É indigno e imoral um partido falar de morte digna
De vez em quando retorna a conversa sobre eutanásia, seguindo um ciclo inverso à publicação de fotos em bikini nas redes sociais pelas mesmas pessoas que conseguem ter ideias brilhantes para e por todos nós, graças a Zeus. Invariavelmente, é conversa atirada por gajos e gajas bonitos, com idades perfeitas entre os 30 e os 50, em forma, com todas as pernas e braços, pele viçosa, sem espinhas e eczemas embaraçosos, deformidades, comensais esporádicos em restaurante com estrela Michelin, com bicicleta de marca e tendo algum historial de férias caribenhas ou nas índias. Pessoas com a arrogância que a beleza e o pico do interesse sexual tendem a transformar em ídolos pop mascarados em escritores que ninguém lê, deputados que ninguém sabe ter elegido e agentes culturais cujos sazonais poios não passam o crivo de um bilhete parcialmente pago, quanto mais pago na totalidade.
Nunca se vêem paraplégicos acamados, com feias escaras, num quarto húmido decorado com crucifixo carcomido e desumidificador em saldo da Worten, que clamem por eutanásia. Nunca se vêem, sobre esse tema, os já viúvos no solitário caminho para a demência profunda, embaraçados em decrescentes momentos de coerência com o mijo que escorre para a sarjeta na momentaneamente eterna desconhecida paragem de autocarro. Quem fala desta problemática – porque para um progressista, outros morrerem é uma problemática – é sempre belo, educado, letrado, atraente, charmoso e dispensa Viagra. Tem o cabelo imaculado. A barba perfeitamente aparada. É uma besta cuja noção de sensibilidade termina na barreira de suor entre os corpos que copulam intelectos, entranhada no eu-eu-eu-eu instagramico que é palco da disjuntiva relação entre a vaidade e o bem-colectivo.
Nenhum destes abetumados néscios vê além de si próprio e do brilharete que origina a sua exímia e cultivada inteligência. Não imaginam que a percepção da eutanásia para o velho acamado é a do fardo, a do “não dar trabalho”, a do lastro que impede a plena realização dos familiares responsáveis pelo seu cuidado. Não imaginam que a esmagadora maioria dos velhos que pede para morrer está, quando crê falar a sério, a emanar altruísmo puro, a libertação de outros da carga que para esses é a própria existência alheia.
A morte é assunto demasiado sério e muito pouco compreendido para ser discutido por quem salta entre aborto livre, supressão de puberdade a crianças ditas transgénicas, cheias de Lisboa, tourada, efebofilia, mais-uma-linha-de-coca na urbe lisboeta a oeste de Marvila, amanhã-estou-na-SIC-Notícias, casamento entre plantas e a patológica crucifixofilia republicana do club des Jacobins.

Em cheio.
A realidade , tratada com a discreção do pudor ( e da caridade) face à hipocrisia, ignóbil e verdadeiramente criminosa , do “pulhìticamente” correcto , onde a morte de um ser humano se torna um fútil, e passageiro, “trend topic”.
GostarGostar
Esta gente anda à procura do que mais necessita.
A seu tempo lhe cairá em cima.
GostarGostar
Grande texto. Parabéns. Subscrevo tudo.
GostarGostar
É caso para indignação. Então os políticos agora não podem representar aqueles que gostariam de ter acesso à eutanásia porque é algo para a qual eles não estão habilitados a comentar? Ou seja, os políticos não podem fazer o seu trabalho. Agora um político homem não pode representar uma mulher. Ou um qualquer político não pode representar um desempregado.
Deve ser certamente a primeira vez que ouço um político falar sobre a eutanásia, porque até agora sempre que ouço é na primeira pessoa, é alguém a pedir a eutanásia para si mesmo.
Não estará o Vitor a projectar alguma ideologia sua e ignorando as vozes que pedem a escolha para si mesmo? É que com o sofrimento dos outros todos podemos, não é?
Vamos tentar tornar menos assuntos tabu. Querer impedir destas formas tão ridículas que assuntos importantes (pelo menos para quem deles sofre) sejam discutidos pela sociedade parece-me estúpido.
Não discordo da parte do altruísmo mas sugiro que trabalhemos todos juntos para tornar a sociedade mais inclusiva. Criar tabus não cria uma sociedade mais inclusiva, apenas marginaliza questões e com ela pessoas.
