Maio de 2008 *

O melhor dos liberais franceses (embora a colheita não seja abundante), Guy Sorman, tem uma visão positiva do Maio de 68: abriram-se janelas em cada um de nós, os excessos foram “desvios”, já que a sua essência era não violenta, “um cruzamento entre hippies e Gandhi”. Sobretudo, escreveu, a utopia então clamada encontrou-se com a lógica vital do Ocidente que é a “capacidade de se reinventar”.
Desta vez, Sorman exagerou. No que disse e no que omitiu. Dali despontaram os grupos terroristas que assassinaram em Itália, Alemanha e na América Latina. Os que berraram nas ruas de Paris há 40 anos falharam em quase tudo: exigiam a liberdade em nome de Mao!
Mudou o que tinha de mudar para o bem e para o mal e não por causa deles. Apesar de a geração de 68 estar no poder em toda a parte, o Mundo está cada vez mais igual ao que era, principalmente nos seus piores aspectos.

O homem está de volta.
PSL, em grande forma, desta vez mostra o caminho do PSD. E do país?
Deu uma excelente entrevista à RTP. Foi crítico com os seus adversários sem ser caceteiro. Não diz ser liberal nem reformista mas promete reduzir em 100 mil funcionários públicos, sem recorrer às manigâncias da CA.
Ora, é este savoir faire que falta ao PSD.
O PSD tem pelo menos dois candidatos: Ferreira Leite e PSL.
Daqui a uma semana teremos oportunidade de conhecer em profundidade o que pensam estes candidatos. Hoje PSL marcou pontos pelo que disse. Ferreira Leite pelo que não disse.
Cuida-te Pinócrates. A tua hora está a chegar. 😉
GostarGostar
“Dali despontaram os grupos terroristas que assassinaram em Itália, Alemanha e na América Latina.”
Os grupos “terroristas”/”guerrilheiros” da América Latina apareceram na sequência da Revolução Cubana (quase 10 anos antes!); quanto aos protestos estudantis na Alemanha (que deram origem a Baader-Meinhoff e grupos afins) começaram antes do Maio de 68 francês.
“Os que berraram nas ruas de Paris há 40 anos falharam em quase tudo: exigiam a liberdade em nome de Mao!”
Os maoistas franceses nem eram entusiastas do Maio 68 – nos primeiros dias denunciaram-no como um movimento “pequeno burguês” e só mudaram de posição quando o proprio Mao organizou um desfile em Pequim de apoio.
Os estudantes de 68 eram basicamente anarquistas (como Cohn-Bendit), trotskistas (como Krivine) ou maioritariamente esquerdistas não-alinhados, não maoistas (o maoísmo só entro na moda nos anos 70).
GostarGostar
Há vários livros em francês, para se perceber o que foi Maio de 68. Não foi nada disto que está escrito na crónica.
E é perigoso, avançar com ideias erradas, baseadas em mitos, historicamente deslocados.
Há uma coincidência, no terrorismo dos anos setenta. A Itália, a Alemanha e o Japão, foram precisamente os paises do Eixo e onde houve terrorismo mais violento.
Por cá…houve as FP25, 10 anos depois ( meados dos oitenta).
Não faz sentido ligar o Maio de 68, ao aparecimento do terrorismo, até porque em Maio de 68, nem houve mortos. A Revolução do joli mois, foi pacífica, tirando uns tijolos arremessados a montras e uns carros incendiados.
GostarGostar
“Os que berraram nas ruas de Paris há 40 anos falharam em quase tudo: exigiam a liberdade em nome de Mao!”
Então, Marcuse e Pompidou eram maoistas?
É preciso estudar antes dos exames…!
GostarGostar
estão todos os falhado da geração de 68. a revolução da pílula contra as camisas de vénus.meses depois estava em paris a estudar e tive ocasião de apreciar o desastre in loco.
GostarGostar
Uma das Figuras do Maio de 68 em Paris, que é actualmente uma espécie de menino da mamã dos deputados europeus e da imprensa parlamentar, co-presidente dos Verdes Europeus, é autor de afirmações pedófilas, imbecis e de mau gosto.
Durante as manifestações de 1968 e, segundo eles, para chocarem os valores vigentes, despiram-se com criancinhas e estiveram a tocar nos sexos uns dos outros, ou seja, segundos os valores vigentes da actualidade, este Deputado Europeu, esteve em práticas PEDÓFILAS.
GostarGostar
Maiistas, sim.
Maoistas, não.
