Pior é impossível
Porque será que o estado se financia da pior forma? O Governo poderia colocar parte da dívida recorrendo à poupança interna, através de títulos do Tesouro, desde que estes fossem remunerados de forma minimamente atractiva. Mas não.
Inexplicavelmente (ou talvez não…) contrai empréstimos junto dos bancos, pagando-lhes taxas de cerca de sete por cento, quando aqueles se financiam junto do Banco Central Europeu a um por cento.
A manter-se este sistema, só com as emissões de dívida pública prevista para 2011, de cerca de 47000 milhões de euros, os financiadores irão ter um lucro estimado de 2800 milhões, o que é aproximadamente o montante a arrecadar com o acréscimo no IVA. Está encontrada a fórmula mágica que permite usar os impostos como mecanismo de transferência dos recursos directamente dos pobres para os ricos.

Há uns meses foi proposta a criação de um instrumento de dívida acessível aos particulares, diferente dos (moribundos) certificados de aforro:
aqui. O Governo criou os “certificados do tesouro”, diferentes, em muitos aspectos, daquela proposta. Além de os juros nos primeiros 5 anos serem baixos (parecem aqueles depósitos a prazo com taxas crescentes, que só pagam juros que se vejam no último trimestre de não sei quantos anos) , os certificados não são transmissíveis senão por morte e o valor de subscrição mínima afasta os muito pequenos aforradores, grandes clientes, há não muitos anos, dos certificados de aforro: lembro-me de um colega da Faculdade, no início dos 90, que, desde o primeiro ano, todas as sextas-feiras ia religiosamente aos CTT comprar dois ou três certificados de aforro com o que poupara, em café não bebido e cigarros não fumados, da parca semanada que recebia…
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Um comentário do Arrastão transformado em post no Blasfémias?!?
Que aconteceu?
Caiu o Carmo e eu não vi?
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É pá, será que o ministro da economia anda a dormir e não vê esta solução fácil e milagrosa?
Têm a palavra os entendidos na matéria.
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O Estado português empresta aos investidores estrangeiros nas condições seguintes:
– furo 7% ao ano
– capital não garantido
– hipotética devolução do capital ao fim de 10 anos
.
Se a taxa for de 5% eles não aceitam. Algum pequeno investidor estaria disposto a aceitar? Qual seria o dinheiro que Portugal conseguiria mobilizar desta forma?
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Resumindo os portugueses deveriam financiar a Dona Branca(aka: Estado Português) em vez dos estrangeiros.
Lê-se cada coisa.
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Um excelente post que eu nunca imaginaria ver publicado no Blasfémias.
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Este governo está a proteger os bancos nacionais que compram a divida a 6% e depois vão ao BCE e recebem dinheiro a 1%.
A destruição dos certificados de aforro teve o mesmo objectivo deliberado. Os bancos como contrapartida continuam a apoiar as empresas e os capitalistas do sistema (as das SCUTS, etc).
A divida do estado tem um risco equivalente à dos depósitos bancários, pelo que o governo facilmente poderia subir os juros dos certificados de aforro pelo menos para 3%.
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««Este governo está a proteger os bancos nacionais que compram a divida a 6% e depois vão ao BCE e recebem dinheiro a 1%.»»
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Empresto-lhe já 10 000 euros a 1%/ano durante 1 mês se me emprestar a mim 10 000 euros a 6%/ano durante 10 anos. Interessado?
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O problema é que o Estado não está ao serviço das pessoas comuns. E as pessoas comuns não oferecem grandes empregos ao fim das comissões de serviço no Terreiro do Paço. A transferência de recursos dos pobres para os ricos, aliás, ilustra este caricato socialismo à portuguesa, que arrastou a ausência de credibilidade até às mais altas esferas. De tal modo que até pode ser vista, a olho nú, de diversos pontos do estrangeiro.
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Em Portugal não há incentivo à poupança e existe uma obsessão em privilegiar a banca. Alguns exemplos. Deduções fiscais na compra de casa ou obras que se façam. Se eu contrair um crédito bancário tenho acesso às respectivas deduções no IRS. Se eu fizer isso sem recorrer a empréstimos, usando as minhas poupanças conseguidas com esforço, não tenho deduções. Haverá exemplo mais absurdo ?
