Don’t blame it on your parents.
Uma obra particularmente interessante, no que respeita ao desenvolvimento das crianças e dos jovens e das suas interacções com os diferentes tipos de pessoas com as quais contactam, é “The nurture assumption”, de Judith Rich Harris (1998).
No livro é defendida a ideia segundo a qual, no que respeita a factores não-genéticos, a influência dos pais sobre os filhos é muito inferior à influência do grupo de pessoas de idade semelhante no qual cada jovem se insere. A autora defende a falsidade do que chama “The nurture assumption” – a ideia segundo a qual “what influences children’s development, apart from their genes, is the way their parents bring them up”.
Para a autora, que defende a “Group socialization theory”: “the group is the natural environment of the child”; “children identify with a group of others like themselves and take on the norms of the group”; “they don’t identify with their parents because parents are not people like themselves – parents are grownups”. Harris, na conclusão da obra, alerta – “As for what’s wrong with you: Don’t blame it on your parents”.
Em suma, uma obra cuja leitura se poderá sugerir, tendo em conta o momento actual de debate sobre temas de educação.
José Pedro Lopes Nunes

Por acaso não concordo nada com a ideia. Eu defendo antes que os pais são os escultores dos filhos. As crianças mais influenciadas pelas companhias são aquelas que são deixadas por si próprias. Basta comparar os comportamentos escolares e o sucesso na vida de uns e de outros.
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«No livro é defendida a ideia segundo a qual, no que respeita a factores não-genéticos, a influência dos pais sobre os filhos é muito inferior à influência do grupo de pessoas de idade semelhante no qual cada jovem se insere.»
Um bocado forçado. São os pais que escolhem, directa ou indirectamente, onde os filhos se inserem. Só quando chegam à secundária é que essas influências dos pares se fazem sentir mais notoriamente…
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Querem descobrir a roda outra vez.
O que dizem os antigos sobre isso? O Rousseau, já sabemos. Mas, antes desse, o que diziam os outros?
E o que nos diz a nossa experiência pessoal? Que se os pais não educam, alguém o fará. De uma maneira ou doutra.
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Esta ideia é muito engraçada.
Se quem influencia significativamente os jovens são os outros jovens, quem é que influencia os outros jovens?
Isto não será uma pescadinha de cauda nos lábios?
Os meus filhos apanharam piolhos por contágio das outras crianças com piolhos, que por sua vez os apanharam por… contágio com as outras crianças…
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Olha, alguns pais cairam agora do céu… que anjinhos. Meus amiguinhos, a influência do grupo começpa logo no infantário e prolonga-se pela vida fora. E os pais nunca (ouçam bem..) têm o controlo total, nem sobre a educação nem sobre o meio em que os filhos se inserem. Os pais são quase sempre totalmente ultrapassados nesses assuntos. Quanto ao kramer, nem percebo a sua dúvida.
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A influencia dos pais é por vezes o contrário. Os filhos nao querem ser como os pais. Por exemplo há muitas crianças que para serem do contra até sao do outro clube de futebol.
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“A influencia dos pais é por vezes o contrário. Os filhos nao querem ser como os pais”
Mas isso é novamente influência dos pais.
Quanto aos pais não terem controlo total, claro que não têm. Mas são eles que de uma maneira geral encaminham os filhos, para bem ou para mal. E o que eu acho extraordinário é ver como de tenra idade as crianças absorvem a atitude dos pais e se comportam como eles. As crianças são esponjas de tudo inclusivé da personalidade dos progenitores. Quanto mais contacto com os pais, mais esta influência se faz sentir. É natural que aqueles que passam o dia inteiro em créches e depois na escola estejam menos sujeitos a esta influência.
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É das tais verdades que terá dificuldades.
Abana com a família.
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“E os pais nunca (ouçam bem..) têm o controlo total”
É pá este caramelo 5 é muito inteligente! Descobriu a pólvora e até consegue desmentir aquilo QUE NINGUÉM DISSE.
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“Um bocado forçado. São os pais que escolhem, directa ou indirectamente, onde os filhos se inserem. Só quando chegam à secundária é que essas influências dos pares se fazem sentir mais notoriamente…”
E no secundário somos nós que escolhemos ou podemos continuar também a influenciar
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“Basta comparar os comportamentos escolares e o sucesso na vida de uns e de outros.”
Os dois melhores alunos da minha turma no secundário eram meio-orfãos (e ambos as mães trabalhavam). E em tempos o Expresso fez uma reportagem sobre alguns dos melhores alunos em Portugal e também havia uma carrada de orfãos, logo a atenção dos pais talvez não seja tão importante como isso (é verdade que um dos meus colegas vivia com os avós, que talvez contem como “pais” para o assunto em questão).
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A ideia é gira. É pena que não se tenha ouvido nada sobre a sua fundamentação. Testes empíricos, etc, essa chatice …
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Talvez essa separação entre genes e ambiente não seja assim tão linear – pode ser que os genes afectem a forma como o ambiente nos influencia (se calhar há crianças cujos genes as levam a ser influenciadas sobretudo pelos “pares”, outras cujos genes as fazem ser influenciadas mais pelos pais e outras cujos genes as tornam pouco influenciavéis)
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Acho que isto é tudo muito relativo. Genes, backround familiar e grupos de amigos são apenas componentes de uma mistura. A influência exercida pelos grupos onde as crianças se inserem é tanto menor quanto maior for o peso familiar e ambas as coisas são limitadas ou exponenciadas pelas tendências genéticas. De qualquer forma acho estes estudos muito interessantes.
