poder, influência, quotas, e a capacidade de transformar preferências corporativas em normas legais universais.

A ambição regulatória é desmedida. Além de licenciamento profissional obrigatório, propõem determinar formação inicial e contínua obrigatórias de créditos periódicos com conteúdos definidos centralmente; sistemas de avaliação de idoneidade, competência e estrutura empresarial; certificações obrigatórias supervisionadas por entidade “independente”; minutas de contratos padronizadas; endurecimento de sanções com multas pesadas; fiscalização e vigilância intrusivas; etc. Ou seja, esta captura corporativa embrulhada na coreografia capciosa da “profissionalização” lembra a expressão “para os amigos, tudo; para os outros, a lei.

É difícil encontrar um único benefício concreto e mensurável de exigências obrigatórias por lei que não pudesse ser alcançado por via voluntária: certificações privadas; seguros facultativos mas valorizados pelo mercado; plataformas digitais de reputação; formação concorrencial; contratos claros e padrões profissionais livres. Estes mecanismos funcionam porque são sensíveis ao desempenho real, não a uma chancela administrativa. E nesse caso os operadores estariam dispostos a pagar para obter esses selos diferenciadores.

Pugnar por licenças e outros requisitos burocráticos obrigatórios por lei é sobretudo uma crença lírica de que o Estado sabe mais e controla melhor do que o mercado. Mas controlar não é proteger, nem regular é melhorar. As supostas boas intenções têm consequências: medidas “regulatórias” restringem sobretudo a oferta, cristalizam interesses instalados e não defendem os clientes. Os rituais e parafernálias burocráticas alimentam associações profissionais, não demonstram o valor dos mediadores.

Transformar associações privadas em extensões burocráticas do Estado não é modernização. É a institucionalização da mediocridade em nome da “credibilidade”. Quando a chantagem moral vem mascarada com o estafado argumento sentimental do “é para proteger o cliente”, percebe-se que a concorrência é vista como uma ameaça, e que estas iniciativas corporativas na defesa de mais regulamentos e procedimentos obrigatórios não nascem da necessidade dos clientes, mas da conveniência de quem os pede e já está confortavelmente sentado no clube dos instalados.

Bondi Beach não é longe.

17 Dezembro, 2025

O ataque terrorista em Bondi Beach em Sidney, na Austrália, não foi apenas um massacre. Foi o resultado previsível de uma escolha política feita durante anos: a escolha de tolerar, normalizar e relativizar o intolerável. Esta tragédia foi mais uma vez seguida pelos habituais minutos de silêncio, flores, comunicados oficiais, como é típico na Europa e em Portugal em particular.

Na Europa ainda não aprendemos que o terrorismo é um ataque ideológico cometido por pessoas concretas, movidas por ideias concretas, contra o nosso modo de vida e a nossa civilização. A Europa responde ao terrorismo com negação, slogans vazios e até com sentimentos de culpa. Ao contrário de Israel que responde com realismo, age rapidamente e não pede desculpa por se defender. Como vive sob ameaça constante há décadas, em Israel a prioridade não é proteger narrativas, é proteger pessoas. A prioridade não é evitar polémicas, é evitar funerais.

Em Portugal, durante anos, temos ouvido que o perigo de terrorismo é alarmismo, discurso de ódio ou islamofobia. Israel é um país mais honesto que o nosso porque sabe que esta violência nasce da convicção de que o outro, em particular os judeus, não merece viver.

Portugal gosta de se ver como uma ilha de brandos costumes e um país imune a este tipo de violência. Essa ilusão já custou caro a França, Bélgica, Alemanha, Austrália e a tantos outros. Mas Bondi Beach não é longe…

Contudo, não se protege uma sociedade aberta fechando mercados de Natal, parques, praias e sinagogas nem vivendo atrás de grades em espaços fortificados. Para impedir que o próximo ataque aconteça dentro de portas as autoridades devem controlar quem se deixa entrar no país e verificar que valores trazem consigo.

Mas sobretudo, a Europa e Portugal deve ter a clareza moral e o discernimento de não procurar “explicar” o terrorismo islâmico e anti-semita como um falhanço social ou uma resposta a agressão ficcionada. Deve tratar o anti-semitismo e o extremismo islâmico como uma ideologia de morte que precisa de ser contida.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Salário mínimo é sempre Zero

11 Dezembro, 2025

Luís Montenegro anunciou que pretende elevar o salário mínimo para 1 600 euros e o salário médio para 3 000€. A ideia soa nobre. Quem poderia opor-se a salários mais altos? Porém, a política não é um concurso de generosidade, é o confronto entre intenções e realidade económica.

Os políticos acreditam que podem legislar a prosperidade, da mesma forma que uma criança acredita que pode controlar as leis da Física. Sucede que um salário fixado por decreto não altera a produtividade, nem cria riqueza. Apenas impõe um preço arbitrário a realidades profundamente diferentes, num país de microempresas com margens frágeis.

O grande economista norte-americano Thomas Sowell costuma explicar com sabedoria que “o salário mínimo real é sempre zero”. Zero, para quem perde o emprego. Zero, para quem nunca chega a entrar no mercado de trabalho.

As leis de salário mínimo fazem os políticos sentir-se virtuosos e poderosos. Geram uma sensação moral agradável. Mas deixam um rasto de consequências perversas que são sempre pagas pelos mesmos: os pequenos negócios; os jovens; os pouco qualificados; os que mais precisavam de oportunidades e que são afastados por leis de suposta “justiça social”.

Os salários não sobem porque um político decide. Sobem porque a produtividade aumenta. Países ricos pagam salários altos porque são produtivos; não se tornam produtivos porque pagam salários altos. Portugal permanece em cerca de 70% da produtividade média europeia. Pretender salários nórdicos com produtividade mediterrânica é confundir causa e efeito. Cada euro imposto acima do valor de mercado é um euro retirado à competitividade. Os salários não são um gesto moral, são um preço de mercado.

O liberalismo económico não rejeita salários altos; rejeita a ilusão de que podem ser criados por decreto. A alternativa existe e é conhecida: redução de impostos sobre o trabalho, flexibilização contratual, simplificação administrativa, e estímulo à concorrência. Assim, o salário médio poderia crescer de forma orgânica e sustentada, para todos, e não apenas para quem já conseguiu encontrar emprego.

A economia é um sistema de incentivos, de custos, de produtividade, de trade-offs. Não é um jogo de mesa, nem entretenimento de salão para políticos fingirem que têm soluções mágicas para as questões sociais.

A intenção é boa? Talvez. Ou então não passa de propaganda barata e teatrinho ideológico.

Mas, seguramente, uma lei de salário mínimo não é boa política.

A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:

A Antena da Vergonha: Quando a Autarquia Vira as Costas ao Povo

8 Dezembro, 2025

A instalação de uma antena de telecomunicações 5G na freguesia de Santa Marta de Portuzelo, em Viana do Castelo, tornou-se um caso exemplar de má gestão pública, opacidade política e desrespeito absoluto pela participação dos cidadãos. A torre da NOS, erguida na Rua Alto Xisto, foi colocada a poucos metros das habitações, enfiada no coração de uma zona residencial sensível, como se a vida das pessoas fosse um pormenor descartável no planeamento urbano.

O processo, contestado há mais de seis anos, não só revolta a população como expõe de forma gritante a ligeireza com que a Câmara Municipal lidou com um tema que afecta directamente o quotidiano e o bem-estar de centenas de moradores. A autarquia autorizou a instalação sem ouvir a comunidade, ignorando alternativas viáveis fora do meio habitacional. Foi um processo feito nas costas da população – literalmente.

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O padre DJ com «bênção» Papal

5 Dezembro, 2025

Excertos do meu artigo de hoje na coluna da Oficina da Liberdade no Observador:

O Padre Guilherme Peixoto é sacerdote da Arquidiocese de Braga, onde exerce funções como pároco nas comunidades de Amorim e Laúndos. Integra ainda o serviço de assistência religiosa das Forças Armadas Portuguesas como capelão militar. Como é notório, mantém simultaneamente uma carreira artística internacional como DJ em múltiplos concertos e festivais em Portugal e actuações em países como Espanha, Chile, Colômbia, México, Brasil ou Eslováquia.

Pode mesmo dizer-se que este pároco de aldeia é profissional global da música eletrónica de dança já que a actividade artística do sacerdote é formalmente enquadrada através da sociedade Lux Aeterna Records, Lda., da qual é sócio e gerente. Trata-se de uma microempresa criada em 2023, cujo objeto declarado abrange produção musical, gestão de eventos e actividades conexas. Contudo, o ponto relevante para este artigo não é tanto a existência da empresa, o envolvimento de contratos públicos ou a presença mediática significativa da figura, mas o modo como a actividade de DJ se articula com a condição sacerdotal.

