Excelente texto
16 Outubro, 2009
Este, do Rui Albuquerque. Acrescentaria apenas que o carácter hereditário da função do chefe de estado não é um elemento essencial do regime monárquico.
45 comentários
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Este, do Rui Albuquerque. Acrescentaria apenas que o carácter hereditário da função do chefe de estado não é um elemento essencial do regime monárquico.
sim, mas as monarquias, quaisquer que sejam, padecem todas do velho problema de como substituir o chefe de estado, quando incompetente, sem derramamento de sangue ou revolução.
Nesse particular, a república, quando democrática, cumpre plenamente essa necessidade vital de uma sociedade política aberta.
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Ao contrário do que Tiago Ramalho defende, a monarquia não é um regime anti-democrático. No entanto, é um regime idiota. Como disse Ferreira Fernandes há uns tempos, “quando quero jogar vou ao casino”. Não vale a pena andarmos a apostar que o filho do rei é melhor que todos os outros cidadãos para assumir o cargo.
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Acontece que um rei nunca é incompetente, porque as competências que se lhes exigem são de tal modo formais, que um robot com um manto de arminho e uma coroa na cabeça poderia desempenhar.
E têm descendência, com robots de nova geração.
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em França e G.Bretanha vários perderam a cabeça
houve monarquias não hereditárias em que os reis eram eleitos por conselhos
o rei Wamba (visigodo) foi afastado sem derramamento de sangue. deram-lhe uma poção provavelmente com extracto de flor de giesta, foi declarado morto, tonsurado e internado num convento.
não morro de satisfação por qualquer dos sistemas politicos
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Pois é um excelente texto o do Rui Albuquerque. E também é uma grande verdade que o carácter hereditário nunca bastou para aclamar um monarca, como a nossa História bem o exemplifica. Bastaria recordar a crise de 1383-85.
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E uma monarquia nunca foi nem é, um regime político.
Mas isso já parece demais para quem papagueia umas tretas ao acaso.
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Não, não padecem desse problema. Bastaria estudar a nossa História para entender que houve monarcas depostos e substituídos sem qualquer revolução.
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Por outro lado, bastaria estudar um fenómeno interessantíssimo que é a tradição democrática inglesa, que sempre teve monarquia e onde os partidos políticos se originaram a partir das seitas religiosas.
Num dos raros momentos de deposição da coroa para se instaurar a república, sim, houve revolução e derrame de sangue em abundância.
Para isso bastaria estudar Cromwell e as forças “ideológicas” que o apoiaram.
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Pegando no fio à meada, até iam mais longe- à ligação entre as utopias racionalistas e as “Repúblicas ideias”.
E estas sim, tendiam a ser cortes com a tradição, por imposição de “cúpula espiritual”.
(a ver se o nick já não está bloqueado)
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http://infamias-karocha.blogspot.com/
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deveria ser fixe viver em mongarquia, the motherfucker dynasty.
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Gabriel, em matéria de derramamento de sangue, os primeiros 10 anos da nossa república foram bem mais negros que os últimos 80 da monarquia. Esta não é, por outro lado, incompatível com um sistema de deposição pacífica do rei, em casos de manifesta incapacidade para o cargo. Em contrapartida, a eleição directa do presidente (que nem sequer está presente em todas as repúblicas, como o Rui bem refere no texto) nunca impediu que notórios imbecis fossem eleitos e até reeleitos para tal cargo.
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E ora imaginem que Cavaco era a presente figura da nossa pobre monarquia, ou que o era Sampaio, ou o Soares, ou o Ramalho Eanes, pu, concedo, lá fosse o D. Duarte, assim cognominado….
Vocês estavam sarisfeitos?
Yo, se lo juro, seguramente, no. Por lo tanto,
oh, por lo tanto, deja andar, que de lo mal el meno, y le va así muy bien.
Y tu te calla, ahi, también, caray!
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“os primeiros 10 anos da nossa república foram bem mais negros que os últimos 80 da monarquia.”
Ih, mas os oitenta, aí, ou oitocentos primeiros da monarquia, ó Loureiro, foi aquela sangueira, ao que parece, meu deus!
