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Política económica de Sócrates

28 Julho, 2008

A política económica de Sócrates funciona mais ou menos assim: Nós temos aqui milhares de empresas que conseguimos espremer. As contas do Estado estão, pelos padrões portugueses, mais ou menos em ordem. Vamos então pesquisar pelo mundo empresas estrangeiras que queiram investir em Portugal em coisas giras ou não tão giras para darmos um ar de modernidade e desenvolvimento. Claro que se as convidamos para vir cá, temos que lhes dar alguma coisa porque elas não aceitariam ser espremidas como são as empresas portuguesas. Vamos então dar-lhes benefícios fiscais. Esqueçamos que os mesmos benefícios fiscais, convertidos numa redução de impostos generalizada, poderiam fazer maravilhas pela economia portuguesa. O essencial é que nós, o governo, nos vejamos e sejamos vistos como agentes dinamizadores da economia. Para isso temos que destruir o que não é visto (aquilo que pequenas, médias e grandes empresas podem fazer sem a nossa intervenção), e realcemos o que pode ser visto por todos (todas as inaugurações e cerimónias de lançamento de mais um grande projecto).

PS – Se nós, o governo, queremos ser vistos como agentes directores da economia temos pelo menos que parecer estar a dirigir aquilo que na verdade é uma ordem espontânea, pelo que também nos interessa aparecer como agentes directores da mudança daquilo que mudaria de qualquer das formas.

73 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 16:02

    Grande post! Parabéns!

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  2. Pedro C.'s avatar
    28 Julho, 2008 16:07

    Bem observado! Nada a acrescentar.

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  3. caodeguarda's avatar
    28 Julho, 2008 16:08

    O Pinto de Sousa ainda o contrata para lhe escrever os discursos…

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  4. AS's avatar
    28 Julho, 2008 16:09

    «José Sócrates foi o melhor Primeiro-Ministro dos últimos 15 anos. E isto inclui a última fase de Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso e Santana Lopes.», JoaoMiranda, 7 Julho, 2008, em “Sócrates”

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  5. Tá Boa's avatar
    Tá Boa permalink
    28 Julho, 2008 16:12

    Estupendo post.

    Parabéns.

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  6. Luís Lavoura's avatar
    Luís Lavoura permalink
    28 Julho, 2008 16:20

    “os mesmos benefícios fiscais, convertidos numa redução de impostos generalizada, poderiam fazer maravilhas pela economia portuguesa”

    Poderiam fazer, mas também poderiam não fazer, e até poderiam piorar a economia portuguesa. Se, por exemplo, a redução de impostos generalizada fosse convertida em compras maciças de bens ao estrangeiro, isso em nada melhoraria a economia portuguesa. Se a redução de impostos generalizada fosse convertida num investimento maciço no setor imobiliário, isso dificilmente se pode dizer que melhorasse a economia portuguesa.

    No caso vertente temos uma redução de impostos aplicada a um investimento produtivo de bens transacionáveis, ou seja, aplicada muito especificamente àquilo de que a economia portuguesa necessita (a longo prazo).

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  7. Vítor Vilar's avatar
    28 Julho, 2008 16:30

    AS,

    O post do JoaoMiranda, não contradiz essa opinião. Eu penso exactamente a mesma coisa. São duas ideias separadas:

    – O desempenho é fraquíssimo
    – O desempenho é o melhor dos últimos 15 anos

    Certo?

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  8. F. Teixeira's avatar
    F. Teixeira permalink
    28 Julho, 2008 16:41

    Para o padrões de desempenho dos governos nacionais – de todos – o desempenho é alto. É o melhor dos últimos 15 anos. Não se perspectiva uma alternativa capaz de os atingir – já vimos, aliás, que os padrões da alternativa foram dos mais baixos quando governou. Que fazer?

    Esperar pelo Medina Carreira? Pela santinha da ladeira?
    Querem uma sugestão: emigrem.

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  9. Vítor Vilar's avatar
    28 Julho, 2008 16:50

    F.Teixeira,

    Na mouche.
    Para qualquer português na casa dos 30 (o meu caso) que pense em dois objectivos muito rudimentares para o seu futuro, como:
    1) Ter a garantia que sozinho, sem depender de filhos, poderá sustentar a sua velhice com dignidade.
    2) Que os seus filhos crescerão com um mínimo de oportunidades de integração na sociedade académica e posteriormente laboral.

    Bastando pensar nestes 2 objectivos, a única escolha racional é emigrar.

