Medidinha do dia

CDS-PP propõe entrega do subsídio de desemprego a empresas que contratem trabalhador sem termo

1. Todos os meses há milhares de trabalhadores que são despedidos e milhares que são contratados. Se o CDS quisesse pagar às empresas que contratam desempregados, estaria a pagar por aquilo que as empresas já fazem. Seria dinheiro deitado fora de efeito acrescido nulo.

2. O CDS limita a medida às contratações sem termo. Mas haverá assim tantas empresas dispostas a contratar desempregados sem termo? Numa empresa costuma haver um período de anos em que o empregado fica a recibos verdes ou a termo. Só os trabalhadores mais antigos é que costumam passar a contrato sem termo. Existem empresas dispostas a passar um desempregado à frente de todos os restantes trabalhadores com contrato a termo apenas para receber um subsídio?

3. Se se admite que a contratação de desempregados através de contratos sem termo é frequente, então tem que se admitir que o subsídio do CDS seria sobretudo usado pelas empresas que o fariam de qualquer das formas. O subsídio do CDS seria usado sobretudo pelas empresas que contratariam desempregados sem termo mesmo que o subsídio não existisse.

4. A medida do CDS pode ser usada pelas empresas que pretendem passar trabalhadores a termo para contratos sem termo. Basta despedir os trabalhadores em causa e voltar a contratá-los outra vez. Este truque nem precisa de ser feito pela mesma empresa. Pode ser feito por empresas diferentes do mesmo grupo.

5. As empresas têm que evitar obrigações de longo prazo como os contratos sem termo. O CDS em vez de contribuir para que surjam formas de contratação mais flexíveis, prefere tentar subornar as empresas para adoptarem a forma de contratação mais inflexível. Não é racional e distorce o mercado.

6. Subjacente a esta medida está a ideia de que as contratações sem termo reduzem os custos de longo prazo da Segurança Social. Mas não é verdade. O facto de uma empresa contratar um empregado sem termo ao abrigo desta medida não a impede de evitar a contratação a termo de outro a curto prazo. As empresas têm flexibilidade suficiente para substituir as potenciais contratações sem termo umas pelas outras.

7. Esta medida do CDS cai na categoria da medidinha. Como não há coragem para enfrentar os problemas de inflexibilidade do mercado de trabalho, inventam-se medidinhas deste tipo que não resolvem nada mas enchem os telejornais.

19 Comentários

  1. lucklucky
    Posted 23 Dezembro, 2009 at 21:30 | Permalink

    Quanto menos emprego pior fica a Segurança Social…

  2. Anónimo
    Posted 23 Dezembro, 2009 at 21:42 | Permalink

    O CDS-PP está sempre a proteger os coitadinhos dos empresários (tão desprotegidos que eles estão)

  3. Posted 23 Dezembro, 2009 at 21:46 | Permalink

    mais uma pró deserto das ideias…

  4. anónimo
    Posted 23 Dezembro, 2009 at 21:54 | Permalink

    e ainda gastam teclado com as originalidades do cds? o miranda tem inveja da ideia não ser dele.

  5. anónimo
    Posted 23 Dezembro, 2009 at 22:15 | Permalink

    Apreciem enquanto lêem os comentários:

  6. anónimo
    Posted 23 Dezembro, 2009 at 22:40 | Permalink

    luciana serra inter-preta ferreira leite, atenção às cristaleiras.

  7. j
    Posted 23 Dezembro, 2009 at 22:43 | Permalink

    Dia estranhissimo para mim, após (até) concordar com uma medida do CDS! passei a des-concordar com a argumentação do João Miranda!

  8. Manolo Heredia
    Posted 23 Dezembro, 2009 at 22:47 | Permalink

    “O trabalhador por conta de outrem é o maior inimigo da economia”. É a ideia que se tenta impingir à opinião pública desde há décadas. Pois sendo a produtividade a grande culpada da falta de competitividade da economia (portuguesa, europeia), quanto mais automatizadas estiverem a indústria e os serviços, melhor.

    Esta lógica destruiu milhões de postos de trabalho nos últimos 30 anos, conduziu à utilização maciça de autómatos programáveis e robots na indústria, caixas automáticas nos bancos e nos transportes, e na Internet foram transferidas para o utilizador muitas tarefas que eram executadas por pessoas que tinham um emprego.