GostarGostar
Corriere della Sera – 30 de Novembro de 2007
Francesco Cossiga, ex-Presidente de Itália, foi forçado a demitir-se após ter revelado a existência, e a sua participação na criação, da Operação Gládio – uma rede de operações secretas sob os auspícios da NATO que executou atentados bombistas por toda a Europa nos anos 60, 70 e 80. A especialidade da Gládio era executar o que se chama “false flag operations,” ataques terroristas que eram imputados à oposição doméstica e geopolítica.
As revelações de Cossiga contribuíram para uma investigação do parlamento italiano em 2000 sobre a Gládio, durante a qual foram reveladas provas de que os ataques foram administrados pelo aparelho de inteligência americano.
GostarGostar
“Durante as manifestações de 1968 e, segundo eles, para chocarem os valores vigentes, despiram-se com criancinhas e estiveram a tocar nos sexos uns dos outros”
Penso que (de acordo com os escritos originais de DCB) isso foi nos anos 70, não nas manifestações de 68.
GostarGostar
Se alguém conseguir explicar qual é a teoria liberal que impede uma pessoa de se despir onde quiser.
GostarGostar
A única coisa que pode ligar Maio de 68 aos terroristas da década que se seguiu, é a Utopia.
Mas isso…até agora, o neo-liberalismo, partilha com esses crentes. A fé na salvação através da mudança de paradigma.
A violência, nem vem sempre da força das armas. Por vezes, impõe-se através das ideias.
Por isso é que um escapado de Maio de 1968, Luís Cília, emigrado nessa altura, cantava num disco do início dos setenta: “Contra a ideia de violência, a violência da ideia”…
GostarGostar
“O Mundo está cada vez mais igual ao que era, principalmente nos seus piores aspectos.”?
O CAA está a precisar de fazer uma viagem no tempo. Enquanto não inventam a maquineta, pode ir-se entretento a perguntar aos mais velhos a diferença entre o mundo há quarenta anos e o mundo de agora.
E a diabolização da “geração de sessenta” continua: terroristas, pedófilos, inúteis, falhados, etc. Isto deve ter qualquer explicação psicanalitica que eu ainda não alcancei.
GostarGostar
O problema foi desde que se instalou a crise dos mercados financeiros. Quando tudo corria bem com crescimento da economia mundial, era a maravilha do capitalismo, do liberalismo. As coisas correm mal, os parolos encontram logo outros culpados. Who cares! They are nuts. Metam a história deles no saco.
GostarGostar
Miguel Madeira,
«Os maoistas franceses nem eram entusiastas do Maio 68 – nos primeiros dias denunciaram-no como um movimento “pequeno burguês” e só mudaram de posição quando o proprio Mao organizou um desfile em Pequim de apoio»
Ah, então ‘mudaram de posição’ e apoiaram a revolta francesa! E não me importa o que é que asorganozações maoístas pensavam no início – o que é relevante que se gritou contra a sociedade ‘burguesa’ e favor da liberdade em nome de Mao naquela altura em Paris. Isto é um facto, ainda esta semana o ABS e o El Mundo o noticiavam.
GostarGostar
José,
«Não faz sentido ligar o Maio de 68, ao aparecimento do terrorismo, até porque em Maio de 68, nem houve mortos. A Revolução do joli mois, foi pacífica, tirando uns tijolos arremessados a montras e uns carros incendiados.»
Pacífica!!??
É melhor voltar a reler alguns desses livros – se calhar, ganha mais em optar por outros que não em francês nem escritos pelos que estão a defender a sua linda actuação.
GostarGostar
«Então, Marcuse e Pompidou eram maoistas?»
Pompidou?! Quem o Georges???
GostarGostar
«Então, Marcuse e Pompidou eram maoistas?»
Pompidou?! Quem o Georges????
GostarGostar
E desculpem lá, meninos que o eram em 1968, peço-vos perdão por vos ter beliscado os dogmas da V. geração…
GostarGostar
CAA:
Facto: houve menos mortos no Maio 68 do que por cá no 25 de Abril. E ninguém se atreve a proclamar a revolução dos cravos, como sendo uma tragédia…
Pois não? Ahahaha!
GostarGostar
Precisamente, um dos pontos que costuma ser analisado nesses livros, é a ausência de violência extrema. E explicam-na de vários modos: o trotskismo mandava mais do que o extremismo esquerdista revolucionário e a intelectualidade francesa era avessa a violências na terra deles. Nas dos outros,já não se pode dizer o mesmo.
Resumindo: o Maio de 68, em França foi uma revolução em tom suave.
