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Cheap talk

30 Abril, 2008

Manuel Pinho pede à Concorrência que analise subida dos combustíveis

O Ministério da Economia e da Inovação anunciou hoje que pediu à Autoridade da Concorrência (AdC) para que analise, com urgência, a formação do preço de combustíveis em Portugal, de forma a garantir que este reflicta os custos de produção.

Esta é uma forma barata de fazer política. Mandam-se umas bocas, alimentam-se teorias da conspiração, alimentam-se os fantasmas da população, faz-se demagogia, ganha-se um pouco de popularidade. De resto, o ministro da economia tem obrigação de saber que o preço numa economia de mercado não tem que reflectir (apenas) os custos de produção. E a Autoridade da Concorrência não serve para garantir que os preços reflictam (apenas) os custos de produção. Formas de tornar o mercado dos combustíveis mais eficiente (por exemplo, tornando o acesso aos portos mais fácil aos distribuidores ou permitindo a construção de refinarias a concorrentes da GALP) é que nem vê-las.

Seja como for, a alta do preço dos combustíveis vem mais uma vez revelar a contradição entre a retórica e a realidade. Este é o governo que tanto tem defendido as energias alternativas e os transportes públicos. A alta do preço dos combustíveis vem mesmo a calhar.

Ana Matos Pires: Seis

20 comentários leave one →
  1. Desconhecida's avatar
    honni soit qui mal y pense permalink
    30 Abril, 2008 16:26

    O Manuelzinho é um gato com sete vidas, e muito “pessonovante” de la Alta Finanza .
    Afinal energias alternativas paga-mo-las nós com belos impostos.

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  2. Tarzan's avatar
    30 Abril, 2008 16:37

    «de forma a garantir que este reflicta os custos de produção.»

    É porque o ministro já pressupõe que o mercado dos combustíveis é concorrencial.

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  3. Manuel Martinho's avatar
    30 Abril, 2008 16:37

    O problema neste mercado é que se encontra em concorrência monopolística, numa situação em que os agentes têm a percepção de que as barreiras à entrada (no retalho) podem ser aproveitadas em benefício próprio.

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  4. Justiça de Fafe's avatar
    Justiça de Fafe permalink
    30 Abril, 2008 16:39

    O que ele qiz foi que se soubesse disto.
    Quanto aos resultados: e o ISP; e o IVA?

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  5. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    30 Abril, 2008 16:39

    E não é que o bloco acaba de acusar o governo de ter renovado um contrato por mais 27 anos com uma empresa chamada Mota-Engil?

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  6. Desconhecida's avatar
    Anónimo permalink
    30 Abril, 2008 16:41

    Com cartéis, monopólios e oligopólios não há liberalizações honestas, só há liberalizações otárias, ou encapotadas, dependendo do ponto de vista do interessado.

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  7. Justiça de Fafe's avatar
    Justiça de Fafe permalink
    30 Abril, 2008 16:46

    Só o Louçã é q viu o golpe Coelho!

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  8. Carlos Duarte's avatar
    Carlos Duarte permalink
    30 Abril, 2008 16:51

    Ò JM,

    Como você sabe muito bem, o principal problema é para além duma carga fiscal excessiva, incluíndo ilegalidades como o IVA ser cobrado sobre o ISP, existe efectivamente uma cartelização dos fornecedores de combustível. E em relação a abrir portos e construir refinarias, não tem interesse porque a gasolina e o diesel são vendidos como commodities e dependem ou a) do preço do mercado (em spot) ou b) de acordos de compra (ou mesmo c), mercados de futuros). Quem quiser pode importar combustível de Espanha e não é por isso que fica mais barato…

    Agora, acho muito bem que se permita a concorrência na refinação, mas NÃO porque vai baixar preços dos combustíveis (porque não vai), mas porque pode baixar os preços de alguns refinados e produtos upstream que são vendidos fora do mercado.

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  9. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    30 Abril, 2008 17:30

    ««Como você sabe muito bem, o principal problema é para além duma carga fiscal excessiva, incluíndo ilegalidades como o IVA ser cobrado sobre o ISP, existe efectivamente uma cartelização dos fornecedores de combustível.»»

    Como é que se prova a existência de um cartel?