GostarGostar
Kumbaya.
GostarGostar
Ah, como não me lembrei de apenas comentar chamando-o de demasiado conservador?
Realmente ter-me-ia poupado imenso tempo!
Obrigado!
GostarGostar
Hare Krishna.
GostarGostar
Releia o texto, pode ser que o entenda.
GostarGostar
Quer apontar alguma contradição?
GostarGostar
Subscrevo grande parte do que escreve, mas não posso concordar com a generalização. Fala dos velhos que, por altruísmo, pedem a eutanásia, mas eu também vejo doentes em estado terminal, cujo pouco tempo que lhe resta será de um sofrimento atroz. É preciso falar destas questões, existem, devem ser analisadas. Há situações extremas, não podemos fingir que não as vemos.
O que me enoja (a aí dou-lhe toda a razão) é o aproveitamento político descarado dessa corja a quem pagamos para sentarem o cu na ar. (quando sentam)
GostarGostar
Devem, sim. Pelas pessoas que as vêem, que as tentam perceber e que lidam com o facto de as verem. Não pelos descritos no texto. Os problemas estão no mundo e daí podem chegar à AR, não ao contrário.
GostarGostar
O problema é que sempre que se abordam assuntos “tabu” como este, predomina a vozearia e o ambiente de taberna (vulgo “Pros e Contras”); já tivemos essa experiência nos referendos sobre a IVG (eufemismo para aborto livre, ou quase) em que, de ambos os lados da barricada se esgrimiram argumentos primários. De entre essa gritaria sobressaem as vozes mais extremistas, e acaba por não se dar a devida atenção àqueles que mais lidam quotidianamente com os doentes terminais (neste caso).
Quanto a esses grupelhos que tão bem retrata, já cantava a Lena D`Água: “não há cu que não dê traque”.
GostarGostar
Aliás, a utilização do termo “tabu” para problemas como este diz bem da limitação de uma sociedade. Deveriam ser abordados de forma serena, “com pinças”, mas sem tabus e maniqueísmos.
GostarGostar
Mas qual aproveitamento político descarado? Talvez seja falta de atenção, mas não vejo nenhum partido político (nem sequer aquele que seria de esperar) a pegar no tema.
GostarGostar
Só se pode concluir que o vitorcunha só lê a imprensa cor-de-rosa, tivesse outros hábitos de leitura e teria contribuído para a discussão, assim serve-se de um tema demasiado sério para fazer piadas de mau gosto.
Só dois exemplos, o de uma “Grandmother”:
http://www.bbc.com/news/uk-wales-south-east-wales-29685643
e o de uma “Young Girl”:
http://www.bbc.com/news/blogs-echochambers-29576003
GostarGostar
Doutrine-me.
GostarGostar
Vitor tem todo o meu apoio. Eu lido com a morte quase todos os dias.
A afirmação “A morte é assunto demasiado sério e muito pouco compreendido”, serve a a inteletuais falhados, da morte nunca estiveram próximos.
Há muitos desses. São acolitados por pseudo jornalistas à rasca com contratos a termo certo, mal ancorados nas estações televisivas generalistas contaminadas pela mediocridade, pela desfaçatez e pelo snif.
Os temas fraturantes são-no mesmo. Só que um dia vão fraturá-los a eles e a elas quando menos contarem. Na sua maioria só aprenderão quando os pais os puserem na rua e se decidirem a limpar as casas dos suíços, ou serem ajudantes de pedreiro dos alemães ou condutores de táxi dos parisienses.
GostarGostar
com tantos psicopatas e sociopatas esta epubliqueta social-fascista
é um lugar muito mal frequentado
GostarGostar
Já agora, quantos dos comentadores deste post (e já agora o próprio autor) são “paraplégicos acamados, com feias escaras, num quarto húmido decorado com crucifixo carcomido e desumidificador em saldo da Worten” ou “viúvos no solitário caminho para a demência profunda, embaraçados em decrescentes momentos de coerência com o mijo que escorre para a sarjeta na momentaneamente eterna desconhecida paragem de autocarro”, que pelos vistos são as pessoas que têm autoridade para discutir o assunto (pelo menos eu não sou)?