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  10. john's avatar
    john permalink
    28 Julho, 2008 16:53

    Tirando isso, que está muito bem o post e que mais e mais empresas, com mais ou menos benefícios, dirá Sócrates, é de louvar, de apetecer e atrair ao nosso meio, de forma a criar-se emprego pra toda a gente que trabalhar queira, coisa que eu dispenso, sobra o slogan vindo da Madeira, que este governo é uma perfeita afronta, dito só de outra maneira.

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  11. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 16:54

    Era bom que os deprimentezinhos emigrassem todos.

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  12. Vítor Vilar's avatar
    28 Julho, 2008 16:56

    Se os tais deprimentezinhos emigrassem, a diferença era nenhuma.
    O país já é arrastado pelos ignorantes, por isso…

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  13. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 17:01

    Pior é os ignorantes que acham que sabem tudo. E sao deprimentes até dizer chega. Acham que sabem tudo, que possuem a razao e tecem loas a outros que também nao se acham ignorantes, sao deprimentes até dizer chega.Eles é que sabem, os outros fazem tudo mal. Só que eles nao fazem nenhum.

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  14. caodeguarda's avatar
    28 Julho, 2008 17:05

    Caros F. Teixeira e Akula, não podia estar mais de acordo… aliás foi o que fiz… não sou propriamente um emigrante mas sou um “deslocado a tempo parcial” (o que é óptimo para ponderar calmamente um movimento mais “definitivo”)…

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  15. Vítor Vilar's avatar
    28 Julho, 2008 17:07

    Não concordo. Pior que um ignorante deprimente que até domina algumas noções (pelo menos ao ponto de ter uma opinião sobre elas que possa escrever num blog) é um ignorante que tem a certeza que não sabe puto de nada, nem quer saber.

    Aliás, a própria sociedade portuguesa vive um momento de evolução no seu estado de ignorância.
    Nunca no passado atribuíu valor a quem sabia alguma coisa, mas agora evoluíu a doença, agora está com raiva de quem sabe.

    Outra excelente razão para emigrar.

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  16. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 17:18

    Bela posta. É isto, ainda que pareça impossível que alguém possa fazê-lo num país europeu sem os seus Metellos dizerem “alto lá!” Não só não o dizem, como dizem “vamos lá”. A única coisa que destoa é a questão do défice: não está resolvido, está disfarçado e parte do princípio que o limite máximo de impostos cobráveis sem atrofiar a economia não existe. Do que não é visto destaca-se os critérios da união que vão para além do défice público: ninguém diz nada, a começar pelos senhores do “há vida para além do défice” e “as pessoas não são números”, que poderão aparecer após as eleições de 2009 com o discurso “eu bem disse que isto ia correr mal” , “estava-se mesmo a ver” ou “eu nunca apoiei aquilo”.

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  17. .'s avatar
    28 Julho, 2008 17:18

    Grande post.

    Mas o mais importante é que descobre a vocação da Direita: Não cobrar impostos desnecessários, mantende no entanto um Estado Social digno.

    A Direita devia defender o Estado Social para apenas os pobres e fracos e especializar em atacar toda a cobrança de impostos que vai para além disto.

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  18. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 17:19

    Qual opiniao? A opiniao é formatada. Se fosse o partido do governo o psd e fizesse o mesmo, já o poste era ao contrário.
    Varia. É apenas opiniao para o bota-abaixo politico. Chateia à bessa.

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  19. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:21

    Ai Miranda, quando com esse tipo de retórica engasgas basbacos eu sinto uma fadiga que nem sabes.

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  20. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 17:22

    “Pior é os ignorantes que acham que sabem tudo. E sao deprimentes até dizer chega. Acham que sabem tudo, que possuem a razao e tecem loas a outros que também nao se acham ignorantes, sao deprimentes até dizer chega.Eles é que sabem, os outros fazem tudo mal. Só que eles nao fazem nenhum.”

    O tempo do “Salazar é que sabe” foi ontem e há hoje mais deprimidos do que no tempo do Cavaquisto, apesar de Sócrates ter conseguido a maior maquia de sempre da União Europeia.

    Por falar em ignorantes, o Governo ainda não sabe que o novo CPP é um desastre de enorme gravidade, cujos resultados estão à vista.

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  21. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:24

    Ora, façamos como Descates e desmontemos o post e o seu fundamentalismo maniqueísta.

    “A política económica de Sócrates funciona mais ou menos assim: Nós temos aqui milhares de empresas que conseguimos espremer.”

    FALSO.

    E enfoque nas empresas serve apenas os objectivos retóricos do Miranda. A frase verdadeira é:

    A política económica de Sócrates funciona mais ou menos assim: Nós temos aqui milhares de CONTRIBUÍNTES que conseguimos espremer.

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  22. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:25

    “As contas do Estado estão, pelos padrões portugueses, mais ou menos em ordem.”