Mas há muitos outros, por exemplo porque é que a compra subsidiada de equipamentos solares tem que ser feita através de bancos ? E nem vale a pena falar da taxa efectiva de impostos que pagam. Um restaurante ou reles quiosque paga proporcionalmente menos impostos do que um grande banco.
Sobre o assunto do post, no 4º Republica tem escrito bastante sobre o assunto:
http://quartarepublica.blogspot.com/2010/11/certificados-de-aforro-sao-estas.html
http://quartarepublica.blogspot.com/2010/05/os-novos-certificados-de-aforro.html
http://quartarepublica.blogspot.com/2010/05/divida-publica-dispara-certificados-em.html
http://quartarepublica.blogspot.com/2010/02/certificados-de-aforro-ca-alteracao-de.html
http://quartarepublica.blogspot.com/2010/03/certificados-de-aforro-ca-e-divida.html
http://quartarepublica.blogspot.com/2008/01/mais-estado-no-muito-obrigada.html
http://quartarepublica.blogspot.com/2008/01/certificados-de-aforro-alteraes-sero.html
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1º O mercado interno não tem dimensão que possibilite financiar o montante de dívida pública.
2º O nível de poupança é baixo e com tendencia para descer nos próximos anos.
3º A redução de salarios é um dos motivos mais preponderantes, a par da subida de impostos, para que nos proximos anos os portugueses (a mão invisivel) não tenham meios para poupar e investir e consumir.
4º Deste modo, o endividamento do país, ao contrario do que pensam algumas almas liberais, não irá reduzir. É bom de ver, com menos dinheiro na carteira (menores salarios, maiores impostos), com menor acesso a crédito para investimentos, a receita fiscal do estado português será necessáriamente menor.
5º O aspecto positivo disto é poder haver um forte abrandamento nas importações do país… menos massa, menores consumos de energia, de combustivel, de carros etc. O que poderá diminuir o déficite crónico e fatal da balança comercial do país. E se alimentado pelo crescimento das exportações, então será duplamente positivo.
6º No entanto tenho algumas dúvidas (e falta de informação séria) acerca da real lucratividade das nossas exportações. Parece-me que grande parte das exportações não se traduzem em entradas de dinheiro para o país, a começar na ford-volkswgaen e a acabar na exportação de energia. Não sei bem até que ponto não será o estado portugues a financiar estas exportações, directa ou indirectamente. E se o faz, fá-lo endividando-se.
6º E portanto trata-se de um país adiado e sem qualquer estratégia de desenvolvimento sustentado.
RB
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“Deste modo, o endividamento do país, ao contrario do que pensam algumas almas liberais, não irá reduzir.”
-Se ninguém emprestar dinheiro, os empréstimos vencem e é preciso pagar…
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“estratégia de desenvolvimento sustentado”
-Pffft. Não é preciso estratégia alguma. Ainda menos sustentado. Alguma vez algum burocrata sabe o futuro? O que raio o “sustentável” significava em 1990 e em 200o e hoje?
Deixem as pessoas em paz. Milhares de empresas deste País não fazem parte de “estratégia” alguma felizmente.
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E quem é que me garante que eles pagam?
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Quem dá esmola aos pobres empresta a Deus.
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Quem empresta ao Estado dá esmola ao Diabo.
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A destruição do certificados de aforro foi uma atitude deliberada do governo para manter as margens dos bancos o mais altas possivel.
Claro que é uma estratégia estupida que leva a que muita poupança portuguesa acabe fora do país e ao aumento dos juros da divida pública.
Por essas e por outras é que o T. Santos é um péssimo ministro (o pior ?).
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O teixeira das verrugas foi mesmo eleito “o pior ‘menistro’ das finanças da zona euro” em 2009. Os eleitores de tal título estavam atentos, os eleitores portugueses não estavam assim tanto…
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Riqueza nacional: 16 mil milhões fogem para o estrangeiro
Cerca de 9,5 por cento do PIB o ano passado saiu de Portugal …
Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), citados pelo jornal «Correio da Manhã», mostram que é cada vez menor a riqueza produzida em Portugal que fica em território nacional.