GostarGostar
Posso sugerir que releia o texto para – eventualmente – perceber que fazer essa pergunta é admitir não o ter entendido?
GostarGostar
Os piores cegos são os que não querem ver nem entender.
Nas novas oportunidades foi o que aprenderam.
Eles pensam que vai haver mais.
GostarGostar
Não percebi o que o autor do post quer dizer. Está contra que se discuta o direito à eutanásia? Está contra que uma certa faixa de pessoas a discuta?
Os deputados que temos são os que temos, e são esses que têm de discutir o que houver para discutir. Eles e a sociedade civil. Toda.
GostarGostar
Está contra que se discuta o direito à eutanásia?
Sim.
Está contra que uma certa faixa de pessoas a discuta?
“A”? Na primeira pergunta era “o”; o direito. Não tenho nem posso ter nada contra “a”. Já contra “o”, tenho. Primeiro, para poder referir-se a “o”, tem que demonstrar que “a” é “o”.
Quanto ao resto, está enganado. Os deputados têm que discutir o que lhes for solicitado que discutam. Portanto, quando discutem X, deve procurar saber quem é a parte interessada que levou X a “interesse público”.
GostarGostar
Esta frase mata-me , a da morte ser assunto demasiado sério e muito pouco compreendido , já nem preciso de eutanásia 🙂 🙂
difícil aceitar o fim ? Que pouco maduro 🙂
GostarGostar
Se você confundir compreender com aceitar não é elegível para eutanásia.
GostarGostar
Se você está contra a direito de se discutir o direito à eutanásia, o problema, caríssimo, é seu. Há eleições a cada 4 anos. Eu pro mim, voto e votarei num partido que promova essa discussão. E não vejo qual a sua legitimidade para impedir que outrem o faça.
GostarGostar
Insisto: “discutir o direito à eutanásia” é parvo. Se é um direito, porque o discutiriam?
Quer discutir eutanásia? Força. Quer discutir o direito à eutanásia? Demonstre que é um direito.
GostarGostar
Está a tentar dizer-me que não há ninguém que tenha interesse nesta discussão? Isso é mentira. Tanto aqui em Portugal como no resto do mundo. Essa asserção é um bocadinho ridícula.
GostarGostar
Eu estou a tentar dizer-lhe que há um texto ali em cima que diz o que eu tenho a dizer a mim próprio e a quem decidir que o quer ler. Pensei que isso fosse um dado adquirido mas, admito, também pensei que ninguém interpelava sem compreender o que diz no tal texto.
GostarGostar
Você pode dizer o que quiser, mas se coloca um texto num local aberto a comentários, está sujeito a ser comentado.
Continuo a dizer, pode discordar à vontade com o direito à eutanásia, mas não pode discordar com o direito de discutir se há um direito à eutanásia.
Seja a discussão feita por velhinhos ou novinhos, bem vestidos ou mal vestidos.
Que falta de liberdade de pensamento que você mostra ao querer impedir que sequer se fale.
GostarGostar
E o que você escreveu não passa de generalizações, como se as únicas pessoas que falassem de eutanásia fossem os novinhos bem vestidinhos e bem pensantes e meio parvos (comos se os conselhos de bioética não existissem, nem houvessem filósofos e políticos a sério a pensar sobre o caso), e como se todos os velhinhos só quisessem morrer por deixar de ser um fardo. Está enganado. Há mais que um caso e a sua simplificação é um bocado quadrada. Mas as suas hipérboles ficam bem para fazer um post deste tipo. Pena ser intelectualmente pouco sério.
GostarGostar
Curiosamente, cai no mesmo crime que aponta no seu post: trivializa, dramatiza e sobretudo simplifica ao extremo um assunto que é sério. Ou seja, faz a mesma figura dos “bonitinhos bem vestidinhos” que acusa.
Diz que é um assunto demasiado sério para ser discutido pelos bonitinhos e bem vestidos mas também é demasiado sério para ser impedido de ser discutido por alguém que escreve ou vê as coisas como você vê.
GostarGostar
GostarGostar
O VC há-de explicar o que há de pouco compreendido na morte , o que há para compreender para além do que dizem os manuais de biologia. E a discussão sobre eutanásia não é uma discussão sobre morte , e uma discussão sobre vida , sobre se somos obrigados a gramar uma vida que se tornou um fardo , um martírio pq ele há quem não aceite a morte como natural e morra de medo dela 🙂 tanto medo que nem se pode falar dela , como se fosse o Voldemort , bolas.