    VERDADEIRO

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  23. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 17:25

    Há dois anos Sócrates anunciava crescimentos percentuais fantásticos das eólicas. É que quando uma coisa parte quase do zero, qualquer crescimento é quase infinito.

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  24. caodeguarda's avatar
    28 Julho, 2008 17:31

    .

    Não é bem assim… em vez do estado social, somos nós que temos que dar as oportunidades a quem delas precisa, nomeadamente na selecção de que bens e serviços vamos adquirir e a quem.

    Um exemplo, há aqui perto do escritório um restaurante a cuja porta estão vários engraxadores… o pior de todos é um miudo com paralisia cerebral… normalmente e para meu prejuízo é o que eu escolho, não por caridade, mas porque é o que tem menos hipoteses de sair do banco de engraxador, pelo que dou o meu contributo “social” a minhas custas (até na qualidade do serviço), até porque sei que estou num local e que o estado vai fazer muito pouco por ele… mas em Portugal actuaria da mesma maneira. Se ele viesse pedir uma “gasosa” o mais certo era eu não dar nada…

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  25. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:33

    “Vamos então pesquisar pelo mundo empresas estrangeiras que queiram investir em Portugal em coisas giras ou não tão giras para darmos um ar de modernidade e desenvolvimento.”

    FALSO

    No caso das turbinas para eólicas saõ empresas de tecnologia avançada.
    No caso da Embraer é uma empresa de alta tecnologia.
    No caso da Intel é uma empresa de tecnologia de ponta.

    FALSO

    não é só o Sócrates que luta por esses investimentos: é todo o mundo civilizado. Nos USA os estados lutam entre si por esses investimentos. Por isso a frase verdadeira é:

    Vamos então COMPETIR COM AS ECONOMIAS AVANÇADA pesquisando pelo mundo empresas estrangeiras que queiram investir em Portugal em TECNOLOGIAS AVANÇADAS OU MESMO DE PONTA, COM GRANDE CAPACIDADE EXPORTADORA para darmos um ar de modernidade e desenvolvimento.

    fFica assim

    A política económica de Sócrates funciona mais ou menos assim: Nós temos aqui milhares de CONTRIBUÍNTES que conseguimos espremer.As contas do Estado estão, pelos padrões portugueses, mais ou menos em ordem.Vamos então COMPETIR COM AS ECONOMIAS AVANÇADA pesquisando pelo mundo empresas estrangeiras que queiram investir em Portugal em TECNOLOGIAS AVANÇADAS OU MESMO DE PONTA, COM GRANDE CAPACIDADE EXPORTADORA para darmos um ar de modernidade e desenvolvimento.

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  26. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 17:34

    ” política económica de Sócrates funciona mais ou menos assim: Nós temos aqui milhares de empresas que conseguimos espremer”

    É mas é tentar que nao seja preciso espremer as empresas portuguesas, cativando empresas estrangeiras, diminuindo o desemprego, diversificar a economia, para poder dimnuir os impostos.

    É só mesmo para o bota-abaixo.
    Todos os países, inlcuindo a Irlanda, os states fazem essa descriminaçao de impostos, mas só Socrates é que parece a ter inventado. Ainda por cima só de Socrates é que dizem mal… dasse!

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  27. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:34

    “Claro que se as convidamos para vir cá, temos que lhes dar alguma coisa porque elas não aceitariam ser espremidas como são as empresas portuguesas. Vamos então dar-lhes benefícios fiscais.”

    VERDADEIRO

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  28. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    28 Julho, 2008 17:36

    «para poder dimnuir os impostos.»

    Errado.
    Para se aumentar a despesa. Coisa que tem sido alcançada todos os ano com verdadeiro brilhantismo.

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  29. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:39

    “Esqueçamos que os mesmos benefícios fiscais, convertidos numa redução de impostos generalizada, poderiam fazer maravilhas pela economia portuguesa.”

    FALSO

    Maravilhas não fariam. Para dizer isso é preciso esquecer que em países com muito maior carga fiscal as empresas privadas fazem maravilhas e que em países com muito menor carga fiscal as empresas privadas são um desastre. O VPV já explicou mas os fundamentalistas não compreendem.

    Ficaria enbtão assim:

    A política económica de Sócrates funciona mais ou menos assim: Nós temos aqui milhares de CONTRIBUÍNTES que conseguimos espremer.As contas do Estado estão, pelos padrões portugueses, mais ou menos em ordem.Vamos então COMPETIR COM AS ECONOMIAS AVANÇADA pesquisando pelo mundo empresas estrangeiras que queiram investir em Portugal em TECNOLOGIAS AVANÇADAS OU MESMO DE PONTA, COM GRANDE CAPACIDADE EXPORTADORA para darmos um ar de modernidade e desenvolvimento.

