Euro…tensões*
A discussão não é de agora.
Sempre existiram os críticos do Euro, do Sistema Monetário Europeu e – não raras vezes, uma coisa é resultante da outra! – aqueles que sempre se opuseram à integração europeia. Um dos principais argumentos avançados pelos críticos e pelos pouco confiantes nas virtualidades da moeda única (literalmente, os Euro…cépticos) é o da impossibilidade de o Estado utilizar a desvalorização da sua moeda exclusiva (que já não existe) como instrumento competitividade, facilitando as exportações de produtos nacionais.
Penso que este é um argumento, apesar de tudo, pouco realista e, portanto, pouco consequente. O embaratecimento dos produtos nacionais, por si só e feito através de uma política monetária nacional de desvalorização, pode não significar uma maior procura externa: a concorrência – sobretudo hoje em dia, em tempo de globalização – não se faz apenas pelo preço, sendo que naqueles produtos em que o factor determinante ainda é mesmo o preço, as economias baseadas na mão-de-obra intensiva têm inigualáveis condições de competitividade, com ou sem dumping social (vg. a China). Além disso, parece difícil que uma pequena economia (relativamente) aberta possa ser solitária e isoladamente indiferente às condições do seu próprio espaço envolvente (espaço geográfico e de negócios).
Há, no entanto, algumas nuvens negras que ensombram, actualmente, o Euro.
A revista Forbes publicou, recentemente, um artigo em que apontou esses indícios de uma possível tempestade (The Demise of the Euro). No fundo, esboça-se uma notória clivagem entre uma política monetária imposta pelo “eixo alemão” (e, até agora seguida pelo BCE) de controlo, a todo o custo, de derivas inflacionistas (ainda que mais virtuais do que reais) e, por outro lado, a política pretendida pelo denominado “eixo latino” (França, Itália e Espanha) que privilegia, actualmente, o crescimento económico.
Se a perspectiva alemã não esqueceu a lição da História (a hiper-inflação contribui para a vitória, nas urnas, do partido nazi), o certo é que os estrangulamentos da economia (às mãos das taxas de juro altas e dissuasoras do investimento) e a dificuldade em se suster, em certos Estados (Portugal incluído), o aumento do desemprego, podem também originar novos populismos políticos, acentuando vagas de nacionalismo anti-democrático e anti-europeu….
* Publicado em Villas & Golfe, Abril/Maio 2008

sou contra a falta de euros no bolso de 25% de portugueses pobres e desempregados.
o afundanço veio para ficar
o monstro digere os contribuintes
só fui cidadão nos países civilizados da europa. deram-me bolsas de estudo e trabalho.
o estado português, dirigido por ex-jotas, deu-me “polada nos cabeça”
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Caro PMF,
Pode argumentar o que quiser, mas antes o Euro do que o Escudo e antes o Sr. Trichet do que o Sr. Constâncio, e antes o Bundesbank do que o Banco de Portugal.
Se não fosse o Euro, já éramos a 19ª Região da Peninsula….
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E os EUA vão paulatinamente recuperando do deficit da balança de pagamentos com a desculpa do sub-prime para desvalorizarem o dollar… e ainda falam mal do Bush? confesso que não entendo…
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J nem mais!Não é possível ter sol na eira e chuva no nabal!(embora cá no burgo seja mais no nabal)
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J e Luis Moreira,
mas é evidente que “antes o Euro do que o Escudo e antes o Sr. Trichet do que o Sr. Constâncio”. Longe de mim pôr em causa aquela que foi uma verdadeira revolução tranquila: a adopção do euro, ou seja, estados soberanos, em tempo de paz, voluntariamente prescindirem do seu poder de cunhar moeda e de terem uma moeda legal exclusivamente deles dependente e determinada.
O que se sublinha são as tensões na condução da política monetária…de todo o modo, não percebi isso da “19ª região da Península”….
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AINDA BEM QUE OS GOVERNOS, OS PORTYGUESES, NÃO PODEM USAR A “BOMBA ATÓMICA” DA DESVALORIZAÇÃO.
Estavámos desgraçados!
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Se a malta pudesse desvalorizar…. era o paraíso!As pensões actualmente “atacadas” com IRS e “não aumentos” eram pura e simplesmente “comidas” com umas desvalorizações estratégicas…
Mas em contrapartida com um Estado “monstro”, principalmente nos “boys” colocados a eito, este ainda precisa de “encomendar” os serviços duma longa lista de advogados… e “assessores” que curiosamente devem ser sempre “amigos” e de “confiança”.
Por outro lado “organizar” a produção nacional são os “governos” a dizer que isso é problema dos privados…
Mas importar , legalizar e nacionalizar a eito os descamisados do mundo já é uma função governamental…
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