Bastante mais grave, e diria mesmo escandaloso, é o facto de este colapso da fronteira entre vocação e hobby ser reflexo de fragilidades estruturais na Igreja, na forma como entende a vocação sacerdotal, a missão pastoral e a relação com a cultura contemporânea. A questão não é o techno, gostos musicais, nem sequer o choque entre “tradição” e “criatividade”. O problema ético, institucional, teológico, espiritual e pastoral é mais sério e mais simples: o que significa, afinal, ser padre?

O sacerdócio não é uma profissão entre outras. É uma identidade sacramental. O Código de Direito Canónico é explícito: o pároco deve residir na paróquia, estar disponível para as necessidades dos fiéis e viver com sobriedade; o sacerdote deve abster-se de atividades incompatíveis com o seu estado; e a vida clerical deve ser simples, transparente, ordenada ao cuidado das almas. Nenhum destes critérios é compatível com tournées no estrangeiro, presença em festivais, cachets elevados, dependência de clientes públicos, fornecedores desconhecidos publicamente ou uma empresa com estrutura financeira opaca. Não é apenas uma questão de disciplina. É uma questão de coerência espiritual. Aquilo que deveria ser uma vocação torna-se um produto. O sacerdócio torna-se uma ferramenta de marketing para o DJ.

Porque se a autoridade do Papa é usada para sancionar um acto que objectivamente banaliza a catedral e a missão sacerdotal, e se até o Papa transforma a sua mensagem numa extensão e apêndice da cultura pop, então a Igreja já não evangeliza o mundo, é evangelizada por ele. Se a ideia foi tentar demonstrar a sua “modernidade”, ao invés contribuiu para o desmantelamento da autoridade de líder espiritual e do simbolismo da sua condição de sucessor de S. Pedro.

É que ainda por cima a ideia de que um padre “cool” atrai a juventude para a Fé não passa de um mito. É um erro muitas vezes repetido como justificativa, mas empiricamente desmentido. Há dezenas de anos que muitas dioceses investiram na figura de uma espécie de padre entertainer com uso de linguagem juvenil, estéticas pop, missas performativas, sacerdotes vestidos “à civil”, atividades “animadas”. Mais recentemente temos visto padres influencers, modelos sexy, músicos, performers e DJs. Mas os dados mostram que as comunidades que mais se “modernizaram” foram as que mais depressa perderam jovens. Ao invés, as dioceses e comunidades que mantiveram liturgia sólida, clareza doutrinal, identidade sacerdotal forte e exigência moral são aquelas que atraem mais vocações e retêm mais jovens.

Os jovens não rejeitam a Igreja por ser demasiado séria; rejeitam-na quando ela deixa de o ser. Não se afastam por causa da liturgia; afastam-se porque a liturgia se tornou pobre e indiferenciada. Não abandonam porque a fé é exigente; afastam-se porque já não a reconhecem como proposta de sentido. A cultura do espetáculo não converte ninguém. Apenas distrai daqueles espaços e momentos em que a fé poderia tocar verdadeiramente a vida.

A confusão entre a função consagrada de um guardião de almas e performance de entretenimento é um sinal de secularização interior da própria Igreja. Quando o padre se transforma em vedeta-pop, a Igreja abdica de ser sinal de transcendência. Se até a Igreja se orienta pelo espírito do tempo e não pelo Espírito Santo, quem lembra o Sagrado? A função sacerdotal é, por definição, contracultural e quando se torna “cool”, deixa de ser necessária. E uma Igreja que já não sabe reconhecer o que é um sacerdote caminhará paulatinamente para deixar de saber para que existe.

O artigo completo, aqui.

Reformar Mais Tarde não é Progresso

1 Dezembro, 2025

Nos últimos anos, temos ouvido sempre o mesmo argumento para justificar o aumento da idade da reforma: “as pessoas vivem mais, por isso têm de trabalhar mais”. Baseiam essa decisão na esperança média de vida. Mas este raciocínio, apesar de parecer técnico e inevitável, é profundamente incompleto – e, acima de tudo, injusto.

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Cravos vermelhos contra rosas brancas

26 Novembro, 2025

Em Portugal o grande drama político da semana foi uma guerra de flores.
O nosso Parlamento transformou-se numa espécie de feira agrícola ideológica, onde o combate político se faz com arranjos florais, como se o destino da democracia dependesse de um centro de mesa.

Conforme é habitual nas comemorações do 25 de Novembro também a Assembleia da República foi decorada com rosas brancas. Mas eis que a esquerda entra em palco com uma coreografia de guerra entre cravos vermelhos e rosas brancas.

Começa o PAN, seguido pela deputada Mortágua pousando cravos vermelhos no púlpito, como se estivessem a prestar homenagem não à democracia, mas a um santo padroeiro da horticultura revolucionária. As implausíveis deputadas declaram solenemente que flores brancas são uma tentativa de “reescrever a história”. Eis a história de um povo inteiro resumido a uma flor.

Depois chega Paulo Núncio, do CDS. Possidónio como sempre foi, retira uma rosa branca e coloca-a sobre os cravos vermelhos num silêncio dramático. As bancadas da direita aplaudem como se tivessem assistido a um acto heróico.

Seguiu-se o deputado do Livre, que num momento de lirismo estudantil, ergue um cravo que afirma ser “a única flor da liberdade”, depositando-o no altar improvisado do ridículo parlamentar.

Depois entra André Ventura. Desta vez o seu número consistiu em agarrar nos cravos da esquerda e, qual jardineiro que arranca ervas daninhas, proclamar em desafio que aquele era “o dia de rosas brancas”. A bancada amestrada do Chega explode em aplausos, o PS abandona a sala e a restante esquerda faz birras.

Mas o momento mais simbólico foi protagonizado por um deputado do PSD que põe um cravo vermelho no meio das rosas brancas e solene diz: “o dia é de todos”. Eis o tique moderno da «inclusividade», a conversa morna de boas intenções e frases neutras que não ofendem ninguém e apelam a um consenso sem conteúdo, precisamente porque não se acredita em nada.

É o culminar se uma sessão parlamentar que mais se assemelha a um recreio de crianças que descobriram o jogo da florzinha.

A actual classe política portuguesa não dá para mais. É infantil e patética.
Ignora completamente a memória histórica colectiva, não discute ideias e entretém-se com encenações pueris.

Melhor assim, do que a legislar!

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

A outra face da UE

23 Novembro, 2025

A União Europeia tem-se apresentado ao mundo como um projecto de paz, liberdade, prosperidade e progresso. Mas, por detrás da fachada institucional e do discurso tecnocrático cuidadosamente polido, cresce uma percepção de que Bruxelas segue uma agenda cada vez mais centralizadora, autoritária e desligada da vontade popular. Uma agenda que condiciona economias, monitoriza cidadãos, influencia eleições, financia lobbies ideológicos e tenta redefinir a própria identidade dos povos europeus. Nos últimos anos, esta outra face da UE tem-se tornado impossível de ignorar.

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Greve Geral: a chantagem das corporações.

19 Novembro, 2025

É extraordinária a facilidade com que um punhado de dirigentes sindicais decide parar um país inteiro com uma greve geral. Não foram eleitos pelos portugueses, não respondem perante a população, mas comportam-se como se detivessem um direito divino de «desligar» o país sempre que lhes convém.

É curioso, pois quando um sector privado tenta impor condições ao país inteiro, trata-se de abuso de poder. Mas quando são as centrais sindicais, é a democracia a funcionar.

Quem mais sofre com uma greve geral são pequenos negócios, classes médias e baixas, trabalhadores independentes e famílias sem poupança. Porém os sindicatos dizem estar a defender o interesse público, apesar de nada numa greve geral criar riqueza, condição indispensável para permitir aumentos salariais.

A verdade é que a greve nada tem a ver com “condições de trabalho”, mas sim com o poder excessivo das cúpulas sindicais. Decretam greve sem qualquer pudor, porque sabem que um Governo de políticos fracos não só permite a chantagem, como até candidatos presidenciais a legitimam.

Os sindicatos representam cada vez menos trabalhadores. São máquinas corporativas envelhecidas, sustentadas por uma minoria ruidosa que fala em nome de uma maioria que nunca a mandatou. A “concertação social” é assim uma farsa pífia onde se finge negociar, sabendo perfeitamente que a parte mais frágil nem sequer tem assento à mesa: falo do país que produz.

A Constituição da República permite a arrogância de quem se acha dono do país e quer impor sacrifícios a todos em nome de muito poucos. Permite-o porque é antiquada. Mas ao cristalizar um conjunto de privilégios sindicais, transforma o direito individual de não trabalhar numa arma colectiva para quebrar contratos, bloquear serviços e prejudicar milhões de pessoas que nada têm a ver com o conflito.