    Claro que se as convidamos para vir cá, temos que lhes dar alguma coisa porque elas não aceitariam ser espremidas como são as empresas portuguesas. Vamos então dar-lhes benefícios fiscais.Esqueçamos que os mesmos benefícios fiscais, convertidos numa redução de impostos generalizada, poderiam ALIVIAR UM POUCO a economia portuguesa.

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  30. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:43

    “O essencial é que nós, o governo, nos vejamos e sejamos vistos como agentes dinamizadores da economia.”

    FALSO, iso é um processo de intensóes que presume que os socialistas não acreditam no socialismo (seriam tão liberais como o Miranda, mas por motivos desconhecidos decidiam lixar de propósito o próprio país).

    A verdade seria talvez:

    O essencial é que nós, o governo, SEJAMOS agentes dinamizadores da economia.

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  31. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:48

    “Para isso temos que destruir o que não é visto (aquilo que pequenas, médias e grandes empresas podem fazer sem a nossa intervenção), e realcemos o que pode ser visto por todos (todas as inaugurações e cerimónias de lançamento de mais um grande projecto). ”

    FALSO.

    Não destroiem, secundarizam. É FALSO tb que as grandes empresas (EDP, TMN, TV CABO, TAP, BRISA,ETC não sejam vistas.

    Fica pois:

    O essencial é que nós, o governo, SEJAMOS agentes dinamizadores da economia.Para isso temos que SECUNDARIZAR o que não é visto (aquilo que pequenas e médias empresas podem fazer sem a nossa intervenção), e realcemos o que pode ser visto por todos (todas as inaugurações e cerimónias de lançamento de mais um grande projecto).

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  32. AS's avatar
    28 Julho, 2008 17:51

    «- O desempenho é fraquíssimo
    – O desempenho é o melhor dos últimos 15 anos», Akula, 28 Julho, 2008 às 4:30 pm

    Qual é então o conjunto de critérios (classificação atribuída e importância relativa) que permite posicionar tal desempenho no 1.º lugar dos últimos 15 anos ?
    A política económica não parece ser. E vários outros possíveis critérios de avaliação têm sido objecto de crítica sistemática (ou seja, classificação atribuída baixa e importância relativa elevada) pelo mesmo autor em sucessivos posts.
    O que me leva à questão de partida: se o desempenho é assim tão fraco fará sentido hierarquizá-lo, atribuir-lhe um 1.º lugar, ao estilo “liga dos últimos” ?

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  33. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:52

    “PS – Se nós, o governo, queremos ser vistos como agentes directores da economia temos pelo menos que parecer estar a dirigir aquilo que na verdade é uma ordem espontânea, pelo que também nos interessa aparecer como agentes directores da mudança daquilo que mudaria de qualquer das formas.”

    FALSO

    OPS não acredita há muito tempo na direcção da economia. Muito menos o acredita após a entrada para a zona EURO.

    Fica então assim o seu post:

    PS – Se nós, o governo, queremos ser vistos como agentes REGULADORES da economia temos pelo menos que parecer estar a FAVORECER aquilo que na verdade NÃO É APENAS uma ordem espontânea, pelo que também nos interessa aparecer como agentes PROMOTORES da mudança daquilo que muda MAIS FACILMENTE COM UM BOM GOVERNO.

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  34. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 17:56

    Em resumo o post do Miranda fica :

    A política económica de Sócrates funciona mais ou menos assim: Nós temos aqui milhares de CONTRIBUÍNTES que conseguimos espremer.As contas do Estado estão, pelos padrões portugueses, mais ou menos em ordem.Vamos então COMPETIR COM AS ECONOMIAS AVANÇADA pesquisando pelo mundo empresas estrangeiras que queiram investir em Portugal em TECNOLOGIAS AVANÇADAS OU MESMO DE PONTA, COM GRANDE CAPACIDADE EXPORTADORA para darmos um ar de modernidade e desenvolvimento.

    Claro que se as convidamos para vir cá, temos que lhes dar alguma coisa porque elas não aceitariam ser espremidas como são as empresas portuguesas. Vamos então dar-lhes benefícios fiscais.Esqueçamos que os mesmos benefícios fiscais, convertidos numa redução de impostos generalizada, poderiam ALIVIAR UM POUCO a economia portuguesa.

    O essencial é que nós, o governo, SEJAMOS agentes dinamizadores da economia.Para isso temos que SECUNDARIZAR o que não é visto (aquilo que pequenas e médias empresas podem fazer sem a nossa intervenção), e realcemos o que pode ser visto por todos (todas as inaugurações e cerimónias de lançamento de mais um grande projecto).