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E falando estas coisas, até princesas, que há uns anos, sonhadoramente, eu adorava, até essas, em passando o tempo, dão numas cabras, às vezes.
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olha! olha! cópula espiritual, esta mazie é danada prá galhofa.
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Nenhum homem ou mulher que ame a liberdade pode viver livre se não puder escolher, de uma forma ou de outra, aqueles que devem administrar os assuntos da sua comunidade.
Se este é escolhido por aqueles que foram por ele escolhido ou se é escolhido directamente por ele, certamente que esses homens e essas mulhers que amam a liberdade serão sempre mais livres do que aqueles que nunca o puderam fazer.
E se um punhado de homens e de mulheres proclamar que a prisão é a liberdade, digam-me se isso é mesmo verdade, amantes da liberdade.
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O CAA é uma pessoa que só se preocupa com comida e vingança de uma maneira obsessiva.
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“O CAA é uma pessoa que só se preocupa com vingança comida de uma maneira obesiva.”
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O texto do RA é intelectualmente desonesto. Além de usar argumentos falaciosos, escamoteia a hereditariedade e a periodicidade das “assembleias constituintes que elaboram as constituições monárquicas”…
Já agora, o Carlos Loureiro e o RA são monárquicos?
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Quero lá saber se isto é uma república ou uma monarquia.
O que me interessava era que isto fosse uma democracia liberalista e não esta treta de “democracia” socialista que nos leva alegremente a caminho da sovietização.
Ainda vamos ter de andar de Trabant. E é um pau!…
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Caro João Fennandes
Um amante da liberdade não elege quem lhe governe, governa-se.
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Eu sou adepto de uma democracia libertina.
E, se podermos eleger o rei, então sou monarquico e proponho a Tété como candidata, sempre tem mais piada que o duartinho palhaço.
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#20:
E a periodicidade das assembleias constituintes que elaboram as constituições republicanas, que instituem os presidentes e, por exemplo, proibem o referendo sobre a natureza do estado, como a actual Constituição Portuguesa? O facto de ter 34 anos também lhe retira democraticidade? E o que tem a dizer sobre a Constituição Americana, caso não saiba, de 1787? Os EUA serão um estado fascista por não disporem constitucionalmente sobre o Presidente da Administração há mais de 200 anos?
E, já agora, diga lá quais foram os “argumentos falaciosos” que utilizei no post, caso saiba o que essa expressão quer dizer.
Aproveitando, caro Carlos, obrigado pela referência e um abraço,
RA
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“Acrescentaria apenas que o carácter hereditário da função do chefe de estado não é um elemento essencial do regime monárquico.”
Nada essencial, de facto na maioria das monarquias o trono não se herda.
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#24
“Designa-se por falácia um raciocínio errado com aparência de verdadeiro. O termo falácia deriva do verbo latino fallere que significa enganar. As falácias que são cometidas involuntariamente, designam-se por paralogismos; as que são produzidas de forma a confundir alguém numa discussão designam-se por sofismas.”
Lendo atentamente, chega a conclusões sozinho…
E já agora, é monárquico?
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Caro LA-C,
É verdade que na maior parte das monarquias o trono é hereditário. Isso não impede que tenha havido e continue a haver monarquias em que tal nao sucede, como acontece com a mais antiga monarquia europeia, na qual pode ser eleito chefe de estado qualquer homem, desde que seja católico. Daí que atacar o regime monárquico com tal argumento, em abstracto, seja, a meu ver, errado. Tão errado como criticar o regime republicano generalizando um dos muitos casos falhados.
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Caro Carlos,
Se pomos de parte a hereditariedade do torno e dizemos que qualquer pessoa pode ser eleita vitaliciamente, então, de facto não temos monarquia, apenas temos uma república em que o presidente é eleito vitaliciamente. Se lhe quiserem chamar monarquia tudo bem. Aliás, até podem chamar monarquia ao regime em que o Rei é eleito de 5 em 5 anos e qualquer pode candidatar-se a Rei. Essa é uma monarquia que teria o meu apoio.
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“a mais antiga monarquia europeia, na qual pode ser eleito chefe de estado qualquer homem, desde que seja católico.”
