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Oportunidade perdida

26 Fevereiro, 2008

Há duas opções políticas da ministra da educação que a conduziram ao pântano em que ela se encontra:

1. A decisão de promover mais de 25% do corpo docente ao topo da hierarquia validando dessa forma o sistema de promoções por antiguidade que vigorava anteriormente.

2. A decisão de responsabilizar e avaliar os docentes antes de responsabilizar e avaliar as escolas.

Estas duas medidas colocam no topo do processo de avaliação e no topo da gestão aqueles que foram seleccionados pelos métodos do passado. Estas medidas, que agradam aos sindicatos e à hierarquia, prolongam os efeitos de um mau sistema de avaliação por mais 15 ou 20 anos.

24 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Fevereiro, 2008 13:00

    De facto, a decisao do ponto 1 nao me parece nada correcta. Se fosse possível voltar atrás e começar do príncipio. Era bem melhor.

    Se alguém metesse essa coisa nos tribunais que anulasssem isso podia ser que o governo tivesse assim uma desculpa para voltar atrás e começar de novo.

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  2. Piscoiso's avatar
    26 Fevereiro, 2008 13:02

    Ainda que não concorde com a verborreia habitual do Comissário Miranda, concordo, grosso-modo, com o arengado no último parágrafo.
    Se os avaliadores foram seleccionados por métodos do passado, tenderão a prolongar o que é passado.

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  3. Desconhecida's avatar
    BRITANNICUS permalink
    26 Fevereiro, 2008 13:18

    “As pessoas estão sempre a querer que os professores mudem. Raramente isto foi tão verdadeiro como o tem sido nos últimos tempos. Como todos os momentos de crise económica, os tempos actuais de competitividade global estão a originar um imenso pânico moral sobre a maneira como estamos a preparar as gerações do futuro nos nossos países. Em momentos como este, a educação, em geral, e as escolas, em particular, tornam-se naquilo a que A. H. Hasley chamou «o cesto de papéis da sociedade»; receptáculos de políticas nos quais são depositados, sem cerimónia, os problemas não resolvidos e insolúveis da sociedade. Pouca gente quer fazer algo relativamente à economia, mas todos — os políticos, os meios de comunicação de massas e o público em geral — querem fazer algo na educação.»

    A. H. Hasley

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  4. BRITANNICUS's avatar
    26 Fevereiro, 2008 13:29

    O furor avalicionista voga de vento e popa. Não deixa, aliás, de ser curioso que sejam os ministérios ditos sociais (saúde, educação)a serem vítimas deste furor quantitativo e mensurador.Toda a gente quer fazer coisas na educação mas,por favor, precisamos de alguém que faça alguma coisa na economia para acabar com um quinto das crianças pobres que todos os dias passam pelos portões da escola. E já agora lhes gritem aos ouvidos : “tens de ter sucesso, tens de ter sucesso, tens de ter sucesso…”

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  5. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Fevereiro, 2008 13:31

    of topic
    os ocupas também atacaram o arrastao?

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  6. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Fevereiro, 2008 13:34

    oops já está normal.
    mas à pouco apareceu-me uma página deveras estranha. Dizia para escrever lá o que quisesse.

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  7. tt's avatar
    26 Fevereiro, 2008 14:10

    Muito bem, João Miranda!

    Se às duas enormidades que apontou juntarmos a decisão de lançar a avaliação docente como processo de ordenação de professores com fins exclusivamente gradativos e economicistas, fica claro que o ME:

    – Não atribui qualquer valor ao mérito profissional;
    – Não tem como meta a melhoria da qualidade do ensino;
    – Não tem os alunos no centro das suas preocupações;
    – Não se auto-avalia.

    Já passámos a fase do “mais do mesmo”. Entrámos, claramente, na fase do “cada vez menos”.

    Esta “escola pública”, ou melhor, esta “escola estatal” já não tem futuro.

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  8. Desconhecida's avatar
    Assessor-Mor permalink
    26 Fevereiro, 2008 14:55

    Piscoiso,

    Está despedido!

    Passe cá para acertarmos as contas deste mês.

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  9. Zé Centrista's avatar
    26 Fevereiro, 2008 15:22

    Uma análise interessante. Pergunta-se epsnas porque é que ninguém pesnosu nela antes…

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  10. Carlos's avatar
    26 Fevereiro, 2008 15:24

    Muito bem JM.
    Mas não pelos motivos apontados em tt Diz: 26 Fevereiro, 2008 às 2:10 pm …
    Estou muito de acordo com as medidas que a ministra quer aplicar (nomeadamente a avaliação de prof, aulas de substituição e carreiras docentes).
    Mas esses dois pontos que aponta são erros de decisão da ministra.

    No 1º caso, a ministra foi sensível à antiguidade como critério para a promoção, quando deveria atender à competência. Entre um recente e excelente professor acabado de entrar no mercado de ensino, e um professor com 30 anos de casa com uma avaliação profissional menor, deveria ser escolhido o primeiro. Isso poria em igualdade de oportunidades todo o corpo docente.