Talvez esteja na altura de admitir que certas disposições constitucionais envelheceram muito mal. Porque, sejamos honestos: a greve geral é a única situação em que a suspensão unilateral de compromissos é tratada como virtude. Noutras circunstâncias quem ousasse suspender obrigações laborais desta forma enfrentaria tribunais, multas e indemnizações.

É uma inversão moral tão grotesca que só se mantém porque o país continua a pagar a conta e finge que serviços essenciais parados, famílias presas, doentes prejudicados, empresas sufocadas é algo normal em democracia.

Mas é abuso! E torna os portugueses reféns de agendas partidárias.

Num país a sério, a generalidade dos cidadãos não seria convocada para figurantes em teatros politico-partidários e muito menos ficaria refém de corporações que confundem influência com legitimidade para parar a vida dos outros e lhes retirar liberdade.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Defesa com dinheiro emprestado e coragem alheia

12 Novembro, 2025

O Ministro das Finanças defendeu a emissão de mais dívida europeia para financiar o investimento em Defesa. Dada a seriedade do tema, o local escolhido por Miranda Sarmento para proferir estas afirmações foi o ideal: a «Ovibeja da Internet», tecnicamente conhecida por Websummit.

O ministro embrulhou a ideia com léxico tecnocrata bruxelense e termos pomposos que brilham sempre bem numa feira de vaidades, mas significam quase nada. Sarmento entende ser estratégico reforçar o “complexo militar-industrial”. Acontece que nem Portugal nem a Europa, têm militares ou indústria. Assim, restam-nos os complexos e mais dívida. Uma fantochada.

Mas Portugal descobriu a solução mágica: a Europa emite mais dívida e os estrangeiros pagam. A nossa classe política acredita, portanto, que a soberania nacional se constrói com cartões de crédito alheios ou fazendo da Europa uma caixa multibanco, em que Portugal levanta dinheiro e os outros depositam.

Sucede que quando um Estado entende que precisa de reforçar a defesa, a resposta adulta seria rever prioridades, cortar no desperdício, reformar a máquina estatal, enfrentar corporações e reduzir burocracias. Ora, o governo prefere o oposto e a opção politicamente confortável é endividar o país.

Os políticos de hoje não têm coragem. Fogem constantemente a escolhas difíceis. São patéticos. Fogem ao confronto com a realidade como quem foge da verdade sobre si próprio. Portugal comporta-se como aquele amigo que aparece sempre à mesa quando há sobremesa, mas desaparece misteriosamente quando chega a conta para pagar.

Incapazes de fazer reformas estruturais, preferem hipotecar o futuro dos portugueses para gerar manchetes de ocasião e sensação de “grande visão estratégica”. O resultado é trágico: em vez de a soberania ser conquistada através de disciplina fiscal, liberdade económica e prioridades claras, é comprada prestações, com juros e dependência de credores estrangeiros.

Todos queremos segurança. Todos queremos soberania. O governo sabe disso e por isso usa a Defesa para manipular emocionalmente os cidadãos, encontrando o pretexto para disfarçar a sua preguiça e conseguir justificar mais dívida.

É a hipocrisia e a covardia políticas travestidas de estratégia nacional. Por isso a websummit foi o placo apropriado às declarações do Ministro das Finanças. Um local onde se vendem ilusões em cenário de néon e onde com entusiasmo se promete o futuro à custa do dinheiro dos contribuintes.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

O Estado escolhe o seu iogurte

5 Novembro, 2025

O governo britânico anunciou que vai classificar iogurtes, sumos de fruta e cereais como “junk food”. Esses produtos deixarão de poder estar em destaque nos supermercados, nem à entrada, nem nas caixas; as promoções «pague-um-leve-dois» serão proibidas e a publicidade antes das nove da noite não será permitida para “proteger as crianças”.

É a mais recente cruzada moral do Estado moderno: a guerra contra o pequeno-almoço.
Mas não pensemos que isto vai ficar pelo Reino Unido. Portugal tem uma velha tradição que é quase um vício nacional de importar as piores modas do estrangeiro, sobretudo as que chegam embrulhadas em boas intenções.

Os políticos que não conseguem controlar a despesa do Estado, nem garantir segurança nas ruas, decidiram agora controlar o cesto das nossas compras para supostamente nos proteger de nós mesmos.
Não se trata de razões de “saúde pública”, é a velha pulsão do poder para governar a vida privada. Um Estado que falha em tudo o que é essencial quer agora redimir-se decidindo o que é moralmente saudável.

Chama-se a isto “fascismo sanitário”. É o mesmo padrão que vimos durante a suposta pandemia de covid19. Uma retórica moral disfarçada de ciência que impõe hábitos através de agentes do Estado vestidos de bata branca.

O seu iogurte é, portanto, um ato político. Uma garrafa de sumo é um problema de Estado.
A sociedade infantilizou-se, o cidadão adulto desapareceu. Dão-se sermões e castigos aos pecadores calóricos e a salvação dos cidadãos só pode chegar por via estatal.

Como deveria ser evidente, nada disto é sobre iogurtes. É sobre Liberdade.
Proíbe-se e controla-se centralmente em vez de confiar nas pessoas. Mas o mais extraordinário é ver como grande parte da sociedade sucumbe voluntariamente ao medo, aceita a censura apresentada como proteção e passivamente partilha da narrativa da pureza moral da saúde pública

Cada nova restrição é mais um passo na utópica intenção de criar um ser humano “melhor”,
obediente e saudável. Este fascismo não precisa de polícia política. Basta-lhe uma legião de moralistas e intenções puras numa sociedade suficientemente infantil para agradecer o castigo.

A liberdade morre assim. Até que um dia o Estado decida o que é “aceitável” pensar.
Para nosso bem, claro…

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

A Metamorfose da Europa

4 Novembro, 2025

Quando nasceu a Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1957, o projecto europeu era simples e compreensível: garantir paz e prosperidade através da cooperação económica. Seis nações soberanas – França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo – uniam-se para criar um mercado comum, remover barreiras alfandegárias e facilitar o comércio. O objectivo era claro: cooperar sem deixar de ser nações livres.

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Os media morreram. O que resta é propaganda.

3 Novembro, 2025

Seria hipocrisia minha fingir surpresa com o estado actual dos media. A reacção dos grandes órgãos de comunicação social – nacionais e internacionais – aos recentes assassinatos de Irina e Charlie Kirk é apenas a mais recente prova da morte do jornalismo enquanto função informativa. O que resta hoje são estruturas de activismo político disfarçadas de informação, a operar em conluio ideológico e com objectivos que pouco ou nada têm a ver com a busca da verdade.

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O ridículo e a cegueira dos media

29 Outubro, 2025

A grande vitória de Javier Milei é mais um vexame dos órgãos de comunicação social.

Durante meses, jornalistas, colunistas e comentaristas desejaram o fracasso das reformas argentinas. Não por análise, mas por fé cega no socialismo e no progressismo de esquerda.

Mas a realidade é teimosa. E, mais uma vez, os resultados eleitorais surpreenderam as redações dos jornais e das televisões, mas não o povo que vota e acredita na liberdade!

A Argentina, sufocada durante décadas por clientelismo e inflação, começou finalmente a respirar. Apesar de a imprensa-activista ter apostado tudo no insucesso de Milei…

Os media portugueses, tão prontos a publicar sermões sobre “democracias iliberais” e “populismos perigosos”, repetiram com zelo catequético palavras-de-ordem de um paternalismo bacoco.

Entretanto, a democracia falou nas urnas e pôs a nu as mentiras e narrativas capciosas veiculadas por serventuários de uma ideologia falida e de uma classe jornalística podre.

Fez colapsar o edifício moral da esquerda jornalística que se pavoneia como suposta defensora do bem-comum.

O jornalismo já não observa: milita.

Já não investiga: catequiza.

Já não escreve: prega.

Os profissionais da comunicação preferem caricaturar a realidade e a cada êxito económico de Milei respondem com silêncio. Tratam a redução da inflação com ironia e os sinais de confiança dos mercados com alarmismo.

Fazem-no na esperança de que os subsídios pagos com o dinheiro de quem trabalha continue a jorrar pelos media e na expectativa de que políticos fracos continuem com eles a lambuzar-se nos corredores pestilentos que frequentam.

Milei não derrotou apenas o peronismo e as viúvas dos Kirchner.

Derrotou o jornalismo preguiçoso e previsível que se alimenta da decadência da sociedade.

Derrotou osintelectuais que preferem estar certos com o socialismo, mas errados com a liberdade.

Derrotou as elites culturais que se transformam em caricaturas de si mesmas, aplaudindo o fracasso económico que dizem lamentar.