Já agora, fiquei curioso. De que país fala o Carlos Loureiro? (Não há aqui ponta de ironia, é mesmo curiosidade)
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Numa Monarquia o Rei é escolhido por vários órgãos consultivos, e obrigatoriamente aprovado no Parlamento (no caso português esta seria a única desgraça, atendendo à qualidade do dito…).
Límpido.
Na República Portuguesa, o Presidente é escolhido nuns jantares no Hotel Altis e outros, secretamente, por diversos acordos de interesses de grupos semi-mafiosos. O resto é feito pelas empresas encarregues de tal: o tratamento da imagem, das palavras que deve dizer, no martelar insinuoso das 8horas da noite, nos debates com os especialistas do costume, e no dia do voto tudo estará seguro: o “candidato” é eleito, desfeita que está toda e qualquer resistência moral e mental que os eleitores sejam (ainda) capazes de apresentar.
Claro que, na impossível hipótese de haver um referendo ao Regime, tudo isto funcionará (como aconteceu no Brasil) para que a República continue de vento em popa.
E nesse aspecto, Dom Duarte bem tem ajudado: rodeado pela tralha humana e social que o acompanha, a República nem precisará de fazer campanha.
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««Já agora, fiquei curioso. De que país fala o Carlos Loureiro? (Não há aqui ponta de ironia, é mesmo curiosidade)»»
http://en.wikipedia.org/wiki/Elective_monarchy
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# 30.Abrilistas Anónimos disse
«Numa Monarquia o Rei é escolhido por vários órgãos consultivos, e obrigatoriamente aprovado no Parlamento (no caso português esta seria a única desgraça, atendendo à qualidade do dito…).
Límpido.»
Tou mesmo a ver. Esses vários orgãos consultivos, seriam constituidos só por monárquicos impolutos eleitos ou nomeados por outros imaculados monárquicos, nada de despreziveis republicanos.
Ai, esse vosso complexo de superioridade moral.
Vou ali vomitar e já volto.
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JMiranda, agradeço o link. Mas neste link, de relevante, apenas aparece:
“Currently, the world’s only true elective monarchies are:
Malaysia, where the Yang di-Pertuan Agong (Supreme Head of State) is elected to a five-year term. Nine hereditary rulers from the Malay States form a Council of Rulers who will determine the next Agong. They use a system of rotation, originally based on seniority, and decisions are made via a secret ballot amongst the council members.
The Kingdom of Cambodia, in which kings are chosen for a life term by The Royal Council of the Throne from candidates of royal blood.
Kuwait, where the Emir must be ratified by a vote of the parliament.
The United Arab Emirates, where the President and the Prime Minister are elected by the Emirs, but had been in effect hereditary to the Al Nahyan clan of Abu Dhabi and the Al Maktoum clan of Dubai respectively.
The Vatican, where the Pope is elected by the College of Cardinals.”
E não me parece que nenhum destes exemplos se insira no que o carlos Loureiro disse, de qualquer um se poder candidatar a rei e poder ser eleito.
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LA-C,
Vaticano: “pode ser eleito chefe de estado qualquer homem, desde que seja católico”.
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Será que compreendi bem, o Carlos LOureiro e o João Miranda estão a dizer aqui ao maralhal que o exemplo europeu actual de monarquia electiva é a ICAR?
É que se é, bem que podem utilizar o exemplo como papel higiénico.
E que exemplo tão democrático!
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Bem, confesso que nunca tinha pensado no Vaticano como um exemplo de Monarquia. Mas ok, acho que já fiquei esclarecido.
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É interessante como esta questão da monarquia/ república exalta tanto os ânimos. Freud deve explicar, mas enquanto lá não chegamos, parece-me que há repúblicas que são muito mais monárquicas que certas monarquias e vice-versa. Um historiador contou-me que na Roma Antiga a monarquia nunca foi abolida formalmente: os poderes do rei (função então não forçosamente hereditária) foram diminuindo de tal modo que às tantas ficou reduzido (já durante a República) a um mero cargo religioso, tipo mordomo permanente da Irmandade de São Judas Tadeu. Não sei se é verdade, mas é curioso. O que eu creio é que se viesse a monarquia (constitucional) o D. Duarte iria ter muito menos liberdades do que aquelas de que actualmente desfruta; pelo menos não seria autorizado a falar tanto.