E relativamente ao que diz o Miguel Madeira parece-me que às vezes os putos têm menos atenção numa família dita normal (pai/mãe) do que quando assumidamente falta um dos elementos e é feito um esforço extra para compensar essa falta.
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“E os pais nunca (ouçam bem..) têm o controlo total”
É pá este caramelo 5 é muito inteligente! Descobriu a pólvora e até consegue desmentir aquilo QUE NINGUÉM DISSE.”
Referia-me a isto que disse a Tina, e que muitos outros pensam:
“Eu defendo antes que os pais são os escultores dos filhos.”
Era bom, era. Eu sei que qualquer pai tem sempre a ilusão de que o seu filho é feito e criado à sua imagem e semelhança. É claro que o ambiente familiar, a educação incutida pelos pais e a escolha do meio em que a criança se move (incluindo aescolha dos amigos dos filhos…:)) tem sempre algum peso. Só acho que esse peso é bastante sobrestimado. É assim cada vez menos, á medida que as relações de grupo se vão reforçando, através dos novos meios: não só a escola como, sobretudo, a internet. Mas raros pais assumirão (ou aceitarão para si próprios) a sua relativa irrelevância…
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“E relativamente ao que diz o Miguel Madeira parece-me que às vezes os putos têm menos atenção numa família dita normal (pai/mãe) do que quando assumidamente falta um dos elementos e é feito um esforço extra para compensar essa falta.”
Exacto, como nas grandes fortunas portuguesas e estrangeiras. Sempre de familias.
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“Os dois melhores alunos da minha turma no secundário eram meio-orfãos (e ambos as mães trabalhavam). E em tempos o Expresso fez uma reportagem sobre alguns dos melhores alunos em Portugal e também havia uma carrada de orfãos,”
Por norma, aquelas crianças que têm mais atenção dos pais são melhor encaminhadas do que as outras. Se houver alguém a dar igual atenção, serão igualmente bem encaminhados. Pais ou não, acredito que as crianças são bastante influenciadas pela presença mais constante na sua vida.
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Não contradiz nada do que conheço. Os pais são a referência em idades baixas. Como a Tina diz, os pais são os escultores. Sabe-se que, a partir dos 12 anos, a obra está completa porque a partir daí a influência predominante passa para os pares.
Só as grandes esculturas estão aptas para resistir às intempéries. Devido à educação recebida, um adolescente, escolherá os pares que se identificam com a educação recebida. As rebeldias serão afirmação do eu, experiência de autonomia, e não indisciplina. Quando os pares são desviantes, passada a adolescência, o jovem retoma a sua identidade.
Com uma frágil educação parental, o jovem tem receio de enfrentar o mundo sozinho, e procura outros semelhantes que se afirmarão como conseguirem. Poderá, também, cair no domínio de alguém mal formado que não distingue o bem do mal.
Todos os adolescentes são vulneraveis aos restantes adolescentes/jovens e por isso influenciaveis. É a idade de construção da autonomia e por isso se libertam mais dos pais. Devem continuar a ser acompanhados para que as experiências de autonomia conduzam a resultados satisfatórios e compensadores, ou seja, por um lado que aprendam a ser cada vez mais autónomos, e por outro que o queiram ser. A responsabilidade partilhada com os adultos é um pilar importante para o aprender a ser entre os iguais.
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Caro JPLN,
talvez não seja lá muito bom exemplo, atendendo ao estado (segundo os próprios!) do sistema de ensino pré-universitário nos USA
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Curiosamente, tudo influencia desde a infância à adolescência. Nunca há controle total nem é suposto haver, a não ser que se queira escolher o noivo ou noiva. Os miúdos preferem os pokemons, as miúdas as barbies. Podem os pais e mães ter influência nisso ? Dificilmente, pois da televisão a revistas (se lerem ou folhearem) aos amiguinhos, estão os pokemons e barbies em todo o lado.
Mas pode-se influenciar com a barbie do Sporting e sem taser, ou o pokemon do benfica e sem lança chamas. Esse é um caminho e fácil para quem está presente.
Pode-se influenciar os jogos, horários de estudo, e saídas nocturnas até tarde. Pode-se ajudar a escolher a faculdade mesmo que não o curso. Pode-se ir buscar ao concerto se este é longe e acaba tarde, ou dizer que não pode ir porque é longe e acaba tarde. Pode-se proteger de saídas que se ache mal, ou influenciar para ir para uns campos de verão ou não.
Curiosamente, pode-se fazer tanta coisa, aonde depois os filhos serão influenciados por outros factores e pessoas, que nós ajudamos a escolher ou não.
Curiosamente, numa tentativa de “mirandês” e em linguagem económica, qualquer seguradora dirá :
Num mundo perfeito, não há acidentes. Mas eles acontecem.
Mas num carro sem travões, as hipóteses são maiores.
Em formula 1, com estradas fictícias, há um só piloto.
Nos rallies, é preciso piloto e co-piloto, pois as estradas são reais.
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