Há algo de cómico e de trágico em tudo isto: ver uma classe mediática travestida de guardiã da razão, perder a dignidade intelectual e a credibilidade moral, reduzindo-se à pantomima ideológica.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Nenhuma política faz nascer um filho

23 Outubro, 2025

Numa recente entrevista, António José Seguro disse que se fôr eleito uma das suas prioridades enquanto Presidente da República será a questão demográfica e o problema da baixa natalidade que deve ser atalhado através de políticas públicas. Conversa redonda e pastosa a que ele, e outros já nos habituaram.

Mas a questão é que se discute a natalidade como se fosse um problema técnico, económico ou fiscal.
Porém, na verdade, nenhuma política pública conseguiu inverter o declínio demográfico. Subvenções, licenças parentais, creches subsidiadas — tudo isso tem impacto mínimo. No máximo podem antecipar uma gravidez que já estava planeada, mas não criam o desejo de gerar nova vida. Ninguém decide ter filhos por decreto do Estado.

Mesmo os países ricos, com amplas redes sociais, vêem as suas populações encolher. Porquê? Porque o modo como olhamos a vida mudou. Ter filhos deixou de ser uma necessidade e passou a ser uma escolha existencial. E essa escolha tem um preço, um custo de oportunidade gigantesco. Cada filho representa tempo, energia, renúncia, e uma interrupção do percurso profissional. À medida que aumenta o nível de instrução e se adia a primeira gravidez, o custo de oportunidade cresce — não apenas em dinheiro, mas em projectos, ambições e sonhos adiados.

O colapso demográfico não é económico. É cultural, espiritual e moral. É esta a conclusão de uma investigadora norte-americana cuja argumentação procurei resumir num artigo meu de Agosto passado no Observador. Uma sociedade que não acredita no transcendente, que vê a maternidade como opressão, não gerará vida nova.

Se se quiser romper com a narrativa anti-natalista e inverter o declínio, precisamos de recuperar a dimensão espiritual da família, a liberdade de escolher uma escala de valores diferente e desalinhada da norma e a coragem de dizer que a vida é um bem em si mesma. Deve-se defender as causas profundas da natalidade, não paliativos fiscais ou políticas públicas inconsequentes e até contraproducentes.

Portanto, ao contrário do que deixou entender Seguro, ao Presidente da República não cabe desenhar nem promover políticas natalistas, mas sim restaurar o horizonte moral e simbólico em torno da família e da transmissão da vida. Cabe-lhe recordar à sociedade que a natalidade não é uma estatística, mas um sinal de esperança e continuidade civilizacional. Deve inspirar um quadro cultural que revalorize o casamento e devolva dignidade pública à maternidade e à paternidade. Um Presidente da República deve desafiar o Estado a criar um ambiente de liberdade, segurança e confiança onde as famílias possam florescer, sem dependência nem medo do futuro.

A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:

Lisboa – Convite

16 Outubro, 2025

LISBOA: A Oficina da Liberdade e as Publicações Dom Quixote convidam para uma conversa entre Pedro Ferraz da Costa, José Manuel Fernandes e Federico Barttfeld a propósito da publicação do livro «Javier Milei – A Causa da Liberdade».

Data: 21/Outubro (terça-feira)
Horário: 18h00 – 19h30
Local:
AIP – Associação Industrial Portuguesa
Sala dos Presidentes
Praça das Indústrias – Junqueira
1300-307 Lisboa

Convidados:
Pedro Ferraz da Costa (ex-CIP/Fórum para a Competitividade)
José Manuel Fernandes (Observador)
Federico Barttfeld (Embaixador Argentina)

O véu caiu sobre Portugal e a Europa

15 Outubro, 2025

Seis dos reféns libertados recentemente tinham dupla nacionalidade portuguesa. Do nosso Primeiro-Ministro e do Presidente da República que até jogos de bola comenta nas flash-interviews, nem uma palavra digna, nem um gesto substantivo de solidariedade humana em nome do Estado português. Nada! Apenas notas de rodapé, comunicados burocráticos, e o silêncio confortável de quem já não sente vergonha na cara. É o reflexo de um poder político que trata a nacionalidade como formalidade e a tragédia humana como um contratempo da agenda mediática.

Mas o recente acordo promovido por Donald Trump no Médio Oriente e do qual resultou para já a libertação de dezenas de pessoas que estavam a ser selvaticamente tratadas pelos mais abjectos terroristas islâmicos, mais do que diplomacia, foi uma revelação moral. Ou melhor, um sinal do vazio moral em que a Europa (e não só Portugal) está mergulhada.

Expôs a aliança tácita, mas real entre a esquerda radical e o fundamentalismo islâmico. Multidões marcharam pelas capitais europeias exibindo bandeiras da Palestina, mas o que gritavam não era “paz”, era “intifada”. Não pediam coexistência, exigiam a eliminação de Israel.

Os jovens europeus educados nas universidades desprezam hoje os valores do Ocidente. Sem pudor, invertem a moralidade ao ponto de transformar o terror em resistência e o genocídio em libertação. Culpam o Ocidente. Justificam sempre o inimigo.


Enquanto isso, os Estados Unidos e Israel fizeram com coragem o que a Europa já não ousa fazer: agiram para libertar reféns, anular terroristas que são uma ameaça existencial e lutar contra a barbárie. Trump negociou. Netanyahu decidiu. E vidas foram salvas. A Europa tenta disfarçar a sua cobardia com uma suposta superioridade ética. A Europa escreve editoriais, organiza cimeiras, publica comunicados. As suas elites preferem posar como árbitros neutros corrompidos, mas a verdade é que o velho continente se habituou a confundir neutralidade com virtude. A acreditar que, se não escolher um lado, ficará imune ao Mal. Mas a história e a própria civilização já ensinaram que quem recusa defender-se, acaba por ajoelhar-se.

O véu caiu.

Resta a cada um de nós decidir de que lado está.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Convite

10 Outubro, 2025

Hoje, sexta-feira (10/Out) às 18h00 no Palácio da Bolsa – Porto.

Milei e a Argentina são úteis a Portugal?

8 Outubro, 2025

Javier Milei e a experiência argentina reabre uma questão antiga: até que ponto a liberdade pode regenerar uma sociedade habituada à dependência?

Para a Europa e para Portugal o fenómeno Milei coloca-nos desafios à reflexão sobre nós próprios. O liberalismo de Milei é o de um povo que decide ser adulto e viver sem tutelas do Estado nem de oligarquias. Esta é também uma questão essencial para Portugal.

O chamado “fenómeno Milei” é muito mais do que um acidente populista ou um manual de política económica. A liberdade económica não é uma questão de eficiência; é uma questão moral, e o igualitarismo é injusto porque destrói o mérito e ambição. O fenómeno Milei é, portanto, um sobressalto cultural e uma reação de sobrevivência moral ao cansaço do socialismo.

O colapso das economias começa quando uma sociedade deixa de acreditar que o mérito e o esforço valem a pena. Daí que a Argentina tenha falido moralmente antes de falir financeiramente. Em Portugal não estamos ainda em situação de colapso, mas vivemos num consenso social-democrata que vê o Estado como proteção natural. O país precisa de clareza moral, de disciplina fiscal assumida sem vergonha, de simplificação regulatória que liberte quem cria e trabalha, de reabilitar o prestígio do esforço, da poupança e da regra; e de recuperar critério. Critério para distinguir entre direitos e prebendas, entre investimento e despesa, entre proteção dos vulneráveis e captura corporativa. As reformas começam no carácter antes de chegarem ao orçamento. Começam na cultura de exigência, de verdade e de responsabilidade.

Como diz Javier Milei, a liberdade não é um direito, é um dever.

Na próxima sexta-feira (dia 10), a Oficina da Liberdade organiza uma conversa sobre estes temas entre Rafael Campos Pereira e André Azevedo Alves. Será às 18h00 no Palácio da Bolsa, no Porto.

Em Lisboa, numa sessão semelhante que decorrerá no dia 21 de Outubro, perguntarei a Pedro Ferraz da Costa e José Manuel Fernandes, quais os aspectos das políticas de Milei que serão úteis a Portugal.

Fica o convite à presença de todos. Dia 10 no Porto, dia 21 em Lisboa.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Nuno Melo e a flotilha do CDS

24 Setembro, 2025

Com a sua declaração sobre a Palestina, o ministro Paulo Rangel reconheceu na prática que Portugal é um Estado que não se dá ao respeito. Houve reconhecimento implícito de que os nossos governantes são moluscos políticos ávidos por acompanharem os rebanhos das elites europeias alienadas em folclores de sinalização de suposta virtude.

Os membros do governo português viram na fantochada de considerar a Palestina um estado a oportunidade de massajar o seu próprio ego e se auto congratularem com a ficção de serem boas almas imbuídas de espíritos compassivos.