    PS – Se nós, o governo, queremos ser vistos como agentes REGULADORES da economia temos pelo menos que parecer estar a FAVORECER aquilo que na verdade NÃO É APENAS uma ordem espontânea, pelo que também nos interessa aparecer como agentes PROMOTORES da mudança daquilo que muda MAIS FACILMENTE COM UM BOM GOVERNO.

    Agora sim podem comentar com transparência (desculpa lá estragar-te a retórica fundamentalista, Bom Miranda.

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  35. john's avatar
    john permalink
    28 Julho, 2008 17:59

    O problema, o grande drama nacional, que mal se fala e menos gente sabe é dois terços do que se produz ir logo todo direitinho a pagar o que se deve, que o Estado Sócrates e Teixeira deve, de maneira crónica, com a doença a agravar-se diariamente em profundidade e tamanho.

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  36. john's avatar
    john permalink
    28 Julho, 2008 18:00

    Mas é o que Santos silvas e mais aí anónimos não lembram.

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  37. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 18:06

    Vamos comentadores 1, 2 , 3 5 e 7.

    Vamos lá elogiar o post como ele ficou depois depurado do fundamentalismo irracional.

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  38. .'s avatar
    28 Julho, 2008 18:17

    O Gancho, irracional é você !

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  39. Marco Alves's avatar
    Marco Alves permalink
    28 Julho, 2008 18:20

    Bravo Capitão Gancho, bons posts.

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  40. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 18:37

    A política económica blasfema: durante os últimos anos queixaram-se do Porto e da TAP, etc e tal.
    Depois “endeusaram” a Ryanair. Cuja famosa base no Porto nunca mais se vê. A certa altura como seria de esperar a Lufthansa bazou do Porto. Hoje foi a Iberia a anunciar que se despedia do Porto. Algo não bate muito bem na política blasfema. Pelos vistos mal esteve a TAP em reapostar no Porto pois a maioria dos voos andam à moscas.
    É o chamado bloguismo de peritos que tanto escrevem sobre tudo e nada que raramente acertam. Sobretudo se for bloguismo regionalista.

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  41. Sofia Ventura's avatar
  42. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    28 Julho, 2008 19:01

    Anónimo (41)

    está mal informado.

    A Ryanir está de vento em popa no Porto, cada vez atrai mais clientes, tem aberto novas rotas e creio já vai em 10 camionetas diárias de passageiros vindos de Vigo.

    a base ainda não se concretizou e tudo aponta para que tal não aconteça devido ao facto de administração da monopolista e estatal ANA não saber fazer politicas comerciais.

    As grandes companhias é verdade tem tido dificuldades, que não espanta atendendo aos preços que levam. O que é bom por outro lado, mais e mais low cost tem vindo para Pedras Rubras, como a EasyJet entre outras.

    Que eu saiba a TAP não apostou coisa nenhuma no Porto, isto para ela é um terminal regional. Se quiser apanhar um voo para qualquer lado tem de parar sempre á ida e vinda no apeadeiro lisboeta. Deve ser para fazer de conta que a Portela está esgotada….

    E quem precisa da Ibéria se a Raynair voa por um 1/3 do preço para Madrid e Barcelona?

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  43. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    28 Julho, 2008 19:06

    Quanto a bloguismo regional é verdade e apenas digo que caso um dia as low cost saiam daqui por lhe dificultarem o negócio, sempre teremos a alternativa de Vigo a 60 minutos de distancia pela auto-estrada.

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  44. Pi-Erre's avatar
    Pi-Erre permalink
    28 Julho, 2008 19:14

    “Vamos então pesquisar pelo mundo empresas estrangeiras que queiram investir em Portugal em coisas giras ou não tão giras para darmos um ar de modernidade e desenvolvimento.”

    Por exemplo empresas capazes de criar tecnologias tipo vaporware.

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  45. Bonifácio's avatar
    Bonifácio permalink
    28 Julho, 2008 19:23

    Belo post. A questão económica ficou muito bem explicada. Agora falta um post com a mesma qualidade abordando o aspecto político.
    E depois há que se encontrar a solução…
    Eu em particular já começo a acreditar que não há mais juízes em Berlim. Por isso tendo a pensar que a solução deve ser algo entre o 9mm e o .500 ou entre o 5,56 e 7,62.

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  46. jose manuel faria's avatar
    28 Julho, 2008 19:23

    “Milhares de empresas que conseguimos espremer” e outras milhares que dão prejuízo todos os anos cujos patrões passam férias nas Caraíbas e mudam de carro todos os anos, e claro aquelas que abrem falência aqui e as portas acolá.