    Se esta lógica não mudar cada vez o desemprego aumenta mais. Ou deixa-se morrer à fome os desempregados, ou dá-se-lhes um subsídio de sobrevivência. A eutanásia ainda não é legal.

  9. anónimo
    Posted 23 Dezembro, 2009 at 22:52 | Permalink

    “mais uma pró deserto das ideias…”

    diria mesmo, mais duna pró deserto…

  10. Anónimo
    Posted 23 Dezembro, 2009 at 23:05 | Permalink

    E eu pensava que quem passava recibos verdes era um empresário individual, autónomo, próspero, expoente máximo do individualismos e da livre iniciativa. Chego aqui e leio que os recibos verdes também são passados por “empregados”…

  11. Q
    Posted 24 Dezembro, 2009 at 01:07 | Permalink

    Postezinho do dia…

  12. Helder
    Posted 24 Dezembro, 2009 at 02:38 | Permalink

    Cada dia que passa, mais me parece que o único com medidas decentes é o PCP. Mas isto sou eu…

  13. Anti-liberal
    Posted 24 Dezembro, 2009 at 03:21 | Permalink

    .

    Eu queria ver era estes comentadores da treta a criticar as pseudo-ideias dos chuchalistas. São esses é que nos estão a destruir.

    Nuno

  14. Zenóbio
    Posted 24 Dezembro, 2009 at 11:24 | Permalink

    João Miranda,

    Então não concorda com uma medida tão sábia e amiga dos empresários criativos? Não está a ver as resmas de pedidos de demissão assinados em branco, guardados no cofre do patrão, à espera que o tal empregado contratado sem termo se “canse”, e queira “sair” da empresa?

  15. o santo
    Posted 24 Dezembro, 2009 at 12:55 | Permalink

    Os dias passam e cada vez está mais perto o dia da refundação. O dia em que todos vós, com opiniões estéreis, vão tê-las bem longe daqui.

  16. cm
    Posted 24 Dezembro, 2009 at 12:55 | Permalink

    Estou de acordo com esta medida do CDS, desde que:
    1. As empresas entreguem uma garantia bancária do dobro do que receberem da Segurança Social, até passar o dobro do tempo que o trabalhador iria estar a receber o subsídio de desemprego.
    2. As empresas sejam obrigadas a devolver em dobro o que receberam da SS, caso despeçam o trabalhador, por qualquer motivo, antes do final do período do desemprego.
    3. As empresas sejam obrigadas a devolver o que receberam, caso o trabalhador se despeça antes de passado o dobro do tempo que iria estar no desemprego.

    Mas é claro que assim eles já não querem. O que eles querem é uma lei que permita às empresas receber dinheiro da SS, isto é, engordar os patrões à custa dos trabalhadores. Contrata, recebe subsídio, despede (ou faz a vida negra). Contrata outro, recebe subsídio, despede. E assim por diante, até não haver mais Mercedes e jipes para comprar.

  17. anónimo convicto
    Posted 24 Dezembro, 2009 at 17:30 | Permalink

    CM,

    Você não entende que as empresas não iriam despedir ninguém? Iriam apenas lamentar a decisão dos trabalhadores terem entregue o tal pedido de demissão “voluntáriamente” assinado sem data.

  18. Dinis
    Posted 29 Dezembro, 2009 at 01:23 | Permalink

    Caro João Miranda,
    Tenho estado a ler os seus twites (?) agora mesmo e o diálogo que tem mantido com o Pedro Morgado. Eu juro, mas juro mesmo, que se responder a este comentário eu logo de seguida lhe envio a minha identificação completa. Donde e portanto me sinto legitimado para lhe dizer que as suas opiniões sobre o “interior” são de tal forma espatafurdias que eu, conquanto tenha tempo e disponibilidade, não descansarei até o desmascarar: ou vc é um louco com muito tempo disponível ou tem uma agenda política de nível tºão elevado que eu não consigo atingir. Seja como for, o que o distingue de um´perigoso boçal e ignorante atroz é o facto de dispor de uma ligação adsl.


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