    No 2ºcaso ainda tem mais razão. Uma escola na responsabilidade dum director e dum conselho executivo, teria todo o interesse em avaliar e selecionar o seu grupo de professores, de modo a poder apresentar os melhores resultados possíveis. Funcionaria com o espírito duma escola privada.

    Ainda acrescentaria mais um item.
    A ministra não começou por avaliar as escolas e responsabilizá-las como um todo, e o facto de pedir ao corpo docente dessa escola para resolver internamente a avalição dos professores, é turtuosa e levará a compadrios. Neste caso a avaliação deveria ser feita por entidade exterior à escola (e ao ministério). Por exemplo, a restruturação dos bancos, muito elogiada, foi levada a cabo por empresas exteriores que conseguiam avaliar a produtividade de cada secção e de cada empregado num posto de trabalho.

    A avaliação (de escolas e professores) é necessária e a escola deve servir melhor (em primeiro lugar) os alunos.

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  11. tt's avatar
    26 Fevereiro, 2008 15:29

    Desculpe lá, Carlos, mas parece-me que estamos perfeitamente de acordo.

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  12. Zé Centrista's avatar
    26 Fevereiro, 2008 15:44

    Esta discussão faz-me lembrar a história do velho, do burro e da criança. Qualquer que fosse a decisão seria sempre criticada. É isto que aprecio no Sócrates: decide! Diálogo mais diálogo, já bastou o Guterres.
    Cumps

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  13. tt's avatar
    26 Fevereiro, 2008 16:07

    O Sô Zé tm muita razão:

    Sócrates decide e avança. Frequentemente por caminhos ínvios, o que o torna ainda mais fantástico aos olhos da igualmente fantástica horda de chicos-espertos à portuguesa.

    Cumprimentos também para si, homem. E as melhoras.

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  14. Zé Centrista's avatar
    26 Fevereiro, 2008 17:33

    Tt

    Pois é home, sou do povo mas acabei o antigo 7ºano. Valha-nos, no entanto, a democracia. O meu voto vale tanto como o dum Doutorado. Imaginemos o que esta país Governado pelo homem de gaia que um dia ri outro chora. O^povo tem uma imensa sabedoria. escolheu o Sócrates para pôr a “malandrage” na linha.É por isso, que eu e a minha Maria, “Botamos nele”. Força Sócrates.

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  15. Desconhecida's avatar
    avaliador mor permalink
    26 Fevereiro, 2008 17:34

    O problema é mais complexo do que isso.
    Na realidade, seja qual for o sistema de avaliação, ele depende de avaliadores e de indicadores estabelecidos. Estes dois factores, neste país, em 2008, não poderão nunca funcionar bem.
    Se a educação é um bem essencial e a sociedade decide investir nisso seria preferível dar os bónus sob a forma de melhores condições de trabalho para os professores e alunos e apoios para os projectos que os mais diligentes quisessem apresentar. E claro partir de uma remuneração base decente.

    Aposto que os professores andavam calados se houvesse redução do número de alunos por turma, racionalização de programas e currícula, instalações adequadas, cultura de exigência protagonizada pelos dirigentes máximos, legislação simplificada, procedimentos transparentes, actuação calendarizada de forma a não implementar mudanças de forma atabalhoada, etc.

    Se não houver competência gerada à partida ela não poderá ser estimulada com avaliações. Se há, é dar-lhe os meios para ela ser melhor aproveitada em porojectos aliciantes para prof.s e alunos.

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  16. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Fevereiro, 2008 19:09

    Paradoxalmente os que tanto se preocupam com a avaliação dos professores, como forma de os destinguir, são os que há décadas, têm impedido os professores de avaliar, convenientemente, os alunos como forma de os destinguir e premiar a inteligência e o esforço de cada um.
    A responsabilidade do descalabro a que chegou o Ensino em Portugal não pode ser assacada á formação dos professores, muito menos ao desvelo com que geralmente tratam os alunos.
    A vida de grande parte dos professores, nas últimas três décadas, foi uma odisseia que apenas teve como recompensa o prazer de ensinar e educar.
    A responsabilidade do caos a que chegou o Ensino em Portugal pode ser atribuida, com justiça, quase inteiramente, aos responsáveis que passaram pelo Ministério da Educação que, ao invés de orientarem claramente os professores, com as suas directrizes, em muitos casos contraditórias, que apenas serviram, e ainda servem, para confundir quando deveriam esclarecer e guiar sobre os objectivos a atingir que, não deven ser outros que a formação integral de cada aluno como indivíduo único, consequentemente diferente de todos os outros que, não pode ser aferido num ensino igualitário.