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  47. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    28 Julho, 2008 19:23

    empresas giras? A Ryanair. Se tivessem as benesses que pediam já achavam bem. Era a Ryanair.

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  48. Desconhecida's avatar
    ferro permalink
    28 Julho, 2008 19:24

    “E quem precisa da Ibéria se a Raynair voa por um 1/3 do preço para Madrid e Barcelona?”

    -quem não quiser voar espremido, com musica techno, demonstrações de vendas durante todo o voo, comprar raspadinhas, e ver hospedeiras com caras de infelizes.

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  49. Desconhecida's avatar
    ferro permalink
    28 Julho, 2008 19:24

    além disso a ryan air não faz barcelona, a menos que considere vigo como o porto.

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  50. Anónimo 2's avatar
    Anónimo 2 permalink
    28 Julho, 2008 19:25

    Akula Diz:

    “Outra excelente razão para emigrar.”

    Porquê ainda cá estás? è por solidariedade para com os ignorantes? Oportunismo ou falta de tomates para saires de cá?

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  51. Desconhecida's avatar
    Anímico permalink
    28 Julho, 2008 19:30

    CAA!! CAA!! CAA!!

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  52. Dasse's avatar
    28 Julho, 2008 20:18

    Pelos vistos, parte toda a gente do princípio de que essa jogada da Embraer é para levar a sério e vêm mesmo aí os tais 500 postos de trabalho.
    Ora, melhor seria pôrem-se a pau.
    Falamos um dia destes, tá?

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  53. Desconhecida's avatar
    Ferrinhos e Rodriguinhos permalink
    28 Julho, 2008 20:45

    o anonimo do comentario numero 41, está redondamente enganado. A Iberia pode ter deixado o Porto, no entanto, a Click Air (www.clickair.com) que é uma low-cost pertencente à Iberia continua a operar no Porto com rotas Porto-Barcelona.
    Em relaçao à Lufthansa: é falso, ainda há 2 semanas fiz Porto – Frankfurt num avião da Lufthansa 🙂

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  54. caodeguarda's avatar
    28 Julho, 2008 21:02

    “PS – Se nós, o governo, queremos ser vistos como agentes REGULADORES da economia temos pelo menos que parecer estar a FAVORECER aquilo que na verdade NÃO É APENAS uma ordem espontânea, pelo que também nos interessa aparecer como agentes PROMOTORES da mudança daquilo que muda MAIS FACILMENTE COM UM BOM GOVERNO.”

    Uma boa posta humorística…

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  55. Gabriel Silva's avatar
    Gabriel Silva permalink*
    28 Julho, 2008 21:20

    Ferro (50)

    «além disso a ryan air não faz barcelona, a menos que considere vigo como o porto.»

    atendendo ao preço/deslocação complementar, sim, é quase a mesma coisa. Tudo depende do que o cliente quiser. E este parece querer preferir voar com raspadinhas até girona por 50 euros do que pagar duas centenas directo a barcelona. O mesmo se passa com os viguenses e vizinhos, que parecem preferirem vir atá ao porto apanhar os low-cost em vez de terem de ir até Madrid.

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  56. jcd's avatar
    28 Julho, 2008 21:40

    “E quem precisa da Ibéria se a Raynair voa por um 1/3 do preço para Madrid e Barcelona?”

    -quem não quiser voar espremido

    Não há companhia em que se voe mais espremido do que na Iberia.

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  57. tina's avatar
    tina permalink
    28 Julho, 2008 22:20

    Bom post. Tema muito oportuno para o DN. Aquilo que faz a diferença entre um assunto pertinente e sério, e as opiniões ligeiras e pessoais que são a maioria dos artigos nos jornais.

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  58. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 22:32

    Dasse

    “Pelos vistos, parte toda a gente do princípio de que essa jogada da Embraer é para levar a sério “.

    Yah meu. São os mesmos que acham que a Renault Nissan vai trazer para cá (e para Israel e a Dinamarca) o carro eléctrico, e que os alemães vão construir a auto-europa!

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  59. Desconhecida's avatar
    Capitão Gancho permalink
    28 Julho, 2008 22:40

    Sério Tina?

    Em que sentido?

    No sentido da vulgar treta palavrosa terceiro mundista?
    No sentido Arroja? No sentido de manipulação primária?
    No sentido PinóquioSocrática?
    No sentido dos processos de intenções como fazem os retornados do antifascismo (Louçã e companhia)?

    O problema dos imitadores é o fundamentalismo maniqueísta (faz lembrar uns tipos do antigamente que eram mais salazaristas que o salazar).

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  60. PMS's avatar
    28 Julho, 2008 22:46

    “E quem precisa da Ibéria se a Raynair voa por um 1/3 do preço para Madrid e Barcelona?”