GostarGostar
Fazemos ao contrário: você explica-me o que pensa uma pessoa que diz que quer morrer mas não a deixam.
GostarGostar
Não penso nada. O que penso é que é uma chatice uma pessoa ter de se mandar da cama abaixo e ficar toda partida pq o médico não nos passa um pacífico cocktail suicida . e isso da janela é só para quem pode levantar-se da cama ou da cadeira de rodas..
GostarGostar
E desde quando um médico é um carrasco?
Se quer matar por piedade que mate um amigo ou familiar e não delegue a má-consciência do acto num médico.
E, muito menos, invente uma moral às avessas onde matar passa a ser algo asséptico e positivo feito por profissionais de saúde.
GostarGostar
Um médico não tem de dar cocktail algum a ninguém.
Ponto final.
Acerca disto penso literalmente o mesmo do exemplo do filme One million dollar baby. O problema é que há gente estúpida que interpretou tudo errado.
GostarGostar
O que eles querem é um serviço do SNS onde uma pessoa entra para a matarem. É limpinho, desaparecem, não chateiam e deixam de existir questões incómodas.
GostarGostar
Sim. É literalmente isso como já existe em muitos outros países.
SNS para despachar velhos e acabaram-se parte das chatices.
Mas não acredito que por cá pegue.
GostarGostar
Podia ter dito desde o princípio que está contra. Bastava isso em vez de andar a escrever cenários de novela a pretender que são a “maioria” de uma coisa que não sabe.
É um bocadinho infantil responder a frases com imagens, mas você lá sabe quando acaba o “argumentário”.
GostarGostar
Você tem um problema neurológico?
GostarGostar
E você, tem algum problema cognitivo?
GostarGostar
Não, eu percebi à primeira o que escrevi.
GostarGostar
Não, não percebeu. Ou se percebeu, está a fingir que não percebe.
GostarGostar
Medo de morrer? Não tenho, até porque não adiantava nada, não ter. Mas não nego um certo incómodo ao pensar que possa encontrar o cavaco no outro mundo, eu que estou focado em Marilyn Monroe.
GostarGostar
Marrazes… deriva de marrar… marra quem tem cornos… touro tem cornos… Marrazes tem cornos … será que não tem medo de morrer na arena e de ser “eutanaziado” no curro?
Que sejas feliz no outro mundo, longe do cavaco… mas juntinho à tua amada choca Marilinha alentejana!
GostarGostar
Vitor Cunha, você não sabe nada de nada. Há de facto muitos velhos e outros menos velhos, acamados, a sofrer, que pedem para morrer e não porque são um fardo. De onde é que tirou a estatística da “esmagadora maioria”? não fale do que não sabe. Devia passar uma temporada a fazer voluntariado num hospital. Mande-me mensagem pelo e-mail aí em baixo, que eu coloco-o nos HUC, se não o aceitarem em Lisboa, ou onde seja que você vive.
GostarGostar
Voluntariado num hospital é caridadezinha, lembre-se disso.
GostarGostar
Olhe, Vitor, na cena do voluntariado em hospitais e lares também eu me passava porque já vi dondoquice de sobra.
Uma amiga minha esteve internada perto de 6 meses em hospital e bem que se passava com aquilo. Porque iam lá com paleio de treta mas, se fosse preciso ajudar no que importa, como ajudar a lavar a cabeça ou algo de útil, essas voluntárias davam de chofres.
Nos lares é a mesma coisa. Vão para lá, vêem os velhos completamente sedados e nem denunciam e a única merda de inútil que se lembram de fazer é pintar-lhe as unhas.
Uma coisa estúpida pois serve para tapar a porcaria e até para impedir que se detectem sinais de doença nas unhas.