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  17. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    26 Fevereiro, 2008 19:11

    Paradoxalmente os que tanto se preocupam com a avaliação dos professores, como forma de os destinguir, são os que há décadas, têm impedido os professores de avaliar, convenientemente, os alunos como forma de os destinguir e premiar a inteligência e o esforço de cada um.
    A responsabilidade do descalabro a que chegou o Ensino em Portugal não pode ser assacada á formação dos professores, muito menos ao desvelo com que geralmente tratam os alunos.
    A vida de grande parte dos professores, nas últimas três décadas, foi uma odisseia que apenas teve como recompensa o prazer de ensinar e educar.
    A responsabilidade do caos a que chegou o Ensino em Portugal pode ser atribuida, com justiça, quase inteiramente, aos responsáveis que passaram pelo Ministério da Educação que, ao invés de orientarem claramente os professores, com as suas directrizes, em muitos casos contraditórias, que apenas serviram, e ainda servem, para confundir quando deveriam esclarecer e guiar sobre os objectivos a atingir que, não devem ser outros que a formação integral de cada aluno como indivíduo único, consequentemente diferente de todos os outros que, não pode ser aferido num ensino igualitário.

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  18. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    26 Fevereiro, 2008 19:23

    A autonomia das esco1as e a ava1iação por mérito é o motor para que se concretizem as me1horias que aponta,caro Ava1iador!

    Tirar o ME do centro do sistema !Burocratas,funcionários,po1íticos tudo 1onge da esco1a!

    Oxa1á os professores percebam que a Esco1a será de1es,quando funcionar com resu1tados,com mérito! Sem os concursos anuais (um circo ) sem fa1tas justificadas que mais ninguem tem,sem “furos”, com um horário decente.

    Ontem ouviu-se dizer que a Ministra conseguiu unir os professores!Pois é ,mas,mais difici1 ainda,conseguiu unir os pais,os cidadãos!

    E, no estanto, ninguem está contra os professores.Sim, contra este sistema que emba1a o berço…

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  19. Zé Centrista's avatar
    26 Fevereiro, 2008 19:26

    O que precisamos é ter uma escola pública que funcione bem, ode se responsabilizaem que nela participe e se preste contas do respectivo desempenho. Todos os stakeholders devem participar. A Ministra teve ontem um excelente desempenho. pela minha parte aprecio e sei que os bons professores concordam com as mudanças.

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  20. Beirão, o Velho do Restelo's avatar
    Beirão, o Velho do Restelo permalink
    26 Fevereiro, 2008 19:41

    Já sabem a solução escolar para o problema da educação?
    -Recriação do ensino técnico(área industrial e comércio)
    -Exames nacionais em todos os níveis
    -Avaliação consequente dos professores
    -Criação das condições inerentes pelo estado

    A não ser assim continuam a nivelar por baixo e qualquer dia todos os engenheiros têm o canudo das novas oportunidades

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  21. Silvaaaaa's avatar
    Silvaaaaa permalink
    26 Fevereiro, 2008 20:24

    João Miranda, a avaliação externa das escolas está no terreno desde 2006.

    http://www.ige.min-edu.pt/_PT/content_01.asp?BtreeID=03/01&treeID=03/01/03/01&auxID=

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  22. Desconhecida's avatar
    Avaliador Mor permalink
    26 Fevereiro, 2008 22:22

    A medida do mérito é mais do que relativa num sistema desregulado e heterogéneo como este: é cientificamente inexecutável. O esforço e a entropia introduzida no sistema são um preço muito alto para a quimera que se pretende erguer. Firmas e multinacionais de topo a nível mundial implementam sistemas destinados a premiar o mérito que são rapidamente torpedeados porque o Mundo dos Homens é um sistema dinâmico, negocial e complexo. Esta avaliação está longe de ter o suporte científico que lhe estão atribuír. A lém disso a competição é a antítese da motivação principal que as escolas deviam incutir nos alunos: o espírito de cooperação.

    A Autonomia devia permitir a criação de sistemas de avaliação diversificados e negociados na comunidade escolar. Não se ensina pessoas a serem autónomas e empreendedoras submergindo-as no dirigismo voluntarista. As escolas que têm tido lideranças competentes, motivadoras e inovadoras têm bons resultados. Não vão ter melhores resultados com este sistema de avaliação.

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  23. Fafe's avatar
    26 Fevereiro, 2008 23:01

    Estes tempos!…
    Já se deram ao luxo exótico de ler o pomposo Estatuto do Aluno?

    Não? Eu acho que aquilo é inconstitucional: então um alunozeco (uso a terminologia da ministra) esforça-se por reprovar (chama-se agora ficar retido) e é logo envolvido numa teia burocrática que o obriga a ser aprovado? Além de ser injusto quanto às suas expectativas enquanto ser individual que se pretende autodeterminar e manter c’os amigos (que é para isso que vai à escola), pode afectar irreversivelmente o seu estado psicológico na capacidade para voltear o polegar no telemóvel.

    O que é que preferem? Imbecis ou idiotas?

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  24. Ruben's avatar
    27 Fevereiro, 2008 00:55

    .
    Só há que Regionalizar (ter Poder e Dinheiro dos Impostos, assumindo todas as responsabilidades por vitórias e fracassos directamente perante o eleitorado), diferente de Descentralizar (ter Poder e Dinheiro dos Impostos, sendo a culpa por erros e fracassos sempre doutros perante o eleitorado).
    .
    É apenas este o erro crasso dos intelectuais que “o poder lhes subiu á cabeça” e levam um “grande baile”. Vaidades académicas, teóricos da fantasia politica sem a simplicidadee da “realpolitic”

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