O problema é que o circo de agradar à opinião pública dominante, revela que os dirigentes não têm noção das suas responsabilidades, subvertem elementares princípios e valores básicos de respeito pela vida humana e condenação da barbárie, e são inábeis política e juridicamente ao acrescentar entropia aos caminhos da paz, da libertação imediata dos reféns e à eliminação dos terroristas do Hamas.

Nuno Melo, presidente do moribundo CDS e ministro da Defesa está contra a decisão do governo sobre esta matéria. A fazer fé nas suas declarações, Nuno Melo entende que o assunto é tão importante que decidiu dar nota pública sobre a sua discordância. Mas a sua atitude revela antes ou hipocrisia, cinismo e pequenez política. Qualidades que provavelmente acumula enquanto dirigente partidário. Pois se o erro do governo português em reconhecer a Palestina como estado é tão grave e contraproducente como diz ser, a única atitude séria e adulta seria abandonar funções no executivo.

Não o fez por tática político-partidária. Achará que é a única forma de manter a sobrevivência do CDS. Creio, no entanto, que o episódio de assemelha às tristes figuras da ramboia da flotilha de Mortágua. Nuno Melo perdeu o momento de afirmar o CDS como uma referência ética e sucumbiu à mediocridade cobarde de não romper com uma pastosa e pestilenta forma de fazer política. De novo resignado aos humores do Ministro dos Negócios Estrangeiros, o partido de Nuno Melo insiste em ser um parasita do PSD, continuando o seu caminho para a vala comum das instituições irrelevantes.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Ou a liberdade avança, ou…

11 Setembro, 2025

Uma grande parte dos nossos jornalistas genuinamente não se apercebe da sua falta de categoria profissional, da sua preguiça intelectual e do enviesamento ideológico de que padece. Seja por livre opção pessoal ou mera inércia, os jornalistas são em geral uma classe comprometida com uma indisfarçável agenda política de esquerda, que em vez de informar convive mal com factos e pessimamente com opiniões livres e desalinhadas da narrativa dominante.

Desde que Javier Milei foi eleito presidente da Argentina, é certo e sabido que os nossos jornais e televisões boicotam as muitas notícias positivas que vêm daquele país, mas são rapidíssimos a dar destaque a notícias desfavoráveis ao espaço da direita liberal que Milei representa na Agentina e que é hoje fonte de inspiração para outras geografias.

No passado Domingo houve eleições regionais para a Província de Buenos Aires e em Portugal os títulos da comunicação social davam nota de uma pesadíssima derrota para Milei. O ton das peças jornalísticas oscilava entre o regozijo pela esquerda corrupta e cleptomaníaca ter ganho as eleições, e o júbilo de ver o candidato a que chamavam «louco» a não vencer.

Simplesmente, se é verdade que face às expectativas e sondagens de há um par de meses, os resultados eleitorais em Buenos Aires foram um balde de água fria para Milei, face aos resultados de 2023 o seu partido obteve mais 7 deputados e mais 3 senadores. Mas os nossos jornalistazinhos omitiram este facto, assim como se esqueceram de dizer que em 2023 o Governador da Província já era do partido de esquerda que transformou o país num desastre económico e numa calamidade social e que, historicamente, é a esquerda é a força política dominante na região.

Os nossos pasquins e TV’s pimba olvidaram também referir que a vitória da esquerda em Buenos Aires levou de imediato os mercados de capitais e de dívida a terem uma quebra acentuada, com a perspetiva de o país poder descarrilar de novo com mais socialismo.

O escândalo de corrupção que surgiu durante a campanha e em que a irmã de Javier Milei é referida, sendo ou não uma história fabricada pela oposição, a verdade é que teve grandes repercussões na desmobilização do eleitorado de direita.

Por isso, até às legislativas parciais intercalares de Outubro próximo, o partido de Milei terá de demonstrar aos argentinos que a corrupção que abalou as eleições regionais está confinada a figuras menores e laterais da actual administração e que a Justiça voltou a funcionar para combater os prevaricadores. Até Outubro, Milei deverá continuar um político autêntico, mas terá de ser mais astuto e ser mais claro e concreto sobre os benefícios sociais das suas reformas, enfatizando as conquistas que as suas políticas trarão para as famílias e os mais vulneráveis.

Porque ou a liberdade avança com Milei, ou a Argentina retrocede com o socialismo.

A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:

Candidatos às autarquias: ponham os olhinhos em Madrid!

3 Setembro, 2025

Em breve começará a campanha para as eleições Autárquicas. Sugiro por isso aos candidatos que abram horizontes e olhem para o caso de Madrid.

Sabemos bem que o país vizinho é governado por um egomaníaco que tresanda a corrupção e nepotismo, tem uma fortíssima compulsão para a mentira e a hipocrisia, pactua e branqueia movimentos separatistas e terroristas, trai e subverte os processos democráticos e o Estado de Direito, e de forma ajavardada tenta manter-se no poder a qualquer preço sem um mínimo de honra e enlameando a credibilidade de Espanha.

Mas em enorme contraste com o lamaçal onde chafurda o primeiro-ministro socialista Pedro Sanchez, a Presidente da Comunidade de Madrid – Isabel Díaz Ayuso – é um esteio de dignidade e um bálsamo de liberdade.

Pode argumentar-se que comparado com Sanchez, qualquer piolho político parece um estadista. Mas a verdade é que em termos de governação, prosperidade e bem-estar Madrid se tem afirmado e destacado cada vez mais pela positiva, em contraciclo do resto de Espanha.

A liberdade e a confiança nos indivíduos são os ingredientes-chave do modelo da autarca da Direita espanhola. Madrid compete com as capitais mais avançadas do mundo graças ao seu regime fiscal competitivo, à desregulamentação, ao respeito pela propriedade privada, com base na confiança nos empresários, desenvolvendo políticas pró-mercado livre e através de uma abordagem responsável às finanças públicas. Por exemplo, nos últimos dois anos, a Comunidade de Madrid revogou ou simplificou mais de 200 regulamentos e introduziu incentivos baseados no desempenho para os funcionários públicos.

Ao intervencionismo e autoritarismo de Sanchez, Ayuso contrapõe a livre iniciativa dos cidadãos e dos diferentes agentes da região de Madrid. Com isto a sociedade civil e os empresários privados tiveram oportunidade de, ao longo do mandato de Ayuso, criar 600.000 novos empregos e canalizar para Madrid quase 70% de todo o investimento estrangeiro em Espanha. Atraiu mais de 7 mil milhões de euros em investimento privado só nos últimos dois anos e centenas de milhares de pessoas mudam-se anualmente para a região em busca de melhores oportunidades de vida.

Entre nós, em Portugal, seria bom que os candidatos autárquicos evitassem a parolice da proclamação de planos estratégicos e o vórtice de tudo prometer fazer em nome das suas cidades. E em vez de gastar o dinheiro dos contribuintes desenhando cidades à medida da sua mundividência e gostos particulares, tivessem antes a humildade de centrar os seus programas eleitorais em facilitar e deixar serem os cidadãos e as empresas privadas a conceber a forma como se quer viver e desenvolver as nossas cidades.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

Fogos: não é incompetência, é Agenda

1 Setembro, 2025

Perdoem-me a sinceridade, mas não consigo compreender como, após décadas desta tragédia recorrente de fogos florestais, ainda haja quem insista em culpar as ‘alterações climáticas’ e os combustíveis finos como as principais causas deste flagelo. Parem!

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Crescei e multiplicai-vos!

29 Agosto, 2025

Algumas passagens do meu artigo de hoje, na coluna da Oficina da Liberdade:

Nenhuma política pública impulsiona a natalidade de forma minimamente significativa e sustentada. Ao contrário do que fica bem dizer a qualquer pessoa preocupada com o envelhecimento e contracção da população, resulta evidente das inúmeras experiências internacionais que subsídios directos, créditos fiscais, licenças de maternidade e parentais remuneradas, pagamentos de creches, ajudas de custo ou tarifas mais baixas nos transportes públicos, por exemplo, têm impacto despiciendo e limitado no aumento do número de nascimentos de bebés. Ninguém tem filhos por incentivo dos decisores políticos. Políticas deste tipo, além de ineficazes, são provavelmente contraproducentes.

Mas talvez a análise do problema demográfico das nossas sociedades seja mais rica e reveladora se em vez procurarmos obter respostas sobre porque é que as pessoas não têm filhos, tivermos antes um ponto de vista mais etnográfico e investigarmos as razões e motivações humanas pelas quais as pessoas têm filhos e o que leva uma minoria de pais a terem muitos filhos.

Os maiores custos associados à maternidade não são, portanto, os das despesas directas com os filhos, mas sim o custo das oportunidades de carreira perdidas e de outros sonhos que ficam por cumprir.