    “-quem não quiser voar espremido”

    Suponho que nunca tenha feito Porto-Lisboa na TAP. 45 minutos de atraso, lugares apertados, bagagens perdidas. É, companhias tradicionais são o máximo.

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  61. PMS's avatar
    28 Julho, 2008 22:48

    “Poderiam fazer, mas também poderiam não fazer, e até poderiam piorar a economia portuguesa. Se, por exemplo, a redução de impostos generalizada fosse convertida em compras maciças de bens ao estrangeiro, isso em nada melhoraria a economia portuguesa. Se a redução de impostos generalizada fosse convertida num investimento maciço no setor imobiliário, isso dificilmente se pode dizer que melhorasse a economia portuguesa.” Luís Lavoura

    Ah…o Luís Lavoura, se baixassem os impostos, ia gastar tudo em importações e imobiliário?!? Porque não faz isso já? E por que motivo haveriamos todos de fazer o mesmo?

    Não será expectável que os Sectores de Bens e Serviços Transaccionáveis, ao ver os seus custos reduzidos, aproveitassem para ganhar mais dinheiro?

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  62. Paulo Abrantes's avatar
    28 Julho, 2008 22:54

    Talvez seja porque ele (Sócrates) não gostava de entendia Hegel.

    O menino de ouro. Parte VII.

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  63. Desconhecida's avatar
    Ferrinhos e Rodriguinhos permalink
    28 Julho, 2008 22:56

    a clickair tem voos Porto – Barcelona…sim, os vôs são Pedras Rubras – El Prat del Llobregat

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  64. PMS's avatar
    28 Julho, 2008 22:58

    Só para não destoar… GANDA POSTA JOAO MIRANDA!!!!

    Vai já para o Norteamos… andamos no mesmo comprimento de onda a atacar a subsidiação de empresas.

    Entretando, o meu comentário à Embraer:
    Incentivo à Embraer corresponde a 1% do IRC
    http://norteamos.blogspot.com/2008/07/incentivo-embraer-corresponde-1-do-irc.html

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  65. PMS's avatar
    28 Julho, 2008 23:02

    Faltou só um reparo: é que a concessão de subsídios às empresas é também bom para assegurar o financiamento partidário e jobs for the boys when there’s a new political party in the government…

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  66. Desconhecida's avatar
    ferro permalink
    29 Julho, 2008 00:08

    a clickair só dificilmente pode ser considerada low cost. O el prat continua a abarrotar sem ryanair. Ademais já se viaja mais de madrid-barcelona de tgv do que de avião pese ser mais caro. O foco de interesse massiço que barcelona representa é que poderia ser alvo de uma reflexão. Patrimonio cultural diversificado e em bom estado, uma zona histórica completamente ocupada e com vida nocturna de excepção, programação cultural rica, constante e muitas vezes de borla. Uma das metrópoles mais ricas e atractivas, e de esquerda até à medula.

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  67. dragão azul's avatar
    dragão azul permalink
    29 Julho, 2008 00:14

    Quem dera haverem muitas empresas estrangeiras ou nacionais, a investir em “coisas giras” e a criar empregos especialmente em zona tão carenciadas como o Alentejo, Tras-os-Montes e tantos outros locais carenciados neste país. Exemplo de dirigismo económico ou não, o governo está de parabéns, pelo menos, neste investimento, que sem as boas relações criadas com o Brasil, teria sido impossível. Não fica mal reconhecer quando se trabalha bem e só se olhar para o que se faz mal, por bota-abaixismo.

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  68. Desconhecida's avatar
    29 Julho, 2008 00:31

    “Barcelona ….de esquerda até à medula”.

    Não sei o que é ser de esquerda! sei que a CyU continua a ser a força predominante da Região e que a Economia é bastante liberal por lá.

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  69. PMS's avatar
    29 Julho, 2008 10:24

    “Não fica mal reconhecer quando se trabalha bem e só se olhar para o que se faz mal, por bota-abaixismo.”

    E onde está o bom trabalho? Bom trabalho seria atrair a empresa sem lhe dar um tostão. Agora, a dar-lhe 1% do total do IRC cobrado em Portugal…dificil era que não viesse.

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  70. PMS's avatar
    29 Julho, 2008 10:25

    Ainda por cima, é selecção adversa. A empresa que vem para Portugal por causa de um subsídio é a mesma empresa que sai de Portugal quando o subsídio acaba.