GostarGostar
Amigo Vitor, eu normalmente brinco consigo, mas a questão aqui é séria. O meu pai morreu de cancro nos HUC há 15 anos anos e eu durante dois meses, em visitas diárias, fiquei a conhecer os cantos à casa. Eu já lhe disse que você é ótimo na comédia, normalmente irrelevante, mas com piada, mas quando lhe dá para falar de forma séria, espalha-se. Sinceramente, sem ironia nenhuma, não percebi puto do seu post, nadinha. Quer saber o que é a morte em sofrimento? Costuma viajar para norte, parar em Coimbra? Mande-me uma mensagem e eu recebo-o e conduzo-o de boca fechada onde eu quiser. Vai ter é de explicar depois aqui mesmo essa coisa da “esmagadora maioria”. Ou então, faço eu aqui o relato, que você aprovará, ou não. A pesporrência é fácil; admitir que somos idiotas, é mais dificil.
A sua agenda é politica. Quer saber do assunto, fale com quem está nos cuidados paliativos e pergunte o que pedem os doentes. Uma coisa de cada vez. Poderá depois opinar sobre o assunto.
GostarGostar
Lamento que o seu pai tenha morrido de cancro há 15 anos. Talvez ele compreendesse o que está escrito no texto.
GostarGostar
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2563356/
GostarGostar
Claro que pedem para morrer. Da maneira que os tratam, sedando-os à bruta e deixando fazer escaras até v. pedia para morrer.
A questão é que essas pessoas ficam assim por serem mal tratadas e por nenhum motivo de quererem morrer se forem bem tratadas.
GostarGostar
Eu até lhe mando morada de lar que deve visitar. De 2, pelo menos onde quase que matam as pessoas e também vão lá os da caridade monga.
E hei-de conseguir o lar do Laranjeiro onde recentemente iam matando uma senhora que foi para lá com saúde. Ainda está internada há mais de 1 mês em S. José.
Foi com saúde, veio semi-morta, está no hospital. Ninguém denuncia porque estes casos querem v.s resolver com eutanásia dos utentes quando devia era ser eutanásia de quem vende a trampa do serviço.
GostarGostar
O Pedro tem um barómetro: leu no Blasfémias, está mal, o autor é burro. É assim nos outros 357 comentários. Em compensação também domina todos os assuntos, da doença ao funcionamento das escolas e restaurantes. É uma pessoa multifacetada na sua indignação permanente.
GostarGostar
Ainda há 2 domingos uma familiar minha foi de urgência para S. José. As ambulâncias do 112 são uma vergonha. Levam os doentes que podem ter fracturas, aos pulos naquelas macas porque os amortecedores das carrinhas já eram.
Depois esteve umas 4 horas na maca- rija- eu levei-lhe uma manta mas o problema é que aquilo é duro.
Veio de lá com escara e está a ser tratada.
Se ficasse internada era lindo. Porque é nos internamentos que os acamados são mortos nos hospitais e nos lares.
GostarGostar
Criança com 3 fracturas no braço. Ambulância. Maca. Sedada na urgência de pediatria. Maca. Espera por ortopedia. Espera. 2 horas. Pergunta-se a este, pergunta-se ao outro. Espera. 3 horas. Sedação passou. Ah, sistema desligado, já vai. 3 horas e 10 minutos: ortopedia. Vamos alinhar fractura. Sedação passou. Faz-se a frio.
GostarGostar
Verdade? C’um caraças!
GostarGostar
Lá andam estes moralistas e estatistas anti-liberdade a querem impor aos outros as suas ideias conservadoras a respeito da morte, da sexualidade, da droga, do aborto, da eutanásia, etc. Como em tudo o resto, estas questões resolvem-se facilmente através da lei da oferta e procura e das decisões e escolhas livres de cada indivíduo. Se alguém quer morrer, mudar de sexo, abortar ou snifar coca, isso só diz respeito a quem tem vontade de o fazer e a quem está disposto a oferecer esses serviços. Quanto menos Estado e leis “conservadoramente correctas” existirem nestas matérias, melhor para o livre funcionamento do mercado regido pelos interesses individuais. Porque daqui só pode resultar uma ordem espontânea em que tanto os clientes como os prestadores de serviços ficam satisfeitos.
No que diz ao mercado emergente da morte digna, o que se pode dizer é que os velhos e doentes terminais deixam de sofrer desnecessariamente e que a clínica privada que apostou no negócio da eutanásia passa a ter mais uma fonte de receitas. O que é preciso é, por um lado, apostar nestas ideias novas e ambiciosas dos jovens empresários com vontade de triunfar na vida, e, por outro lado, deixar de sustentar os velhos privilegiados, responsáveis pelos défices crescentes do SNS e da segurança social.