Mas as Mães que participaram no estudo de Pakaluk descreveram a sua escolha em ter muitos filhos como uma “rejeição deliberada de um estilo de vida autónomo, personalizado e autocentrado, em favor de um modo de vida intencionalmente limitado pelas exigências da maternidade”. O seu planeamento familiar não seguiu a atitude convencional moderna. Os seus filhos, como todas as crianças, custam-lhes quase tudo. O que diferencia estas mulheres é que consideram os seus filhos como tão imensamente benéficos que os custos não podem ser comparados.

Em Hannah’s Children descontroem-se mitos e contam-se histórias sobre o imenso valor dos filhos, da natalidade como pertencendo ao domínio do espírito, das crianças como chave para o infinito e caminho para a salvação do mundo. Faz falta este modo de olhar a vida. «Crescei e multiplicai-vos!».

O artigo completo, aqui:

Ide dar corda à vossa māe

13 Agosto, 2025

Estou farto de que me dêem corda. Ora dão-me corda para que queira saber se alguém amamenta durante o tempo protocolado, ora se em Gaza se morre à fome ou por obesidade mórbida, ora se brasileiros são todos uns assassinos, ora se Trump é um génio ou dois génios num corpo só… não gosto que me dêem corda. Um tipo abre uma daquelas redes sociais do Demo e aparece-lhe uma imagem de um pintor muito muito mau que aparenta ser do Paul McCartney a tocar guitarra para um Phil Collins moribundo. Enfim, algo só ligeiramente acima em pontos de dignidade que a Bonnie Blue a ser penetrada por 1000 rapazes e as suas 30000 espinhas. A pós-realidade não é para mim, e isso é problema meu, não vosso. 

Reconhecer a Palestina… é o quê? Nós podemos reconhecer um gambuzino, se o virmos, porque até esse momento só temos uma descrição não deveras apurada do mítico ser; não podemos reconhecer a Palestina. Nem podemos reconhecer o Manel, a não ser que alguém o faça após uma recuperação miraculosa de Alzheimer. A Palestina é. Israel é. Quem não reconhece a Palestina também não está em condições de reconhecer um leitão como sendo um porco. O que há a discutir? A hipótese de abolir o termo “Palestina” do léxico? 

Desde o momento em que as coisas deixaram de ser para passarem a ser a nossa interpretação pessoal do que poderão eventualmente ser, que tudo isto perdeu qualquer piada. Blogues, jornais, redes sociais, a vida propriamente dita. 

Estamos todos melhor com LSD do que com Instagram, Facebook ou qualquer jornal. O acto verdadeiramente criminoso do governo foi dar subscrições aos jovens para estas espeluncas “noticiosas”. Toma Soma, meu menino, anda lá, vai votar e/ou concorrer no mesmo ano em que votas. Eu digo não. Não que interesse.

Se porventura este é o país em que um violador assassino consegue obter nacionalidade após meia dúzia de meses a aterrorizar uma localidade qualquer, aniquilando com o isso o extraordinário serviço que a maioria dos estrangeiros que para aqui vêm para assegurar que um país falido possa eleger o seu Dwight Elisondo e manter pensões dos reais bandidos, bandidos como aqueles que deixaram isto chegar ao ponto a que chegou, então mais vale colocar a minha própria nacionalidade à venda no OLX.

Quanto ao mais, olhem, vou é desligar esta porcaria que aqui não vive ninguém. E desculpai qualquer coisinha por não ter percebido isso a tempo de vos causar o dói-dói virtual que só na minha cabeça poderia existir.

Os Media não informam: manipulam e mentem

11 Agosto, 2025

Por muito que lhe custe aceitar que os media não são canais de informação, um dia, para o seu bem, vai ter de o fazer, mesmo que, na minha opinião, já vá um pouco tarde. O maior vírus que o Planeta tem chama-se “desinformação oficializada” e durante os últimos 2 séculos adoeceu esta sociedade tornando-a acrítica, dependente, manipulável, obediente e amorfa. Uma sociedade assim está morta sem o saber.

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O Sr. Aguiar

16 Julho, 2025

Américo Aguiar, formalmente Bispo de Setúbal e Cardeal, não passa uma semana sem evidenciar de forma escatológica e triste para católicos e não crentes que se trata de uma figura talhada para o showbiz, os holofotes das televisões e os corredores palacianos da politiquice e da classe dirigente, mas não para Pastor da Igreja.

Como seria de esperar, erradamente, o próprio entende que a sua missão é envolver-se no quotidiano das instituições do nosso país, dos partidos, do governo, das autarquias ou do Parlamento, dedicando tempo e energia a causas seculares e não à pastoral e à evangelização.

O senhor Aguiar dirá palavras bonitas que estamos habituados a associar a um verdadeiro sacerdote, mas a sua práctica e acção é a de alguém que vê a Igreja Católica como um espaço de debate e opinião e que não se importa de desviar a religião das verdades eternas em direcção aos assuntos deste mundo, que só podem ser objecto de polémica porque estão fora do domínio da fé.

Nota-se que é muito mais agradável para o Sr. Aguiar dedicar-se às causas abstratas da paz no mundo, das alterações climáticas, da habitação ou das vítimas da opressão capitalista do que trabalhar humildemente nos caminhos da caridade ajudando indivíduos concretos, reconhecíveis e muitas vezes indesejáveis que a Providência colocou no nosso caminho. É mais agradável para o Sr. Aguiar e é muito mais gratificante para o seu ego gigante.

Conforme assinalou o extraordinário e saudoso filósofo britânico Roger Scruton, «a atenção do mundo é mais facilmente captada pelo homem com uma causa, do que pelo homem que cumpre meramente o seu dever.» O verdadeiro sacerdote trabalha em silêncio, longe da publicidade que gravita em torno dos de pouca fé. O seu dever é para com o pecador individual, por quem deve renunciar à sinalização de virtude da sua preocupação com a justiça socia abstrata.

A incompetência apostólica de uma Igreja dedicada aos assuntos mundanos é confrangedora e subverte a essência de uma verdadeira religião que é a de salvar as nossas próprias almas. Esta heresia está muito em voga nos actuais meios sociais progressistas e activistas, zona de conforto para o Sr. Aguiar.

Mas convinha que alguém em posição de autoridade dentro da hierarquia da Igreja fizesse ver ao Sr. Aguiar que o papel apostólico de um sacerdote é apresentar a fé ao descrente e no mistério da condição humana e da universalidade da Igreja, oferecer respostas às questões da vida prometendo a redenção e a salvação individual.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

A maioria marginalizada

12 Julho, 2025

Longe vão os tempos em que as maiorias oprimiam as minorias no Ocidente. A suposta evolução civilizacional que nos trouxe até aqui — e que clamava por “igualdade de direitos para as minorias” — conseguiu um feito inacreditável: minorias com todos os direitos, mas sem quaisquer obrigações, totalmente impunes, em detrimento do restante da população, que acaba escravizada e oprimida ao menor sinal de oposição a esta injustiça. Como foi isto possível?

Para entender esse fenómeno — que está longe de ser inocente — é preciso recuar bastante no tempo. Lembram-se do marxismo reformulado por Gramsci? Essa filosofia, absorvida pelas universidades (financiadas pelas elites globalistas), doutrinou gerações de estudantes e moldou a visão de mundo da sociedade. Uma visão que passou a defender, quase dogmaticamente, as minorias sociais, étnicas, raciais e de orientação sexual, transformando essas lutas em verdadeiras agendas políticas. Para quê? Simples: dividir para reinar.

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Partidos transgénero

10 Julho, 2025

O actual governo do PSD é tão reformista, que o próprio ministro da Reforma do Estado já declarou publicamente que não quer reduzir o Estado.

A equipa de Luís Montenegro está tão empenhada na sustentabilidade das finanças públicas que desde o início do ano a dívida do Estado aumentou 5% e atingiu um recorde de 284,5 mil milhões de euros.

O primeiro-ministro é tão verdadeiro que declara sem se rir que o país aumentará significativamente os gastos em Defesa sem necessidade de cortar noutras rúbricas de despesa pública.

O PSD quer reduzir tanto a carga fiscal sobre os Portugueses que até Maio a cobrança de impostos aumentou mais de 13%, quando se espera que no final do ano o crescimento do PIB seja apenas de 1,5%.

Quem está no poder tem tanta consideração pelos contribuintes que não hesita em meter a cabeça deles no cepo com um projecto de criação em Sines de uma gigafábrica de Inteligência artificial que se prevê venha a custar mais de 4 mil milhões de euros, sendo que nesta iniciativa o governo envolve a fantochada do banco de fomento, agência pública conhecida por torrar o dinheiro dos portugueses em todos os projectos onde se mete.

Porém, nem tudo são más notícias. A Prof. Graça Carvalho, ministra do ambiente e energia, revelou que Governo vai impor aos concessionários privados de praias limitações aos preços de venda de sandes, cafés, águas e toldos, considerados por esta adorável governante como bens essenciais para democratizar o acesso ao lazer e veraneio dos Portugueses.