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  71. Desconhecida's avatar
    Tribunus permalink
    29 Julho, 2008 13:04

    Socrates, nunca teve competencia, para ser primeiro ministro, ele próprio, deve ter ficado estasiado com a ideis e aterrorizado, pelas consequencias: começa aqui a politica da berraria, as ofensas a torto e direito (comportamento dos imcompetentes).
    Passaram-se 4 anos, o que está melhor em Portugal? a justiça
    continua de rastos, a educação è uma treta, o governo vive para o show. Viram alguma vez o Socrates fazer uma conferencia de empresa? falar aos portugueses com o sentido de estdo, que è habitual em cargos deste tipo? vimos entrevistas em que berrava com os entrevistadores! Estamos mais ricos ou pobres? MAIS POBRES! então para que serviu este individuo? o que vai ele prometer aos portugueses nas próximas eleições? mais do mesmo? não obrigado estmos farto dele e dos seus ministros da treta………………….

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  72. Ângelo Eduardo Ferreira's avatar
    30 Julho, 2008 15:03

    Política telefonista

    Vivemos num país onde a quase totalidade (mais de 90%) da dinâmica empresarial corresponde a pequenas (ou muito pequenas) e médias empresas. Além disso, são elas que empregam e permitem o sustento da maioria dos portugueses. Em Portugal, grande parte da criação de riqueza e de emprego está assente em dinâmicas empresariais de pequena dimensão, muitas vezes familiares.
    A nossa economia depende, e dependerá cada vez mais, não de milagres, mas da iniciativa dos portugueses, do seu grau de empreendedorismo, da coragem de correr riscos, da criatividade e capacidade de inovação, da dedicação ao trabalho. Já estaremos todos a pensar: ora, isso são boas notícias, porque os portugueses, em regra, e no devido contexto, são empreendedores, criativos, trabalhadores. Mais, nos quatro cantos do mundo, para onde emigraram, costumam ser trabalhadores apreciados e empresários de sucesso.
    Há, no entanto, no nosso país, muitos aspectos a modificar – desde logo ao nível da qualificação –, para que o contexto seja apropriado ao desenvolvimento económico e social, ao progresso que todos desejamos. As apostas necessárias para criar um ambiente favorável ao progresso podem ser muitas e complexas, mas uma é notória e urgente: exigir um Estado árbitro, isento, rigoroso e transparente. Um estado menos jogador (intervencionista), que vicia e altera permanentemente as regras do jogo, e que, vez sem conta, sob a desculpa de estar a intervir para nosso bem, não se percebe que interesses beneficia.
    Assim, ganha enorme relevância, para a actividade económica livre e concorrencial – a única que serve aos cidadãos –, o desempenho da Justiça e da Administração Pública, seja central ou local. Há umas semanas atrás, no programa Prós e Contras, o Dr. Basílio Horta, presidente da Agência Portuguesa de Investimento, que tem entre as suas missões a captação de investimento estrangeiro, disse, vangloriando-se das conquistas recentes da API, e procurando elogiar o governo, que o Primeiro-Ministro e o ministro da Economia se tinham empenhado pessoalmente em muitos dos casos, tendo chegado a fazer telefonemas para desbloquear “constrangimentos burocráticos”. Disse-o como se essa fosse tarefa para os principais responsáveis pelo nosso governo. Fantástico. Certamente que, entre os que assistiam, muitos terão aplaudido essa discriminação positiva em favor do desenvolvimento do país. Eu não.
    Um dos males da nossa democracia, pouco madura, reside na necessidade dessas intervenções, desses telefonemas a desbloquear “situações”. O pior é que a maioria dos cidadãos ou empresários não têm a quem telefonar. Aquilo que acontece ao nível do governo, acontece também a todos os níveis da administração pública por aí abaixo – há quem consiga esse vantajoso grau de proximidade com o poder, mas a grande maioria não o consegue. Além de que esse é um modelo abjecto.
    A par com essa mania de tirar o chapéu aos grandes e aos compadres, há todo um tecido empresarial, de iniciativa, de trabalho, que não merece sequer o menor respeito: apenas o acesso a uma administração simples, eficiente, imparcial, que evite a necessidade de telefonemas especiais.
    De que valem a “empresa-na-hora” e o tão pregado “pensamento positivo”, se depois há uma fileira de “pequenos poderes” espalhados por múltiplos organismos, que tão difícil tornam a iniciativa a um potencial empresário?
    Sem a isenção da Administração Pública e dos seus responsáveis, sem a simplificação de procedimentos, e sem uma Justiça actuante e célere, acessível a todos, os empreendedores cairão em desânimo e abdicarão. Ficará apenas o deserto do favorecimento aos grandes investimentos, nalguns de rentabilidade questionável, e ao pequeno compadre.
    É a hipoteca do nosso futuro. É a cegueira política, que permite que a árvore esconda a floresta.
    Publicada por AEF Guardado no baú: Crónica Diário de Aveiro, Estado vs Mercado

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