GostarGostar
Li o post e só vi ataques ao aspecto, intelecto, opções ou modo de vida de certas pessoas e nada acerca dos argumentos alegadamente usados pelas pessoas visadas no post. É um longo argumentum ad hominem de grupo:
“…é conversa atirada por gajos e gajas bonitos,
“…comensais esporádicos em restaurante com estrela Michelin”,
“Pessoas com a arrogância que a beleza e o pico do interesse sexual tendem a transformar em ídolos pop mascarados em escritores que ninguém lê,”
“…agentes culturais cujos sazonais poios não passam o crivo de um bilhete parcialmente pago, quanto mais pago na totalidade.”
“…É uma besta cuja noção de sensibilidade termina na barreira de suor entre os corpos que copulam intelectos, entranhada no eu-eu-eu-eu instagramico que é palco da disjuntiva relação entre a vaidade e o bem-colectivo.”
“Nenhum destes abetumados néscios vê além de si próprio ”
e por aí fora.
Não sei qual o intenção do post, para além de aparentar ser uma exalação de azedume, mas seja qual a intenção para além disto é um post ridículo e medíocre.
Se quer ser levado a sério, sugiro que escreva ou pense de modo diferente. Presumo que discorde do acto ou do direito à eutanásia, mas tentar mostrar o que quer que seja desta forma é confrangedor.
GostarGostar
Ainda bem que leu o post, 78 comentários depois. Ainda bem, ainda bem.
“Não sei qual o intenção do post…”
O Pavlov tinha um cão…
GostarGostar
Ainda bem o quê? Típico de quem não sabe o que diz. Se tem alguma coisa para dizer, diga. Não atire com frases crípticas. Eu fui claro no meu comentário, porque não é capaz de fazer o mesmo?
GostarGostar
Ouça, isto já acabou. Desista.
Não sei como lhe explicar mas aqui vai: esta não é a sua caixa de comentários, é a minha.
GostarGostar
Se não tem argumentos, tudo bem, nada mais tenho a dizer-lhe. Mas para quem coloca posts aqui, devia pensar um bocado mais antes de escrever. Falar ou escrever da boca para fora é fácil, pode é correr o risco de fazer má figura, quando os factos e a lógica atrapalham o seu raciocínio.
GostarGostar
Acabou? Eu estou a comentar o seu arrazoado. Até agora nada disse que contrariasse o que referi.
E que eu saiba não é obrigado a comentar os meus comentários. Pode sempre ignorar.
GostarGostar
Pelo que me é dado a entender, você ainda está a tentar perceber a dinâmica disto. Provavelmente está habituado ao diálogo em comentários nos artigos da Fernanda Câncio no DN. A ideia é esta: eu escrevo uma coisa, você vem cá dizer que eu sou burro e/ou fazer amor com o ego, eu decido se publico ou não, eventualmente se respondo, sobre quê e como, podendo optar por falar do cultivo de batatas. Se calhar achava que vinha fazer perguntas: é um erro comum, eventualmente motivado pela disponibilidade de algumas pessoas – eu incluído – para participar. Infelizmente, não é assim que funciona: gosta do texto, pronto; não gosta, aguenta que ele existe e vive com a sabedoria de ser muito mais inteligente do que as pessoas cujos textos insiste em comentar. Em última instância, quando começar a maçar, eu posso providenciar a eutanásia, como descrito logo na terceira ou quarta frase. Em alguns casos até posso proceder ao aborto retroactivo.
Agora, acabou? (Não responda, é uma pergunta retórica).
GostarGostar
Eu não sei quem é a Fernanda Câncio nem consulto o DN.
Eu não lhe chamei burro, eu disse que o modo como expressou o que eu penso que seja a sua opinião foi pouco inteligente. Critiquei a ideia, não critiquei a pessoa. Não percebo o porquê do remoque.
Depois de ter lido e relido o seu post, continuo sem saber porque é que discorda da eutanásia ou do direito a discutir o direito à eutanásia (para alguns é um direito, para outros não, eu considero que sim). Mas fiquei a saber o que pensa (de um modo muito pouco elegante) acerca do carácter das pessoas que discordam de si neste ponto (e foi a única coisa que se pôde perceber do texto) e isso é fraco para quem pretende escrever neste espaço.