É este o governo que o partido de Rui Rocha e Mariana Leitão andou meses a pedinchar para integrar e com quem hoje se continua a lambuzar em desespero autárquico, fazendo por exemplo coligações no Porto com um ex-ministro do PSD responsável por um programa de controlo estatal da comunicação social e em Gaia com um candidato que ficou famoso qualificar alguém de liberal como de um insulto se tratasse.

PSD e IL são partidos transgénero: são estatistas e do sistema, mas identificam-se como reformistas e liberais.

A minha crónica-vídeo de ontem, aqui:

A Causa da Liberdade

2 Julho, 2025

Na guerra cultural que se globalizou, “Portugal enquadra-se perfeitamente no campo da liberdade como um país que sempre foi um farol da Civilização Ocidental. Portugal é um país orgulhoso e com um povo extraordinário. Merece ser livre.”

Quem o diz é Javier Milei, Presidente da República Argentina, no prefácio que fez para o mais recente livro promovido pela Oficina da Liberdade.

Numa altura em que em Portugal são silenciadas as magníficas notícias da notável trajectória de estabilização económica que a Argentina está a operar por intermédio de Javier Milei, o livro escrito por Philipp Bagus e editado agora em Português em parceria com o grupo LeYa, tem potencial para ser uma obra maldita para a esmagadora maioria dos comentadores, especialistas e políticos portugueses que ainda há bem pouco tempo classificavam de “louco” o Presidente da Argentina e consideravam o seu projecto uma deriva fascista daquele país sul-americano.

Quem em Portugal tem normalmente acesso ao espaço público é estatista, socialista ou padece dos dois males em simultâneo. Mas mais indigna e pervertida é a forma como os jornalistas portugueses ignoram ou relatam de forma corrompida e enviesada o que se tem passado na Argentina. Isto porque Milei representa o inverso de tudo o que esta gentinha acredita. Curiosamente, é Milei quem tem posto pão na mesa dos argentinos, ao contrário da pobreza que trazem os regimes socialistas que defendem a casta mediática nos órgãos de comunicação social.

Mas o que está a ocorrer na Argentina vai muito além do desmantelamento do Estado, da abertura do mercado e da estabilização macroeconómica. Milei e seus apoiantes levam a cabo uma verdadeira de “revolução” moral e ética.

O socialismo baseia-se em instintos básicos como a inveja e o ressentimento. O socialismo é profunda e intrinsecamente injusto. Só o capitalismo tem justificação moral porque defende os direitos de propriedade, o tratamento igual perante a lei, as escolhas livres dos cidadãos, a cooperação voluntária entre as pessoas e valoriza o trabalho árduo e o esforço individuais.

Milei popularizou estas ideias na Argentina e promove-as activamente na sua acção política com resultados sociais estupendos. Custa por isso a muito gente em Portugal reconhecer que o capitalismo vence e que é o Estado e os interesses a ele alapados que sugam os recursos públicos sem acrescentar valor nem criar riqueza para a generalidade das pessoas.

Javier Milei desafia também o establishment, a classe dominante em Portugal. Com determinação, mas sem dogmatismos, com flexibilidade e inteligência as políticas de Milei, e sobretudo a sua “revolução” moral e ética melhorariam drasticamente a vida das pessoas também no nosso país.

Talvez o livro que chega às livrarias no próximo dia 08 de Julho ajude a mobilizar os Portugueses para a Liberdade.

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui.

O livro, em pré-venda com desconto, aqui:

É Hora de Despertar!

29 Junho, 2025

“Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche.

(Foto de Frederico Duarte Carvalho)

Há uma nuvem negra que paira sobre a Humanidade e compromete seriamente o nosso futuro colectivo. No entanto, a maioria da população global vive numa realidade paralela, alheia aos perigos iminentes. Grande parte da responsabilidade recai sobre a comunicação social, que, corrompida e submissa às elites poderosas, há décadas silencia ou ignora o que está por trás da chamada Agenda 2021/2030 — nomeadamente o controverso plano inspirado nos livros de Kalergi. Apesar do seu impacto potencial, nunca houve uma investigação séria ou denúncia relevante. O silêncio mediático e o enviesamento noticioso fazem parte de uma estratégia para manter as populações na ignorância, enquanto o plano continua a avançar.

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Javier Milei – A Causa da Liberdade

26 Junho, 2025

Em co-edição com a LeYa, a Oficina da Liberdade lança o seu quinto livro.

«O facto de um livro de Philipp Bagus intitulado “Javier Milei – A Causa da Liberdade” estar agora a ser publicado em Portugal com o apoio da Oficina da Liberdade é mais um sinal de que a guerra cultural se globalizou. Nesta guerra, Portugal enquadra-se perfeitamente no campo da liberdade como um país que sempre foi um farol da Civilização Ocidental. Portugal é um país orgulhoso com um povo extraordinário. Merece ser livre.
Viva la libertad, carajo!»

Javier Milei, 31 de Março de 2025
( in Prefácio )

O livro estará nas livrarias a partir de 08 de Julho, estando entretanto em pré-venda com desconto no website da LeYa: https://www.leyaonline.com/pt/livros/historia-e-politica/politica/javier-milei-a-causa-da-liberdade/

A apresentação pública será realizada em Setembro em data e local a anunciar.

A Reforma do Estado que ninguém quer

25 Junho, 2025

O líder parlamentar do PSD Hugo Soares assegurou durante o debate do programa do Governo, que a reforma do Estado que o executivo diz querer levar a cabo não envolve “cortar” nem “despedir”. Antes, também Luís Montenegro, garantiu que a dita reforma do Estado “não visa reduzir o Estado”.

Não poderia ser mais claro e evidente o logro do suposto ímpeto reformista do governo. O ministério da reforma do estado foi criado para cosmética e propaganda. Aliás, o novo ministro da pasta parece gostar tanto da pompa e aparato do Estado que no seu breve curriculum oficial destaca entre a sua experiência profissional o facto de ter sido formalmente secretário de estado durante apenas 27 dias.

Reformar o Estado é reduzi-lo. Afirmar que se pretende restaurar a eficácia do Estado ou melhorar a sua eficiência não passam de lirismos parolos. Nem sequer de boas intenções se tratam, pois inúmeras experiências passadas, nacionais e internacionais, ensinaram-nos que essas tentativas estão condenadas ao fracasso ou a uma melhoria absolutamente negligenciável.

Sem reduzir a dimensão e o âmbito do próprio Estado não há reforma que funcione. A administração pública é um sistema burocrático com vida própria e, como é financiada por impostos e não por receitas dependentes da satisfação de clientes, é da sua natureza manter a inércia e engordar até níveis de obesidade mórbida como é o caso no nosso país.

Se uma empresa presta mau serviço, perde clientes. Por isso tem incentivo a aprender, adaptar-se e aperfeiçoar o seu modelo de negócio. Ora, as agências públicas não ganham nem perdem com base na escolha dos cidadãos, pois estes são obrigados por força da lei a recorrer aos seus serviços e, ainda por cima, a pagar mansos e caladinhos o regabofe dos burocratas. Pela natureza das coisas, os princípios de gestão empresarial não podem ser aplicados à administração pública.

Para quebrar este círculo vicioso – para reformar – só há uma hipótese: retirar paulatinamente o Estado da interferência e regulação da esfera pessoal e devolver aos Portugueses graus de liberdade na gestão das suas próprias vidas.

Mas os partidos não o querem fazer porque é contra a sua natureza de organização política. O eleitorado português viciou-se na miragem de um Estado paternalista. E a União Europeia e a dívida pública imputada às gerações futuras vão sustentando artificialmente a situação.

Até um dia…

A minha crónica-vídeo de hoje, aqui:

O último vergonhoso 10 Junho de Marcelo

20 Junho, 2025

Marcelo tinha de manchar as comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, na sua despedida da Presidência, que, sinceramente, na minha opinião, já durou demais. Não satisfeito com os recadinhos que, aqui e ali, foi dando durante o seu mandato aos “populistas” (que nem ele sabe, na realidade, o que são porque não passa de um boneco ventríloquo Bilderberg), resolveu abrir este dia com um discurso fracturante, um insulto descarado à nossa Nação lusa.

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Associação “Escolha” sem escolha

10 Junho, 2025

Em pleno século XXI, a sociedade dita “progressista”, que brada aos quatro ventos sermos mais livres do que no tempo do Estado Novo, graças às conquistas de Abril de 1974, é a mesma que censura, cancela e persegue quem ousa ter uma opinião divergente. É a mesma que doutrina, formata e impõe um pensamento único, acrítico, como única forma correcta de pensar e estar. Quem se opõe é imediatamente rotulado de extremista. Isto não é democracia; é uma forma subtil de fascismo. E, ironicamente, acusa os outros daquilo que pratica diariamente.