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«Vaticano: “pode ser eleito chefe de estado qualquer homem, desde que seja católico”.»
Pá… não é assim tão simples, tem que ser cardeal, portanto um sacerdote, e ter menos de 80 anos.
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Em teoria, um cardeal não tem que ser sacerdote.
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E esqueci-me de dizer no post acima, que não basta ser-se catolico nem sequer cardeal para se ser chefe de estado do Vaticano. Tem que se ser eleito apenas por outros cardeais.
Isso basicamente seria o equivalente a dizer que a União Sovietica era uma uma democracia já que bastava ser-se comunista para se ser secretario geral.
Ai é que reside o problema de se querer confundir uma monarquia electiva com um sistema democratico onde tanto o candidato a um cargo publico nem aqueles o o elegem estão obrigados a pertencer a um grupo restrito como por exemplo serem descendentes de uma determinada figura notavel de antanho.
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sem dúvida, há PR que são bestas assassinas, tipo Fidel, Kadhafi, Mugabe, Bashir do Sudão, etc. Mas o k é muito estranho é o timing desta discussão…exacto, agora k temos o melhor PR pós 25 Abril. Qdo Soares utilizava o cargo para negociatas sujas (livro do Rui Mateus) é k esta discussão tinha razão de ser!!!
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Caro Confúcio:
Fiquei muito defraudado com o seu comentário em relação ao meu anterior.
Seleccionou uma parte, a que lhe interessa: omitiu o resto, sobre o qual gostaria de saber a sua opinião.
Assim não dá.
Se tiver a gentileza de deixar o seu email, ou site, terei muito gosto em debater esses e outros pontos consigo.
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Este texto é de facto uma boa resposta ao do outro. Mas, por amor de Deus, não percam mais tempo com este assunto. Ainda se discutissem a extinção da figura “chefe de estado”…
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A hereditariedade não é, de facto, o elemento fundamental de uma Monarquia.
No caso Português, vários são os exemplos que se podem dar a este respeito:
1.º- A Monarquia Portuguesa deriva, como todas as peninsulares, de uma Monarquia electiva: a visigoda. A afirmação da hereditariedade surgiu nos primeiros séculos de independência; muito graças à influência da Igreja, apostada em evitar conflitos sangrentos entre os vários candidatos ao trono. Uma boa prova do que afirmo, são os testamentos dos nossos primeiros Reis: se fizeram testamentos, foi porque as regras sucessórias estavam ainda muito mal definidas na consciência colectiva da nação;
2.º- Na nossa Historia, e com a excepção do período que decorre entre 1698 e 1820, sempre* se reuniram Cortes para aclamar Rei. Este acto de aclamação era o reafirmar da origem sinalagmática das nossas instituições políticas. Às quais, designei até de «Monarquia Popular».
3.º- A linha sucessóra é, tão-só, uma indicação a seguiir numa Monarquia. Por vezes segue-se, outras vezes não. Por exemplo em 1385: as Cortes de Coimbra aclamaram o Mestre de Avis, como Rei D. João I, contra a «legitimidade» dinástica de D. Beatriz; as Cortes de Tomar de 1581, aclamaram (contra as regras o Direito Português) Rei de Portugal Felipe II de Castela (escrevo com e porque o cavalheiro não era Português), contra a verdadeira legitimidade da Sr. Dona Catarina de Bragança (a Restauração desta legitimidade ocorreria, tão-só, na luminosa manhã de 1 de Dezembro de 1640 com Sr. D. João IV, seu descendente)
*-D. Pedro I do Brasil, nunca foi aclamado Rei de Portugal.
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Sem resposta (EMS, 40),
«… não basta ser-se católico nem sequer cardeal para se ser chefe de estado do Vaticano. Tem que se ser eleito apenas por outros cardeais.
Isso basicamente seria o equivalente a dizer que a União Sovietica era uma uma democracia já que bastava ser-se comunista para se ser secretario geral.
Ai é que reside o problema de se querer confundir uma monarquia electiva com um sistema democratico onde tanto o candidato a um cargo publico nem aqueles o o elegem estão obrigados a pertencer a um grupo restrito como por exemplo serem descendentes de uma determinada figura notavel de antanho.»
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