Não percebo porque, se escreve apenas para si próprio, publica isto num blogue com acesso universal, e muito menos porque publica e permite que se comente. Abrindo os comentários abre-se à crítica. Porque é que se sente tão melindrado com perguntas? Nada o obriga a responder.
Muito menos acho próprio de alguém maduro que se diga que se o maço, bloqueia-me ou apaga o comentário. Não acredito que faça isso na vida fora da net, pois não há lugar nenhum do mundo onde esteja rodeado de pessoas que concordam em tudo consigo… Não é uma prova do que pretende divulgar (o gosto pela liberdade) a capacidade para tolerar a dissidência?
GostarGostar
Já considerou a hipótese de, nesta sequência de comentários, ter sido condicionado a dizer coisas que eu não devo fazer se quero escrever e publicar opinião em público? E depois perceber que eu inquinei a discussão? E, finalmente, que isso é um óbvio QED sobre o conceito ridículo do mui-politicamente-correcto mas completamente fátuo processo de discussão pública generalizada com todos-têm-opinião-sobre-tudo-e-mais-um-favo sobre qualquer assunto cuja motivação é mero oportunismo político/eleitoral?
Conseguiu perceber quão fácil é obscurecer uma discussão de forma a rebentar qualquer argumentação na alegada percepção colectiva de democracia participativa? Reparou na técnica de guerrilha para a promoção de qualquer agenda?
Se conseguir responder 5 vezes “sim”, já poderá ter percebido o post.
Repare também que algures se queixa de lhe apagar comentários quando, se vir bem, acabaram por ser todos colocados. Vê a facilidade com que se consegue alterar a percepção da realidade com uma mera questão de timing? Algo que qualquer moderador de debate com um mínimo de brio faz com uma perna às costas?
Há um motivo para as discussões públicas relevantes partirem sempre da sociedade civil e não das agendas partidárias. Quando começarem a discutir a eutanásia – e vão – garanto-lhe que tal não partirá de um indivíduo que a solicita e sim do grupo de oportunistas que daí procura tirar dividendos.
🙂
GostarGostar
É assim: se o seu objectivo é não discutir nada e apenas panfletar alguma coisa, tudo bem.
Não acredito que o seu objectivo fosse esse, acho que foi apenas um tiro, que agora está a tentar justificar, mas ok, a cada um as suas ilusões.
E não percebo porque quer “obscurecer” seja o que for. Isto é um blog, não é um comício ou anúncio de TV. O resultado prático do que quer que se faça ou escreva aqui é zero. É uma conversa de café virtual.
GostarGostar
E poupe-me a pedagogia. O post era sobre a eutanásia, não sobre a percepção da democracia participativa. É sobre isso que me interessa falar e mais nada.
Eu estou a falar CONSIGO sobre o tema do post, não estou a falar consigo e a olhar para o lado para mostrar a terceiros como se descarrila a conversa sobre como e porquê quem governa e faz oposição faz o que faz. Não estou a dar aulas, estou a ter uma conversa. Se quer conversar, tudo bem, se quer fazer exercícios de manipulação de discurso e usar os comentadores como objecto do exercício, não me interessa.
GostarGostar
LOL. Espectáculo. É Assim que defende a liberdade? A censurar comentários? Muito bem, aprendeu com quem? O PCP? LOL
GostarGostar
LOL. Estou a perder o jogo e a bola é minha, logo acaba o jogo. Muita maturidade, sem dúvida. Saudações democráticas ehehehehe.
GostarGostar
Concorde-se ou não com o argumento deste texto, não faz grande sentido que ele seja dirigido “à esquerda”.
Ainda para mais num blogue que tanto acusa a esquerda de ser anti-individualista (colectivista), parece bizarro associar a causa individualista à esquerda.
Este texto é fundamentalmente um ataque à posição liberal, que acredita que as liberdades individuais devem ser protegidas e que não cabe ao estado ou à comunidade tomar certas decisões pelo indivíduo.
É um texto que acusa a posição liberal e individualista de ser superficial e ingénua, quando não insensível e vinda de um autismo ancorado na vaidade e arrogância.
Mau ou bom, este texto é um ataque a uma causa individualista.