Segundo o INE, entre 1995 e 2009, as transferências de riqueza para o estrangeiro passaram de 4,2 mil milhões para 16 mil milhões de euros.
E o que é que isto significa? Significa que no ano passado, cerca de 9,5 por cento do PIB passou as fronteiras para as mãos dos mercados e investidores ou paraísos fiscais. ..
Para Eugénio Rosa, se a riqueza líquida em Portugal estivesse aos níveis médios da União Europeia, no ano passado o Estado teria mais
9,8 mil milhões de euros para aplicar na economia nacional.
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/economia/portugal-agencia-financeira-riqueza-pib-governo/1196147-1730.html
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Só não percebo como é que um estado que se intitula socialista, não se lembrou ainda de criar um imposto de fortuna, à semelhança de outros congéneres europeus… é o Xuxalismo!!!
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Estão a esvaziar o País e, quem vier atraz que feche a porta.
Como de costume!!!
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ficamos a saber que o João Miranda tem 10000 euros disponíveis. não é mau, numa altura destas, com o natal à porta e tudo.
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Pior é impossível? Na tugolândia tudo é possível. Por isso, é muito possível pior.
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Riqueza nacional: 16 mil milhões fogem para o estrangeiro.
Ahahahaha estes tugas achavam que as Isabéis dos santos investiam nos BCPs Galps e afins e depois deixavam os dividendos aqui no pardieiro…..ahahahaha
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já perdi a vontade de fazer qualquer comentário,tal é a descrença que tenho neste governo.dêem as voltas que derem,comentem como quiserem,enquanto não nos desenvencilharmos dele, só nos resta continuar a dar música como no titanic e esperar que sejamos engolidos com foram os ditos.este governo cometeu muitas mais proezas idênticas às que fez com os certificados de aforro.
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“Riqueza nacional: 16 mil milhões fogem para o estrangeiro”
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Riqueza nacional!? desde quando é nacional? A riqueza é das pessoas.
Se o comuna Eugenio Rosas quer que a riqueza das pessoas fique cá só tem é que dizer ao seu partido para deixar de lixar quem arrisca.
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pior é impossível: mau-grado a interpretação dos aqui residentes, o eminente constitucionalista paulo rangel explicou a tolice da ‘responsabilidade civil e criminal dos politicos’ apud passos
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Só cá deixa ficar o dinheiro quem for estúpido. Acabem com os comunas no governo e talvez algum desse dinheiro que custa a ganhar volte. O Estado é um arbitro. Quando o arbitro faz de jogador e ainda por cima marca os penaltis o jogo já não é jogo mas circo, e no circo só os palhaços pobres é que fingem que são felizes.
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“O Governo poderia colocar parte da dívida recorrendo à poupança interna, através de títulos do Tesouro, desde que estes fossem remunerados de forma minimamente atractiva. Mas não.”
Não faz, porque dá muito trabalho: é o Leme do Governo – imediatismo e coisas que não exigam pensar muito e, muito menos que dêem trabalho e exijam acompanhamento posterior.
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É muito importante o governo manter o apoio dos bancos e da clientela, por isso não convém colocar divida pública directamente nos cidadãos. Claro que isso é um tiro na culatra como se pode ver.
Acham que é possivel maior irresponsabilidade ?
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Vejam se percebem, se o Estado der um juro a particulares de 6%, isso obrigaria os bancos a aumentárem os juros dos depósitos.
Logo ficava em causa os prémios dos gestores dos bancos, e eles não gostam ……
E não confundir os Prémios de Gestão com Dividendos. Para um gestor os segundos só se dão para justificarem os valores dos primeiros.
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O Paulo Morais continua a confundir (deliberadamente?…) injecções de liquidez de curto prazo (uma semana, um mês, três meses) com uma emissão de dívida a dez anos. O próprio João Miranda já lhe tentou explicar isto, em comentário no seu último post.
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Raios, e é que nem no raio do cálculo acerta. Sabe o que é uma “yield”?!
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