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  10. maispraiaspopuarto's avatar
    maispraiaspopuarto permalink
    30 Abril, 2008 17:37

    “Este é o governo que tanto tem defendido as energias alternativas e os transportes públicos.”
    Este é também o governo que vai construir mais um travessia sobre o Tejo, um aeroporto, umas quantas auto-estradas, etc,etc. Só estímulos…

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  11. Rxc's avatar
    Rxc permalink
    30 Abril, 2008 17:39

    Um bom indicador disso pode ser o facto de os preços terem o mesmo comportamento seja qual for o fornecedor. Também pode ser apenas coincidência…

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  12. JoaoMiranda's avatar
    JoaoMiranda permalink*
    30 Abril, 2008 17:43

    ««Um bom indicador disso pode ser o facto de os preços terem o mesmo comportamento seja qual for o fornecedor. »»

    Isso é igualmente um sinal de concorrência. Isto é, nos mercados concorrenciais as empresas também acompanham os preços umas das outras, caso contrários as que tivessem preços mais elevados perderiam quota de mercado.

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  13. Luis Moreira's avatar
    Luis Moreira permalink
    30 Abril, 2008 19:11

    Pois, mas a Galp recebeu de mão beijada as instalações de refinação e distribuição por grosso e aumenta os preços quando quer.O regulador assobia para o ar porque se não tem o mesmo destino do Abel Mateus.

    E com as redes de telecomunicações foi tudo oferecido á PT! Num caso e noutro terá isto a ver com o pagarmos os preços mais altos da UE?

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  14. Tonibler's avatar
    30 Abril, 2008 22:40

    “Como se prova a existência de um cartel?”
    Não tem que se provar. Basta suspeitar e fundamentar, creio. Depois o ónus da prova fica do outro lado.

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  15. RV's avatar
    30 Abril, 2008 23:47

    * O Estado recolhe mais IVA de cada vez que o preço base dos combustíveis sobre;

    * A Galp Energia tem em Portugal uma quota de mercado de produtos refinados de 51% e de aproximadamente 37% no mercado de retalho de combustíveis;

    * A Parpública – Participações Públicas, (SGPS), S.A, ou seja o Estado, é o terceiro maior accionista da Galp Energia, com 7,004% (logo depois da ENI S.p.A e da Amorim Energia, B.V., ambas com 33,34%);

    * O crude que compramos expressa-se em euros e não em dólares.

    Porque diabos andam aqui a falar de mercado concorrencial? Uma única empresa controla o mercado!

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  16. nem estranho não estranhar's avatar
    nem estranho não estranhar permalink
    1 Maio, 2008 00:01

    Eu nem estranho não estranhar, mas ainda ando a pensar nas promessas feitas benefícios quando foi decretada a liberalização do preço das gasolinas.. Quê, há um ano?
    Demos gás a mais a isto e foi só subir.

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  17. Desconhecida's avatar
    Rui permalink
    1 Maio, 2008 05:14

    Economia de mercado? Sim. Mas não de mercado livre. Caso contrário, não existiria um proteccionismo de cartelizações oligárquicas como a que acontece no petróleo.

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  18. Desconhecida's avatar
    Tribunus permalink
    1 Maio, 2008 19:24

    Socrates e o seu governo, mostraram que não governam, mas sim vão reboque das situações. Esta dos combustiveis è um exemplo tipico de refinados aldrabões que dizem (agora) vão rever a contituição dos preços dos combustiveis. O ar de espertalhão de Socrates, quando disse ao Portas ,que naquele dia tinha pedido
    ao regulador o que o Portas vinha agora falar, è para rir de tanta parvoice! Como esplica Socrates, com uma só empresa a refinar, com os combustiveis a serem comprados a 90 dias, que não sabe os niveis das reservas dos mesmos? só aqui, um depósito
    da Galp sofre 3 aumentos com o mesmo custo! è mentira, pois venha da quem explique isto!

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  19. Desconhecida's avatar
    honni soit qui mal y pense permalink
    1 Maio, 2008 19:39

    É de facto um espertalhão vigarista.Capaz de vender carros em segunda mão como novos.
    Vendeu em 2005 , em Fevereiro.
    E muita gentinha , uma maioria absoluta , comprou.
    Não andam ?
    Queixem-se agora .

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  20. RV's avatar
    2 Maio, 2008 09:13

    Hoje no DN, a dose diária de demagogia: «Fonte governamental alerta que o peso dos impostos nos combustíveis até caiu face à subida do preço sem impostos.» Pode alguém explicar a esta fonte governamental que sendo peso=imposto/preço, basta que o preço aumente para que esse peso baixe?

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