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Javier Milei, o louco?

4 Junho, 2025

“A democracia está em risco”; “elegeram um louco”; “a prazo o país estará ainda em pior estado e o povo arrependido do seu voto”.

Foi o que disseram em 2023 a esmagadora maioria dos comentadores, políticos, jornalistas e outras tribos de activistas acéfalos portugueses sobre Javier Milei e a Argentina. Estes personagens com acesso ao espaço público continuaram a dizer o mesmo durante uns tempos, até que se calaram que nem ratos sobre a situação económica e social argentina, isto para não terem de reconhecer a sua cegueira ideológica, preguiça mental ou desonestidade intelectual.

O partido de Milei foi fundado em 2021, e além da Presidência da Républica conquistou no passado dia 18 de maio o primeiro lugar nas eleições para a Assembleia Legislativa da Cidade de Buenos Aires, com 30,13% dos votos. Os libertários prometem agora replicar a sua vitória à escala nacional nas eleições de outubro para o Congresso Nacional.

A batalha de Milei é, acima de tudo, cultural e, portanto, entre nós a própria Iniciativa Liberal esteve do lado oposto ao movimento protagonizado pelo presidente da Argentina. Mesmo relativamente às suas políticas económicas, os dirigentes da IL vieram muitíssimo tarde, cheios de medo e quase a pedir desculpa dizer que, talvez, uma ou outra medida de Milei não tivesse sido mal pensada…

Acontece que a gestão do economista libertário e conservador fiscal defensor do mercado livre tem aberto caminho à recuperação económica e social de milhões de pessoas. Desde que se tornou presidente, Milei controlou o défice orçamental, reduziu a burocracia e a despesa pública insustentável ​​e improdutiva, suspendeu a maioria dos controlos de capitais, tem a inflação sob controlo, revogou regras de declaração de impostos e taxas destinadas a desbloquear uma potencial injecção de 200 mil milhões de dólares na economia doméstica, enquanto implementou outras reformas estruturais no seu país.

O resultado foi uma estrondosa reviravolta na economia argentina, em que a “hiperinflação” desceu para uns meros 2,2% em fevereiro e a projeção de crescimento do PIB para o próximo ano é de 5,5%, um dos mais significativos a nível internacional. Os títulos de acções e obrigações negociados em bolsa têm atraído a atenção de investidores globais traduzindo-se em entradas sustentadas e substanciais de capital estrangeiro para a Argentina, num voto de confiança.

A própria UNICEF veio reconhecer esta semana a sua surpresa pelo facto de num contexto de ajustes fiscais severos, reformas estruturais e um plano de austeridade, mais de 1,7 milhões de crianças tenham saído da pobreza num só ano. Um feito a todos os títulos notável! Mas outros indicadores sociais também melhoram como os salários reais, a recuperação do poder de compra e um recorde histórico no número de pessoas empregadas.

O fenómeno Milei é recorrentemente caracterizado como extremista, esdrúxulo, marginal, mas na verdade, trata-se apenas da aplicação de princípios sólidos e coerentes de boa governação que já tivemos no passado na Europa e nos Estados Unidos, tempos há muito esquecidos entre nós.

A história mostra que as sociedades que assentam na ética do mercado e que abraçam a liberdade alcançam níveis mais elevados de prosperidade e desenvolvimento. Infelizmente, na Europa e em Portugal estamos numa rota oposta ao caminho que a Argentina está agora a trilhar.

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Verdades inconvenientes sobre as eleições 2025

2 Junho, 2025

O que se viveu nestas eleições legislativas — tanto em Portugal como na diáspora — foi um verdadeiro terramoto seguido de tsunami político. O impacto foi tão profundo e destructivo para o sistema instalado desde 1974 que deixou a comunicação social generalista sem chão, engolindo em seco. Alguns disfarçaram mal o rancor, outros deixaram transbordar o ódio por todos os poros, chegando ao ponto de exigir a extinção de partidos democraticamente eleitos e legalmente reconhecidos pelo Tribunal Constitucional. Uma reacção tão desproporcionada quanto reveladora do desespero de quem sempre se sentiu dono do regime.

Pela primeira vez, assistimos à verdadeira derrocada do socialismo em Portugal: a extrema-esquerda quase varrida do Parlamento, e os socialistas da chamada — e ilusória — esquerda moderada relegados para o terceiro lugar do pódio. Moderada, aliás, em nada: o socialismo sempre foi a antecâmara do comunismo, o caminho para um Estado cada vez mais controlador, invasivo e totalitário. Como foi possível chegarmos a este ponto?

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É o fim do mundo outra vez, desta vez é mesmo, não é como os outros fins do mundo que não o foram

27 Maio, 2025

Todos os dias aparece mais um totó a fazer a triste figura de perpetuar a ideia palerma de linhas vermelhas. “Não faço acordos com o Chega” é o equivalente moderno de exibir lençóis manchados de sangue após a noite de núpcias. Apesar de não faltarem porcos ou galinhas que testemunhariam, caso tivessem sobrevivido, às exibições de virtude do passado, estamos sujeitos, neste tempo, à obrigação de fingirmos que acreditamos na farsa.

O Chega, em 2025, representa a evolução do socialismo das democracias liberais europeias. Abraçar o Chega é promover a real mudança futura, sabe-se lá para o quê, pela estagnação habitual do presente. Bem sei que o discurso é insuportável, só ligeiramente menos insuportável que o dos partidos habituais do sistema, mas isso não interessa nada: a questão nunca é sobre quem não quer fazer acordos com o Chega. A questão é sobre quem não precisa deles para que não se afogue. Tirando o PCP, que ainda tem os sindicatos, todos precisam.

Por uma questão de decência, que se afoguem, então, mas rápido que acaba a doer menos para quem só veio ver a bola. 

Carta Aberta a Luís Montenegro

24 Maio, 2025

Fui militante do PSD até ao surgimento de novos partidos à direita. Confesso que a saída de Passos Coelho, deixando um vazio de liderança no partido, foi decisiva para a mudança do meu voto. Como podia aceitar que, depois de um excelente trabalho de resgate do nosso país da bancarrota deixada por Sócrates — onde já só havia dinheiro para pagar salários públicos por mais um mês — e que deu a vitória a Passos Coelho nas eleições de 2015, mesmo com maioria relativa, este líder fosse impedido de começar a governar? (Sim, porque durante quatro anos limitou-se a cumprir o programa da Troika, não governou propriamente.) Como podia aceitar que o próprio PSD tivesse contribuído internamente para o seu afastamento?

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O voto Chega

21 Maio, 2025

No Chega votaram ricos e pobres, urbanos e rurais, mulheres e homens, liberais e estatistas, intelectuais e incultos. Entre um milhão e meio de eleitores do Chega encontram-se perfis pessoais variadíssimos e, provavelmente, um milhão e meio de diferentes razões de voto.

Mas como chão comum a tanta gente talvez estejam algumas ideias simples: o voto no Chega é o que mais irrita os jornalistas e comentadores que querem impôr uma narrativa paternalista no espaço público; é o voto que mais assusta uma classe política que protege e reparte poder e privilégios entre si há décadas; é o voto que mais indigna os sinalizadores de supostas virtudes; é o voto que mais deixa raivosos aqueles que se sentem ungidos por uma superioridade moral.

Há 23% de Portugueses que não estão demasiado preocupados com a falta de consistência doutrinária do Chega, nem com as pantominas de André Ventura, ou com propostas políticas pouco estruturadas que são solução para coisa nenhuma.

Uma camada muito importante de eleitores terá usado o seu voto para dizer que quer que o país mude de vida e rompa com o sistema politico-mediático que se instalou em Portugal, e acabe com o circuito-fechado e a transumância entre a classe dirigente e as elites culturais e mediáticas, que se têm organizado de forma clandestina num aparelho de troca de favores e lealdades subterrâneas.

Em vez de se agregarem em milícias populares inorgânicas ou em movimentos civis anarquistas, um milhão e meio de pessoas terá visto nas eleições uma forma pacífica de através do seu voto rejeitar que lhes digam o que pensar sobre a situação do país ou que lhes condicionem as vidas particulares.

Mas numa sociedade verdadeiramente livre não é a vontade maioritária do povo que deve ser feita política através da Lei, nem os interesses e desejos particulares de uma elite que devem comandar a vida colectiva.

Se a democracia decidir o mínimo possível acerca das nossas vidas e interferência do Estado na esfera individual fôr também mínima, menos espaço haverá para populismos e polarização entre as pessoas. Por isso, é melhor que cada um de nós possa praticar a liberdade no seu quotidiano do que esperar cartas de alforria outorgadas pelos partidos ou o Estado.

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