Algumas pessoas de esquerda podem identificar-se com a causa criticada no texto (e de direita também, as que são liberais), mas isso apenas levaria à conclusão que nem toda a esquerda é colectivista, ao contrário do que se diz por este blogue.
GostarGostar
Sim. Mas a escardalhada de “na minha barriga mando eu” e a escardalhada dos “direitos de saída” (ou picada atrás da orelha) é assim- muito vermelha por fora e muito egoísta por dentro.
A diferença é que o egoísmo de esquerda acaba sempre por se impor por lei do Estado.
GostarGostar
O único coletivismo em “causas” como a IVG foi o ter posto todos os contribuíntes a pagar os desvarios daquelas mulheres que agora abortam “porque sim” ou porque agora já o podem fazer.
GostarGostar
Não, foi mais.
!- Foi fazer com o Estado tivesse poder de mudar a tradição, transformando a moral numa boa imoralidade.
2- Foi tornar obrigatório os médicos matarem
3- Foi socializar a morte em nome da saúde pública.
GostarGostar
Tem razão. Estava a pensar apenas nos custos do “progressismo” na economia.
GostarGostar
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=2295633
Pronto, o problema é termos um sistema de saúde universal, certo? Porque o dinheiro dos impostos de todos paga as más decisões dos outros temos aí um problema moral, na vossa opinião… No entanto, e porque todos pagam impostos, pró e contra, porque não pensar que não é o vosso dinheiro a pagar isso mas sim o dinheiro dos que são a favor? Ah, claro, porque isso não iria evitar os desvarios morais que se cometem debaixo da guarda da lei…
Teremos então que ser contra a vida aprovando a pena de morte para nos livrarmos de todos os criminosos que nós decidimos marginalizar e que não queremos alimentar com os nossos impostos.
No fim não devemos precisar da lei para dizer o que é aceitável moralmente. Para isso temos a sociedade. E isso retira-se de muitos dos comentários aqui lidos, muitos aqui concordam que o governo não deve dizer que a eutanásia é agora um acto recomendável em certos casos (por muito repudiante e difícil de conceber que isso possa parecer). A eutanásia não é um assunto para a AR, é para cada família e o seu médico. No entanto, se a lei se coloca no caminho como podemos permitir que as famílias abordem este assunto no seu seio? O que a eutanásia não deve ser é algo que possa ser decidido pelos médicos e promovido pelo estado de forma alguma. É essa a discussão a ter-se e se impedimos que essa discussão se torne pública estaremos a impedir que estes argumentos equilibrados sejam considerados. Deixam-nos à mercê dos argumentos radicais o que ninguém no seu perfeito juízo deseja.
>
GostarGostar
É capaz de haver uma diferença entre o que foi referendado e as suas consequências. Consegue ver diferença entre não mandar para a cadeia mulheres que abortam e providenciar o aborto gratuitamente ou nem por isso?
GostarGostar
Claro.
Mas será isso em linha com o que se defende aqui?
>
GostarGostar
Aqui não se defende nada excepto quando inclui a expresso “eu defendo que”. Mesmo nesse caso, só se aplica a quem o disse, que é o único responsável pela sua própria opinião.
GostarGostar
Na questão do aborto não é muito claro qual é a posição liberal. Consoante se considera que o feto é ou não um ser humano, pode um liberal considerar admissível a proibição de abortar ou não.
Tipicamente as pessoas com valores mais liberais têm sido favoráveis à despenalização do aborto, e as pessoas ou instituições mais conservadoras ou autoritárias têm reprimido o aborto (ex: Hitler, Estaline). Mas existem excepções muito importantes (ex: a ditadura comunista chinesa com a sua política de filho único acabava por efectivamente encorajar o aborto), e do ponto de vista teórico ambas as posições são consistentes com os princípios individualistas e liberais (afinal, não é anti-liberal proibir o homicídio de um inocente, se é isso que a pessoa em causa acredita que se trata).
Na questão da eutanásia, ou suicídio assistido, ou situações desse tipo, a posição liberal é inequívoca: o estado ou a comunidade não deve interferir na liberdade individual, não deve dizer a cada um o que fazer com a sua vida.
É esta uma posição extremista, ingénua, insensível, superficial? Cada um fará a sua própria opinião. As pessoas liberais acreditarão que não, as pessoas anti-liberais poderão acreditar que sim.
GostarGostar