GostarGostar
A grande figura intelectual do Maio 68 é Sartre. O símbolo maior. Morreu há alguns anos, desiludido com aquilo em que acreditara.
Para mim, Maio 68, morreu com ele.
GostarGostar
O CAA escreveu “os que berraram nas ruas de Paris há 40 anos falharam em quase tudo: exigiam a liberdade em nome de Mao!”, o que parece implicar que os estudantes de 68 (ou a maioria) eram pró-Mao; efectivamente, os maoístas participaram no Maio 68, mas a inversa não é verdadeira: a maioria dos 68istas não era maoista.
GostarGostar
Compare-se com a seguinte expressão: “os que apoiaram os comandos de Jaime Neves no 25 de Novembro fizeram-no em nome de Mao”; acham que isso fazia algum sentido (apesar do apoio do MRPP e da AOC ao 25/11)?
GostarGostar
Uma boa parte dos apoiantes de Maio 68, da parte estudantil, era trotskista. A JRC, fundada por Henri Weber e Alaian Krivine, entre outros, foi uma das forças mais intervencionistas na organização das manifestações.
Daniel Cohn-Bendit, era qualquer coisa, talvez anarquista, socialista utópico ou assim uma coisa cor de burro a fugir, como aliás, outros que assim fizeram naquele tempo.
Dany le rouge, era de facto um pouco noir. O irmão, Gabriel Cohn-Bendit, já com 32 anos e já professor em Saint-Lazare, esse sim, era lido em Bakunine e Kropotkine. E achava que o Estado era o mal absoluto. A propriedade também. E de Deus nem se fala. Em relação aos neo-liberais que vou conhecendo, só falha o pequeno detalhe da propriedade que o mesmo achava que era um roubo e estes entendem ser um produto do mais forte.
GostarGostar
Épá, iso são tudo minudências sem jeito nenhum! Se não gritavam Mao, gritavam outra coisa qualquer barulhenta! O que interessa é que aquilo era tudo gente daninha e malfazeja, que partia coisas às pessoas com paus e pedras e que depois deram em pôr bombas e coisas assim e nos lixaram a vida daí para a frente!
GostarGostar
Miguel Madeira:
«a maioria dos 68istas não era maoista.»
Divulgue lá os dados da sondagem…
GostarGostar
José,
Se alguma coisa caracterizou aquela coisa foi a confusão: ideológica, nos acontecimentos, nos propósitos, nos fundamentos.
Ficou a utopia desgarrada, a violência em potência que a derrota agravou, a pose da certeza moral absoluta e a tendência para a continuação da ‘luta’ por outros meios.
O que me importava dizer é que o mundo mudou onde e quando tinha de mudar – e não por causa daquela geração maldita que quis destruir sem evoluir e que se julga moralmente superior às que estavam antes e que vieram depois. E, também aí, estavam errados.
GostarGostar
Essa geração “maldita”, não desapareceu de um dia para o outro. Reciclaram as bandeiras e logo em 1973, fundaram o Libération. Sartre e Serge July, precisamente. Aquele, tinha andado com a La Cause du Peuple, na mão, a distribuir na rua.
Depois disso, reciclaram-se no…liberalismo! Tal e qual.
Quer a explicação? O José Manuel Fernandes, tem-na dado por vezes, em editoriais.
O liberalismo e fruto do Maio de 68…voilà!
E esta, hein?
GostarGostar
Por isso é que se diz que os neocons americanos, têm uma ascendência esquerdista. Bem vincada, aliás.
GostarGostar
«O liberalismo e fruto do Maio de 68…voilà!
E esta, hein?»
Já sabia, daí a condescendência de Guy Sorman.Mas, que fazer: c’est la France!
GostarGostar
sera?
GostarGostar
Eu não sei qual o espanto- desde os primórdios da humanidade que os revolucionários se sistematizaram…a dança é sempre a mesma- luta-se contra o poder para se ficar com ele e não para o modificar.
Exemplos:
Revolução Francesa: argumento principal: luta contra o despotismo monárquico (liberdade, igualdade e fraternidade). Resultados: oligarquia aterrorizante.
Revolução Bolchevique: argumento principal: luta contra o despotismo monárquico. Resultado: oligarquia aterrorizante
Maio de 68: argumento principal: liberdade e ruptura do sistema burguês. Resultado: emburguesamento das elites.
25 de abril de 74: argumento principal: democracia. resultado: partidocracia, oligarquia.
Estão a ver? Os exemplos são tantos…
GostarGostar